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Mergulho nos Emirados Árabes
Morando em Abu Dhabi Capital dos Emirados Arabes Unidos desde setembro de
2008, busquei por informações sobre onde seria possível mergulhar na região.
Não podia de deixar de conferir os melhores pontos e dar início a série de
mergulhos que virão.
Os Emirados Árabes Unidos foi criado nos anos 70 depois da descoberta do
petróleo na região. Teve uma importante participação neste processo o Sheik
Zayed de Abu Dhabi, pai do atual governante deste Emirado.
Os Emirados Árabes são compreendido em sete áreas: Abu Dhabi (a capital),
Dubai, Sharjah, Ajman, Ras Al Khaimah, Umm Al Qwain, e Fujairah. Os emirados
estão cercados por Omã, Arábia Saudita e próximo, estão o Qatar e Bahrein,
assim como Irã do outro lado do Golfo.
Soube que Mussandam, parte norte do emirado pertencente ao Sultanato de Omã,
era um ótimo local de mergulho com águas quentes, boa visibilidade e muita
vida marinha. Bem próximo encontra-se Dibba, uma pequena cidade pertencente ao
Emirado de Fujairah.
Pois bem, segui para o Hotel
JAL Fujairah Resort & Spa em Dibba onde existe uma operadora de
mergulho.
As operadores de mergulho locais estão em sua maioria, associadas a um hotel
/ resort.
Ao chegar no hotel fui direto a operadora e vi uma estrutura muito bem
organizada, sendo muito bem recebido pela equipe. Eles contam com vários
equipamentos para aluguel, inclusive rebreathers e duplas, onde praticamente
todos os equipamentos são novos. Essa operadora, a The Palms Dive Center, abriu
há 2 anos somente.
No dia do mergulho estava programado conhecer um naufrágio afastado da
costa, porém, a previsão era de vento com até 17 nós, e a guarda costeira
não permitiu a saída para este local, mas, bem em frente ao hotel existe um
ilhote conhecido como "Dibba Rock" onde há menos de 5 minutos de
inflável, chega-se ao loca, que tem profundidades variando entre 5 e 15m e
fundo de coral.
O bote inflável contava com 6 pessoas, uma instrutora com dois alunos, um
marinheiro do barco e um guia de mergulho com o qual eu iria mergulhar. Caímos
um pouco afastados do ilhote e chegamos aos 15 metros de profundidade. A
visibilidade não era das melhores, girando em torno dos 6 a 10m.
Logo chegamos ao costão do ilhote e a vida marinha começou a aparecer, uma
arraia manteiga bem grande no fundo de areia que fugiu assustada. Após alguns
minutos, chegamos aos chapeirões onde um enorme cardume de diversas espécies
nos rodeava. Neste local existe a presença de pelos menos 2 tubarões, sendo um
deles, o "Black Tip" de arrecife, que infelizmente não apareceram
neste dia. O mergulho seguiu sempre com diversos cardumes e muita vida, e após
50 minutos terminamos o mergulho e subimos no inflável para retornar a
operadora e trocar o cilindro para um segundo mergulho no mesmo local.
Não posso deixar de comentar que a região foi atingida por uma maré
vermelha no ano passado e que durou cerca de quatro meses e meio, além de um
ciclone ( Gonu ) que "devastou" o fundo de coral da região. A região
de Dibba como é mais desabrigada, sofreu bastante e realmente é nítida a
destruição dos corais, contudo, ainda assim é rico de vida marinha Em
Mussandam o impacto foi menor pelo que soube e lá continua sendo uma ótima
opção para mergulhos nos emirados. Na região de Mussandam há ocorrência de
tubarão baleia e grupos de golfinhos em certas épocas do ano.
No segundo mergulho caímos na parte rasa do ilhote onde pude ver melhor a
devastação dos corais. Nesse local, encontramos dois belíssimos Cuttlefish
(Sepiia ou Siba) bem próximo, assim como vários caranguejos, alguns
nudibrânquios, tartarugas e outros seres. Ainda restaram alguns corais e
anêmonas que colorem bem o fundo.
Acredito que há chance de recuperação do fundo, mas com certeza deve
demorar anos para voltar ao que era. O fundo do mar é cheio de surpresas o que
o torna extremamente interessante e rico em beleza, nos trazendo a fascinação.
No dia seguinte a condição de mar era perfeita e ele estava completamente
parado e sem vento algum, e sendo assim, seguimos para um naufrágio mais ao
sul, distante 15 minutos de inflável. O Naufrágio era o Inchcape 1, que foi
construído nos Estados Unidos e foi enviado para Dubai em 1971. Era barco de
transporte de passageiros e carga, tipo rebocador, que atendia as plataformas e
navios de petróleo da região, mas foi afundado em 2001 para a criação de
recife artificial.
Chegando ao local, o inflável foi amarrado a bóia que marcava o local do
naufrágio e caímos na água. Aos 18m de profundidade já era possível avistar
o naufrágio lá no fundo em posição de navegação aos 32m de profundidade. O
naufrágio é bem pequeno e tem apenas 21 metros de comprimento. O casario foi
arrancado no ciclone que ocorreu no ano passado, e seu deck ficou completamente
livre. A vida é impressionante, diversos corais, muitos cardumes, moréias, e
num pneu que estava na areia, havia um belíssimo peixe Leão. Ao final do
mergulho, tendo em vista que haviam dois alunos realizando o primeiro mergulho
profundo e aos 6m de profundidade havia preso ao inflável um cilindro com
manômetro e 3 reguladores para a minha surpresa. Iriam servir aos mergulhadores
caso fosse necessário, demonstrando uma preocupação da operadora com a
segurança dos mergulhadores. Este último mergulho deste dia ocorreu também no
Inchcape 1, porém, já havia a presença de corrente e a visibilidade estava um
pouco pior. A vida marinha continuava abundante no local.
A região dos emirados no seu lado leste onde estão localizados Dubai e Abu
Dhabi, assim como o lado oeste; Fujairah, Mussandam e Dibba, são ricos em
número de naufrágios que atendem as mais diversas certificações, desde o
básico ao mergulho técnico. A melhor estação do ano para mergulhar é no
final de abril até o mês de setembro. São os meses quentes. Porém em junho e
julho, que seria o ápice verão, a temperatura pode chegar a 50 graus celsius,
sendo muito desgastante para qualquer atividade na região.
A menor visibilidade que se pode encontrar gira em torno dos 10m, podendo
chegar facilmente aos 30m. A temperatura média de 24 graus celsius, e mesmo no
fundo, a temperatura não passa dos 15 graus.
Como não podia deixar de ser, tinha que me informar mais sobre os mergulhos
da região e assim fui apresentado ao responsável da operadora, o Glenn R. S.
Campbell, um Canadense muito simpático que é Instructor Trainer IANTD e que
possuía uma operadora de mergulho na América Central. Hoje ele é o
responsável pela operadora The Palms.
Glenn é um mergulhador super empolgado e como não poderia deixar de ser,
com vários projetos de viagens e é aficionado por naufrágios. A operadora
dele é a primeira a oferecer Trimix na região e é claro, que outras virão
atras proporcionando o mesmo serviço em breve. Em contato com o Glenn,
aproveitei a oportunidade para fazer uma entrevista com ele, pois soube que
havia um submarino alemão da segunda Guerra afundado na região, onde alguns
mergulhadores já tinham ido visitá-lo. Glenn muito interessado e prestativo,
topou a entrevista e seguimos para um café expresso no hotel.
Comecei perguntando um pouco sobre as condições de mergulho na região e
que me indicasse alguns naufrágios. É claro que Glenn, empolgado com o
submarino que encontra-se aos 120m de profundidade, comentou sobre os
naufrágios mais indicados para mergulho técnico. Ele começou a falar sobre o
Energy Determination, um naufrágio com 350m de comprimento localizado no
litoral de Dubai a 80m de profundidade, onde é possível a penetração usando
scooters.
O Energy Determination partiu de Bonaire nas Antilhas Holandesas e em
novembro de 1979 quando vinha em direção ao Golfo e carregado com petróleo
(óleo cru), houve então uma enorme explosão em um de seus tanques. A
tripulação abandonou o navio e o mesmo foi rebocado para fora da área de
navegação de navios onde, partindo-se em dois a 27m à frente da
superestrutura. A área onde o naufrágio se encontra é inclinada e vai dos 25
aos 80m de profundidade.
O mergulho é indicado para mergulhadores técnicos e experientes, pois a
possibilidade de ocorrência de correntes até 5 nós existe, além da baixa
visibilidade. É um mergulho que deve ser muito bem planejado. A corrente na
região passa perpendicular ao navio causando turbilhonamento no deck do mesmo,
o que torna difícil o mergulho, além do abandono e coleta dos stages para a
descompressão.
Glenn ligou na hora da entrevista para um amigo, para saber mais detalhes do
submarino, para me passar mais detalhes. Por coincidência, este contato já
havia mergulhado no Energy Determination na mesma semana e informou que o
naufrágio está praticamente intocado.
Ines foi um outro naufrágio comentado por Glenn. Este localiza-se na região
de Fujairah a uma profundidade máxima de 72m. O naufrágio encontra-se
emborcado onde é possível mergulhar por baixo e passar para o outro lado,
assim como penetrar e seguir da proa ao hélice. Durante toda a nossa conversa,
percebi que Glenn estava muito empolgado, mas as vezes, distraído. Quando
perguntei o que ele estava pensando, e ele me respondeu: "acho que estou a
45 km da costa e aos 120m de profundidade"... ele estava lembrando das
imagens do mergulho realizado no submarino.
O submarino é o U-533, afundado em 1943 depois de ser atacado por um avião
Americano PBY-5A Catalina. Três tripulantes sobreviveram inicialmente ao
ataque, porém, ao abandonar o submarino, um morreu na tentativa de chegar a
superfície e outro veio a falecer horas depois de conseguir chegar a
superfície. Somente um deles sobreviveu após nadar 20 milhas em 28 horas em
meio ao mar aberto, chegando a costa onde fora resgatado. Os mergulhadores Bill
Leemann, Ahmed Khassim, Ali Fikree e Phi Le, realizaram um trabalho de pesquisa
durante oito anos para localizar o ponto exato do naufrágio. Bill fez o
trabalho de pesquisa e busca. Ali coletou os dados históricos. O submarino foi
localizado a 45 km da costa de Khor Fakkan, ao Sul de Dibba, no Emirado de
Fujairah. O integrantes da equipe realizaram mais de cinco mergulhos no local,
usando duplas e Rebreathers. Houve um extenso treinamento e preparação para o
mergulho no submarino, com mergulhos ente 75 e 84m durante 14 meses e a cada
final de semana. Bill e Ahmed foram os dois primeiros a avistar o submarino e
logo depois, o segundo grupo, Ali e Phi. A visibilidade é impressionante aos
120m. Facilmente ela ultrapassa os 60m na horizontal. A temperatura não é mais
baixa que 15 graus celsius no fundo. Esse mergulho dura em média cinco horas,
mas como é um mergulho realizado em condições especiais, eles contam com uma
ótima estrutura e com um safety diver aos 40 metros de profundidade para
fornecer assistência com cilindros de descompressão e bebidas isotônicas.
Glenn disse que esta operação toda está sendo preparada para uma matéria
a ser exibida no National Geographic e que por enquanto, não existe a
possibilidade de levar alguém até o local, mas que em breve teremos a
oportunidade de mergulhar lá.
Estarei em contato com ele para assim que possível, montar uma equipe
especial para visitar o submarino.
Existe outros ótimos naufrágios a serem explorados e Glenn se interessou
quando disse que no Brasil haviam mergulhadores treinados para mergulhos a
grandes profundidade e ele achou uma boa idéia formar um grupo que pudesse vir
para uma exploração. Ele conseguiria um Live Aboard e em 10 dias, faria
vários mergulhos em diversos naufrágios existentes e outros a serem
explorados.
Em breve estarei também em Mussandam e Muscat no Sultanato de Omã para
conferir os mergulhos por lá. Os emirados são um prato feito para os
mergulhadores técnicos.
Como chegar
- Para chegar aos emirados, você pode utilizar a companhia aérea Emirates
Airlines, saindo de São Paulo direto para Dubai, com um vôo que tem
duração média de 15 horas.
- A região está 7 horas à frente em realação ao horário do Brasil.
- Em breve, Etihad Airways de Abu Dhabi, estará voando para o Brasil
também.
- Para a entrada nos emirados são necessários visto assim como para o
Sultanato de Omã.
- A maioria dos hotéis com reserva antecipada processa o visto.
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