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As Cavernas da Flórida
Podemos estar certos de que as cavernas da Flórida, nos
Estados Unidos, são fantásticas e nos trazem uma experiência inigualável.
Não só por serem bonitas, mas pela grande variação em tipos e formatos
disponíveis ao mergulhador devidamente treinado. Há cavernas rasas, profundas,
com ressurgência, insurgência e etc.
Uma região com cavernas normalmente é chamada de "Complexo". Na Flórida, existem mais de 400 cavernas e
alguns complexos famosos, como:
Ginnie Springs, Wakulla e Peacok.
Particularmente não sei dizer se todas são, mas
pelo que pesquisei e conversei, a grande maioria seriam springs.
O que são Springs ?
Contrário ao que muitos pensam, os springs não são fontes
de água doce, e sim, uma longa etapa de um ciclo do movimento da água
subterrânea.
Basicamente, o cliclo de movimentação das águas se inicia
no próprio céu, isto mesmo, no céu. Segundo os cientistas, a cada dia na Flórida
caem em média 150 bilhões de litros de água de chuva, considerado assim, um dos
estados mais chuvosos dos Estados Unidos, perdendo apenas para o estado de Louisiana.
Com a queda das chuvas e pelo tipo de solo na região ser
arenoso e/ou poroso devido ao tipo de pedra calcária, toda água adquirida pelo solo
acaba passando por um processo chamado "Perculação", onde a água
atravessa o solo através de minúsculos espaços entre as rochas
calcárias porosas e partículas no solo, permitindo assim, que as águas
provenientes das chuvas
cheguem até os rios subterrâneos.
Chegando aos rios, todo fluxo de água da
superfície proveniente das chuvas segue por debaixo do solo até chegar a superfície,
desenbocando em rios e lagos.
Com a chegada novamente à superfície, o processo se
reinicia, com a evaporação desta água, indo para o céu e retornando
novamente em forma de chuvas.
Exploração das Cavernas
As cavernas da Flórida começaram a ser exploradas na
década de 40’ por um grupo de pesquisadores da National Speleological
Society (NSS), até então uma organização dedicada aos estudos, exploração e
conservação das cavernas. Com o crescimento de mergulhadores interessados em
mergulho em caverna, em 1973 criou-se o
NSS-CDS ou National Speleological Society Cave Dive Section, voltado ao mergulho
em cavernas.
Desde então, diversos estudos e mapeamentos das cavernas
vêm sendo realizados por diversos mergulhadores, não só da Flórida, como em
todas as partes do mundo. Parte desse trabalho pode ser visto por todos que lá
visitam, pois as cavernas são cabeadas e há a disponibilidade de mapas da
maioria
delas.
Os mergulhos
Estávamos em High Springs, uma pequena cidade do interior, onde algumas vezes
temos a impressão de estar naqueles
filmes americanos bem antigos, onde um conhece o
outro, onde vemos casas de madeira estilo anos 60’ 70’.
Acordávamos todos os dias bem cedo, tomávamos um rápido café da manhã e
seguíamos em direção aos parques, onde ao chegar, paga-se uma taxa, que
diferencia entre um parque e outro. Normalmente custa entre U$ 10 e U$ 20 por pessoa,
sendo que em Little River não há taxa de entrada, porém, deve-se ter
precaução com os objetos deixados em seu veículo.
Ginnie Springs por exemplo, é considerado um dos parques mais famosos e é
também, um dos mais caros,
mas com uma beleza incontestável. Com uma imensa área florestal, o parque está
às margens do principal rio da região, o Suwannee, onde encontramos as cavernas de Devil’s
Eyes, Devil’s Ears e Litle Devil’s.
Devil Ears, possui uma grande
ressurgência, onde alguns desavisados chegam a ter suas máscaras arrancadas e
reguladores entrando em fluxo contínuo (free-flow) quando entrarem sem os
devidos cuidados. Sendo bem informado,
farão mergulhos inesquecíveis.
Durante a incursão, apreciamos as belíssimas galerias com sua água
cristalina e paredes calcárias. O complexo de Ginnie é bem extenso, com
diversas penetrações e um fluxo constante, requerendo mais experiência do
mergulhador.
O parque conta com grande estacionamento, banheiros extremamente limpos e
chuveiro de água quente.
Já em Peacok Springs, a 45min de High
Springs pela US-27, encontramos as cavernas
Peacok I, II e III (II e III atualmente fechada) e Orange Groove. Os
condutos são belíssimos e com algumas restrições, onde durante
a incursão, passamos por grandes salões calcários. Em nossos mergulhos,
passamos por Olsen Sink, uma
abertura da caverna possui, que permite sair no meio da floresta. Algumas
vezes, tive a impressão de ouvir uma
certa reverberação, e conversando com
Larry Green, nosso instrutor e gruia, mencionou que passamos por baixo de uma
estrada, e talvez fosse essa a origem da reverberação escutada.
No mesmo complexo, fomos até Orange Groove, que é simplesmente magnífica !
Um lago cheio de plantas verdes que cobrem a superfície deixando-o todo
esverdeado, mas ao mexer na água, é possível ver os raios solares chegarem ao
fundo. Um detalhe, o fundo está aos 18m !
Ao descer até a entrada da caverna, passamos por algumas restrições bem
apertadas até chegar ao cabo principal, e nesta parte, somos presenteados com uma
belíssima visão da caverna, que apesar da pequena altura (1.5 a 2m), o conduto
se alarga com paredes bem esbranquiçadas.
Já em Little River, um dos famosos condutos da região de Branford, é um
paraíso à parte. Com uma belíssima entrada feita através de uma "praia",
pois há uma pequena extensão areia no local, possui um fluxo com grande força,
assim como Devils Ears. Na minha opnião, esta é realmente um queijo suiço, pois há dezenas de buracos
espalhados por todos os lados em determinados pontos, ao redor do conduto
cabeado.
Por haver um conduto mais estreito e de um calcário com coloração alaranjada, achei a
ressurgência mais forte que a de Ginnie Springs, mais como a intensidade do
fluxo varia conforme a época do ano e a queda das chuvas, acredito que a
intensidade deve estar sempre variando. No mergulho realizado em Little River,
chegamos aos 30m de profundidade, e devido a grande incursão na caverna,
realizamos uma descompressão com as stages na saída como o programado. Novamente
uma observação que tenho a fazer sobre Little River, é com relação à
segurança do parque, que por não haver taxa de entrada, o tipo de público é
bem variado e esquisito. Quando estivemos por lá e mesmo cientes de que são
raros os assaltos, nos deparamos numa situação um tanto estranha.
Um grupo de jovens om péssima aparência ficaram parados em um veículo ao
lado do nosso, nos observando e reparando
em nosso carro e equipamentos sem dar uma palavra entre eles. Na ocasião, já eram quase 5h da tarde e o último mergulho
da viagem. Todas as malas, dinheiro e passaporte iriam ficar no carro e sem
ninguém tomando conta.
Decidimos abortar o mergulho, pois ficarmos preocupados
com a possibildiade de arrombamento do carro, pois o parque já estava bem vazio. Se foi
preocupação de
brasileiro ou não, eu não sei, mais achamos que depois de tudo o que
aproveitamos, não valeria o risco de se ter um carro arrombado e pertences
furtados. Posteriormente, tomei ciência de que arrombamentos ocorrem no local e
os pertencem acabam sendo levados. Fica a dica para sempre ir lá em grupo.
Dicas
- Viaje com um guia. Aqui no Brasil possuímos excelentes
instrutores com credenciamento em Cave Diver, que poderão lhe prover todas as
informações necessárias para uma excelente visita as cavernas da Flórida.
- Visite a Flórida na baixa temporada. Evite as férias e
o verão americano, pois a
Flórida fica infestada de turistas e com os próprios turistas americanos que descem
para o sul a procura de calor.
- Ao viajar, não esqueça de levar o endereço e reserva impressa
do local de hospedagem. Caso contrário, você poderá ter problemas com a
imigração americana ao tentar entrar na Estados Unidos.
- Evite viajar com notas acima de U$ 50. O americano
não gosta de notas altas e as de U$ 100, só é utilizada para comprar algo
com custo elevado.
- Não deixe para alugar um carro lá. Faça a reserva daqui mesmo, pois você
poderá chegar lá e não ter o veículo desejado, ou ainda, cobrarem um preço muito
superior. Cuidado com os seguros que lhe são impostos. Aceite o
básico, que já cobre o carro e acidentes pessoais. Alguns cartões de crédito
já fornecem seguro, desde que você tenha adquirido a passagem pelo cartão.
Contate a empresa representante de seu cartão de crédito e obtenha mais
informações.
- Tanto na ida quanto na volta, não esqueça de retirar
materiais cortantes de sua bagagem de mão,
pois a segurança dos aerorportos não deixarão você embarcar com isso na
bagagem de mãos. No caso de equipamentos eletrônicos, os
americanos estão
requerendo a retirada da baterias, e no caso de lanternas HID,
despache as baterias na bagagem, pois você poderá ficar sem elas ao retornar
para o Brasil. Mergulhadores brasileiros tiveram problemas na alfândega
americana algum tempo atrás e foram obrigados a deixar baterias de níquel
metal hidreto (NiMh) na "lixeira" do
aeroporto para terem seu embarque liberado.
- Respeite a velocidade, pois os americanos são expert em controle de
tráfego. Na auto-estrada Florida´s Turnpike (US 75), uma das principais vias que cruza todo
o estado da Flórida, os Troopers (guardas rodoviários) ficam
escondidos com suas maquininhas miradas para a estrada e aguardando um
desavisado ultrapassar a velocidade. Logo depois, você é parado e multado
por um guarda que aparece do nada.
- Não tente barganhar nos Estados Unidos. Barganha não existe por lá. Se tentar
chorar por alguma coisa, eles não irão entender o que você quer dizer,
como poderão lhe tratar mal.
- Band Aid - Se você não está acostumado com pulling, o uso de Band Aids
pode ajudar a proteger seus dedos..
- Seja um Cave Diver para mergulhar de dupla. Na Flórida só
Cave Divers mergulham de cilindros duplos, a não ser que você esteja realizando um
curso.
- Marcação na carretilha – Teoricamente não precisava estar
colocando isso aqui, mas como vimos algumas carretilhas sem marcação por
lá, fica o recado.
Os complexos são visitados todos os dias por mergulhadores de todo o
mundo e facilmente esbarra-se com diversos jump’s de mergulhadores que já
estão à nossa frente. Respeito o cabeamento dos demais e tenha
sempre em mente que nossas vidas também dependem desses cabos e do respeito
mútuo. Lembre-se que você estará facilitando não só
o seu retorno, como também, o daqueles que retornarem antes de você e desejamretirar seu próprio jump.
Divers
Alert Network - DAN - Não viaje sem estar associado. Sem a
carteira da DAN, você pode ser literalmente "barrado" na entrada
das cavernas, além de ser extremamente necessário para a sua
segurança.
Serviços
Para ir a Ginnie Springs ou a Peacok, é necessário pegar um vôo até Miami,
alugar um carro e viajar por 6h. Uma outra
opção, é fazer uma conexão de Miami até Orlando, e sair com o carro alugado a
partir de Orlando, viajando apenas duas 2h, ao custo médio de U$ 250.
Na ocasião, utilizamos e indicamos a TAM
Linhas Aéreas como melhor opção,
pois atualmente é a única companhia com poltronas com vídeo e áudio independentes, excelente atendimento da equipe de bordo, e melhor, falando em
português.
Pedágios - Em média você gastará algo em torno dos U$ 30 no percurso ida-volta
até a região das cavernas. Tenha sempre trocado e moedas à disposição. Notas acima de U$ 20
não são muito bem aceitas.
Gasolina - O galão (3.78 litros) custava em torno de U$ 1.90 da gasolina
mais barata. Em média, gasta-se em torno de U$ 45 para encher o tanque de uma
van, e normalmente gasta-se um tanque de Miami até a região dos parques.
Onde Ficar
Para quem deseja visitar os complextos de Ginnie Springs, a melhor opção é
ficar no The
High Springs Country Inn Hotel, o hotel é simples, e possui
cozinha americana completa nos quartos e aquecimento. Os proprietários são muito
simpáticos e bacanas.
Quanto a Peacok, a melhor opção seria os trailers
do Bill Rennaker.
Nos dois casos, faça a sua reserva com pelo menos 2
meses de antecedência, pois a Flórida é o berço do mergulho em caverna e há mergulhadores todos os dias do ano.
Independente do local que você ficar, você precisará jantar fora ou comprar
comida e fazê-la
em uma das acomodações acima, que para nós brasileiros, sai bem mais em conta. Em
relação ao almoço, normalmente fazíamos um lanche no Subway em High Springs
ou na Luraville Country Store, uma lojinha de lanches em Luraville, próximo ao parque de Peacok.
Operadoras de Mergulho
As operadoras de mergulho normalmente possuem todo o tipo de equipamento para
mergulhadores técnicos e cave divers. Os custos são um pouco mais altos. Em
relação as recargas, o custo é cobrado de acordo com o que foi recarregado,
isto é, a cobrança é feita com base na quantidade de no pés cúbicos inseridos no cilindro,
saindo bem mais em conta que a recarga tradicional. Normalmente a recarga saia
em torno dos U$ 9 para uma dupla.
Sites de Referência
- Orbitz -
Site com busca de hotéis e aluguel de carros. Ele faz uma comparação de
preços e
mostrando as opções disponíveis.
- Florida Caves - Site
com informações sobre as cavernas da Flórida.
- Florida
Springs - Informações sobre os
springs da Flórida
- Ginnie
Springs Park - Informações sobre o
Parque de Ginnie Springs
- Peacok
Park - Informações sobre o Parque de
Peacok
Características
- Fuso horário: - 2h à menos em relação ao horário de Brasília
- Voltagem: - 110 V
Agradecimentos especiais
Larry
Green - Um dos renomados e percursores do mergulho em caverna da
Flórida, pela atenção e dedicação dada ao grupo durante a viagem.
TAM
Linhas Aéreas - Pelo excelente atendimento e apoio dado à viagem.
Lelis J, Johnny e
Romeu
Dib - Pela troca de informações e dicas.
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Mergulhadores
se preparando em Ginnie Springs

Chuvas caindo
diariamente

A água é absorvida
pelo solo

A água segue em
direção aos
rios e lagos para evaporar e
recomeçar o cliclo

A famosa placa de
Ginnie Springs

Peacok
I

Orange Groove

Litle
River
com o rio Suwanee ao fundo

Ginnie Springs

Ginnie
Springs Outdoors
Loja com souvenirs e equipamentos
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| Fotos |
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- Peacok I |
| 19-20 |
- Entrada para
Peacok I |
| 21-22 |
- Peacok III |
| 23 |
- Larry Green em
Olsen Sink |
| 24-25 |
- Orange
Groove -18m |
| 26-28 |
- Orange Groove |
| 29 |
- Retornando de
Litle River |
| 30 |
- Loja II de Bill
Rennaker |
GPS:
Bill Hannaker (Ft. White)
30º 7,145' N / 83º 10,153' W The
High Springs Country Inn Hotel
29º 50,149' N /
82º 35,948' W
Alachua
29º
48,160' N / 82º 30,849' W
Ginnie Springs
29º
48,907' N / 82º 42,475' W
High
Springs
29º
50,149' N / 82º 35,948' W
Little
River
29º
59,930' N / 82º 56,159' W
Peacok Springs
30º
7,722' N / 83º 7,902' W
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