Mar Vermelho - Hurghada
Me encontrava em uma loja de mergulho, quando fui convidada para uma
semana de mergulho no Live Abord Shalkamy Explorer, em uma área ao
norte do Mar Vermelho.
Nesse meio tempo, meu irmão realizou o curso básico e fomos
integrar um grupo de mergulhadores que iriam participar deste Live
Aboard, e com isso, voamos para o Cairo, onde encontramos nosso grupo,
onde algumas horas após, voamos novamente em uma pequena aeronave até
Hurghada, onde se encontrava a embarcação que iríamos utilizar.
Shalkamy Explorer II
Quando olhei a embarcação, não pude acreditar no que via. A
embarcação era absolutamente enorme, provavelmente do tamanho de três
Aggressor juntos. Salas confortáveis, ar condicionado em pleno
funcionamento e água quente. Nosso grupo utilizou 16 das 25 cabines
existentes, não havendo necessidade de dividir a cabine com outras
pessoas.
Isso me deu a impressão, de que não estávamos em um barco. O
único problema em si, foi à falta de recarregadores ou conversores
para as câmeras, em todo o caso, este seria o meu trabalho levá-los.
Havia uma caixa com água doce para a colocação de câmeras de vídeo
e foto, mas na verdade, também eram colocados máscaras e faca.
Alimentação
Seja lá o que poderia faltar em relação à fotografia, seríamos
indenizados na quantidade e qualidade de comida. Era o fim do Ramadam, a
tripulação jejuando e nosso grupo comendo a todo o momento. Frutos do
mar todos os dias e em quase todas as refeições. Era tanta comida, que
alguns reclamavam do ganho de peso ao final da viagem. Na época em
questão, como era Ação de Graças nos Estados Unidos, os cozinheiros
fizeram um peru para o nosso jantar. Nesse dia, colocaram velas acessas
por todo lado, e o cozinheiro com seu facão e chapéu branco, esculpia
o interior das frutas. Uma coisa impressionante e agradável.
Mergulhos
O deck da embarcação é grande e não estaria lotado mesmo com as
25 cabines lotadas de mergulhadores. Duas duplas de mergulhadores eram
levados com infláveis Zodic. Nos mergulhos noturnos, saíamos a partir
da embarcação maior, realizando mergulhos com até uma hora de
duração.
Não havia muitas restrições, desde que você mergulhasse nos seus
limites de treinamento. Alguns mergulhos com deco foram realizados, mas
em função da quantidade de mergulhos, tentávamos sair 10min antes do
fundo, para realizar a descompressão aos 6 e 3m. Mergulhamos em dezenas
de recifes e em quase dez naufrágios diferentes nesses dez dias de
mergulhos.
Siyal El Kaver
A embarcação partiu de Hurghada no sábado e ainda teríamos três
mergulhos nesse dia, onde faríamos dois diurnos e um noturno. Com o
fácil acesso da embarcação aos pontos de mergulho, logo chegamos e
caímos na água, onde avistamos diversas vidas coralíneas, que permanecem
eternas em nossas lembranças. Pela primeira vez, pude vislumbrar um
nudibrânquio, que ao longo do primeiro mergulho, avistei quatro deles.
Ao ver o primeiro, quase perdi meu regulador, tamanha era a
empolgação. Só tinha visto fotos destes seres em livros de biologia e
achava que seriam muito pequenos, mas fiquei surpresa ao saber que eles
crescem, podendo chegar aos 50cm de comprimento. Naquele momento, estava
com uma Nikonos V e uma lente 15mm, que não seria o ideal para o tipo
de foto que eu desejava obter. Em consequência disso, nos mergulhos
subsequentes utilizei uma lente macro 1:3, esperando mais
nudibrânquios aparecerem. Após cinco disparos do primeiro
nudibrânquio, logo após vi outros dois, e já pensava que poderia
voltar pra casa feliz da vida...
Naufrágios de Shaab Abu Nuhas
Existem pelo menos quatro navios afundados nas proximidades,
estando alguns destes, dentro dos limites de profundidade de
mergulhadores recreacionais e alguns outros em profundidades um pouco
maiores.
Fomos então conhecer os naufrágios Giannis D, Carnatic, e os
Chrisoula K (Naufrágio dos azulejos). Cada mergulho era maravilhoso. O
naufrágio Carnatic é 100 anos mais velho que os outros dois
naufrágios. Ele possui algumas passagens através dele. Em cada um dos
naufrágios realizei excelentes fotos com boa silhueta, experiência que
utilizo nos mergulhos nos grandes lagos no Canadá.
Naufrágio dos Azulejos
Os destroços deste naufrágio, cassim hamados porque ele estava
transportando as telhas e azulejos, reside com a sua proa presa aos
recifes que estão presentes até à superfície, e sua popa alcança os
24m de profundidade. Durante o mergulho, o vai e vêm da ondulação fez
com que em dado momento houvesse um fluxo repentino, onde fui sugada
enquanto nadava em uma sala, e meu irmão foi cuspido para fora da sala.
Experiência um tanto desagradável. Abaixo do naufrágio, encontramos
os azulejos em repouso no fundo.
Dunraven
Este naufrágio está sempre presente nos guias de mergulho. É
bastante antigo e está de cabeça para baixo. Há uma enorme caldeira
no interior, onde encontramos dois grandes peixes Napoleão. Iríamos
mergulhar no Dunraven à deriva e em seguida, voltar para o barco ao
longo da parede do recife, no entanto, a correnteza estava em direção
contrária, e tivemos que nadar contra essa corrente, o que foi um
horror.
Ras Mohammed Wall
Este foi umas das melhores experiências em cores, movimentos e
variedades. Após ter descido aos 45m de profundidade, passamos a maior
parte do mergulho aos 9m. Foram poucas as vezes em que eu não queria
sair da água, e esse local sem dúvida foi um deles. Na época,
utilizava uma máquina de filme e nesse mergulho, o filme já havia
terminado, e não queria sair da água.
Recifes de Yolanda e Tubarões (Mergulho em Paredes)
Por duas vezes fui a primeira a cair na água em busca dos tubarões,
mas não os encotnrei. Notei uma bonita área aos 12m, e não podia
acreditar na forma saudável e abundante coralínea ali presente.
Diversas variações de cores dos corais moles com a grande diversidade
de peixes que no rodeiam. Nadávamos suavemente ao longo da parede, num
relaxamento total durante o caminho, fascinados pela vida marinha à
nossa volta. Após 70min, relutávamos para finalizar o mergulho.
Thistlegorm
Quando finalmente vou para o deck, pude ver o que era aquele hiper
naufrágio, mesmo com a grande visitação dos mergulhadores. Quando
chegamos lá, por volta das quatro da madrugada, já haviam sete outras
embarcações ancoradas, passando a noite no local. Você deve estar
disposto a renunciar o sono, para aproveitar as melhores condições de
luz e mergulhar muito cedo, caso contrário, deverá estar preparado
para compartilhar este naufrágio com centenas de outros mergulhadores,
e quando digo centenas, não estou brincando.
No total, fizemos quatro mergulhos neste naufrágio. O primeiro objetivo
era apenas explorar o naufrágio, não realizando entradas no mesmo. O
segundo mergulho foi à noite, e lá estava com minha lente macro
pronta. Infelizmente não conseguimos encontrar um Lion Fish (Peixe
Leão). Amaioria dos outros barcos realizaram seus mergulhos antes e
quando caímos na água, haviam poucos mergulhadores.
No dia seguinte, fomos mergulhar às 5:30 da madrugada, pois sabíamos
que um grande número de mergulhadores de outros barcos desceriam às
6hs, sendo a nossa chance de adentrar no naufrágio e ter alguma luz
disponível. E foi isso que fizemos. Mergulhamos em todo o naufrágio e
como o planejado, minutos após descermos, mergulhadores das demais
embarcações chegaram. Realizamos mais algumas fotos e depois subimos
muito satisfeitos com as imagens obtidas.
Após uma hora de superfície intervalo, descemos outra vez, e posso
falar que nunca vi um local tão lotado !
Nadamos para a popa (parte danificada) para fazer fotos das armas, e
foi onde encontramos uma escola de barracudas.
Bluff point Barge
É incrível como este lugar com aparência muito chata, mas acabou
por ser o melhor local para fotos em macro. A barcaça está enferrujada
e quase plana, e por estar em um local com mar calmo, tudo isso faz de
uma noite ser perfeita para o mergulho e fotos em macro. Fomos a
primeira embarcação a chegar ao local, e mais tarde, outros barcos
também chegaram. Felizmente ainda tínhamos um intervalo de superfície
pequeno, e ainda não poderíamos descer. Às 19hs estávamos prontos
para descer, mas decidimos adiar o mergulho por uma hora, devido a
superlotação de mergulhadores, que inclusive, portavam lanternas
HID.
Finalmente às 20s, descemos e imediatamente pensei que se seria
promissor. Assim que chegamos aos destroços, vimos casal de Lion Fish.
Obtive algumas fotos e em seguida, acabei vendo mais e mais até o final
do mergulho, e eles só nos ignorando. Como desejava fotografar
camarões, nadei ao redor do casco do naufrágio em busca de buracos e
ressaltos. Pouco tempo depois, encontrei um pequeno camarão sentado na
face da Moréia, mas ele se recusou a posar para a câmera. Notei o
buraco onde estava e eu imaginei que voltaríamos a vê-lo mais tarde e
quem saiba, estaria mais cooperativo.
Nadando numa das pontas do naufrágio, vi algumas anêmonas e
ouriços do mar colorido na cor vermelha. Em um dos buracos no casco,
encontrei com uma linda enguia azul... e depois, vi pelos menos mais
três delas.
Minutos depois, algumas pessoas do nosso grupo me chamaram para
mostrar um caranguejo muito grande. Ele estava sentado e completamente
fora do alcance para foto, com isso, só podia olhar infelizmente. Algum
tempo depois, avistei ! Um camarão ! E
logo depois, pelo menos mais uns dez deles.
Continuando a Viagem
Decidimos fica no Cairo por dois dias após os mergulhos, o que foi
uma decisão maravilhosa. Das visitas anteriores as pirâmides,
passeamos pelo Cairo de ônibus de turismo, e tive impressão que o
Cairo ficou mais pobre, inseguro e bastante sujo. Após esses dois dias,
essa impressão desapareceu.
Ficamos no hotel na área de Zamalek, muito arborizada e movimentada,
onde encontramos lojas e restaurantes. Zamalek é uma ilha no meio do
Nilo, na direita e em frente ao centro do núcleo. Andamos com um grupo
ao Rio Nilo, gastando três horas para isso, e vendo o pôr do sol ao
final do dia. No dia seguinte fomos em um tour privado utilizando uma
minivan com o motorista para levar-nos onde queríamos, o que minha
opinião, foi a melhor maneira de conhecer os locais e evitar
multidões.
Dicas dos Naufrágios
Carnatic
Naufragou com 27 passageiros em 1869. Os destroços são os mais antigos
na região e como resultado, ele está fortemente incrustado nos corais
duros e moles. Ao lado dos pisos, o fotógrafo terá excelentes
oportunidades para boas fotos. Há inúmeros destaques que incluem
fácil penetração, hélice semi-enterrado, dentre outros. Profundidade
variando entre 17 a 24m.
Chrisoula K (Naufrágio dos Azulejos)
Na época do afundamento, em 1981, o proprietário chamava-se
Chrisoula K Pisos e Azulejos. Durante algum tempo, esses 90m de
comprimento em destroços permaneceram não identificados, daí o nome
de naufrágio dos azulejos. Dos quatro navios afundados nos recifes,
este naufrágio é o mais raso e com a proa iniciando em 1m de
profundidade e popa alcançando os 23m. Se me lembro corretamente.
Destacam-se a superestrutura e detalhes da proa; máquinas, hélice,
leme, carga de telhas, azulejos e mastros. Deve-se tomar cuidado com a
possibilidade de ser sugado repentinamente, ao passar por aberturas e
portas. Isso ocorre em função do fluxo de água.
Giannis D
Devido à sua localização, em apenas 20 anos, o Giannis se
desintegrou em três pedaços. A parte mais profunda, a popa está aos
21m, com uma visibilidade média de 30m. Os destaques incluem o hélice
(que está parcialmente enterrado na areia) decks e o funil, com o
"D" visível claramente. É fácil o acesso às máquinas, no
entanto, não recomendo ir. A proa repousa sobre a lateral
possibilitando excelentes fotografias.
Thistlegorm
Este possui grande reputação e é considerado um premier dos
naufrágios no Mar Vermelho. A fama é merecida, pois sua enorme
dimensão (mais de 120m de comprimento) nos impressiona logo que
descemos. Durante os mergulhos, vemos muitos objetos normalmente não
encontrados nos naufrágios.. Infelizmente devido a sua fama mundial,
ele é tão superlotado de mergulhadores, que pode se tornar uma
experiência desagradável. Acabamos realizando nossos mergulhos na
primeira hora da manhã, para que pudéssemos explorar os porões.
Destaques incluem: Carga de abastecimentos destinados ao Quinto
Exército britânico; blindados Bren-Gun; Motocicletas BSA; Jipes,
caminhões, partes de aeronaves; pilhas de fuzis; equipamento de rádio,
munições, e uma oferta abundante de botas. Além disso tudo, é claro,
lotes de peixes como barracudas e os ocasionais Lion Fish
Perigos incluem: Profundidade, ocasionalmente correntes fortes e
penetração de outros mergulhadores nos porões.
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Fotos dos Naufrágios:
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Carnatic
- Chrisoula K
- Giannis D
- Thistlegorm
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