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RAPA NUI (Ilha de Páscoa)
Um pequeno ponto de terra, perdido na imensidão azul do oceano pacífico,
cercado de água e mistérios por todos os lados. Isto é a Ilha de Páscoa, ou
Rapa Nui, como os nativos atualmente chamam este lugar, fruto da erupção de
três vulcões no meio do oceano.
O lugar mais próximo daqui é a costa chilena, a 3.700 Km de mar de
distância. Para o norte, são 3.800 Km até Galápagos. A oeste, são 4.000 Km
de oceano até o Thaiti. Olhando para o sul,
5.000 Km nos separam do Polo Sul. Este é o lugar mais isolado do globo
terrestre. Em nenhum outro ponto se está tão longe de qualquer outro lugar
habitado como aqui.
Do alto dos 511 metros do Maunga Terevaka, ponto culminante da ilha, a visão
é impressionante. Para qualquer parte que se olhe, pode-se ver o
oceano infinito a se perder no horizonte, na curvatura dos confins do globo
terrestre. Uma sensação absoluta de imensidão, uma solidão confortante num
instante de pura contemplação dos elementos: ar, terra e água. Muita água !
De onde veio esta gente ?
A origem da colonização ainda é um mistério. A ciência não tem uma
explicação definitiva para demonstrar como aquela gente teria conseguido
realizar a façanha de navegar 4.000 quilômetros e alcançar aquele ponto
remoto, até então desconhecido de todos, mas calcula-se que a colonização
date de aproximadamente 400 AC. Para os nativos, seus antepassados aportaram
ali, na praia sagrada de Anakena, vindos da Polinésia, depois que o seu Rei
ancestral teve um sonho no qual o mar invadia toda a terra e apenas um remoto
ponto perdido no oceano, o Umbigo do Mundo (Te Pito O Te Henua), a ilha de Rapa
Nui seria salvo. Após preparar os barcos com os víveres para a grande
odicéia, indicou um ponto no horizonte e mandou seu filho navegar até aquela
terra sagrada.
Aqui, sem nenhum contato com o mundo exterior, eles desenvolveram uma
cultura complexa, misteriosa e encantadora. Desenvolveram um conhecimento
astronômico profundo, construíram centenas de enormes esculturas, os Moais, em
homenagem aos seus ancestrais - estes totens circundam toda a ilha protegendo
sua população – e criaram o rito do Homem Pássaro, uma disputa onde os
homens desciam um enorme despenhadeiro, nadavam quase mil metros até uma
pequena ilha de onde tinham de trazer o primeiro ovo colocado por uma fragata
naquela estação e então fazer o percurso de volta e retornar com o ovo
intacto. O vencedor seria o próximo rei. Os mortos eram homenageados com uma
escultura de um pássaro nas rochas.
Até que num domingo de páscoa, no quinto dia do mês de abril de 1722, o
capitão holandês Jacob Hoggeveen, aportou na ilha. Era o primeiro rosto
desconhecido já visto pelos 6.000 habitantes da ilha viam. Algumas décadas depois a
população era de apenas 111 sobreviventes.
Hoje, Rapa Nui é um imenso museu a céu aberto. Os Moais, enormes estátuas
rituais que dominam a paisagem, se espalham em todo o contorno da ilha. Cavernas
com inscrições rupestres, petroglifos, a água do mar, com seu tom de azul
inigualável, que assoita as rochas, tudo aqui traz o passado e o mistério à
tona.
Rapa Nui hoje
O único povoado da ilha, Hanga Roa, é uma simpática vila cheia de flores,
cachorros, cavalos, seus donos e alguns turistas que circulam extasiados. Poucos
carros e algumas motos. Aqui, o tempo passa devagar. As pessoas não têm
pressa, o dinheiro não tem muita importância (talvez porque não haja muito o
que se fazer com ele naquele paraíso dominado pela natureza) e todos parecem
viver numa grande comunhão. Até para nós, que ficamos lá apenas oito dias,
foi possível perceber como as pessoas são disponíveis, abertas e
despreendidas. Todos se cumprimentam na rua e a qualquer momento, andando pela
rua, você pode ser convidado para participar de um almoço ou churrasco numa
casa de amigos que você até então nunca tinha visto.
A hospedagem aqui lembra a de Fernando
de Noronha. Casas de família adaptadas para receber poucos hóspedes
de cada vez e uns dois ou três hotéis um pouco maiores, com piscina e
serviços mais requintados e totalmente dispensáveis, principalmente num lugar
como este. A "cidade" oferece tudo que se pode precisar. Pequenos
mercados que vendem de tudo, padarias, lojas de artesanato e souvenires, internet, farmácia, feira, bares e alguns restaurantes. A comida
agrada todos os sentidos: paladar, visão, olfato e até a audição, com o som
do mar ou de um nativo conversando na língua local.
As operadoras de mergulho e suas lendas
No primeiro dia fizemos um reconhecimento geral da ilha, conhecendo os
principais pontos e, de volta à cidade, Hanga Roa, fomos conhecer as duas
operadoras de mergulho locais: Orca e Mike Rapu (se pronuncia mique rápu e não
maike). A ansiedade era grande pois, além da vontade incontrolável de penetrar
naquele azul absurdo, estava louco para saber mais sobre a história destas duas
operadoras. A mais antiga, Orca, pelo que tinha escutado no Brasil, fora fundada
por um integrante do grupo de Jacques Custeau, que se apaixonou por uma nativa e
abandonou o Calypso e seu comandante. Hoje, quem dirige a operadora é seu irmão,
que se mudou para lá logo depois, na década de setenta, enfeitiçado por suas
histórias. A outra pertence a um verdadeiro mito local. Mike Rapu, um nativo de
Rapa Nui, foi várias vezes campeão chileno e sul americano de caça-sub. Mike
Participou de dois campeonatos mundiais, sendo recordista de apnéia com lastro
constante, com a marca de 77m. Escolhemos a história e a simpatia dos nativos e
no outro dia saímos para o primeiro mergulho, com o Juan e o Roberto, da Mike
Rapu Diving Center...
Os mergulhos
O barco, uma pequena lancha, fica atracada na pequena marina da operadora, a uns
oito ou dez metros de distância da operadora. Isto mesmo, é só atravessar a
pequena rua de terra e embarcar. Após todo este trabalho, mais cinco minutos de
navegação e estávamos prontos para cair na água. O tom de azul, de uma água
que percorreu pelo menos 3.700 quilômetros do pedaço de terra mais próximo,
é absolutamente indescritível. Dentro d’água é impossível calcular a
visibilidade. Simplesmente se vê tudo o tempo todo. Os outros mergulhadores, o
barco a superfície, tudo. Este primeiro mergulho é feito num
"naufrágio" artificial de um Moai - uma grande escultura de pedra
colocada ali para que os instrutores possam avaliar a habilidade do mergulhador
forasteiro - que repousa no fundo de areia branca, entre enormes formações de
corais. A vida não é muito diversificada, mas bem exótica, pois os animais
que ali habitam se diferenciaram em cor e forma de seus parentes do distante
continente, sendo que 26% das 160 espécies ali encontradas são endêmicas.
Muitos peixes trombeta, borboletas, budiões, tartarugas entre outros. Mas o
grande atrativo do mergulho, e que por si só vale a viagem, é a cor e
transparência da água e as formações do relevo de rocha ou coral. Nos outros
pontos de mergulho, paredões profundos e incrivelmente azuis se perdem na
imensidão. Cavernas e fendas completam o cenário. Talvez o que tenha me
impressionado aqui é a possibilidade de fazer um mergulho no azul, num ponto
com mais de cento e cinquenta metros de profundidade, a não mais que duzentos
metros da costa, pois a profundidade cai muito rapidamente e a água é
totalmente cristalina mesmo na praia. Outra atração do mergulho é a
navegação, quando se pode ver os altos costões, as cavernas e os Moais de um
outro ângulo.
Aqui, as saídas são de apenas um mergulho, pois os pontos ficam tão perto
da operada que não faz sentido ficar uma hora a bordo esperando pela segunda
imersão. Normalmente eles fazem várias saídas por dia, dependendo do
movimento. É até engraçado; você chega na operada e diz que quer marcar um
mergulho e ele te responde. Agora ! Vamos pegar os equipamentos
! Claro que não é assim na alta estação, que vai de dezembro a março,
mas durante o resto do ano, este é povo mais tranquilo e despreendido que eu
já vi. A saída custa em torno de U$ 40 com todo o equipamento deles (todo
mesmo, inclusive máscara e nadadeira) mas é fácil conseguir bons descontos ou
mergulhos de cortesia se você combinar uma série de mais de três ou quatro
mergulhos, ou se não for sair sozinho para mergulhar, ainda mais porque os
brasileiros são praticamente desconhecidos por estas bandas. Uma coisa que me
chamou atenção é que, apesar do isolamento, todo o equipamento da operadora
em que mergulhei, a Mike Rapu, é muito novo. Tanto o compressor os cilindros e
o barco, quanto o material que nos é cedido, como roupa, coletes e reguladores.
Quando ir
Para quem, como eu, quer fugir da alta estação, a melhor época do ano é o
segundo semestre. Embora o tempo numa ilha tão isolada seja muito inconstante,
a partir de agosto há uma maior predominância de dias ensolarados e a
temperatura fica em torno de 25°C.
A temperatura da água é bastante agradável, e a média anual é de algo em
torno de 24°C.
A única companhia que voa para chegar até Rapa Nui é a LAN
Chile, que tem vôos regulares quase diários em modernas e confortáveis
aeronaves, com duração de aproximadamente quatro horas. No nosso caso, nós
compramos um pacote de oito dias saindo de Santiago do Chile – no site Visit
Chile, incluindo traslados, estadia e um tour pela ilha, por um preço de U$
800,00, o mesmo preço que é cobrado pelas passagens de avião.
Para chegarmos até Santiago, apelamos para o programa de milhagem da TAM,
que voa direto a capital chilena, que aliás foi o que possibilitou a nossa
viagem. A LAN
também fazem este trajeto. Pode-se alugar motos, quadriciclos e carros (tipo
jeep) por cerca de U$ 40,00 a diária ou contratar os diversos serviços de
passeios guiados pela ilha, dentre os quais um dos mais interessantes é
conhecer a ilha a cavalo acompanhado por um guia nativo.
Na Internet
Operadoras de Mergulho:
Informações Gerais:
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O Moai







Bernardo e Patrícia
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