Pontos de Mergulho no Exterior - Venezuela - Isla Margarita – A pérola do Caribe... mas nem tanto...
 
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Isla Margarita – A pérola do Caribe... mas nem tanto...

Quem não gostaria de passar um feriadão em uma praia caribenha, curtindo um sol escaldante, com um mar calmo, quente e de águas claras ?

Pois bem, essa foi a primeira idéia ao saber que algumas milhas aéreas minhas, estariam vencendo muito em breve, e porque não aproveitar e viajar para não perder esse benefício ?

Na ocasião, uma conhecida companhia aérea passou a realizar vôos diários para Caracas, na Venezuela, e sendo véspera de um feriadão, corri e emiti os bilhetes para esta capital imaginando posteriormente montar um pequeno roteiro.

Ao chegar em casa, as primeiras passagens aéreas para o ABC (Aruba, Bonaire e Curaçao) estavam caríssimas, principalmente por estar em cima da hora. Além disso, como seriam quatro dias somente, isso dificulta bastante o planejamento do roteiro, quanto ao encaixe do vôos.

Depois de muito pesquisar e tirar várias dúvidas na lista Dive-Net, acabei optanto por Isla Margarita, pois haviam diversos vôos de Caracas para Porlamar, a capital da ilha esparta, facilitando assim, a minha ida até o local.
 

A Viagem

Após um vôo cansativo mas tranquilo até o aeroporto internacional de Maiquetía, em Caracas, fui realizar um câmbio ainda no aeroporto, seguindo diversos conselhos dados pelos amigos brasileiros. Na Venezuela existem restrições quando a compra de dolares, havendo inclusive, uma limitação de compra para o povo venezuelano. Todo trâmite de câmbio é arquivado, onde inclusive, obrigam a você colocar sua digital em um documento, para comprovação de que o turista que está realizando câmbio, é realmente do exterior.

Bolivares (moeda local) em mãos, fui até o embarque de vôos nacionais. Lá descubro que são necessários 23 bolivares (U$ 11) para pagar a taxa de embarque do vôo doméstico. Taxa paga, embarco algumas horas depois em um DC-9, uma aeronave antiga da companhia aéra Laser, mas chego em Isla Margarita em um vôo bastante tranquilo.

Pego um táxi e vou ao centro da capital, Porlamar. Confesso que conheço bastante coisa na América do Sul, no entanto, a primeira, segunda e terceira impressão que ficaram foram péssimas. Muita pobreza, casas caindo aos pedaços e sem pontos turísticos interessantes.

Ao chegar no hotel, percebo que era exatamente o que vinha em mente durante o translado. Desisto e gasto mais U$ 15 até Playa el Agua, a principal praia da ilha e mais famosa entre os turistas.

A primeira idéia, era ficar em Playa el Agua, mas a praia fica muito distante do centro e prinipalmente do aeroporto. Antes de viajar, soube que no centro eu poderia facilmente almoçar, fazer compras, ir à bares e curtir a noite, coisa que realmente não vi por lá. Acredito que só existam inferninhos, bares do tipo "boteco", aqueles normalmete sujos com "bebuns" caindo da cadeira e etc. Restaurantes.... só de péssima qualidade. Nisso começa a bater uma preocupação.....

Mas tudo bem, vamos em direção a praia mais famosa, acreditando que as coisas iriam melhorar. Durante a viagem, percebo que as paisagens não mudam muito de um local para outro, até ter a certeza de que a coisa não iria mudar mesmo.

Chegando ao hotel, vejo que é muito bom, mas ele cobra pelo que vale.

 

Dia seguinte

Dia ensolarado, um mar caribenho na frente do hotel, com areia branca, calmo, cristalino e quente. Melhor que isso, é possível, pois o aluguel das cadeiras na praia saíam a bagatela de U$ 15 cada. Logo após, comecei a perceber que praticamente 100% dos turistas eram europeus, o que é preocupante para nós brasileiros.

Tirando os contratempos iniciais, aproveitamos um bonito e excelente dia ensolarado pelas praias de Parguito e Playa el Agua, que sem dúvida, são belíssimas.

No outro dia, fomos até o centro de Porlamar, a capital, e infelizmente confirmamos que seria aquilo mesmo, lugares feios, gente esquisita, e a todo momento, pessoas querendo fazer câmbio. Pegamos o primeiro táxi e fomos até o shopping Sambil, uma rede famosa de shoppings, como a rede Barra Shopping, BH Shopping e Morumbi Shopping aqui no Brasil.

Realmente, o Sambil é um shopping lindíssimo, extremamente limpo, gente bonita, com as melhores grifes e ar condicionado relativamente forte, pois a temperatura na ilha é bem alta. Tudo transcorria bem até a primeira olhada nos preços. São de cair duro !

A ilha é livre de taxas e mesmo assim, a coisa é fora da realidade brasileira.

Um tênis Nike mais barato saía por U$ 200, barrinha de chocolate do tipo Prestígio / Chokito por U$ 2, um lanche no McDonald’s por U$ 15, um perfume por U$ 135, onde no Duty Free se paga U$ 50. Um whisky Red Label porexemplo, custavam U$ 32. Resumindo, não havia absolutamente nada barato. Tudo era mais caro que no Brasil e fiquei imaginando o quanto essas coisas custariam na capital venezuelana onde há impostos...

Resumindo... decepção e nada de compras...

Aliás para não dizer que não comprei nada, adquiri um imã de geladeira por U$ 4.50 e dois pratos artesanais por U$ 40. Caro não ?

 

Dia do mergulho

Conseguimos o contato com uma operadora e saímos em sua embarcação até a Isla los Frailes, distante nove milhas de Isla Margarita.

Equipamentos montados num cilindro de aço Scubapro, descemos nas águas transparentes e quentes da região. Mar extremamente calmo e baixa profundidade, com dezenas de seres habitando o local.

Com profundidades variando entre 15 e 20m, avistamos moréias, lagostas, frades e ciliares. Segundo um dive master, eventualmente golfinhos aparecem na região e saúdam os mergulhadores sortudos. Durante o mergulho, encontrei também, gorgônias, barracudas e cavalos marinhos.

Em resumo, um mergulho tranquilo e compensador.

Os pontos mais famosos em Los Frailes são: Echao, La Pecha, My Point, Peña, Punta Rajuñao e Infierno, que possui este nome, devido as correntezas no local. Em média, uma saída sai em torno dos U$ 80 já com os cilindros.

Após o retorno, ainda é possível almoçar na praia e aproveitar o dia de sol. Não encontrei nada mais além disso.

 

Dicas

  • Almoçar e jantar em Isla Margarita é realmente um problema. Não há facilidade para isso na ilha. Como um todo, a ilha é muito pobre, é desertica o que se vê na maioria dos casos, são pequenas lojas (tiendas) com bobagens para comer.
  • Devido as políticas no país o câmbio é proibido, e por isso, há uma valorização da moeda no câmbio negro. No câmbio oficial U$ 1 equivale hoje (junho / 2008), 2.150 bolivares. No câmbio negro, entre 3 e 4.000 bolivares, mas há uma grande chance de você ser enganado com notas falsas ou até ser roubado logo após o câmbio, se este for feito na rua. Além disso, a moeda venezuelana sofreu alteração e podem lhe dar notas antigas e sem valor, aproveitando o desconhecimento por parte do turista. Eu mesmo tive problemas com o próprio quiosque oficial do governo, onde ao pagar a taxa de embarque do vôo doméstico, me deram dinheiro a menos. Existe uma confusão de notas com três zeros e outras sem os zeros. Algumas valem e outras não.
  • As casas de câmbio cobram uma comissão em cima do câmbio. Fique atento a isso.
  • Não troque muitos dólares pela moeda local. Trocar é fácil, mas destrocar é complicado e se você ficar com bolivares em mãos, não conseguirá trocá-lo em lugar algum. O melhor é trocar o mínimo possível.
  • Cuidado ao pagar as taxas aeroportuárias com dólares. Eles não retornam o troco em dólares. Somente em bolivares.
  • Esteja preparado para uma taxa aeroportuária na saída de Caracas para um vôo for internacional. São U$ 50 dólares por pessoa e não adianta chorar. Tem que ser em dinheiro e cartões de crédito não são aceitos.
  • Não chegue muitas horas antes no aeroporto internacional de Caracas. O check-in só é iniciado três horas antes, e tirando os restaurantes no segundo andar, não há lugar para sentar e aguardar o vôo. É isso mesmo.... o aeroporto não possui bancos para se sentar.
  • Se for do aeroporto até a capital, fique atento aos valores. Um táxi sai em média entre 150 (U$ 75) a 200 bolivares (U$ 100). Uma opção, é pegar um ônibus com estilo turístico que sai do aeroporto para o centro da capital por 13 bolivares (U$ 6).
  • Se você precisa pernoitar para pegar um vôo no dia seguinte de manhã cedo, não fique nos arredores do aeroporto. Caracas em si, é praticamente uma favela e nos arredores do aeroporto, a coisa é pior ainda.
  • A má vontade impera na Venezuela. Não se espante com a forma de atendimento dos venezuelanos. São pessoas desconfiadas e a impressão que nos dá, é que somos pessoas com tendências ao roubo e furto. São péssimos em atendimento, não dão atenção e nem têm interesse nisso. A impressão que ficou é que eles não precisam do turista e/ou pelo menos, não sabem o que significa a palavra turismo.
  • Em Caracas cuidado com taxistas. Escutei diversos relatos de brasileiros que combinam um valor e quando chegam no local eles querem cobrar outro. Em Isla Margarita, a grande maioria dos taxistas trabalham com preço tabelado, mas alugue um carro ainda no aeroporto. Sai muito mais em conta e você consegue rodar na ilha sem problemas. A diária sai em torno dos 110 (U$ 55) aos 180 bolivares (U$ 90). Mas chore na locadora !!!
  • Não ande com câmera, relógio e/ou objetos de valor à mostra.
  • O aeroporto internacional é o mesmo do nacional, sendo dois prédios interligados por uma passagem onde só é permitido o trânsito de quem sai de um vôo doméstico para o internacional. Em sentido contrário, você tem que ir pela calçada mesmo e pegando chuva se for o caso. Dei sorte pois o dia estava ensolarado. O local em si é seguro, pois não há pessoas transitando sem que vá pegar um vôo. Em toda área internacional do aeroporto, há militares vigiando as pessoas, que por sinal, dá uma certa segurança.
     
  • Para chegar em Isla Margarita, utilizei a companhia aérea Laser. A compra pela internet funciona bem e todo o transporte foi executado dentro do horário.

Se apesar de tudo o que eu disse você realmente desejar ir até lá para mergulhar, há uma indicação de operadora de mergulho em Isla Margarita. Saia com o Jörg Gessner, um alemão residente em Isla Margarita, prorietário da operadora Oasis Dive Lodge em El Tirano, uma operadora com padrão SSI e que fica ao lado de Playa el Agua no endereço Av. 31 de Julio, sector El Tirano - Hotel Dive Inn Oasis. Esta avenida é a principal que liga o centro de Porlamar até as praias. É uma reta sem fim e que circunda a ilha. Não tem erro.

O Jörg (se pronuncia George) é muito bacana e gentil, e além do alemão, ele fala em inglês, francês e espanhol. Telefone de contato: : +58 416 896 9040 ou pelo fax +58 295 234 8194.

 

Agradecimentos: Carlos Afonso (CAF) e Alex Cristiano pelas dicas passadas, ao Marcus Werneck pelo apoio no contato com o pessoal da SSI que promoveu meu contato com a operadora de mergulho, e a própria operadora de mergulho pelo turismo e fotos sub cedidas.

Região de Maiquetía em Caracas

 

Playa el Agua

 


 

Praia de Parguito

 


  


Isla los Frailes

 


Operadora Oasis Dive Lodge

 

 

 

 

 


Clécio Mayrink, nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 sendo certificado pela CMAS. Atuou como Dive Master pela PADI (#53.668) em 1990/91, realizando diversos cursos e especialidades. Atualmente é Mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave e Advanced Cave Side Mount e No Mount, com especialidades em O2 Administrator, First Aid e CPR pela IANTD, e Juiz AIDA Internacional.

Consultor em TI, é o idealizador do site Brasil Mergulho criado no ano de 1998. Foi consultor técnico sobre mergulho no desenvolvimento do 1º Atlas dos Esportes no Brasil, um projeto promovido pelo Ministério dos Esportes, foi consultor no projeto de proteção mundial de naufrágios promovido pela ONU e UNESCO, e integrante do mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS.

Atuou em reportagens para revistas, documentários e matérias para TV's, onde teve a oportunidade de mergulhar em diversos locais do Brasil e no exterior. Com a experiência adquirida, criou também a empresa Brasil Mergulho Produções, destinada a produção de vídeos e documentários subaquáticos.


Veja também:
- Isla Margarita – A pérola do Caribe... mas nem tanto...
- Mergulhando em Isla Margarita
 




 
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