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Kenya - Um local inesquecível
Jambo, jambo ! jambo, h’abari ! Estamos no Quênia, em plena África Oriental,
cortado ao meio pela linha do Equador, o citado acima é o tradicional
cumprimento no idioma kiswahili que pode ser traduzido como
"olá" ou "como você está". Essa língua é falada
pela etnia swahili majoritária no Quênia e Tanzânia.
Nairobi, a capital com quase cinco milhões de
habitantes com frenético ritmo de vida e caótico trânsito, nada
lembra os romances de exploradores ingleses do século XIX e o gibi do
Tarzan, onde sempre é citada. Me hospedei em um hotel no centro da
cidade e confesso, um pouco assustado, sai para uma caminhada. Para
minha surpresa, descobri um povo amável, feliz e trabalhador, por ser
de pele morena, me paravam para perguntar de onde era, para eles é raro
uma pessoa assim com traços europeus. Grande parte da população
professa a religião muçulmana, dos mais variados ritos, a gente pode
perceber pela indumentária das mulheres, algumas usam o "chador, a
"burka", vi também mulheres com o rosto coberto por um lenço
preto, no estilo Cavaleiro Negro, onde só se vê os olhos. Imaginei
como seria aqui no Brasil, a molecada apostando para ver quem tiraria o
lenço e sairia correndo...
No dia seguinte, a noite tomei um trem rumo ao meu
destino final, Mombasa, cidade costeira, margeada pelo fantástico
oceano Índico, foram treze horas de viagem, muito confortável, em
cabine individual, com jantar e café na manhã, atravessei povoados e
paisagens indescritíveis, uma verdadeira aventura que recomendo a quem
for, o regresso fiz de avião, em um vôo de cinquenta minutos de
duração. Lá chegando, tomei um taxi por mais uma hora até Diani
Beach, precisamente a Nomad Beach, onde se localiza a matriz da
operadora The Crab, a que escolhi para meus mergulhos.
Cheguei na baixa estação, por causa dos ventos
monções que assolam a região nos meses de inverno e também nos
antecedentes, que traz muita chuva na baixa estação, por causa dos
ventos monções que assolam a região nos meses de inverno e também
nos antecedentes, que traz muita chuva fazendo com que o mar fique
revolto e a visibilidade prejudicada, impossibilitando a ida a muitos
pontos de mergulho, e para minha sorte não choveu durante a minha
permanência, mas o vento castigou muito. A alta temporada vai de março
a setembro, e na coincidência das férias escolares na Europa, essa
região e literalmente invadida por ingleses, alemães e italianos,
sendo difícil arrumar acomodacões. Para se fazer uma idéia, a The
Crab possui cinco operadoras, e conta com cinco barcos de operação e
durante essa temporada, sai diariamente com todos lotados de
mergulhadores.
Fui muito bem recebido pela senhora Rosaria Cavadini,
a diretora da operadora, com a qual havia agendado minhas saídas e
hotel, para meu espanto, porque regateei no preço, me cederam um
bangalô muito espaçoso, de frente para o mar de cor turquesa e areias
brancas e finíssimas, e cercado por palmeiras, baobás e outras
árvores da flora africana, enfim um local preservado da devastação
que a gente está acostumado a ver por aqui, um verdadeiro paraíso na
terra, cujas paisagens em noites de lua cheia fez com que eu
"sentisse a noite", emoção que somente Bryan Stoke
conseguiria transmitir através de uma seqüência de palavras.
Mergulhos
A vida no Índico e muito rica, tanto em peixes
quanto em corais, qualquer dive point é bom, um dos que mais apreciei
foi Mwanamochi, um recife de um kilômetro e meio, que exibe muita
exuberância, fiz um drift de 65 minutos a uma profundidade média de 15
metros. Os mergulhos no Quênia não são muito profundos, exceção a
um avião bimotor, cuja fuselagem foi naufragada artificialmente,
estando a uma profundidade de 37 metros.
Galu Reef também chamou minha atenção pela enorme
quantidade de peixes recifais, peixes de formas extranhas para nós,
como por exemplo o peixe folha. Também cito o Igloo e Mwanyaza, com
muitas tartarugas e peixes leão, e muitos outros exóticos. Eu até que
tive muita sorte, já que alcancei ótimas visibilidades para essa
época do ano, de vinte a vinte cinco metros.
Para o meu gosto, o melhor de todos foi o naufrágio
MFV Funguo, o primeiro e único recife artificial do Quênia, levado a
cabo pela The Crab há dois anos atrás. Onde só havia areia, hoje se
encontra grandes cardumes de peixes nos mais variados tamanhos e cores,
um espetáculo impar de vida, já que grandes peixes que não são
típicos de recifes, elegeram o naufrágio como morada, um mergulho
imperdível. Encontra-se repousado a 27 metros em sua maior
profundidade. Esse é um mergulho para mergulhadores avançados e mais
experientes, geralmente se desce em grupos de dois ou três, o que é
ótimo, pois mergulhar em cardume francamente não aprecio. Para os
demais no barco, se faz um mergulho em um recife que está ao lado do
naufrágio. Me chamou a atenção, os diversos pontos de penetração,
onde se pode entrar por um local e sair pelo outro. Interessante é que
os dive masters não são autorizados a penetrar, somente os
instrutores, recebi o OK da operadora por fazer tech, vejam que
paradoxo, eu é quem guiava os dive masters locais. No último dia o
chefão de operações, um simpático instrutor nativo de nome Mr. King,
me guiou e pude explorar o naufrágio em sua totalidade, nesse dia a
água corria muito.
No segundo mergulho, descemos juntos, Mr. King, com
4.000 mergulhos e eu, haviam outros grupos a parte. Fiz o melhor
mergulho com correntes de minha vida, com altíssimo grau de dificuldade
dada a forte correnteza, num zig-zag sem fim, sempre guiado pelo
instrutor, bem rente ao fundo, durou 55 minutos a uma profundidade
média de 14 metros. Quando observei os demais grupos, lutando contra a
corrente a mais ou menos cinco metros do fundo, logo imaginei que não
iriam longe, dito e feito, a média deles foi de 25 minutos de tempo de
fundo. Isso me fez refletir sobre a experiência, meu dupla não faz
tech, é instrutor recreacional, porém sua habilidade e experiência...
Os mergulhos foram feitos a uma temperatura média da
água em torno dos 25ºC, tanto e que na maioria dos mergulhos, os fiz
trajando bermuda e lycra, já que os cilindros eram de aço, com 12
litros de capacidade o que os faz bem negativos, não usei lastro, o que
me diferenciava dos mergulhadores europeus que exibiam roupas ultra
fashion, high tech, pareciam pilotos de fórmula 1. Dive master
brasileiro não precisa nada disso, lá fora sempre dá show de
aquacidade, controle da flutuabilidade, e elegância lá embaixo.
Em quase todas as saídas avistávamos tubarões
baleia, só que filhotes, pena que na superfície os grandes só
aparecem no inicio da primavera junto com as raias mantas, fiquei
sabendo que na temporada, todo dia é dia de tubarão Baleia.
Fora os mergulhos, visitei Monbasa, conheci o Forte
Jesus, construído pelos portugueses no ano de 1596, saliento que Vasco
da Gama foi o primeiro europeu a pisar no solo da África Oriental.
Conheci muita gente da Europa que decidiu largar tudo e morar no
Quênia, escolha acertada, pois lá é tudo de bom, nada a ver com as
notícias de violência, guerras civis e conflitos étnicos que
costumamos receber da África. Um povo muito educado e receptivo, me
chamaram até de "bwana" que quer dizer senhor.
Na praia, junto a operadora, funciona uma empresa que
aluga equipamento para esportes aquáticos, a H2O Extreme, onde há de
tudo, desde caiaques a para-sail, e barco com fundo de vidro. Há
também uma outra operadora especializada em safaris, a Safari in Style,
que funcionam praticamente em anexo a operadora, por ainda não disporem
de website a senhora Rosaria colocou o endereço de e-mail da operadora
à disposição dos leitores da "Revista Brasil Mergulho" para
qualquer informação. Nomad Beach está muito próximo de dois parques
nacionais, o Mwalugange Elephant Sanctuary e o Shimba Hills Natural
Reserve.
Quem for, é bom estar preparado para ficar fora da
civilização, não tem nada por lá, a não ser belezas naturais e o
simpático povo, tudo é muito barato, há um único bar e restaurante
italiano na praia, com saborosos pratos e excelentes pizzas a partir de
US$ 3,00. Essa foi minha primeira viagem que trago troco e não estouro
meus cartões de crédito.
Conheci um mergulhador espanhol que mora lá há
décadas, e ao elogiar a região, me disse que ainda não havia visto
nada, e me convidou para almoçar em uma ilha de um amigo, onde comi o
melhor peixe em minha vida" e subir um rio para observar
crocodilos. Pegamos o carro e nos dirigimos ao sul aproximadamente 40
Km, quase na fronteira com a Tanzânia. Deixamos o carro em um local e
na volta é que me dei conta que estava em uma autêntica aldeia
africana, a Bodo Village, onde as casas são feitas com troncos de
palmeiras e cobertas com suas folhas, crianças nas vielas, tudo muito
integrado a paisagem, me deixando impressionado... não acreditava no
que estava vendo, parecia um sonho, que assistia a um filme, ai me dei
conta que era um filme sim... só que fazia parte dele.
Serviços
Para se chegar ao Quênia a partir do Brasil, a
melhor opção e via África do Sul, com conexão em Johannesbourg, para
Nairobi a capital, indo com a
South Africa Airways, que faz a segunda perna da viagem...
Paguei cerca de USD 1.400,00 pela parte aérea até
Nairobi, ida e volta. Sugiro que se aproveite a África do Sul, que
além de safari, também oferece bons mergulhos com tubarões, e nas
"sardine balls", vale muito a pena, no aeroporto pode ser
agendado no setor de informações turísticas um BB, bad &
breakfast por cerca de USD 40.00, se for o caso de se fazer um pernoite
em espera da conexão, ou para rumar a outros lugares na África do Sul.
Aos interessados, usei o Group Accommodation groupaccommo@yahoo.com.
Em Nairobi, quase não se vê não africanos, pedir
informação no aeroporto pode sair caro, portanto em Downtown há um
bom hotel de nome Sixeighty Hotel por USD 30,00 , fiquei em outro e
paguei mais caro. O site é www.680-hotel.co.ke
e o e-mail info@680-hotel.com.ke.
Uma corrida de taxi do aeroporto até o centro fica em torno de Kshs
1.000,00, menos de USD 13,00.
Moeda: o padrão monetário e o Shilling do Quênia,
sendo 1 USD = 80,00 Kshs. Aconselho a troca em casas de câmbio, que
pagam um pouco mais que nos hotéis e aeroporto. O dólar o padrão
monetário e o Shilling do Quênia, sendo 1 USD = 80,00 Kshs. Aconselho
a troca em casas de câmbio, que pagam um pouco mais que nos hotéis e
aeroporto. O dólar não é bem aceito no comércio e restaurantes, por
falar neles, e aconselhável só comer em hotéis por motivos de saúde.
Passeio em Nairobi: não tem muita coisa para ser
visitada, vale a curiosidade de estar em uma metrópole africana, o
melhor é contratar um táxi por um dia, cerca de USD 15,00 e conhecer
os pontos turísticos, e no final do dia ficar na estação de trem,
porque ele parte para Monbasa as 19hs, em primeira classe com cabine
individual, jantar e café da manhã por Khsh 3.200,00.
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Nomad Place


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