|
Mergulho em Paracas - Peru
Em janeiro de 2008, fui até o Peru conhecer a parte sul do país,
que engloba o deserto peruano e algumas regiões histórias e
enigmáticas como as Linhas de Nasca (Líneas de Nazca), Arequipa, Puno
e a tão conhecida Cuzco.
Como todo bom mergulhador, acabei procurando por informações sobre
mergulho neste país em questão, e infelizmente, as primeiras respostas
não foram animadoras. Alguns sites falam sobre o mergulho no país, mas
não respondem aos e-mails e algumas vezes, o e-mail não existe mais.
Mas quem procura acha, e acabei tendo a sorte de esbarrar com um
mergulhador que foi a minha referência e ajudar para mergulhar por lá.
Basicamente, grande parte da população é muito pobre e o mergulho
como sendo um esporte que requer condições financeiras mínimas,
praticamente fica inviável realizar um grande investimento no esporte
por lá. Este, foi o comentário do "Marquitos" (Marcos), que é instrutor de mergulho em Lima, a capital do
Peru.
Eventualmente, ele e alguns amigos, chegam a descer 260Km para o sul do
país, para ir até uma região denominada Paracas, uma pequena vila de
pescadores e que atualmente, sobrevive do turismo local.
Decidido a conhecer um pouco mais do mergulho na América do Sul,
combinamos de tentar obter a autorização para mergulhar nas Islas
Ballestas, um aglomerado de ilhas nas proximidades de Paracas, que é uma
espécie de habitat natural de lobos marinhos, pinguins, pássaros e vida
marinha. Paracas é uma Reserva Nacional.
Já me encontrava na cidade de Nasca, que na ocasião, havia ido
conhecer as Linhas de Nasca. Esta cidade fica quase no extremo do país e
a 7hs da capital. Pegamos então um ônibus leito de Nasca até Paracas, numa viagem de
3:30Hs, apreciando o visual do deserto peruano.
Chegamos em Paracas
já anoitecendo. A primeira impressão não foi das melhores, pois dava
a idéia de realmente ser uma vila de pescadores. Mas deixando essa impressão de lado, deixamos
nossas bagagens na pousada e saímos para jantar com Marquitos, que
foi nosso guia local e que iria prover todo o suporte para a operação
em questão. Dutante o jantar, ele nos contou algumas coisas
impressionantes sobre o terremoto ocorreido em 2007 no Peru.
O tremor estremeceu todo o pais,
chegando a 7.5 graus na escala Richter. As televisões não mostraram tudo
o que ocorreu. Cidades como Pisco, Ica e Paracas, foram quase que
exterminadas. A
única operadora de mergulho em Paracas fechou em função do tremor. O
abalo, provocou uma invasão do mar na cidade de Paracas, levando
levando consigo, dezenas de casas, um famoso
hotel e todos os equipamentos de mergulho da operadora de mergulho que
lá existiu.
O dia seguinte...
Após um excelente café da manhã, caminhamos até o píer local, para pegarmos o barco
para ir até as Islas
Ballestas, que é um dos mais famosos pontos turísticos do Peru.
Durante nossa caminhada, foi possível imaginar a força do abalo
sísmico ocorrido no local. Casas e
mais casas destruídas... Terrenos abertos que na verdade, faziam parte
de residências que foram ao chão.
Bom, esquecendo essa parte ruim, encontramos nosso guia e
saímos de barco em meio a uma densa névoa que é muito comum na região,
por causa do deserto nas proximidades. A visibilidade fica muito reduzida na região
na parte da manhã, chegando a impedir a saída das embarcações em
alguns momentos.
Durante a navegação, nosso guia realizou uma parada para que
pudéssemos ver o El Candelabro. Uma figura criada em uma parede inclinada na
areia do deserto, com 150m de comprimento. Por ser uma área ambiental
protegida e sem visitação e comcondições climáticas que favorecerem a permanência da figura na areia,
a figura já está a centenas de anos. Não se sabe qual é a
origem desta figura, mas uma das três hipóteses, é que tenha origem extraterrestre.
Será ???
O Mergulho
Após trinta minutos de navegação em uma embarcação veloz e segura, chegamos
nas Islas Ballestas, que é realmente um paraíso.
Um conglomerado de ilhas com suas pequenas praias com pedras
arredondadas e milhares de aves sobrevoando a embarcação, como um
gesto de boas vindas. Estima-se em 200 mil pássaros residentes nas
ilhas.
Rodeamos as ilhas durante meia hora e fomos até o
ponto de mergulho, na face mais abrigada, fugindo um pouco da a influência da corrente de Humboldt,
que leva grande quantidade de microorganismos na região, além da água
gelada, que é muito, mas muito gelada.
Descemos até a profundidade de 6m, onde tínhamos uns 14m de
visibilidade, e temperatura na casa dos 14° C. Nessas condições com uma roupa
de 5mm e larga, toleramos 25 minutos em meio ao intenso frio. Não sei
se o mergulho realmente estava muito bom ou se a barra de chocolate que
eu comi 2Hs antes fez algum efeito, pois odeio água fria, mas nesse dis
em questão, não foi tão difícil.
E a vida marinha ?
Existia e era abundante. Centenas de peixes à nossa volta
ficavam nos olhando como se fôssemos uma grande novidade. Eventualmente
víamos pinguins passando nas proximidades, assim como filhotes de lobos
marinhos com sua curiosidade à tona. Não chegavam tão perto, mas a
curiosidade era clara.
Observei a presença de alguns seres marinhos junto às rochas,
porém, em pequena quantidade. A maior quantidade é realmente de peixes
em si.
Apesar do frio e do mergulho curto, foi uma experiência diferente,
principalmente por estar com os pinguins e leões marinhos durante o
mergulho. Coisa "inimaginável" em águas brasileiras.
Um dos guias da embarcação que nos levou, mencionou a presença de
naufrágios na localidade, mas como a região está passando por um
processo de reestruturação por causa do "temblor" (terremoto), tudo fica mais
complicado para ser conseguir e planejar.
Dicas
- De Lima até Paracas é aconselhável ir de ônibus leito da
companhia Cruz del Sur,
e no modelo Cruzeiro, que é melhor. A passagem do leito não custa
mais do que U$ 30 por pessoa, e com direito a lanche. É possível
comprá-la com cartão de crédito e a empresa funciona bem.
- Dê preferência para sair da rodoviária Javier Prado (se
pronuncia Ravier Prado)
- Dirigir nas cidades peruanas é coisa de louco e a sinalização não é das
melhores. Evite alugar carro
por lá. Os táxis são velhos, mas as tarifas são muito
baixas. Barganhe sempre com o taxista fique atento, pois corridas
com valores acima de sl 10 (10
sóles – moeda de lá), cerca de uns 5 à 6 reais, já está caro.
- Em Paracas optamos por ficar na Pousada
Del Mancipador, que possui um excelente quarto com água quente, TV
à cabo, frigobar, cama confortável, além de ser uma pousada nova. A diária de
casal
saiu a bagatela de U$ 15 o casal com café da manhã.
- Quanto aos mergulhos, esse é um grande problema. Na ocasião tive
a sorte de esbarrar com a pessoa certo e no local certo. Não
encontrei nada na web com informações corretas sobre mergulho por
lá. Como já faz algum tempo que ocorreu o terremoto, acredito que
a antiga operadora de mergulho já deve estar atuando. Para
se chegar até ela, basta caminhar na rua principal de Paracas. Na
ocasião, só levei meu computador de mergulho e o resto, negociei o
aluguel com eles. A saída me custou U$ 80 com o aluguel de
equipamentos.
- Havendo tempo de sobra, tente ir até Nasca para conhecer as linhas,
mas isso, se você gostar de história antiga. Para ver as Linhas de
Nasca é preciso voar em monomotores da companhia Alas
Peruanas que saem a cada 10min e custam em média, U$ 40 na baixa e
uns U$ 70 por pessoa na alta temporada, e tem duração de uns 40min. Mas só
vá se realmente tiver tempo, pois além disso, não há muito que
fazer por lá. Para hotel em Nasca, indicaria a Casa
Andina, com quarto de 4 estrelas em torno de U$ 80 o casal.
|
Porto de Paracas


Ao fundo, o El Candelabro


Islas Ballestas




Milhares de ninhos de pássaros nas ilhas


Lobos marinhos são uma presença constante




Islas Ballestas - Vistas do Avião

 |