Pontos de Mergulho no Exterior - San Andres - Memórias curtas de uma viagem fantástica
 
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San Andres - Memórias curtas de uma viagem fantástica

O globo de sorteios da loteria do acaso girou, girou e girou. Só que desta vez sem contar com azar ou randomicidade. Os números sorteados foram escolhidos a dedo para este evento. A Proexpo Colômbia ao lançar a sorte para este FAM Tour, tirou do globo o número da Vectra Travel, que por sua vez, contou com o giro da predestinação e enviou um grupo de seis desconhecidos entre si para esta aventura. Desconhecidos tendo em comum apenas mergulho, paixão e a mão da providência.

Assim começa esta jornada. Cada um de nós recebendo um convite inesperado para um embarque no que viria a ser uma memória perene em nossas mentes.

Recebo meu aviso por e-mail durante uma viagem de ônibus. Chega a mensagem me pedindo para entrar em contato urgente com a agência. Um misto de medo, espanto e curiosidade me fazem fechar o powerbook e imediatamente e ligar para o Felipe. E qual não é minha surpresa ao saber que se trata de um convite para viajar ao Caribe colombiano para conhecer um novo destino. Uma ilha pouco explorada pelo mergulho e que viria a mudar de alguma forma a vida de cada um de nós, convidados a formar um grupo, um clã expedicionário destinado à Ilha Providencia.

Sei que cada um, não por acaso, passou por diversas dificuldades para ser merecedor e efetivado nesta missão.

Tive de menos de um mês para regularizar documentação, emitir segunda via de passaporte e contratar substituto para cobrir meus horários. Xuninho comprou a briga com um tímpano perfurado, sem poder mergulhar, e viajou muito mais inspirado pela fé do que pela razão. Paula, com um filho ainda muito pequeno, teve que partir seu próprio coração em dois, deixando a maior parte com o filho e esposo, morrendo de saudades, para seguir conosco. Lurdinha ainda sob medicação, fez do joelho coração para seguir os passos desta trilha. Dudu largou processos de renovação de sua empresa e seguiu, mesmo sem ter uniforme. Seguiu, pois sentiu a necessidade de novos ares pulsar em seu sangue. E Elton, mesmo não tendo completado seu curso avançado nem tido tempo de pegar um referal, seguiu para dar equilíbrio e apoio a este grupo totalmente heterogêneo.

Um grupo de seis. Cinco pessoas e um pinguim para ser exato. Um grupo que de tão heterogêneo se completou esplendidamente.

Assim começa a aventura de uma semana destas pessoas que não se conheciam, mas que depois desta viagem, com certeza nunca mais se esquecerão dos novos amigos, forjados pelo calor do sol e das águas do Caribe.

Este grupo virou uma equipe

Pode ser que não tenhamos mais contato uns com os outros, pode ser que só nos falemos através de e-mails de feliz ano novo etc e tal. Mas certamente cada um de nós terá lembranças que ficarão marcadas no subconsciente. Não será nenhuma surpresa se algum de nós começar a sorrir sozinho do nada ao ver um cardápio de pollo, ou ao lembrar o nome de uma cerveja colombiana. Ou ainda, ao ver alguém correr atrás de um rato grande.

Algumas uniões têm a capacidade de marcarem para sempre a vida de uma pessoa. Esta que agora vou narrar marcou a minha.

Começa a jornada

Rio de Janeiro, 21 de junho de 2008 - 04:30 horas da manhã, horário de Brasília

Começa minha aventura rumo a Ilha Providencia, Caribe colombiano próximo de San Andres. Seremos 6 mergulhadores seguindo nesta viagem, sendo eu do Rio de Janeiro e os outros de São Paulo. Seguimos a convite da agência de viagens Vectra Travel, para conhecermos e analisarmos a estrutura de mergulho e de turismo desta ilha.

Eu, Pinguim, me aterei a narrar nossa viagem. Deixarei um espaço no apêndice para meus companheiros de missão analisarem os hotéis, restaurantes e operadoras visitadas.

Estou aqui sentado no salão de embarque doméstico do aeroporto do Galeão, Antônio Carlos Jobim para São Paulo, para de lá seguir para Bogotá, de onde então seguirei para a Ilha de San Andres, no Caribe. Minha bagagem já foi despachada e só a verei de volta em San Andres. Assim espero...

Como já era de se imaginar, não consegui dormir... só de pensar em acordar as três da manhã para seguir para o aeroporto, já fez com que eu não conseguisse nem pregar o olho. Será que consigo dormir no vôo ?   Difícil... Agora é chegar em Sampa e conhecer meus companheiros de viagem, e tomar um café quem sabe. Mas deixa eu ir para o embarque que já estão me chamando. Quando conseguir me conectar envio este e-mail. Caribe, aqui vou eu !!!

São Paulo -  21 de junho de 2008 - 06:25 horas da manhã, horário de Brasília

Cheguei em Sampa rigorosamente no horário. São 06:25 horas da manhã quando caminhando pelo saguão do aeroporto, vejo ao longe Lurdinha e um cara de camisa preta escrito Vectra: o Elton, meu contato nesta cidade fria pela manhã.

Comprimento a Lurdinha, da Staff Divers e me apresento ao Elton, sendo que ele já me reconheceu. E fala antes mesmo de eu abrir a boca: "E aí Pinguim ! Como foi a ponte aérea ?". Fico me perguntando como ele sabia que eu era o Pinguim... será que foi a camiseta Onda Azul ? Sou então apresentado ao Juninho da Bellsub e à Paula, da Ventura.

Ligamos para o Dudu, da Tropical Dive Brasil que era a única pessoa que faltava. E qual não foi o susto do Elton quando o Dudu atendeu, com uma voz de sono, dizendo que tinha acabado de acordar. A cara de espanto e desespero do Elton foi impagável. Só que neste momento nós vemos uma pessoa com a descrição do Dudu, se aproximando do grupo, falando ao telefone e olhando para nós e rindo... Era ele fazendo a primeira pegadinha no dia. Esta viagem promete.

Após o pessoal fazer o check-in deles, o meu já estava feito desde o Rio, nos dirigimos para o embarque. Descubro que estou sentado numa posição melhor que meus companheiros, mais a frente da aeronave e na janela. Vantagem de ter feito o check-in mais cedo, no Rio. Em compensação, meus amigos fazem um grupo em linha nas poltronas e sentam juntos. Eu sou a ovelha desgarrada do bando. Essa, a desvantagem de ter feito o check-in mais cedo, e no Rio.

Enquanto estamos no saguão do aeroporto, nosso grupo animadamente conversa para começarmos a nos conhecer melhor nesta nossa semana de imersão coletiva. O tom de todos é de crianças conhecendo crianças e combinando uma super brincadeira na praça. Até o Elton, responsável da Vectra pela viagem se mostra super empolgado com os mergulhos. Para ele então esta aventura tem um tom a mais, visto ser nível básico.

E qual não foi também minha surpresa quando a Paula se achegou onde eu e o Juninho estávamos conversando para perguntar se era um de nós que ia descer como dupla dela, pois ela também é mergulhadora básica.

Finalmente embarcamos !   Particularmente gostei da aeronave da Avianca: bonita, com a poltrona confortável e tudo com aparência de novo. Li por uns 10 minutos a revista de bordo, também chamada de Avianca. Bem interessante e me manteve entretido até agora, quando o comandante autorizou desafivelarmos os cintos e também ligar o notebook.

Este então é o nosso sexteto fantástico meus amigos. Todos prontos e a bordo do Boing da Avianca em diração a Bogotá, nosso primeiro destino. Todos estão num bate papo animado lá atrás (acabei de me virar e olhar)... e eu aqui sozinho e teclando... Mas tá na boa. Daqui à pouco eu vou lá brincar com eles. Enquanto isso vou trabalhando e digitando !  Tudo bem até aqui.

Mandaram desligar os aparelhos eletrônicos e afivelar os cintos. Vou tentar dormir um pouco.....

Bogotá, 21 de junho – 12:30 horário local

E então chegamos em Bogotá. A cidade vista de cima me pareceu muito bonita, limpa e organizada. O aeroporto daqui tem rede wireless !!!

Passamos pela imigração sem problemas. Não foi pedido a nenhum de nós a carteira de vacinação. Na hora de trocarmos alguns dólares, deu um probleminha: tentaram enganar a Paula entregando apenas 40 dos 100 dólares que ela deu. E o Dudu foi pior ainda... pegaram os dólares, enrolaram e disseram que já tinham entregue, é mole ?  Se não fosse o Elton apresentar o cartão de um figurão de turismo daqui... Mas agora tudo resolvido e estamos aguardando nosso vôo para San Andres. Era nosso anjo da guarda Elton cuidando da gente.

Neste momento o Juninho faz uma cara de beata em confessionário e diz: "Pessoal, eu tenho que contar uma coisa: por favor não se espantem com a quantidade de comida que eu como...".

É quando eu penso: É agora ou nunca, minha chance de falar está aberta. E então levanto a mão, tal qual um aluno de colégio e falo; "E galera, então eu também tenho uma confissão a fazer: por favor não se assustem com a quantidade de álcool que eu bebo.". Pronto falei. Agora deixa cada um pensar o que quiser... Fico muito aliviado quando o Dudu, o Elton e o Juninho falam que também jogam neste time. Ainda bem !

Seguimos para o nosso embarque em direção a San Andres. A galera fica na fila, meio longa, enquanto eu me sento aqui num balcão "recarregue aqui a bateria de seu celular e note book" e continuo a escrever. Mas não demora muito e a turma chama por mim na fila. Chegou nosso guia local: Felipe Calderon. Figuraça, com cabelo em pé, camisa da Itália e mochila da alemanha, ele é nativo de Bogotá e estará o tempo todo com nosso grupo. Ele tem cara de ser garoto ainda, e estava muito preocupado, pois nos aguardava no desembarque e não estava nos encontrando. Tínhamos seguimos diretamente por conta própria para o novo embarque. O Felipe cumprimenta a todos e acha engraçado eu me apresentar como Pinguim. Ele não sabia o que ainda ia passar comigo neste FAM. O pessoal achou ele a cara do Sawer do Lost. Aqui pagamos uma taxa de 29.200 pesos colombianos pela entrada na ilha.

San Andres, 21 de junho de 2008 - 16:35 horário local

Chegamos em San Andres. Com uma precisão na casa dos minutos, a Avianca me deixou mais uma vez muito surpreso. A fila de "entrada na ilha" até que foi mais rápida do que eu imaginava. Tudo correu nos conformes e muito na boa. Conhecemos já no salão do hotel o nosso outro guia local. O figura riu de se acabar quando me apresento como Pinguino. O nome dele é John, extremamente simpático e solícito.

Depois de pegarmos nossa bagagem, que eu não via desde o Rio, por sinal foi bem rápido, seguimos para fora do aeroporto para pegar um dos táxis em direção ao Hotel Sunset. Esta viagem está sendo para mim uma grande caixa de surpresas: o motorista do nosso hotel foi criado na Ilha, porém nascido em Manaus, é mole ?  Seguimos eu, Paula e Juninho com um bate papo bem legal em "portunhol" com Alberto, nosso taxista por uns 20 minutos até o hotel.

Como se eu não fizesse assim não seria eu, pergunto ao Alberto sobre a cerveja local. Ele começa a responder em espanhol, pero depois emenda num inglês muito bem falado. A Paula então entra no meio e pergunta porque ele prefere falar em inglês. A explicação só para variar me deixa surpreso: a ilha de San Andres é de colonização inglesa, sendo então o inglês a língua oficial. A maioria fala espanhol por uma questão mercadológica de Turismo. Tanto que segundo o Alberto, se encontrarmos com algum dos moradores mais antigos na ilha, pode ser que o cara não fale espanhol.

O Sunset é pequeno, são 15 apartamentos, todos com ar condicionado, televisão e tudo mais que um quarto deve ter. Temos uma piscina no centro, com 1,20 metros de profundidade, de água salgada e extremamente quente. Basta atravessar a rua e temos o mar, com uma espécie de escada de concreto montada sobre as rochas magmáticas da ilha. Não tem nem como não saber-se imediatamente que se trata de uma ilha vulcânica. Basta olhar ao redor na beira mar.

Ao chegarmos no Hotel, Ligia, nossa anfitriã nos recebe com um delicioso chá gelado e pastéis de caranguejo com lula. Não vou falar que estavam surpreendentemente deliciosos para não ficar repetitivo. Mas que estavam, estavam. Assim que acabo o meu chá gelado e deliciosamente refrescante, olho em volta pensativo, na dúvida e indeciso... Levo alguns segundo para pedir uma cerveja. Ao que o Dudu então desabafa e fala, seguido em coro pelo Juninho, Elton e até mesmo a Paula: "caramba, ainda bem que alguém começou, eu já estava pensando que ia passar o dia à base de refrigerante"... Só Lurdinha fala que beberá apenas um golinho para brindar com a gente, mas que nos sintamos à vontade.

Quando nos entregam as chaves do quarto mais uma surpresa das boas, e que impressiona a todos: estamos o sexteto fantástico mais o Calderon em quartos individuais !  Isso mesmo, o governo da Colômbia, além de estar pagando pela nossa hospedagem, ainda nos aloca em quartos single, ao invés de nos dividir em duplos ou triplos, como todos esperávamos. Parabéns e muito obrigado ao Proexport Colômbia, à Vectra Travel, nossa agência, e especialmente ao Elton, o representante desta última e que a todo momento faz questão de saber se estamos sendo bem atendidos.

Então foi dada uma segunda largada nesta viagem. O combinado é em 10 minutos após termos chegado no hotel, já termos deixado as bagagens nos respectivos quartos e estarmos mais uma vez no saguão prontos para seguir para nosso próximo destino do dia: Reunião e jantar em outro hotel.

Cabe aqui uma curiosidade: nestes 10 minutos que passamos no hotel nosso sexteto, que para beber se transforma em quinteto, conseguiu consumir por volta de 14 cervejas Aguila.... E nosso guia e taxista fala para nós de pé, na calçada: podem trazer as garrafas, não tem problema não !  Hahaha... estou me sentindo em casa aqui.

Eu já esperava uma viagem muito boa. E esta está se concretizando excelente, com companheiros que parecem ter sido escolhidos a dedo para ela. Mais uma vez parabéns para a Vectra Travel.

Chegamos de taxis ao Hotel Sunrise, que impressiona a todos pela luxuosidade. Estamos com uma reunião agendada com a Sra. Susan Saad, presidenta da Anato, seguido de jantar no dito hotel.

Somos recebidos (e muito bem recebidos diga-se de passagem) já no lobby pelo gerente do hotel, que nos leva para um breve tour. Quando saímos do elevador panorâmico e entramos em um dos quartos do oitavo andar, para conhecer, me surpreendi com o tamanho da ante sala.... Já no quarto vejo uma cama em que cabem umas 5 pessoas deitadas e fico me perguntando qual a finalidade deste tamanho todo... hehehehe.  E claro que a Jacuzi está lá. O quarto como um todo realmente impressiona. Mais ainda, quando saímos vejo uma outra porta próxima à de saída e abro para olhar. Ao que o gerente do hotel me apresenta: banheiro social. É a primeira vez que vejo um quarto de hotel com dois banheiros.

Descemos para a ala dos salões de convenção, que é de uma magnitude impressionante. Só de olhar o tamanho as diversas portas de madeira pelas quais passamos, com três metros de altura e de madeira maciça, dá para ter uma idéia do tamanho dos salões aqui. E ao entrar no último salão, vejo uma cena que já vi em muitos filmes: um salão do tamanho de uma quadra de vôlei, iluminado apenas no centro, onde encontra-se uma mesa finamente decorada para jantar, diante de uma tela de projeção.

Não vou gastar muito tempo falando da apresentação da Susan nem do jantar, em que eu tinha a minha frente 3 tipos de copos diferentes e 4 pares de talheres, para não me alongar demais, mas basta dizer que me deu uma tremenda vontade de repetir mais de dois dos pratos que comemos. Apenas vou dizer que ficamos sabendo que o Brasil é o número quatro em turistas na ilha e que temos a fama de sabermos nos divertir e estarmos sempre de bom humor.

De lá seguimos para o píer particular do hotel, onde se encontra a piscina e outro restaurante, para embarcarmos no Galeon Morgan para um cruzeiro pela orla. Em aproximadamente 5 minutos eu descubro que teremos um open bar e um show de música caribenha. Algumas das fotos tiradas nesta noitada com certeza foram alteradas por algum de nossos amigos aqui, pois juro que não me lembro de ter feito nada de mais...

Chegando ao Galeão, nossa impressão inicial é de um barco tipo Escuna, devidamente decorado ao estilo antigo pirata, com uma banda no deck superior na popa, área mais aberta para dançar no deck um pouco mais baixo na proa, bar e banheiro na cabine inferior, na popa.

Inicialmente tivemos a impressão de que ia ser um passeio meio morno, com pouca gente e uma musica tocando. Mas em algo como uns 15 minutos o barco começa a ficar bem cheio, com grupos da própria Colômbia, Peru, Chile e etc. Quando a Crooner começa a cantar, sai um vozeirão bonito num Bob Marley que agrada a todos. Juntando-se a isso uma rodada de Cuba Libre feita com rum Medellín, como averiguei mais tarde, a noite continua muito bem !

Todos dançamos muito, conversamos muito e nos conhecemos então melhor. Nosso guia local John se revela um cara super animado, dançante e apaixonado pela dançarina do barco, merecidamente chamada de Chocolate.

Num determinado momento da noite, em que eu com minha mania e curiosidade gourmet / alcoólica, estou conversando com o Barman sobre os tipos e quantidade de bebida que normalmente o pessoal ingere neste passeio, escuto o sistema de autofalante do barco terminar uma música e então chamar: "¿Donde estas Pinguim?"  Paro de falar intrigado, descrente e ao mesmo tempo com uma grande vontade de começar a rir.... O que esse pessoal aprontou ?   Encerro minha conversa já rindo e vou subindo a escada para o deck superior com uma cara de desconfiado procurando meu grupo e de onde vem o chamado. O Juninho começava aqui uma pegadinha que ia crescer ainda e se repetir muitas vezes, sempre de forma inesperada...

Segundo o Juninho, após duas cubas libres e três cervejas, voltamos para o píer após dançarmos muito e nos divertirmos pra valer.

Saímos então andando do píer do Sunrise e nos dirigimos à van que nos levaria de volta ao nosso hotel. Curiosa e coincidentemente, John pára e vai pegar a chave da van onde mora, em frente a este hotel. Só que desce com um violão na mão e ao abrir a van, aparecem um balde de cerveja e uma garrafa de rum... Inacreditável, era só o que me faltava... terminar a noitada no meio da rua em San Andres, bebendo sentado na calçada tocando e cantando. E sem contar que aí então descubro que nosso guia é músico, com dois CD's gravados e à venda aqui. Caraca....

E ainda levei um susto quando vi dois policiais caminhando perto. Me apavoro quando noto que os caras mudaram de rumo e vem vindo em nossa direção. Tento alertar nosso guia sobre os dois meganhas que se aproximam e ele solenemente me ignora. Fico estressado até os caras chegarem a dois metros do nosso grupo, olharem, sorrirem, cantarem uma frase da música que estamos levando (Pink Floyd), nos cumprimentarem com a cabeça e seguirem seu caminho.... Surreal. Daí para frente, só lembro de estar chegando ao hotel, trocando de roupa e indo para a piscina me refrescar.

San Andres, 22 de junho de 2008 - 06:40 horário local

E amanhece no primeiro dia de mergulho de San Andres, Caribe colombiano !

Só para variar eu mais uma vez não consegui dormir direito, acordando várias vezes durante a noite para ver que horas eram e ter certeza de que não ia perder o horário dos mergulhos. Então, por volta das 06:00 da manhã, desisto e desço para o meio do hotel, onde consigo ver os quartos do pessoal, o café da manhã e ao mesmo tempo a operadora de mergulho.

Nosso hotel fica no lado mais calmo da ilha. Só para ter uma idéia, estou sentado aqui digitando a mais de meia hora e até agora não passou nenhum carro aqui na frente do hotel, de cara para o mar.

Antes que algum de meus companheiros venha falar que eu enchi a cara noite passada, vale ressaltar que não foi nada disso. Tanto que eu estou aqui desde seis e pouca trabalhando e escrevendo para vocês. Qualquer foto que diga o contrário provavelmente foi alterada via Photoshop.

E então me vejo acordando hoje, indo ver o mar e montando meu escritório aqui, na beira da piscina. Parafraseando Drummond "Eita vida besta meu Deus...."

São sete horas da manhã quando as portas se abrem e o resto da turma começa aparecer. Seguimos para o salão de café da manhã. Muito bom, mas servido à prestação: o atendente, muito simpático, vem trazendo as comidas e bebidas do café da manhã uma de cada vez. Logo após o café da manhã seguimos para a operadora que fica do outro lado da piscina para preenchermos nossas fichas de inscrição e pegarmos os equipamentos alugados. Eu pego só lastro, pois levei meu equipamento completo menos roupa, estando comigo só uma lycra que se mostrou mais do que suficiente para os nove mergulhos realizados nesta expedição.

Nosso centro de mergulho é o Shark Diving, com seu instrutor e proprietário Roger. Ficamos sabendo que ele foi um dos primeiros mergulhadores a operar turismo nesta ilha. Ele é nativo daqui.

A operadora é bem equipada, possuindo estação própria de recarga de ar e de nitrox. Os equipamentos de aluguel atenderam satisfatoriamente a todos, sendo a checagem de tudo feita ainda na operadora, ao lado do hotel, o que faz com que qualquer caso de esquecimento seja facilmente resolvido com um pulo no quarto ou no paiol da operadora.

Após conferirmos todo o equipamento que nosso grupo precisaria, seguimos sentados na caminhote da operadora que está a três passos do hotel e seguimos para o píer. Em menos de 5 minutos já chegamos e entramos no bote de fibra, com toldo e dois motores Yamaha de 100 HP. Navegamos como 10 minutos e já estamos no ponto de mergulho, o que significa a hora de nos equiparmos.

Estamos então em nosso primeiro ponto de mergulho no caribe: Piscinitas. Água quente, clara e muito calma me dá uma sensação de imersão numa nuvem de plasma, num fluído muito mais do que simples água, algo que transporta energia, paz. Descemos todos calmamente até uma profundidade de 15 metros, flutuando neste céu de águas, vida e conforto. A quantidade de corais e peixes ornamentais é tão grande que chega a chamar a atenção de todos. Acrescentando-se a isso, peixes de passagem e muitos, mas muitos camarões palhaços e góbios tocando suas estações de limpeza. Realmente estamos no Caribe, não há como negar.

Nossa tarefa é árdua: pela programação da Proexport são 5 mergulhos no dia: dois de manhã, dois de tarde e um de noite. No nosso bate papo com o responsável pela operadora, Roger, chegamos a conclusão de que é melhor alteramos nosso cronograma da seguinte forma: três mergulhos embarcados pela manhã, um mergulho final de tarde saindo da frente da própria operadora e mais um noturno, exatamente no mesmo ponto do anterior. Assim otimizamos nosso tempo escasso.

Os mergulhos em San Andres atendem a todos os gostos, desde batismos até mesmo mergulho técnico com descompressão e misturas artificiais de gases. E tudo isto com a facilidade de navegações de não mais do que 20 minutos. A entrada na água tanto pode ser à pé, com a tripulação sustentando os equipamentos e facilitando o equilíbrio, como rolamento de costas ou ainda a equipagem na água. Os barcos, apesar de pequenos quando comparados com a realidade de mergulho do Brasil (navegação da ordem de uma hora), atendem plena e confortavelmente a nossa equipe. Dá para ver que com grupos maiores um mesmo ponto de mergulho pode se diversificar e atender a diferentes níveis de mergulho. Isto se dá por causa da suave inclinação do fundo, com alguns declives mais pronunciados em alguns momentos. Ou seja, é possível dois grupos diferentes fazerem mergulhos diferentes, com variações de profundidades que alcançam os 15 metros ou mais, e mesmo assim os grupos ainda manterem contato visual entre si.

Paradas de segurança e/ou de descompressão, são uma realidade nestes mergulhos. Isto quer dizer que um bom computador e equilíbrio hidrostático, associados a uma correta lastreação do mergulhador são fundamentais para um melhor aproveitamento dos mergulhos em sua totalidade sem passar-se por nenhum susto.

Uma boa conversa com o responsável pela operação na véspera, para se planejar os mergulhos, pode garantir que os melhores pontos serão cobertos. Não que existam pontos ruins na ilha, mas a correta definição dos objetivos do mergulho pode ser fundamental para que se atinja toda a expectativa para uma viagem destas. Há que se definir se buscamos corais, grutas, peixes de passagem, crustáceos, peixes ornamentais para macro ou ainda, mergulhos mais fundos, com vida maior, mas que em contra partida, podem levar a descompressão e tempos de fundo reduzidos. A maior parte das pessoas provavelmente irá preferir mergulhos mais rasos, coloridos e mais longos.

Após o primeiro mergulho, nosso barco retorna para o píer de onde saímos para fazermos o intervalo de superfície. Esta prática é comum a todas as operadoras e hotéis de San Andres. Este intervalo de superfície faz com que seja extremamente confortável o tempo entre os mergulhos. Exemplo: as meninas do nosso grupo aproveitaram para confortavelmente ir ao banheiro do restaurante do píer, enquanto nós bebíamos uma água de côco e aguardávamos uma porção de pastéis de caranguejo chegar quentinha !  Nenhum de nós bebeu algum cocktail ou cerveja nos intervalos, apesar de ser possível, visto estarmos num restaurante. Porém todos nós sabedores da não recomendação de mergulho e álcool, nos abstemos.

Os outros mergulhos do dia foram em Cuevas de Morgan e Dedos de Morgan. Todos muito bons. Foram diferentes entre si no quesito vida marinha, porém iguais em teremos de visibilidade, calmaria e temperatura: 27oC. Após o terceiro mergulho, seguimos pela última vez para o píer e de lá na caminhete em direção ao nosso hotel, pois o almoço nos aguardava. Minha escolha foi um filé de peixe ao molho de maracujá com arroz de côco. Simplesmente divino!  Juninho adivinhem.... comeu pollo (frango). Só que ao se dar por conta que não havia talheres para ele, chamou o atendente e pediu:"Por favor, me faltam las hieramientas".... ainda agora eu começo a rir só de lembrar disso.

Combinamos de dar uma cochilada até as 17 Hs, para então fazemos nosso quarto mergulho do dia, dando o passo do gigante da plataforma construída na frente do hotel e operadora. A cama do hotel me pareceu ainda mais macia e gostosa do que na noite anterior.

17:00 horário local

Nos equipamos sentados nos degraus do próprio hotel, ficando apenas as nadadeiras na mão. Uma vez todos prontos atravessamos a rua e fomos para a plataforma. Confesso que me senti uma criança pronta para fazer arte quando da ponta da plataforma vi que tinha uma distância de aproximadamente dois metros da água. Fiquei com uma tremenda vontade de entrar na água dando um passo "cambalhota triplo carcado, assinatura característica de uma certa galera do Rio, mas assumo que fiquei com vergonha. Eu era o instrutor mais antigo do grupo e não podia ficar dando mau exemplo. Mas que deu vontade, a lá isso deu...

O mergulho na frente do hotel me impressionou muito pela quantidade de vida a menos de três metros de distância do asfalto da via pública, onde passam ônibus, caminhões outros barulhentos. Lagostas, moréias, polvos e até mesmo uma raia xita estavam presentes, tanto neste mergulho ao cair da tarde como no noturno que se seguiu. Nosso guia Felipe Calderon fez aqui seu primeiro batismo. De braços cruzados e cara de marrento, seguiu todo o mergulho quase que caminhando em pé à meia água.

Impressionante como mesmo de noite a temperatura da água se mantêm quente e agradável, isso, levando-se em conta que este foi o quinto mergulho do dia.

No noturno impressionou a quantidade de camarões com seus olhos vermelhos brilhantes nos focos das lanternas, traindo sua localização. Finalizamos encontrando um polvo completamente azul esverdeado, que me deixou parado por um bom tempo admirando suas mudanças de cores.

Saímos da água com a sensação de que precisaríamos de mais uns 3 mergulhos noturnos no mesmo ponto para podermos cobrir melhor a área saciarmos a sede deste ponto. Uma escada de ferro de aproximadamente dois metros e meio, nos leva tranquilamente da água para a plataforma sobre as rochas vulcânicas. De lá, são alguns passos de volta para a operadora e seguimos para tomar banho, combinados de nos encontrarmos em trinta minutos para seguimos para nosso próximo compromisso da agenda do dia. Eita pressa danada !

20:45 horário local

Nos encontramos na calçada do hotel com 15 minutos de atraso na nossa agenda. Me baixa o espírito supervisor de mergulho (como se eu me desvinculasse dele..) e começo a chamar todos e dar uma voz de comando para sairmos, pois estamos atrasados. O Dudu ao me ver com uma garrafa de Aguila na mão, me pergunta onde peguei. Quando falo que foi no frigobar do meu quarto e ele começa a voltar para pegar uma no quarto dele eu quase dou um ataque por gastar mais alguns minutos num horário que já está atrasado.

Rumamos então para o hotel mais utilizado por brasileiros em San Andres: Decameron Aquário. A estrutura do hotel realmente é bem grande e com diversas atividades disponíveis para o turista. Mas minha opinião é a mesma da Lurdinha: o hotel de tão grande promove a dispersão de um grupo maior... E particularmente cheio de adolescentes, o hotel fica muito barulhento. Nosso hotel um pouco mais afastado e reservado, nos dá a intimidade de na janela de qualquer um dos nossos quartos, possamos enxergar os quartos de todos do nosso grupo.... Nas madrugadas, bebendo na beira da piscina isso tem sido um diferencial significativo para nosso grupo.

Seguimos então para o restaurante La Bruja. Clima introspectivo e temperatura agradável. A comida como sempre aqui estava muito boa e bonita.

Creio que para um grupo pequeno ou mesmo casal, este hotel pode ser uma boa opção de viagem. Mas para um grupo um pouco maior, que queira curtir e ao mesmo tempo não se dispersar, tendo ainda assim toda a qualidade, serviços e opcionais agregados da rede Decameron, uma boa pedida é o hotel Dolphin Decameron, que conhecemos após uma caminhada curta saindo do Aquário.

Da mesma rede, o Dolphin é mais novo, um pouco mais requintado e calmo que o Aquário. Possui como este o mesmo tipo de pacote com tudo incluído, o que o tornou para mim como a opção ideal para meu próximo pacote de mergulho em San Andres. Piscina no centro e quartos dispostos ao redor, com píer particular ao fundo, este hotel parece que agrega o clima intimista no nosso hotel, Sunset, com a praticidade da localização e serviços disponíveis do Decameron Aquário.

Saí deste hotel com o pensamento "vou voltar e me hospedarei aqui em breve" na cabeça.

Seguimos então para uma caminhada pelo centro de San Andres, onde conhecemos alguns barzinhos, lojas e uma danceteria, que estava na noite da "lei seca" por estar aberta para menores de idade. Eu explico: estávamos no período de férias escolares na Colômbia, o que encheu a ilha com estudantes secundaristas de férias. A danceteria estava por este motivo lotada, mas com a maioria de pessoas menor de idade. Somando-se a isso um RaegeTon que estourava nos tímpanos de tão alto, nosso grupo ficou apenas uns 15 minutos lá e depois seguimos de volta para nosso hotel para descansar. Porém não nas camas, mas na beira da piscina, com nossas cervejas e a água quente e salgada da piscina, que de tão agradável podemos dizer que era terapêutica, ajudando a relaxar a musculatura de todos nós que de tanta programação que já tivéramos e ainda tínhamos por vir, bem precisávamos mesmo de uma horinha de relax como esta.

San Andres, 23 de junho de 2008 - 07:00 horário local

Ontem de noite combinei de acordar meus amigos as 8 horas, pois com raiar do sol, começo a me agitar na cama, acabo levantando antes mesmo. Dito e feito, bato na porta dos meus amigos e desço para montar meu escritório e digitar em nosso diário de bordo do dia de ontem.

Café da manhã tomado as 08:30 da manhã, servido com um suco de laranja extremamente saboroso e frutas que me fazem babar ao comer. Carregamos as baterias assim para nosso programa do dia: visitar os Cayos, pequenas ilhas da região. O termo significa o mesmo que as Keys americanas. Daí se chamar Johnny Cayo, Johnny Cay ou ainda Johnny Key. E também Haynes Cay.

Seguimos para um píer turístico cheio de barcos que se encontra no centro para podermos pegar o nosso. Aqui encontramos todo tipo de turista: tanto internacional como interno da Colômbia.

Como não poderia deixar de ser, nosso grupo assume a proa do barco, com nosso guia Felipe ainda sério e o John já com a corda toda. Eu, como sou entrão mesmo, fico no bico de proa do barco e vou ajudando todos a entrarem, organizando e distribuindo os assentos. E claro que me apresentando à cada um que entra no barco: "Buenos dias, llamo Pinguino"... O que já começa a tornar o clima no barco totalmente descontraído. Alguns ficam me olhando com cara de não saber o que pensar, mas... fazer o quê.... se eu não fizesse assim eu não seria o Pinguim !

Os Cayos são um passeio que eu provavelmente dispensaria tranquilamente por mais uma série de mergulhos, mas não tinha como não fazer. Até porque se não fosse, não saberia se é bom ou não. E afinal agenda é agenda. É um bom programa para se fazer no dia de no Fly, aí sim um bom programa. Mas como alucinado que sou, fiquei com um gostinho de "mais mergulhos" na boca o dia todo.

A navegação mostra que o nome de "Mar de sete cores" realmente se aplica perfeitamente a San Andres. Descemos então em Cayo Haynes primeiro e vamos dar uma passeada pelo local. É um típico ponto de piscinas de corais com peixes ao alcance da mão. O snorkeling é o grande objetivo deste ponto. Ou para nosso grupo, fotografar a paisagem e beber. Não necessariamente nesta mesma ordem....

Após um passeio de um Cayo para outro, com água na altura da cintura e dividindo meu par de sandalhas de dedo da Mormaii com o Dudu (Equipe Brother !), demos um giro pelas duas pontas de areia que formam estas duas pequenas ilhotas. Conhecemos ainda o Côco Loco, bebida que tanto falaram ser a mais tradicional da ilha, com a mais de uma vez repetida recomendação de não se beber mais de um.... Dizem que as mulheres que bebem mais de um terminam o dia "correndo atrás dos negritos".

Bem, ou o nosso pessoal do Brasil tem imunidade sanguinea ou eu fiquei tão bêbado que não vi nada... Acho que a primeira é a verdadeira...

Não acreditei quando ao caminhar um pouco mais adiante com Lurdinha e Dudu escutei a voz de um nativo ao mega fone "¿Donde estas Pinguim ?"... era a efetivação de uma lenda que surgia.

No nosso almoço experimentamos a famosa banana da ilha: cortada ao meio e chapada tal qual um filé de frango, ela é frita e servida como acompanhamento. Todos escolhemos peixe e o Juninho, pollo. Até agora eu não entendi direito por que ele não come frutos do mar... Lamentavelmente ele só tinha a opção de pollo até então. Todos aqui pedem cerveja para acompanhar o almoço. Old Milwalke. O Felipe está sentado à minha frente e por distração, pega a minha lata e bebe um gole.

Neste momento eu respirei fundo, me concentrei para não rir e comecei a falar, em tom de repreensão:

"Felipe, a minha cerveja é mais gostosa do que a sua mesmo, não é ?  Talvez por causa do meu toque gelado, que não a deixa esquentar, não é? Mas se você não se incomodar de deixar um último gole para mim eu agradeço".

O Felipe pára, ri, olha em volta e se dá por conta que pegou mesmo minha cerveja. Ele fica branco e sem graça. Era o que faltava para todos estourarem de rir. Ele sem graça coloca a cerveja na mesa e eu pego, com cara ainda de puto e continuo a beber e comer. Foi uma das cenas mais engraçadas desta viagem toda.

Pegamos de novo nosso barco e seguimos para o outro Cayo. O tempo não ajudou muito, ficando nublado, ventando e fazendo não um frio, mas tornando a brisa mais fresca. E o Elton fico das 8 até por volta das 14:30 Hs com sua sunga do avesso. Deve ter sido por causa da etiqueta do Brasil que tinha do lado avesso... ou então moda mesmo, sei lá....

Pegamos uma chuvarada na volta que deixou a todos encharcados. O jeito foi nos secarmos e trocarmos de roupa na van do John. Depois de uns 15 minutos de discussão de precisaríamos voltar ao hotel para nos trocarmos e secar eu mais uma vez, incorporo o espírito Dive Supervisor e bato o martelo: Ninguém vai voltar ao hotel. Vamos manter nossa programação se seguir em frente. Acho que uma ou outra pessoa ficou chateada pelo meu tom neste momento, mas alguém tem que fazer o papel do chefe chato e tocar a carroça.

Vamos ao nosso city tour !   Para quem não sabe San Andres é área de livre comércio. Ou seja, a cidade é inteira um grande free shop. Eletrônicos, bebidas, perfumes, moda e tudo mais que se pense numa zona franca pode ser comprado aqui. Invariavelmente nosso grupo se dispersou neste momento.

Foi cada um para o seu lado. Após algumas horas caminhando, cada um foi chegando ao ponto de encontro marcado para voltarmos. Porque será que os homens chegaram primeiro, foram logo começando a beber e só depois de um bom tempo é que as mulheres chegaram, cheias de bolsas e querendo mostrar para nós, já meio altos, tudo que tinham comprado.

Nesta tarde, decidimos que ao chegar ao hotel após nossa agenda, iríamos para a beira da piscina, dar uma relaxada, beber cuba libre e botar em pauta o que tínhamos visto, experimentado e vivenciado até este momento na viagem. Sim, pois estávamos nesta viagem como uma missão com o objetivo de não só conhecer, mas também montar e divulgar este destino de mergulho: San Andres e Ilha Providencia. Para isso aproveitamos que nosso ponto de encontro era em frente a uma casa de bebidas e pedimos ao John, nosso guia, para nos levar a um supermercado para comprarmos salgadinhos.

Feito isso nos dirigimos ao hotel para tomar um banho e nos trocarmos para o jantar. Nossa programação agora é seguir para o Restaurante típico Niko, que é de propriedade do pai da gerente do nosso hotel, onde jantaremos e assistiremos a um show de música e danças da ilha. O restaurante me pareceu logo de cara um Bistrô extremamente aconchegante, e o mais surpreendente, com uma pequena praia artificial feita por um molhe de pedras ao fundo da varanda. Isso garante uma brisa fresca, cheiro de mar e som das ondas como componente de fundo para a música local que toca.

Somos então, apresentados ao gerente do restaurante e a seu cheff. A comida que começa com um ceviche é simplesmente de dar água na boca e vontade de pedir mais e mais. Porém a educação não permite. Comecei com uma Piña Colada, uma cerveja para acompanhar a entrada e vinho para o prato principal. E é claro, que um café colombiano para fechar a noite. Ao final fiz questão de cumprimentar pessoalmente o Cheff, que para minha surpresa não fala inglês, o que quer dizer que não é nativo da ilha. Deve ter sido "importado" de algum restaurante do continente, com certeza.

Final perfeito de noite para os dois primeiros dias de nossa viagem, e última noite em San Andres. Seguimos para nosso hotel e como combinado nos encontramos na beira da piscina com a garrafa de Rum e as cocas. São aproximadamente uma da manhã quando me jogo na água quente e salgada de nossa piscina, particular a esta hora. O Elton fica com um pouco de receio da temperatura (desculpa esfarrapada seu preguiçoso) e vai para seu quarto. Lurdinha vem para apenas um brinde de Cuba Libre. Guerreira esta mulher !  Participa de absolutamente tudo que os outros cinco malucos pensam. Começa a chover e saímos da piscina, não por frio, mas para não diluirmos nossas bebidas. Segue então cada um para seu quarto para tirar a roupa molhada. Mas se vocês acham que a noite acaba por aí, ledo engano!  São aproximadamente 02:40 da manhã e estamos sentados na varanda e ainda bebendo. Eu, Juninho e Paula.

Engraçado como o papo que é agradável e corre sem rédeas, sendo tocado pelo teor alcoólico, voa sem rumo. Neste parte da noite, como é óbvio, começamos falando sobre mergulho e nossa viagem. Cada um falou um pouco sobre suas experiências internas, sobre o que esperava e o que ainda estava por vir. Num ponto nós três concordamos: A viagem já tinha superado em muito nossas expectativas !

E quando o relógio bate 04:45 nos recolhemos às nossas camas e tentamos dormir um pouco, pois dalí a pouco temos que tomar café para seguir para o aeroporto.

San Andres, 23 de junho de 2008 - 06:00 horário local

Não posso dizer que acordo, pois simplesmente me deitei um pouco e me levantei. Tanto pelo pouco tempo, como pela tempestade que caiu o restinho da noite toda. Uma chuva tão intensa que eu achei que o nível do mar fosse subir e a ilha inteira desaparecer... E cada trovão que parecia um tiro de canhão certeiro na parede do meu quarto. Para completar faltou luz. E eu já meio alto tentei levantar de noite para ir ao banheiro e levei uns dois minutos para achar onde ficava a porta do mesmo, tateando as paredes à volta do quarto...

Seis e meia em ponto e nossa galera está se encontrando no café. Não sei pelos outros, mas eu não conseguiria comer nada a esta hora. Apenas um suco de laranja e melancia. Caíram como uma luva. Acho que o pessoal da cozinha adivinhou meu estado nesta manhã.

Mais alguns momentos e estamos no aeroporto para tomar nosso vôo em direção à menina dos olhos desta viagem: Ilha Providencia !

O aeroporto parece completamente vazio a não ser pela nossa galera. Em alguns minutos descubro porque: nosso avião tem dezenove apenas lugares !  E somos sete.

Após uns 35 minutos todos nós já fizemos nosso check-in e procuramos um lugar para sentar, ou melhor, deitar !  Fica aqui uma pergunta: porque levantamos tão cedo para estar no aeroporto as sete da matina para um vôo que só decola quase 10 da manhã ?   Tudo bem que numa situação normal eu não questionaria, porém neste dia uma horinha a mais de sono teria feito milagres. Ao menos para esta ave marinha aqui.

Ainda fiquei um bom tempo no aeroporto procurando por uma conexão sem fio para mandar uns e-mails e conversar com a minha galera no Brasil, mas nada... o jeito foi aguardar o embarque enquanto nossa turma, que eu já tratava como meus filhotes. Dormia esticada pelos cantos do aeroporto. Não consegui mesmo, então fiquei de prontidão aguardando alguma movimentação no aeroporto.

Fotos: Carlos Eduardo Moraes da Tropical Dive Brasil  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


"Pingüim" Paulo Guilherme A. Cavalcanti, mergulha a mais de 20 anos e é Instrutor Master e Instrutor especialista em Naufrágios e Trimix pela PDIC. Além disso, é Instrutor CMAS e proprietário da escola de mergulho Onda Azul.

  

Veja também:
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- San Andres - Memórias curtas de uma viagem fantástica
 




 
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