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Solomon Islands – M/V Bilikiki
Solomon é um arquipélago formado por mais de 900 ilhas e possui pouco mais
de 500 mil habitantes em seus mais de 28 mil km quadrados de área. Menos da
metade das ilhas são habitadas e ainda é pouquíssimo explorado do ponto de
vista turístico. Possui clima tropical com temperatura média de 29ºC, tanto
fora como dentro da água, e apesar do inglês ser a língua oficial, menos de
2% da população conhece o idioma. Além do Pijin, a língua falada pela
maioria dos nativos, outros 72 idiomas são utilizados na região.
Entre 1942 e 1945, Solomon foi palco de uma das mais sangrentas batalhas da
2ª Guerra Mundial, a batalha de Guadalcanal, onde mais de 25.000 japoneses e
1.000 americanos foram vitimas da guerra e da malária. Em abril de 2007,
Solomon sofreu novamente, dessa vez com um tsunami, que deixou mais de 50
pessoas mortas e outras 6.000 desabrigadas.
Apesar desses episódios trágicos, Solomon é considerado um dos melhores
destinos de mergulho no mundo. Corais intactos, uma das maiores biodiversidades
do planeta e águas com mais de 30 metros de visibilidade.
Após cerca de 21 horas de vôo até Brisbane, na Austrália, são mais 3
horas a bordo de um jato Embraer 170 (orgulho nacional !) até Honiara, a
capital de Solomon Islands.
Foram nove dias a bordo do Bilikiki, uma embarcação de 125 pés, com 10
suítes acomodando de forma muito confortável até 30 mergulhadores. Monty
Sheppard, um apaixonado por fotografia sub, sua esposa Michelle e mais 11
tripulantes, garantem todas as comodidades a bordo da embarcação totalmente
adaptada ao mergulho. Os mergulhos são feitos sempre a partir dos Tinnies: 2
barcos de alumínio com capacidade para 8 mergulhadores cada. Em média são
cinco mergulhos diários: Pela manhã às 8h e às 11h, após o almoço, às 14h
e às 17h e o noturno às 20h, após o jantar.
Outro detalhe importante, é o cuidado que a tripulação dá ao seu
equipamento de fotografia ou vídeo. São sempre os últimos a embarcar nos
Tinnies e os primeiros a desembarcar no Bilikiki, com direito a uma ducha de
água doce e uma bancada enorme somente para eles. O mais importante: nada de
câmeras empilhadas dentro da caixa de água doce. O barco possui também uma
sala especialmente montada para você cuidar do equipamento, recarregar as
baterias ou revelar seu filme.
Após a acomodação de todos nas cabines, partimos em direção às Floridas
Islands, ao norte da capital Honiara. O local é repleto de corais moles e
muitos gobi shrimps, peixes que dividem o buraco na areia com um camarão.
Avistamos também duas móbulas e várias sépias bastante amistosas em Velvia
Reef.
Durante a noite, partimos para Russell Islands, um local especialmente
interessante para a fotografia de nudibrânquios. Num único mergulho, é comum
o encontro com mais de 10 espécies diferentes. Destaque para o mergulho em Leru
Cut, uma caverna que entra cerca de 50 metros para o interior da ilha. Aqui
tivemos o primeiro contato com os Sea Pigmy Horses, cavalos-marinhos com pouco
mais de meiocentímetro, muito difíceis de encontrar, pois se confundem com a
gorgônia onde vivem, e também com casal de ghost pipe fishses.
Aqui também conhecemos o que Monty apelidou de mobile market. São nativos
que remam com suas canoas até o Bilikiki para vender flores, raízes, frutas e
verduras. Era consequentemente nosso complemento de almoço e jantar.
Partimos durante a madrugada para Mary Island, uma pequena ilha cercada por
grandes cardumes. Grandes bolas de barracudas e xaréus vão até onde a
visibilidade da água permite enxergar. Grandes atuns também tem presença
garantida por aqui e acabaram virando sushi no jantar. Na superfície, é muito
comum também a presença de casais de tucanos voando entre as árvores da ilha.
Os próximos 3 dias de mergulho foram feitos em Marovo Lagoon nas New Georgia
Islands, onde também tivemos a oportunidade de visitar algumas comunidades
locais. Os habitantes vivem basicamente da pesca, e não tem acesso à energia
elétrica. Além do contato com a cultura local, aqui é onde se pode comprar
algum o artesanato local feito à base de madeira, ossos e madre-pérola. Se
tiver esquecido seus Solomon Dolars no barco, não há problema: eles aceitam
lanternas, relógios e até pilhas e baterias.
A maioria dos mergulhos aqui é nas passagens do lagoon para o mar aberto. Se
tiver muita correnteza, não se preocupe, pois tem sempre um Tinnie seguindo
suas bolhas, e te esperando para pegar seu equipamento e te ajudar a sair da
água. Os paredões são cobertos por gorgônias e corais negros e é comum o
encontro com grandes peixes de passagem, como atuns, grandes barracudas e até
tubarões-martelo. Várias espécies de peixe-palhaço também habitam o local,
incluindo o White-Bonnet Anemonefish, endêmico de Solomon e Papua New Guine.
No sétimo dia, voltamos para Russell Islands. Dessa vez, mergulhamos num
ponto chamado White Beach, uma praia que serviu de base japonesa na 2ª Grande
Guerra. Mergulhamos entre caminhões, motos, garrafas e até bombas. Num desses
mergulhos, meu dupla e amigo José Ângelo me chamou a atenção, pois estava
fotografando apoiado justamente numa dessas grandes bombas, que apesar do tempo
que estão lá embaixo, vai saber... É também um lugar onde encontramos o
Archer Fish, um peixe que lança um jato de água em insetos distraídos que
habitam galhos até 1,5 metros distantes da superfície. Mergulhamos também num
ponto chamado Wreck of the Ann, um cargueiro que está com a proa nos 32 metros,
repleto de esponjas orelhas de elefante e peixes-leão. Ao lado do naufrágio,
fica um grande jardim de enguias.
Fizemos os últimos mergulhos em novos pontos nas Florida Islands. Muitos
camarões de anêmona, tartarugas, pipe fishes e o curiosíssimo mantis shrimp.
Partimos em direção a Honiara, com direito a uma farta mesa com queijos,
acepipes e também um brinde com vinho e prosecco agradecendo a Netuno pela
viagem.
Ao imaginar o fim da viagem, somos surpreendidos com outro ponto alto da
viagem. Ao passarmos por um local, que depois entendi por que se chamava Popcorn
Village, dezenas de homens, mulheres e crianças começam a remar suas canoas
acompanhando o Bilikiki. Monty aparece com vários saquinhos com pipoca e pede
para que todos os arremessem ao mar. É de arrancar lágrimas do mais duro ser
humano, a alegria das crianças ao conseguir pegar um saquinho com pipocas.
Depois Monty nos contou que isso era uma tradição com mais de 8 anos de
existência.
Passamos a noite no barco e no dia seguinte, já ancorados em Honiara,
tomamos o café da manhã e fomos tirar a tradicional foto com a população.
Solomon é isso: Mais que um sensacional destino de mergulho, uma
oportunidade única de contato com a cultura de um povo com vida simples,
extremamente receptivo e acima de tudo, feliz! Deixamos Solomon, já com um
gostinho de quero mais, e acima de tudo, já com a vontade de voltar.
Como chegar
- São Paulo / Santiago (Chile), voando Lan Chile
- Santiago (Chile) / Auckland (Nova Zelândia) / Sydney / Brisbane
(Austrália), voando Qantas
- Brisbane (Austrália) / Honiara (Solomon) voando Solomon Air
- Parte Aérea: U$ 2.500
Onde ficar
Bilikiki Cruises -
Pacote a partir de 7 noites por U$ 2.590 incluindo todas as refeições, mimos e
mergulhos. Opção de Nitrox por U$ 20 a diária.
A capital de Solomon, Honiara, não oferece muitas atrações. De qualquer
maneira, o Solomon
Kitano Mendana Hotel é uma boa opção de hospedagem com diárias a partir
de U$ 100.
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