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Tonga - Mergulhando no Clan Mc Willian
Procurando por um local
diferente para conhecer, acabei indo no arquipélago de Tonga, no Oceano
Pacífico, com águas cristalinas principalmente em Vava’u, com
diversos e espetaculares naufrágios naturais no Reino de Tonga e a apenas duas milhas
do porto.
Um deles, foi lançado ao
mar em 1.918 com o nome de Clan Quehele, um vapor escocês com 142m de
comprimento, depois rebatizado como Clan Mc Willian, estando a 35m de
profundidade na Bahia de Neiafu, e com sua proa aos 28m.
No inicio do século 20, a
Polinésia Ocidental era grande produtora de óleo de coco, e este navio
realizava a rota Tonga – Inglaterra transportando essa valiosa
commoditie na época. No dia 24 de Dezembro de 1.927, um incêndio eclodiu
no barco e o capitão conseguiu retirá-lo do píer para que o fogo não
se alastrasse as demais embarcações nas proximidades. Diz uma lenda que
o comandante e o engenheiro chefe foram à pique junto com o navio.
O mais interessante de se
mergulhar em naufrágios tão pouco visitados, é que simultaneamente se
mergulha na história, se volta ao passado, ao momento em que o navio foi
reclamado por "Tio Netuno", passando a fazer parte de seus
domínios, para nosso deleite.
No dia em que desci até
ele, só estava no barco eu e o divemaster local, onde fizemos um
planejamento de entrar na ponte de comando e depois no porão. Já havia
colhido informações de que lá, só haviam cilindros S80, tomando-se
então um cuidado redobrado, por não dispor de equipamento específico e
mergulhar com uma "ampolinha" de ar que normalmente a gente usa
como stage.
Combinamos batidas de
meio ciclo e não nos desgrudamos, marcando muito bem o caminho de
volta, para o caso de ocorrer um silt e podermos sair juntos e com
tranquilidade do naufrágio. Descemos por uma downline onde não
haviam correntes, mas curtindo uma visibilidade externa por volta
dos 40m e que na casa dos 10, já se vislumbrava a silhueta soberba
do Clan Mc William.
Acompanhando a linha de
profundidade do convés, alcançamos a ponte onde a visibilidade em seu
interior era fantástica e com diversas variedades de corais e esponjas
incrustados nas ferragens e no teto, permitindo um rápido passeio em seu
interior, seguindo à risca o planejamento, pois ar que é bom não
dispunhamos de muito, seguimos rumo à popa e para o fundo onde há um
rombo no casco por onde entramos.
Por só ter disponível
lanternas de mergulho recreacional, logicamente foi insuficiente, pois a
escuridão era total em seu interior. Entramos mais ou menos uns vinte
metros e deparamos com uma pilha de entulho de madeira e ferro retorcido,
com as paredes escuras ou até mesmo pretas, devido a fumaça do incêndio
que acabou com a carreira do navio. Esse resíduo de combustão de óleo
impregna a roupa e as mãos, sendo difícil removê-lo.
Já próximo a algumas
madeiras e por entre alguns escombros, avistei um estojo de madeira
totalmente intacto, e logo após saímos no convés dando de cara com um
indicator ou um instrumento de navegação, onde ainda era possível ler
Dobbie - Mc Innes - Glasgow. Passamos novamente pela ponte e iniciamos
nosso processo de subida, pagando a deco necessária
Foi uma pena não ter
podido explorar o naufrágio por inteiro, dada a precariedade de nosso
equipamento. O mergulho é excepcional pois o navio está praticamente
intocado.
Serviços
O Reino de Tonga compreende
de 171 ilhas e tem 110.000 habitantes, distante 2.000 km a nordeste da
Nova Zelândia. Como eu me encontrava nos Estados Unidos, segui de Los
Angeles para Auckland, e de lá para Tongatapu, a ilha principal, onde
está a capital Nuku’alofa. De lá até Vava’u, em mais duas horas de
vôo em um pequeno turbo hélice.
Há outra opção para se
chegar a Nova Zelândia via Pólo Sul, através das companhias aéreas Lan
Chile e Aerolineas
Argentinas, onde operam essa rota e sendo muito mais próximo,
economiza-se muito tempo.
Em Vava’u há somente
duas operadoras de mergulho, e acabei por optar pela Beluga,
pois consegui com negociar as operações daqui do Brasil. Eles possuem
dois barcos de alumínio muito bom e velozes.
O melhor hotel da lha é o Paradise
hotel, que dispõe de apartamentos com tarifas variando entre 45 e U$
135. Na baixa temporada fica vazio e se consegue um bom upgrade.
Na ilha principal de
Tongatapu, há seis naufrágios bem grandes, todos sem nome e com mais de
100m de comprimento. E pasmem, estão afundados há quase um século.
Estive em dois deles onde a média de profundidade gira em torno dos 40m e
bem próximos dos recifes da praia. Tive a impressão de que eles bateram
nos arrecifes e foram à pique.
Através da brochura da
outra operadora local, a Deep
Blue, fiquei sabendo que existem cavernas muito boas em uma ilha bem
próxima chamada de EUA. Nessa empresa, pude observar algumas duplas
improvisadas com cilindros S80, onde perguntei se eram de operação, e o
divemaster me respondeu que eram do dono e ele estava na Europa.
Creio que
se possa fazer um mergulho "tech" com eles, já que o divemaster
me informou que era mergulhador técnico. Até pouco tempo atrás essa
operadora não dispunha de website.
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