Porta-Aviões a preço de banana

Além de agregar grande quantidade de vida em suas estruturas, navios naufragados também incentivam o turismo submarino a determinadas regiões.

Iniciado há alguns anos nos Estados Unidos, o programa intitulado de “Recifes Artificiais”, já afundou dezenas de embarcações, aviões, tanques de guerra e carros nas águas costeiras e lagos americanos.

Este programa, realizados por empresas particulares, governo e instituições ambientais, já se mostrou eficaz em aumentar o turismo e a biodiversidade marinha aonde são afundados estes navios.

No Brasil, já começamos a ver navios sendo afundados propositalmente no estado de Pernambuco e o turismo local já colhe frutos. Atualmente, estamos na expectativa de afundamento do primeiro recife artificial da região sudeste: O cargueiro Victory 8B. O local escolhido para receber este navio é a cidade de Guarapari e este será o maior navio afundado propositalmente na costa brasileira.

Após seu afundamento, que deverá ocorrer em Novembro, a cidade de Guarapari colherá os frutos deste investimento que atrairá mergulhadores ansiosos para ver este grande navio debaixo d água.

Pela altura das superestruturas do navio, podemos concluir que o Victory 8B, agradará mergulhadores técnicos e recreativos e muitos mergulhos serão necessários para conhecê-lo por inteiro.

Em meio à euforia e ansiedade pelo momento de mergulhar no Victory, uma notícia me entristeceu: A venda do Porta Aviões “Minas Gerais” por 2 milhões de Dólares. Este belo navio, comprado da Inglaterra por Juscelino Kubistchek em 1956, foi aposentado em Janeiro de 2001 e substituído pelo ex-Porta Aviões Francês “Foch” e rebatizado de “São Paulo”.

O “Minas Gerais” foi comprado por um grupo chinês e se transformará em um parque na China.

Se este Porta-Aviões fosse afundado em uma cidade de veraneio (como: Cabo Frio, Arraial do Cabo, Ilha Grande, Guarapari, etc) ele se tornaria uns dos poucos Porta Aviões mergulháveis no mundo, provavelmente o único nas Américas !

Imaginem quanto retorno financeiro em forma de turista estas cidades receberiam !    Sem falar nas pessoas que iriam começar a se interessar pelo mergulho.

Quantos mergulhadores procurariam cursos de aprimoramento para conhecer melhor os destroços. Quanta vida se agregaria ao navio !    E sem falar que isto duraria por dezenas de anos !

Não resta a menor dúvida que estes dois milhões de dólares seriam pagos facilmente. A cidade com um navio de grande porte em suas águas seria uma ganhadora da loteria !

Infelizmente agora já é tarde e o “Minas Gerais” pertence aos Chineses. Mas vários outros grandes navios fora de serviço apodrecem em portos por toda a costa brasileira e poderiam se tornar recifes artificiais.

Espero e torço para que “vacilos” como este do “Minas Gerais”, não se repitam e que possamos ver a cada ano, novos navios sendo afundados. Por enquanto, fico na espera do Victory 8B.

Rodrigo Coluccini
Criador e proprietário da Revista Deco Stop, foi um dos responsáveis pela divulgação em larga escala das informações sobre naufrágios no litoral brasileiro, fato antes restrito a poucos. É co-autor do manual de naufrágios da certificadora PDIC. Seu trabalho é citado em vários livros atuais sobre história maritima brasileira confirmando a importância de seu trabalho.