Porto de Galinhas – Muito mais do que as jangadas…

Foto: Rafael Fuganti

Caros amigos, acabo de voltar de Pernambuco, onde estive de férias para mergulhar, descansar e curtir a praia. Mas, ao contrário da grande maioria dos mergulhadores de plantão, não foi em Recife que fiz minhas imersões. O relato abaixo é uma tentativa de ilustrar o que, provavelmente, não conseguirei colocar em palavras tão claramente como gostaria.

Porto de Galinhas é conhecida por suas piscinas naturais, praias calmas, águas azuis e ventos constantes. Fica a mais ou menos 65km de Recife, em direção ao sul, e quando se fala de mergulho neste local a maioria das pessoas visualiza crianças de snorkel e batismos feitos a partir de jangadas (sem a segurança exigida pelas certificadoras).

Porto-Galinhas2No entanto, neste lugar, poucos sabem que se encontram alguns dos melhores naufrágios de Pernambuco, um galeão de mais ou menos 300 anos de idade, e uma operação de mergulho impecável gerida já a 12 anos por Michel Russi, suíço radicado no Brasil e, diga-se de passagem, um ótimo anfitrião.

Fui a Porto para uma viagem de duas semanas com a família, em dezembro de 2008. Já muito antes de embarcar, conheci Michel no PADI Dive Festival e ficamos de nos falar para marcar os mergulhos. Eu e minha esposa decidimos fazer 4 saídas (todas com EANx 32%), sendo uma noturna, para conhecer a beleza da região.

A expectativa de mergulhar dias e dias seguidos era grande, e eu sabia que as águas de Pernambuco eram ótimas para a prática do nosso esporte. Porém, nada poderia ter-me preparado para a qualidade excepcional dos mergulhos que fizemos.

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Galeão

Embarcação não identificada, com algo em torno de 300 anos de idade, que se encontra a 7 milhas da costa. Podemos identificar a quilha, parte das anteparas, grandes âncoras e alguns matérias de escavação utilizados posteriormente na exploração do local. Água com 25 metros de visibilidade, azul, com alguma corrente. Muitos cardumes, corais, moréias e, eventualmente, peixes de passagem.

Um ótimo mergulho inicial para se ambientar com a região e que gera ótimas oportunidades de fotografia. Apesar disso, como sendo o primeiro mergulho de nossa viagem, infelizmente eu não tinha comigo minha fiel Canon G9, e sendo assim somente guardo na memória as imagens que vimos.

Gonçalo Coelho

Embarcação militar de desembarque, fabricada durante a segunda guerra mundial e vendida ao Brasil em 1978. A embarcação atuou no teatro do Pacífico durante a guerra, mais especificamente em Okinawa. O navio, após seu decomissionamento, estava sendo rebocado quando fez água e foi a pique a 34m de profundidade.

O mergulho no Gonçalo é interessante em vários aspectos: oferece penetração em seus porões, que estão limpos e desobstruídos, e também na super-estrutura de comando, apesar desta já começar a ceder diagonalmente sobre o casco, em um angulo de 45º. Muita vida se abriga na estrutura de controle, além de o naufrágio estar coberto de corais coloridos.

O mastro principal oferece ótimas oportunidades de fotografias contra-luz. Por fim, há portinholas, reentrâncias e saliências interessantes por todo o navio, revelando a vida marinha em cada nicho.

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Rebocador Marte

É um rebocador afundado em 1998, mas que se encontra em ótimo estado. Oferece penetração em suas dependências e seus porões, e suas estruturas “aramadas” no flybridge são moradia para inúmeros cardumes de enxadas, salemas, eventuais arraias (no deck, principalmente à noite) e outros peixes pequenos. Muito colorido, ótimo para foto-sub. As duas imersões noturnas neste naufrágio se mostraram o ponto alto da viagem e, com certeza, figuram entre os melhores mergulhos de minha ainda curta carreira de mergulhador.

Além dos naufrágios acima, mergulhamos também na Laje dos 30m, que tem muitas oportunidades de vida macro, corais, formações rochosas / coralíneas interessantes e peixes de passagem.

A região, muito próxima a Recife (que é acessível para mergulhos “bate e volta” para os que não se contentarem com os pontos acima), ainda oferece lindas praias, sossego, bons restaurantes e vários programas para os não mergulhadores. Também é um ótimo lugar para se tomar os primeiros passos do mergulho.

Aconselho muito o Discover Scuba Diving (desde que feitos com operadora credenciada), e para as crianças, o programa Bubblemaker e também o snorkeling, já as habituando com o ambiente marinho. Convenci meu pai e minha prima a participarem do Discover e, qual minha surpresa, os dois voltaram “secos” para se certificarem mergulhadores autônomos.

O mergulho em Porto de Galinhas é melhor no período de outubro a março. O período de abril a setembro é mais propício ao surf.

Por fim, meus sinceros agradecimentos à AICA Diving. Michel Russi e sua equipe (Sandro, Rodrigo e Pablo) são profissionais, amigos e exemplos de como uma operação de mergulho deve ser gerida: com segurança e paixão pelo que se faz. Os equipamentos da operadora são mantidos em condição exemplar, assim como suas embarcações, e Michel está sempre disponível para um bom papo, contando curiosidades da região e dos pontos de mergulho.

Imagens adicionais no site http://rafaelfuganti.shutterfly.com/

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Rafael Sekles Fuganti
Natural de Londrina-PR, é administrador de empresas e reside em São Paulo. Certificou-se mergulhador pela PADI, sendo Rescue Diver PADI. Seu objetivo é desenvolver-se em fotografia subaquática, que começou a praticar em 2007 durante viagem a Fernando de Noronha.