Primeiros naufrágios interligados do Brasil

Porto de Galinhas é reconhecida mundialmente por sua beleza, seja pelas praias tranquila, ou por suas encantadoras piscinas naturais, conhecidas como um excelente ponto de mergulho.

Mas para os mais experientes, Porto de Galinhas também é conhecida por seus naufrágios que desde o final da década de 90, vêm atraindo muitos mergulhadores para visitá-los.

Aqui temos dois dos primeiros naufrágios artificiais da costa de Pernambuco e um desconhecido. São eles: O rebocador Marte, o Gonçalo Coelho e um galeão de identidade desconhecida e com muitos pontos de interrogação.

Esse último, se destaca por um fato curioso… Ele foi descoberto acidentalmente pelo instrutor de mergulho Rodrigo Lacerda, após ter perdido uma de suas nadadeiras, enquanto se preparava para um mergulho no rebocador Marte.

Ao derivar à procura da mesma, encontrou algo que inicialmente acreditou ser o Galeão Santa Rosa.

O projeto

Apesar da infelicidade por não ter encontrado esse quase mítico naufrágio, a curta distância entre eles, quase 400m de distância, proporcionou a colocação de um cabo guia no trajeto entre os dois naufrágios por um grupo de mergulhadores técnicos da
operadora Aicá Diving.

O grupo era composto por Michel Russi, Ronaldo Guillen, Gregório Thomaz e eu, Marcel.

Infelizmente durante a operação, ficou faltando o Gabriel Katter (Gaba), que também faz parte desse time, e que se encontrava em viagem à Florida, nos Estados Unidos.

Afim de receber além dos habituais mergulhadores recreacionais, a Aicá Diving está se estruturando para receber em grande estilo, os mergulhadores técnicos de todo o Brasil e tendo esse objetivo isso em vista, estamos em constante busca por novos pontos para a prática em nossa região.

Hoje, temos os primeiros naufrágios interligados do Brasil, possibilitando que os mergulhadores técnicos visitem dois naufrágios em um único e mais longo mergulho, além de poder se deslumbrar com o visual do trajeto entre eles, com toda a segurança e conforto que esse cabeamento traz aos mergulhadores.

A operação

Antes do mergulho em si, nos reunimos na operadora para planejarmos o perfil completo do mergulho e discutirmos qual seria a melhor maneira de instalar esse cabo.

Depois de muita preparação na mesa de planejamentos, nos reunimos no dia anterior ao dia do mergulho, para preparação dos gases, configuração dos equipamentos de mergulho, e é claro, do cabo a ser instalado, assim como os pesos que seriam distribuídos ao longo do percurso para melhor fixação dos cabos.

Chegado o dia, partimos logo pela manhã aproveitando o melhor horário da maré para o embarque dos equipamentos, e depois de um pouco mais de uma hora de navegação em um mar espelhado e totalmente atípico nessa época, chegamos ao nosso primeiro destino, o Galeão Serrambi.

Nosso plano era ao chegar ao galeão, um membro da equipe desceria e prenderia o início do cabo em um ponto fixo, precisamente, em um dos dois gigantes almirantados que estão por lá. Feito disso, navegaríamos bem devagar liberando o cabo até chegar ao rebocador Marte.

Quando chegamos por lá, o time todo desceu juntamente com os pesos que foram sustentados por um lift bag e distribuídos ao longo do trajeto com a distância de 30m entre si, após uma hora de fundo aos 34m de profundidade, e um árduo trabalho para tencionar o cabo e carregar os pesos, concluímos o cabeamento e iniciamos a subida para a descompressão.

Ao chegarmos à bordo, comemoramos o sucesso da operação e com a feliz sensação de que assim como nós, muitos outros poderão desfrutar desse mergulho diferenciado e tão especial.

Além dos três naufrágios, que por si só, já são um excelente cenário para o mergulho técnico, temos agora o “trajeto” como sendo mais uma opção aos mergulhadores.

Os mergulhos aqui não se resumem apenas aos naufrágios, temos mais alguns pontos incríveis, com destaque para o Canal da Bicuda, um cânion com profundidade de até 60m, e não para por aí, na constante exploração de novos pontos, nossa equipe está no encalço de um provável avião da Segunda Guerra Mundial, que teria naufragado em nossas águas. Então, aguardem notícias, grandes notícias !

Marcel do Espírito Santo
Marcel do Espirito Santo nasceu em Salesópolis-SP. Trabalha com mergulho desde 2003, passando por diversas operadoras e um vasto currículum. É fotógrafo e cinegrafista subaquático, mergulhdor técnico e instutor de mergulho técnico em várias áreas, além de ser instrutor de Mergulho Adaptado pela HSA, e já usou os seguintes rebreathers das máquinas: Dragër Dolphin, O2ptima, Megalodon, Poseidon MKVI e Prism2.