Quando vou mergulhar, vou só mergulhar !

Foto: Clécio Mayrink

Eventualmente escuto alguns amigos reclamando que acabaram se estressando em casa com suas esposas, porque saíram para mergulhar, e que em virtude disso, escutaram reclamações e coisas do tipo.

É claro que uma esposa (ou esposo) que mergulhe é o melhor cenário para quem essa atividade, porque facilita o entendimento desse esporte, que é bem diferente de um futebol, por exemplo.

Mergulhar requer treinamento, prática, convívio com outras pessoas, viajar, encontro com os amigos para troca de informações e, principalmente muitas, mais muitas horas para que um mergulho seja realizado.

Para um simples mergulho na Laje de Santos, por exemplo, o mergulhador precisa sair de São Paulo e viajar até o litoral, arrumar seus equipamentos na embarcação de mergulho, montar seus equipamentos e aguardar que a embarcação verifique se todos estão à bordo e não esqueceram nada em terra, para só depois de tudo isso, partir em direção ao ponto de mergulho.

Navegamos até o destino de mergulho, escutamos as informações sobre o local, para só depois nos equiparmos e entrarmos na água para o tão esperado mergulho.

Voltamos, descansamos, comemos e trocamos informações sobre o mergulho realizado, comentamos sobre técnicas e dicas, para só depois novamente ir para o segundo mergulho.

Finalizados os mergulhos, voltamos para a embarcação, arrumamos os equipamentos e partimos em direção a terra. Esperamos a ancoragem, retiramos os equipamentos da embarcação, pagamos e pegamos o carro para retornar para nossas residências.

Resumindo, mergulhar não é simplesmente “mergulhar”. Há todo um trâmite para que a atividade possa ser realizada e a(o) companheira(o) precisa entender que quem manda nesse tempo é o mar, e nem sempre conseguimos retornar no horário programado.

O mergulho promove a tranquilidade, conhecimentos, novas amizades, viagens, conhecimentos gerais e sem dúvidas, mexe com o organismo humano, trazendo inúmeros benefícios e bem estar ao praticante, e a(o) companheira(o) deve tentar compreender esses benefícios e enxergar o mergulho como um esporte especial, mas que requer tempo do praticante.

Se você é companheira(o) de um(a) mergulhador(a), tenha paciência e procure compreender que é uma atividade que demanda tempo, mas que trará benefícios para a relação entre os dois.

Tenha sempre em mente: Quem vai pro mar não tem hora de voltar…

Por:

Clecio Mayrink
Editor - Brasil Mergulho

Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983, no autônomo em 1986 e Dive Master em 1990. Hoje é mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount.

Foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS, em 2008, é o idealizador do site Brasil Mergulho em 1998 (MTB 0081769/SP) e atuou em diversas matérias e documentários no Brasil e no exterior. Também prestou consultoria para a ONU, UNESCO e diversos órgãos públicos no Brasil.