Que cabo usar – Ótico ou Eletrônico ?

Para que um flash funcione embaixo d´água, é necessário haver uma comunicação entre ele e a câmera, para que no momento do disparo da fotografia, o flash externo seja acionado, ou seja, receba os comandos necessários para a realização da foto.

Essa comunicação é realizada através de cabos, e hoje em dia, encontramos dois tipos deles: o cabo ótico e o cabo eletrônico.

No passado, só encontrávamos cabos eletrônicos, mas com o surgimento da fibra ótica, tornou possível o desenvolvimento de cabos óticos para flashes submarinos, e esses cabos nada mais são, do que uma fibra ótica aperfeiçoada para o uso embaixo d´água.

Hoje é possível encontrar alguns modelos de caixas estanques e flashs externos que permitem a utilização de ambos os cabos, mas é importante saber que antes da compra desses produtos, o fotógrafo deverá verificar o tipo de cabo compatível com a caixa estanque e o flash desejado.

E fica a pergunta: Mas qual deles é a melhor escolha ?

Foto-Cabo-OticoCabo Ótico

Como disse anteriormente, esse tipo de cabo é uma fibra ótica otimizada para o uso embaixo d´água. Toda fibra ótica transfere dados através da emissão de luz sob variações em microssegundos.

No caso da fotografia submarina, quando disparamos a câmera, o flash da própria câmera irá liberar uma descarga de luz no interior da caixa estanque, e o cabo ótico fará com que essa luz seja transportada até o flash externo, fazendo com que ele saiba que a câmera fez um disparo para uma foto, e automaticamente, o flash submarino é disparado por um sensor do tipo LDR (Resistor Dependente de Luz).

Vantagens:

  • Cabos óticos são confiáveis. São simples e infinitamente menos propensos a apresentação de problemas.
  • Esse tipo de cabo tem baixo custo;
  • São extremamente leves;
  • Nem sempre é necessária a utilização de conectores (Bulkheads), logo, dependendo do modelo da caixa estanque utilizada, eles diminuem a possibilidade de alagamento da caixa;
  • São facilmente trocados, até mesmo embaixo d´água;

Conector-Cabo Alguns cuidados

Quando usar um cabo ótico, é prudente configurar o flash interno da câmera na potência mais baixa possível, pois assim, você irá consumir menos bateria e prolongará sua durabilidade, podendo tirar mais fotos sem a substituição da bateria. Sempre que você usar um cabo ótico, não é necessário usar o flash da câmera em modo alta potência;

Além disso, disparando o flash interno em modo baixa potência, isso diminuirá a possibilidade de condensação no interior da caixa estanque, devido à diminuição de calor gerado pelo sistema do flash, que em alguns casos, pode trazer problemas durante o mergulho e/ou até contribuir na diminuição da vida útil da câmera.

Desvantagens

O problema mais comum é a torção. Se o cabo ótico for dobrado ou enrolado de forma incorreta, ou ainda, ficar preso em algo como os clamps, por exemplo, ele pode rachar ou quebrar, perdendo imediatamente a sua eficiência.

É preciso que a caixa estanque tenha alguma área transparente, para que permita a passagem da luz do flash interno para fora da caixa estanque, de forma que alcance o início do cabo ótico.

O uso desse tipo de cabo requer o disparo do flash interno da câmera para disparar os flashs externos. Isso diminui os números de “clicks” ao longo de um mergulho, devido ao tempo de reciclagem que o flash da câmera requer.

Quando usamos o “pré-flash” com intuito de analisar a quantidade de luz necessária e configurar a câmera e flashes externos, diminui-se a carga das baterias, e consequentemente, a eficiência do sistema. Isso também pode contribuir na geração da condensação no interior da caixa estanque em razão do calor gerado pelo sistema do flash.

Foto-Cabo-EletricoCabo Eletrônico

Um cabo eletrônico realiza a conexão de sincronismo entre a câmera e o flash externo através dos fios elétricos, que fazem o transpasse da corrente elétrica necessária para a indução dos flashes externos.

Vantagens

  • Os cabos eletrônicos são mais confiáveis, desde que dada à devida manutenção e bom uso;
  • É possível ter um controle mais preciso do flash externo e não requer requerendo o uso do flash interno da câmera;
  • Você consegue trabalhar com caixas estanques não preparadas para o uso do cabo ótico, sendo o caso de muitas caixas estanques antigas;
  • Alguns cabos incorporam o sistema de circuitos TTL, que ajudam bastante na hora da foto.

Cabo-Eletrico2Desvantagens

  • Normalmente esse tipo de cabo é bem mais caro que o cabo ótico, e além de tudo, tem o inconveniente de ter que ser compatível com o Bulkhead (conector na caixa estanque) e com o flash externo.
  • Requer manutenção frequente, principalmente pela necessidade na troca dos o-rings dos conectores;
  • Há maiores chances de apresentação de problemas, principalmente quando exposto a umidade e calor;
  • Requer uma câmera com conexão na sapata. Local onde se coloca um flash não submarino acima da câmera.
  • Todas as conexões precisam estar sempre muito bem limpas e sem oxidação. Do contrário, o flash externo não será acionado;
  • Requer o uso de cabeças de contato elétrico (Bulkhead) na caixa estanque, necessitando manutenção frequente e aumentando a possibilidade de inundação da caixa;
  • O cabo pode se partir internamente e sem deixar o problema visível;
  • Mais difícil de ser encontrado.

Conclusão

De fato, não existe uma solução perfeita, mas felizmente existem soluções viáveis com preços acessíveis para quase todas as combinações de caixas estanques.

Se você puder adquirir uma caixa estanque que permita a utilização de ambos os modelos de cabos, é a melhor escolha, pois você nunca ficará preso a uma tecnologia.

Particularmente, prefiro os cabos óticos por serem relativamente baratos, e no caso de algum problema durante uma viagem, qualquer pedaço de fibra ótica com um pedaço de fita silver tape, poderá sanar o problema e você não fica na mão, como é o caso dos cabos eletrônicos.

Clecio Mayrink
Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS e realizou Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount). É juiz internacional de apneia pela AIDA e foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008. Produziu documentários sobre as Bahamas, Bonaire, Galápagos e Laje de Santos, visitando mais de 30 países. Foi o idealizador do site Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769/SP), atuou como consultor para a ONU, UNESCO, além de diversos órgãos públicos no Brasil.