Queimada Grande

Foto: Clécio Mayrink

A ilha é formada por um maciço rochoso com superfície de 430.000 m2, dotada de vegetação arbustiva e arbórea, não havendo praias em seu entorno. De topografia irregular é caracterizada por duas elevações, a primeira mais plana onde está localizado o farol e a segunda, atinge uma altitude de 206m.

Localizada a 35 km da costa de Itanhaém, o desembarque na Queimada Grande só é permitido com autorização especial, e mesmo assim, desaconselhável devido à grande quantidade de cobras existentes. Estima-se uma população de no mínimo quinze mil indivíduos da Jararaca Ilhoa (Bothrops insularis) espécie endêmica, parente das jararacas continentais, porém, com veneno muito mais poderoso.

O nome Queimada Grande surgiu a partir da técnica de atear fogo na mata costeira para afugentar as serpentes, utilizada pelos antigos pescadores, quando necessitavam desembarcar em terra firme.

Durante o trajeto é comum a avistagem de baleias de Bryde e grupos de golfinhos.

As profundidades nos pontos deste destino podem variar de 6 a 30m e a visibilidade varia muito em função das correntes e condições climáticas, alcançando 20m nos melhores dias. Ao longo do ano, a temperatura média da água gira em torno dos 22ºC, podendo chegar aos 27ºC entre meados de janeiro até a chegada do outono. Já no início do verão, ocasionalmente ocorre o fenômeno das termoclinas, correntes extremamente frias em determinada faixa da coluna d’água.

Como chegar

Em se tratando de uma ilha em mar aberto, é importante observar previamente as condições climáticas e navegação. Para desfrutar de um mergulho consciente e seguro nesse local, é recomendável agendar previamente com um dos operadores que atuam na região.

Pontos de Mergulho
Saco do Bananal

Fundo rochoso com muitas passagens e tocas, presença predominante de corais do tipo cérebro e “baba-de-boi” (Palythoa sp), cardumes de pequenos peixes recifais. Ponto indicado aos mergulhadores pouco experientes ou para treinamentos de cursos de mergulho. Profundidade: 6 a 18m.

Naufrágio Tocantins

Cargueiro brasileiro, com 114 metros de comprimento, casco de aço e propulsão à vapor. Naufragou em 30/08/1933 por motivo de mau tempo. Apesar de informações históricas afirmarem que ao entrar em contato com a água, a caldeira principal do navio teria explodido, todas as caldeiras encontram-se perfeitamente intactas no fundo.

Os destroços estão perpendiculares ao costão com a proa virada para sudoeste. A estrutura principal do navio está mantida, com exceção da popa, que partida, repousa à boreste no final dos destroços, porém ainda com parte do casario, hélice, parte do leme e o volante do leme. Aparentemente, à frente do porão de proa, o navio se quebrou, apresentando-se em profundidades diferentes. A maioria dos fragmentos do casco e outras partes dos destroços estão tombados à boreste.

A proa está parcialmente inteira e a partir desta, pode-se acompanhar as duas correntes até as âncoras, sobre as pedras. Na proa ainda são vistos escovéns, guinchos e cabeços de amarração. À meia nau, estão as três caldeiras, uma auxiliar e duas principais, além do maquinário, que é formado por um Triple Expansion Engine.

Em direção a popa, encontram-se o eixo e casa do eixo, até o ponto onde a popa se partiu. Neste ponto, existe uma estreita passagem por debaixo do casco, onde os mergulhadores mais experientes se aventuram. Cardumes de pequenos peixes recifais, garoupas jovens, miriquitis e fauna diversificada de invertebrados incrustantes, são observados entre as ferragens. Profundidade: 8 a 20 metros.

Naufrágio Rio Negro

Vapor de pequeno porte e casco de madeira. Naufragou em 17/08/1893, devido ao mau tempo. Encontra-se totalmente desmantelado, sendo possível observar as caldeiras aos 12m de profundidade. Restos dos cavernames e alguns ferros retorcidos estão espalhados entre as pedras, entre os 8 até os 27m de profundidade.

Devido sua posição desabrigada, é possível ter correnteza no local. A fauna é semelhante à encontrada no naufrágio Tocantins. Profundidade: 8 a 30m.

Saco do Farol

Pequena área circular abrigada e com fundo arenoso e rochoso, formando tocas e passagens, com abundante fauna recifal, principalmente pequenos peixes e invertebrados. As formações apresentam bom apelo visual e agradam os mergulhadores em geral. Profundidade: 12 a 30m.

Paredão

Parede rochosa vertical que desce desde a porção emersa da ilha até cerca de 25m de profundidade. Afastando-se para as laterais, em ambos os lados, blocos rochosos formam tocas e passagens próximas de fundo arenoso, algumas com penetração, possível devido à formação de salões internos bastante amplos.

Além da fauna recifal habitual, garoupas, ciobas e moréias são frequentes. A parada da embarcação neste ponto depende do sentido e intensidade da ondulação, além dos ventos, pois as condições de abrigo são desfavoráveis. Profundidade máxima de 25m.

Redação

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