RAW – Fazendo milagre na fotografia digital

Foto: Clécio Mayrink

Todo mundo escuta falar sempre nos arquivos de foto em JPEG (ou JPG), que é um tipo de arquivo de imagem comprimido, isto é, uma imagem gravada em arquivo sob compressão de dados, para que ele tenha um tamanho menor em Kbytes e ocupe menos espaço em seu disco rígido.

Com o avanço da fotografia digital, alguns modelos câmeras do mercado consumer, isto é, consumidor final não profissional, passaram a ter a opção de tirar fotos em RAW, considerada por muitos, como sendo uma opção muito superior ao JPEG.

Mas qual a vantagem nisso ?

Simples, basicamente, o formato RAW permite ao fotógrafo melhorar a qualidade das imagens realizando alguns ajustes através de algum software de edição de imagens.

Mas como tudo na vida, há pontos positivos e negativos, e vamos conhecer o básico disso.

RAW

RAW ou formato cru, é uma denominação genérica de formatos de arquivos de imagens digitais que contém a totalidade dos dados da imagem captada pelo sensor da câmera fotográfica. Esse formato não pode ter a compressão aplicada como no JPEG, daí o tamanho muito superior dos arquivos RAW em relação aos arquivos gerados no formato JPEG.

Como o formato cru contém todos os dados da imagem captada pela câmara e uma profundidade de cor maior, em geral 30 ou 36 bits, seus arquivos chegam muitas vezes á terem o dobro de tamanho em relação aos arquivos de imagens que vemos por aí.

Alguns fotógrafos chegam a chamá-lo de “negativo digital”, pois o arquivo RAW é equivalente a um filme negativo na fotografia analógica, ou seja, o negativo não é usável como uma imagem, mas contém todas as informações necessárias para criar uma. O processo de converter uma imagem crua para um formato visível é muitas vezes chamado de “revelação de imagem”.

Atualmente o formato RAW é aceito pela justiça brasileira como prova em um tribunal.

No que diz respeito às desvantagens, além dos arquivos maiores em Kbytes, o formato RAW não pode ser exibido em qualquer máquina como é o caso JPEG.

É preciso que o usuário tenha um plugin que permita que o computador leia o arquivo em si e que ele esteja compatível com a versão de RAW.

As companhias estão sempre melhorando o desempenho do arquivo gerado em RAW, obrigando aos usuários a realizarem atualizações do plugin de leitura deste formato com certa frequência.

Alguns usuários dizem que as fotos tiradas em RAW, tende a perder um pouco do contraste, obrigando um ajuste manual para corrigir essa diferença. Esse controle pode ser ajustado na própria câmera fotográfica em muitos casos.

Tirando esses detalhes, com o RAW é possível fazer verdadeiros milagres e salvar muitas fotos em algumas situações.

Ele permite que você altere cada camada da imagem, deixando você alterar as cores, diminuir ou aumentar a exposição, clarear somente as áreas escuras, colocar ou remover cores, mudar as cores e por aí vai.

Utilizando a ferramenta digital da Adobe, o Adobe Lightroom, por exemplo, é possível realizar dezenas de ajustes nas fotografias digitais, com apenas alguns toques no mouse.

A gama de possibilidade é grande, gerando excelentes resultados.

No caso da fotografia submarina, o RAW é essencial para a geração de fotos com características bem próximas do que vemos abaixo d´água, e acredite, a grande maioria das fotos publicadas em revistas foram captadas em RAW e sempre corrigidas em computadores. Não acredite em tudo que se vê por aí.

Ao realizar as correções em sua foto tirada em RAW, você pode simplesmente exportá-la para o formato JPEG gerando um resultado final da sua foto para ser guardada posteriormente em seu álbum fotográfico digital.

Você não precisa guardar também o arquivo em RAW em sua máquina, mas diante do baixo custo dos dispositivos de armazenamento disponíveis atualmente, é bem interessante guardar as imagens em JPEG e em RAW para criar um banco de imagens, isto, se você for um profissional ou desejar se tornar um.

Veja abaixo uma foto sem tratamento e a outra, com tratamento usando o Adobe Lightroom:

Raw-Sem-Ajuste

Raw-Com-Ajuste

Clecio Mayrink
Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS e realizou Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount). É juiz internacional de apneia pela AIDA e foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008. Produziu documentários sobre as Bahamas, Bonaire, Galápagos e Laje de Santos, visitando mais de 30 países. Foi o idealizador do site Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769/SP), atuou como consultor para a ONU, UNESCO, além de diversos órgãos públicos no Brasil.