Redemoinho prende mergulhadores no México – Saiba como isso é possível

Foto: Clécio Mayrink

Está circulando em uma rede social, um vídeo feito por um mergulhador em Roca Partida, Revillagigedo (México), onde alguns mergulhadores ficam presos em uma espécie de redemoinho horizontal, entre os 20 e 25m de profundidade.

Como mergulhador experiente, fiquei espantado em nunca ter visto algo do gênero, e como Mestre em Oceanografia Biológica, fiquei intrigado em saber como é possível a formação daquele tipo de redemoinho. Apresento a seguir, uma possível explicação para o evento baseando-me alguns exemplos práticos.

Ao contrário do que se imagina, a coluna de água marinha não é homogênea. Diferentes massas de água apresentam temperatura e salinidade próprias.

Cada uma destas massas de água pode apresentar movimentos com velocidade e direções distintas umas das outras, como ilustra a imagem a seguir:

Grafico-Correntes

Massas d’água no oceano austral – Fonte: Hannes Grobe, Alfred Wegener Institute for Polar and Marine Research, Bremerhaven, Germany.

Pode-se fazer uma analogia com a atmosfera: Em certos dias é possível visualizar várias camadas de nuvens, ou seja, se encontram em camadas distintas de massas de ar.

Olhando com cuidado, é possível visualizar que necessariamente, as massas de ar não se movimentam no mesmo sentido. O vídeo a seguir ilustra algumas destas situações atmosféricas.

Sabe-se da existência de camadas distintas de massas de águas marinhas e que elas podem se movimentar em direções e velocidades diferentes.

O segredo para a formação deste redemoinho, está na camada de interação destas duas massas d’água. É nesta camada onde ocorre a chamada termoclina (conhecida por muitos mergulhadores), ou seja, o limite entre duas massas de água com temperaturas diferentes.

Dependendo do relevo do fundo, velocidade e direções das correntes, podem ser formados redemoinhos, ou pequenos tornados horizontais. No entanto, estes eventos tendem a ser temporários, pois a interação de dois fluídos em movimento não tende acontecer de forma linear.

O vídeo a seguir ilustra a interação de duas massas de ar, onde uma delas aparentemente está parada, e outra sendo impulsionada por uma pequena turbina. É possível notar a formação de pequenos redemoinhos na camada de interação das duas massas de ar, sendo que o mesmo acontece com massas d’água.

Este tipo de evento é muito incomum, e caso algum mergulhador se depare com um redemoinho e acabe preso nele, o mais importante é manter a calma.

Não se deve tirar o regulador da boca, pois o mergulhador poderá ter problemas para recuperá-lo.

Tente inflar um pouco seu colete para ganhar força positiva e nade para fora do redemoinho. Se não se sentir seguro para fazê-lo, aguarde um pouco para ver se o redemoinho perderá força.

O mergulhador que inflar o colete para se livrar da corrente, não deve esquecer de esvaziá-lo logo após sair da mesma, para evitar uma possível subida rápida e descontrolada.

Artigo original: Portal Ciência

Gabriel Monteiro
Gabriel Monteiro começou a mergulhar em 1998 aos 12 anos de idade, e a partir de então sua paixão pelo mar só aumentou. Formou-se biólogo e fez sua pós-graduação em Oceanografia Biológica na Universidade de São Paulo (USP). Além de fotógrafo e cinegrafista subaquático, Gabriel integra a equipe de pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Antártico de Pesquisas Ambientais (INCT-APA) tendo participado de quatro expedições antárticas pelo Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR)."