Regeneração

Nomes anteriores:

  • American Robert Fulton
  • Maria Isabel

Data: 21/07/1846

GPS:

Localização: Praia de Itapagipe

Profundidade (m):

Visibilidade (m):

Motivo: Fez água

Estado:

Carga:

Tipo: Corveta – Casco de madeira

Nacionalidade: Brasil

Dimensões (m): 46.86 / 9.90

Deslocamento (t):

Armador: Marinha do Brasil

Estaleiro:

Propulsão: Vela

Fabricação:

Notas: Navio de casca de madeira, de propulsão a vela e armação em galera, construído nos Estados Unidos da América do Norte e chamado primitivamente, American Robert Fulton. Foi adquirido pelo nosso Governo, em outubro de 1827, pela quantia de 152 contos de réis. Tinha as seguinte características: 156 pés de comprimento; 34 de boca 16 de pontal. Foi artilhada com 26 colubrinas; sendo quatro de calibre 18 e 22 de 32, guarnecida com 250 praças e classificada como corveta. Tomou o nome de Maria Isabel, de uma filha do Imperador D. Pedro I com a famosa Marquesa de Santos, também Duquesa de Goiás.

Este navio, segundo um cronista coletâneo: “fez época na Armada pela suas boas qualidades, quer se tratasse do andar, quer da elegância e fortaleza, qualidades esse, que nem sempre se acham reunidas num mesmo caso”. A 25 de janeiro de 1828, navegava ela junto das ilhas Alcatrazes, zarpara de Santos na véspera comboiando doze embarcações destinadas ao Rio de Janeiro.

Era seu comandante o Capitão-Tenente José Ignácio Maia, “que bastantes provas já dera – diz Garcez Palha – como valente e hábil oficial”. Pelas oito horas e meia da noite da referida data. O Corsário argentino Níger, comandado pelo inglês John Coe, que cruzava naquelas alturas, procurou abordar a Maria Isabel, por três vezes, chegando numa das tentativas a apossar-se da tolda do navio, o audacioso inimigo, durante vinte minutos, conforme asseverou testemunha presencial. A bravura de sua maruja conseguiu repelir os argentinos, que perderam mais de 50 homens.

A 22 de fevereiro do mesmo ano, estando ela a cruzar o mar do Ponta Negra, seus gajeiros deram vista de um corsário inimigo, que havia apressado uma escuna mercante. Deu-lhe caça a Maria Isabel, mas apenas pôde recolher um escaler com o mestre e contra-mestre, cinco marujos e quatro passageiros do navio apresado. A 9 de fevereiro de 1830, assumiu o seu comando o Capitão-de-Mar-e-Guerra José Joaquim Raposo.

Após a abdicação de D. Pedro I (1831) recebeu a alígera corveta o nome de Regeneração, lembrando o restabelecimento das nossas liberdades perdidas durante o primeiro Império. Em princípio de 1832 foi enviada para o Maranhão, onde nela embarcou o Primeiro-Tenente Hannibal Boldt. Em novembro tomou seu comando o Capitão-de-Mar-e-Guerra Francisco de Assis Canto e Teive. Chegou ao Rio no mês de janeiro de 1833, desarmado no dia 27. Partiu para a Bahia, a fim de manter a ordem. Nela teve embarque o Primeiro-Tenente Antonio Firmo Coelho.

A 27 de abril recebeu bombardeio dos sublevados, despejando no dia seguinte várias salvas contra o Forte do Mar ou São Marcelo. Um dos seus tiros pôs em baixo o mastro da bandeira do forte. Passou quase o resto do ano na Bahia, onde foi comandada por Joaquim Raposo, Antonio F. Coelho e o Capitão-de-Fragata João Francisco Regis. Nela embarcou o Tenente Caetano Filgueiras. Seguiu para o Rio de Janeiro onde se encontrava em abril de 1835.

Em maio nela teve embarque o Primeiro-Tenente Santiago Subrá. Rebentando no Pará a revolta conhecida como de “Cabanada” ou “Cabanagem” (1835), a Regeneração seguiu para Belém na força chefiada pelo Chefe-de-Divisão John Taylor. Lá chegou a 19 de junho e a 21 dava fundo a corveta no ancoradouro da capital paraense. Sob o comando de S. Subrá, tomou parte nos bombardeios das posições inimigas e nos desembarques procedidos nos dias 14, 15 e 16 de agosto, até o dia 22, quando regressaram as forças desembarcadas.

A 25 fez-se de vela para o Maranhão conduzindo as irmãs e cunhados do chefe rebelde Angelim. Voltou ao Pará, onde passou todo o ano de 1836 e parte de 1837, tomando parte nas operações de guerra. Durante esse tempo serviram a seu bordo os Tenentes José Antonio Correia, Henrique M. de Moraes e Valle, Fernando José Possolo, Carlos A. da Rocha Freire, Francisco Xavier de Alcântara, Ernesto Muniz Barreto, João Batista de Oliveira Guimarães, João Gomes de Aguiar, Felix Lourenço de Siqueira, Benjamim Carneiro de Campos, Manuel F. da Costa Pereira, Aquiles Lacombe, etc. Alguns Comandaram-na interinamente.

A 1o de maio de 1837 assumiu seu comando o Capitão-de-Fragata Frederico Mariath que a levou ao Rio onde chegou em agosto. Nela também tiveram embarque os Primeiros-Tenentes Luiz da Silva Beltrão e F. da Gama Rosa. Foi desarmada para entrar em reparos. Seguiu para a Bahia, no fim do ano. A 19 de fevereiro de 1828 nela tiveram embarque os Tenentes Marques Lisboa e Ignácio Tavares, que alcançaram o Almirantado. A 15 de fevereiro foi nomeado seu comandante o Capitão-de-Mar-e-Guerra J. J. Raposo.

Tomou parte no abafamento da revolta conhecida por Sabinada. Em 15 de março, sua gente, em escaleres, auxiliou a tomada do Forte Monteserrate que se rendeu às 4h da tarde. Voltou ao Rio onde se achava em 1839, com uma guarnição de 211 homens. Em 1839, sob o comando do Capitão-de-Fragata Joaquim Ferreira Leal, cruzava entre Cabo Frio e Rio da Prata para afugentar os corsários rio-grandenses. Entre Paraná e Santos perseguiu dois lanchões comandados por J. Garibaldi, mandando ele várias bordadas.Pouco depois fazia parte dos navios em operações de guerra em Santa Catarina onde estacionou até princípios de 1840.

Estava com a lotação reduzida a 194 praças. Foi ao norte onde regressou em agosto desse ano. A 9 de outubro assumiu seu comando o Capitão-de-Mar-e-Guerra Raposo que o levou a Bahia. Em agosto de 1841 nela embarcou o Capitão-Tenente A. J. de Andrade Pinto. Foi-lhe passada mostra de desarmamento em 22 de novembro de 1842. Estava alquebrada; foi então reduzida a por não admitir fabrico. Abrindo água nesse mister foi condenada a 21 de julho de 1846. Acabou a elegante corveta nas praias de Itapagipe. A despesa mensal, em 1829, com este navio era de 2:955$600.

Fonte: Marinha do Brasil

Redação

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