Revivendo as baterias recarregáveis de NiMh

Algum tempo atrás tive um problema com um vazamento em um canister da minha lanterna HID, havendo a entrada de água salgada e molhando todo o pack de baterias de níquel metal hidreto (NiMh), que não baterias de custo elevado.

Apesar do banho com água doce logo após o incidente, as baterias não estavam rendendo. Anteriormente tinham uma autonomia média de 4 a 4:20h, e posteriormente não passavam de 40min.

Realizei vários testes, chegando inclusive, a desmontar todo o pack com 10 células (baterias) e carregando cada uma delas separadamente para testar separadamente.

Recarga forçada

A Scuba Repair em São Paulo, é centro especializado em manutenção de equipamentos de mergulho e talvez o único no Brasil na área, a possuir equipamentos para a realização de testes e análises de baterias, e foi a empresa que me deu o suporte necessário para a realização dos testes de autonomia das minhas baterias que apresentavam baixo rendimento.

Utilizando um dos carregadores inteligentes da Scuba Repair, tivemos bons resultados com a autonomia da bateria, usando o método de recarga forçada.

Toda bateria possui uma voltagem e amperagem (força), e quando utilizamos um carregador inteligente, podemos configurar o carregador para que ele forneça uma voltagem e amperagem mais altas na recarga, evitando logicamente, o aquecimento elevado delas.

Vale lembrar, que quanto mais lenta a recarga e menos o aquecimento das baterias, melhor para elas. O excesso de calor degrada a bateria e  diminui o tempo de vídeo útil delas.

Quando falamos em baterias de lítio, todo o cuidado é pouco e a atenção deve ser redobrada, pois essas baterias não podem aquecer durante a recarga, caso contrário, poderão pegar fogo e causar um incêndio no local, como já aconteceu com alguns mergulhadores.

Revivendo o pack de baterias

No meu caso, o pack de baterias de NiMh tinha as características abaixo:

  • 10 células (baterias) de 1.2 volts;
  • 4.5 amperes (capacidade de absorção de carga);
  • Cálculo final: 12v por 4.5 amperes.

O carregador original do fabricante realiza a recarga delas a 13.8 volts X 2.5 amperes, levando em torno de 6h para uma carga completa. Apesar de várias recargas usando esse carregador, os resultados eram sempre os mesmos.

Para fazer a chamada recarga forçada, utilizei um carregador inteligente modelo IMAX B6-AC, um equipamento que recarrega baterias de Níquel Cádmio (NiCd), Níquel Metal Hidreto (NiMh) e baterias de Lítio íon, zinco e polímero.

Após uma descarga completa da minha bateria, aplicamos a recarga forçada, onde configuramos o carregador:

  • Número de baterias;
  • Voltagem de cada uma delas;
  • Amperagem que deveria ser aplicada, que neste caso, foram 4.5 amperes.

Em razão da amperagem maior, notamos que as baterias ficaram bem mais quentes durante a recarga e todo o processo levou aproximadamente 3h.

Os testes foram feitos utilizando um analisador de baterias que a Scuba Repair possui, onde informamos no sistema do computador, as características da bateria a ser testada, para que ele possa realizar a descarga da bateria da mesma forma que a lanterna usada e gerar um relatório com gráfico de autonomia, dando detalhes do estado das baterias e como estão atuando.

No primeiro teste, dos 40min médios que a bateria fornecia, alcançamos 1:37h de autonomia.

Realizamos uma nova descarga por completo e uma nova recarga nos mesmos moldes da primeira, e o resultado de autonomia passou para 2:45h.

No total foram 6 descargas e recargas completas e chegamos novamente a média de 4:10 / 4:15h de autonomia, fazendo com que as baterias revivessem e fornecessem a carga como antes.

Se fôsse pela conversa do lojista especializado em baterias, teria gasto uma boa quantia adquirindo novas baterias desnecessariamente, pois o processo de recarga forçada realmente funcionou, tanto, que peguei outro pack de baterias doado por um amigo, e dos 15min de autonomia que este outro pack fornecia, acabou se transformou em 3:15h, comprovando que o carregador original de fábrica não é capaz de analisar e carregar as baterias conforme a necessidade e estado em que elas se encontram.

Este processo de recarga forçada também foi testado em baterias de NiCd e funcionou perfeitamente, porém, não sei informar como seria nas baterias de lítio, pois são baterias delicadas no sentido de não poderem sofrer com aquecimento, merecendo mais atenção na hora da recarga devido aos riscos dela.

Carregador falsificado

Se você pretende adquirir um carregador inteligente, o IMAX é boa opção no mercado, sendo que os modelos B6 e o B6AC são o mais populares, onde a diferença do modelo AC, é que ele já vem com fonte para ligá-lo na tomada, sendo mais prático e tendo pouca diferença de preço para o modelo mais simples.

Um cuidado necessário na compra desse carregador, é que existem modelos falsificados no mercado,  custando a metade do preço do original. Eles ão exatamente iguais sendo difícil identificar o que é original do falsificado.

Apesar desse problema, alguns chegam a dizer que não há diferença entre eles, e confesso que eu mesmo comprei um modelo não original e tem funcionado perfeitamente.

Análise e Testes de Baterias

Se você possui alguma bateria apresentando problemas, a Scuba Repair em São Paulo, possui equipamentos especiais para análise, teste e recarga de baterias, podendo ajudar na recuperação da bateria ou vendo a possibilidade de substituir apenas a bateria danificada, evitando custos maiores com a aquisição de novas baterias desnecessariamente.

Clecio Mayrink
Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983, no autônomo em 1986 pela CMAS e Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount pela IANTD. Foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008, idealizador do site Brasil Mergulho em 1998 (MTB 0081769/SP), atuando em diversas matérias e documentários no Brasil e no exterior. Também atuou como consultor para a ONU, UNESCO, além de diversos órgãos públicos no Brasil.