Rio das Ostras

Foto: Rodrigo Lopes

O recife artificial marinho (RAM) fica município de Rio das Ostras, distante 170 km da capital, ao norte do Estado do Rio de Janeiro, na zona das Baixadas Litorâneas do Estado, o qual se caracteriza por apresentar extenso litoral, com uma série de lagunas barradas por cordões arenosos, áreas de brejo e costões rochosos. A região é bastante conhecida por ser um ponto de pesca muito importante para o município de Rio das Outras fazendo importante parte de sua economia local.

O ponto de partida foi a marina de Rio das Ostras, por ser um local que oferece toda estrutura como embarcações e mestres experientes, píer seguro, estacionamento e também por ser um ponto de referência em caso de acidentes. Para quem pretende mergulhar no RAM, o recomendado é fazer a saída a partir da marina de Rio das Ostras.

A navegação até o RAM é longa e no local não existem bóias de marcação, o que dificulta a localização exata do recife e, utilizando a marca no GPS é possível saber o ponto exato das estruturas. Ao chegar ao ponto central o ideal é soltar um garatéia com 20m de cabo e fazer um pequeno arrasto até que ela se prenda em alguma estrutura metálica. Depois disso, pode-se usar a própria garatéia como cabo guia ou jogar uma poita ligada em uma bóia para ser usada para sinalizar o local. A escala de distanciamento é de 10 a 15m entre as grandes estruturas.

Neste mergulho foram encontradas diferentes formas de recifes artificiais submersos, desde estruturas metálicas de vários tamanhos, estruturas de concreto e contêineres. As formas metálicas são montadas com tubos de diferentes tamanhos e arquitetam diferentes formas geométricas.

Foi observada durante o mergulho, uma estrutura central na forma de cubo, medindo 9 x 9m. Outros cubos também foram notados, porém, de menor dimensão e distribuídos ao redor da estrutura maior. Além desses cubos, observamos outras formas geométricas como uma pirâmide e um prisma, ambas metálicas. Neste mergulho, a única estrutura de concreto encontrada foi uma pirâmide, mas devido à baixa visibilidade, não foi possível uma melhor avaliação da estrutura.

A profundidade da região é de 31m de profundidade, mas aos 20m se encontra o topo da estrutura mais alta, um cubo de 9 x 9m. As demais estruturas se encontram na faixa dos 15, 10 e 3m respectivamente.

A visibilidade da água raramente é boa, conforme as informações passadas pelo pessoal da marina, mas especialmente neste mergulho, a visibilidade da água estava entre 15 e 20m no topo da estrutura de 9 x 9. À medida em que nos aproximamos do fundo arenoso, a visibilidade cai consideravelmente. Como dica, o ideal é manter o mergulho na faixa dos 20m, no topo das estruturas, onde possui uma boa visibilidade, e ampla visão das estruturas e dos cardumes que lá habitam.

A temperatura registrada em computador de mergulho era de 19°C, o que sugere uma roupa com no mínimo de 5 mm de espessura.

Durante o mergulho no RAM, também foi observado à presença de várias redes de pesca presas nas estruturas. A região é área de pesca e, muitas embarcações podem ser avistadas lançando redes e fazendo arrasto, sendo esse, o motivo de tantas peças encontradas nas estruturas. Este fato atenta para que o cuidado seja redobrado para evitar enrosco e, evidencia a importância da presença de um mergulhador dupla e do uso de facas de mergulho.

O recife artificial marinho de Rio de Ostras abriga várias espécies de peixes recifais e organismos bentônicos como poríferos, cnidários, moluscos, echinodermos e crustáceos. É possível observar vários cardumes de parú atravessando de uma estrutura para outra. Os blênios tomam conta das fendas e frestas das estruturas e, ficam só observando o que acontece ao redor.

Um habitante muito especial encontrado no recife foi uma garoupa verdadeira, muito mansa e receptiva. Parece que a garoupa é uma espécie de guardiã do RAM, sendo vista em todas as estruturas e nos acompanhando durante todos os mergulhos.

Uma triste situação ocorrida no primeiro dia de expedição ao RAM foi à captura de cinco tubarões que foram apanhados em redes de pescas instaladas próximas ao recife. Isso indica que os tubarões também usavam o recife artificial como área de alimentação.

O projeto RAM de Rio das Ostras é uma boa iniciativa para ajudar a preservar as espécies, uma vez que a região possui uma forte atividade pesqueira. E, mostra-se muito importante um trabalho de educação ambiental com a comunidade pesqueira para que ocorra um uso sustentável dos recursos marinhos.

Localização

A localização do RAM fica no seguinte GPS: 22°32,048’ S / 41°50,922’ W

Rodrigo Lopes

Biólogo marinho, fotógrafo e cinegrafista subaquático.

Atua na área de pesquisa e consultoria ambiental em ambiente marinho utilizando imagens subaquáticas como método de pesquisa a fim de evitar danos ao ambiente marinho.

Já realizou diversos estudos ambientais para terminais portuários de grandes empresas em todo litoral brasileiro.