Há tempos venho buscando por nadadeiras que possam atender as necessidades dos mergulhadores que desejam viajar com seus equipamentos de mergulho em uma pequena na bagagem de mão, e recentemente a Sea Sub me apresentou a nadadeira Go Travel da Scubapro, que além de ter sido desenhada para esta finalidade, foi premiada no ano passado por uma renomada revista americana, pela qualidade do produto.

Características

A Scubapro Go Travel pesa apenas 1.3Kg (par), possui 57cm de comprimento, sendo fabricada em borracha sintética especial denominada Monprene®, que é mais leve e mais resistente que os tradicionais modelos de nadadeiras fabricadas em borracha sintética ou comum.

Apesar de não possuir a “calçadeira”, a base inferior onde os pés são colocados se projeta até o final do calcanhar, provendo conforto, segurança e estabilidade ao mergulhador.

Ela foi desenhada para ser usada com meias de neoprene, que são bem mais leves que as tradicionais botas de mergulho, e que em alguns casos, podem chegar a pesar quase incríveis 2Kg, mas se o mergulhador preferir, ele também consegue usá-la com meia de algodão ou até mesmo sem elas. Dessa forma, é um item a menos para pesar mais a bagagem, e levando em consideração que a maioria das companhias aéreas estão trabalhando com bagagens de 23Kg, levar um par de botas pode aumentar em quase 10% o peso total da bagagem, sem contar, com o espaço tomado.

Para a fixação nos pés, a Go Travel utiliza uma cinta elástica com acabamento emborrachado, permitindo um ajuste anatômico ao pé do mergulhador, facilitando a colocação e remoção da nadadeira de forma rápida e sendo muito útil quando o mergulhador precisa entrar rapidamente na água ou subir na embarcação em meio ao mar revolto e com correntes.

Quanto a lâmina, segundo a Scubapro ela é fabricada com um ângulo de 25° para fornecer rigidez longitudinal e criar melhor canalização do fluxo de água durante a batida de perna do mergulhador. Duas barras distribuem a força aplicada pelo mergulhador na parte inferior da nadadeira, aumentando o empuxo produzido pela batida de perna e mantendo o mergulhador em um posicionamento adequado durante a natação, mesmo estando ele mais pesado.

Ela possui um sistema de encaixe para juntar uma nadadeira com a outra, facilitando na hora de guardá-las na bagagem de mão.

Na prática

A nadadeira é muito bem desenhada e acabada, a colocação e remoção no pé é rápida, pois o acesso a cinta é feito com facilidade. Usando ela com ou sem meia de neoprene, achei bem confortável nos pés.

Tinha preocupação com o empuxo que essa nadadeira poderia fornecer, pois como o tamanho da lâmina é inferior aos modelos normalmente encontrados no mercado, cogitei na possibilidade dela ter um desempenho inferior, e acreditem, não foi o caso.

Um dos testes realizados foi nadar 25m em uma piscina e marcando o tempo gasto para atravessá-la. Nesse caso utilizei três modelos de nadadeiras diferentes para fazer uma comparação, onde uma delas, possuía uma lâmina extremamente longa e desenvolvida para apneia, e a outra, com lâmina de comprimento médio, utilizada pela maioria dos mergulhadores, e o terceiro modelo, a própria Go Travel.

Comparativo entre lâminas – Foto: Clécio Mayrink

Na foto é possível perceber a diferença entre o comprimento das lâminas, mas repare nos tempos obtidos na travessia:

Nadadeira de Apneia – 16.1 segundos

Nadadeira média – 21.6 segundos

Scubapro Go Travel – 21.5 segundos

Obviamente, o melhor tempo foi com a nadadeira de apneia devido ao tamanho de sua lâmina, pois ela praticamente tem o dobro do tamanho de lâmina da Go Travel Fin e do modelo médio, e obviamente, esse tipo de nadadeira não serve para o mergulho autônomo e muito menos, permite que seja transportada em uma mala comum de viagem, mas o tempo da travessia com ela nos serve para dar um parâmetro entre elas.

Usando uma nadadeira de tamanho médio, sendo este o comprimento mais comum entre os mergulhadores, incrivelmente o tempo foi quase igual ao da Scubapro Go Travel. Apesar da nadadeira média possuir um comprimento de lâmina maior, ficou comprovando que a Go Travel não perde em nada no quesito desempenho de natação.

Usando um conjunto autônomo, a batida de pernas foi feita sem dificuldades e a desenvoltura no equilíbrio e posicionamento do mergulhador foi perfeita. Você consegue se posicionar com facilidade, sendo um aspecto importante para quem pratica fotografia de close up e macro, onde é necessário se posicionar rapidamente para a captação de uma foto de pequenos seres marinhos com precisão.

Teste da Bagagem

Em razão das dimensões e do sistema de encaixe de uma nadadeira na outra, esse detalhe ajuda na hora de guardá-la na bagagem de mão, e dependendo dos objetivos da viagem, você poderá levar seus equipamentos de mergulho sem a necessidade de ter que despachá-los em uma mala grande que vai no porão do avião, pagar taxas extras e se preocupar se a bagagem vai chegar ao destino final, o que é um grande alívio pra quem mergulha.

Go Travel na pequena bagagem de mão – Foto: Clécio Mayrink

Conclusão

O fato de você poder levar seus equipamentos na bagagem de mão torna a viagem muito mais agradável, livre de transtornos, e melhor ainda, podendo levar uma nadadeira que cumpre o que promete.

Acho que a Scubapro acertou com os objetivos propostos. É uma nadadeira com ótima performance, leve, de excelente custo e fácil de ser transportada.

Aos interessados em adquirir o produto, a Sea Sub tem o produto disponível no Brasil e pode ser encontrado nas melhores lojas do país ou se você preferir, pode obter mais informações através do telefone da Sea Sub, que é o (11) 3832-8342.

Por:

Clecio Mayrink
Editor - Brasil Mergulho

Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e no autônomo em 1986, participando da primeira turma de Dive Master da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver e Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 30 anos de experiência em mergulho.

Foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS, em 2008, é o idealizador do site Brasil Mergulho em 1998 (MTB 0081769/SP) e atuou em diversas matérias e documentários no Brasil e no exterior, sendo uma referência em mergulho e naufrágios para diversas entidades como ONU, UNESCO e diversos órgãos públicos no Brasil.