Se não bastasse o Peixe Leão e o Coral Sol, agora são os lagostins…

Foto: Chucholl C. - Wikimedia

O Procambarus virginalis, conhecido como marmorkrebs, é uma espécie de lagostim de água doce com uma característica especial…  ele se reproduz sem sexo. Um exemplar é capaz de gerar centenas de filhotes todos os anos e exatamente iguais.

O animal foi identificado pela primeira vez em um aquário na Alemanha em 1995 e em menos de três décadas, se espalhou pela Europa, África e Ásia, se transformando em uma ameaça,

“As pessoas iam às lojas de animais, compravam um lagostim e colocavam no aquário de casa. Em um ano surgiam centenas. Algumas pessoas jogaram na privada ou soltos em lagos, e desse jeito, ele começou a proliferar descontroladamente, afirma o pesquisador alemão Frank Lyko.

O problema é que sem sexo, o marmorkrebs se reproduz em média três vezes mais rápido que outras espécies de lagostins. Cada fêmea coloca entre 200 e 400 ovos a cada três ou quatro meses e o animal alcança a maturidade em apenas um ano. Essa característica fez com que o animal se espalhasse rapidamente nos locais onde foi introduzido. Existem relatos documentados da presença do crustáceo em ambientes selvagens na Holanda, Alemanha, Suécia, República Tcheca, Eslováquia, Hungria, Romênia, Ucrânia, Itália, Japão e Madagascar, sendo este o caso mais preocupante.

Lagostins são populares em Madagascar

O lagostim foi identificado em Madagascar pela primeira vez em 200 sendo encontrado em 28 regiões com habitats variados, de lagos a campos de arroz e pântanos no litoral. Em uma década, a área de distribuição da espécie aumentou de 1.000 km² para mais de 100 mil km².

Nos países da União Europeia, o comércio da espécie foi proibido em 2016, mas em Madagascar ele se transformou em um ingrediente popular da culinária local.

Essa extensa e variada distribuição geográfica é outra característica que intriga os cientistas. O sexo é considerado fundamental para a adaptação a diferentes ambientes, pois permite maior diversidade genética. Mesmo se reproduzindo por partenogênese, o marmorkrebs conseguiu se multiplicar nas águas geladas do norte da Europa e nos lagos quentes de Madagascar.

— O que faz uma espécie se acostumar com temperaturas baixas ou altas é a adaptação ao longo de milhares ou milhões de anos de evolução. Esse lagostim não se adaptou. Ele tem o mesmo genoma em todos os lugares do planeta — pontua o pesquisador brasileiro Vitor Coutinho Carneiro, membro do laboratório de Lyko.

Podem chegar ao Brasil

Não há relatos da presença desta espécie de lagostim no Brasil, mas está presente na região sul do país e a possibilidade de uma invasão não é descartada, pois as condições em Madagascar e no Brasil são parecidas.