Sensor de Alagamento para Caixas Estanques – Faça você mesmo

Foto: Clécio Mayrink

Sempre gostei de captar imagens embaixo d´água, mas uma coisa sempre me incomodava quando colocava uma câmera e uma caixa estanque… a possibilidade de alagamentos.

Anos atrás, estava adentrando na Caverna da Sapata em Fernando de Noronha, quando percebi que havia literalmente um pequeno “riacho” no teto da caixa, quando me dei conta a caixa estava alagando. Consegui salvar todo o equipamento, pois retornei à superfície rapidamente com a caixa virada para baixo, o que evitou o alcance da água até a câmera.

Errei duas vezes, pois não deveria ter voltado rápido e deveria ler mais e conhecer mais o assunto, mas como era a primeira caixa estanque, infelizmente às vezes cometemos alguns erros. Na ocasião, um pequeno grão de areia foi o vilão do quase “assassinato” da minha câmera.

Após algum tempo, passei a usar um alarme de nível de banheira em uma das minhas caixas. Ele é usado pra soar um alarme quando uma banheira estiver com a água alcançando a borda. Confesso que isso quebrou um bom galho…

Com o passar dos tempos e o avanço da eletrônica, surgiram os sistemas de alarmes para caixas estanques, comercializado pelos principais fabricantes de caixas.

São pequenos circuitos eletrônicos com um par de fios com as pontas desencapadas. Normalmente são colocados em determinadas áreas da caixa estanque, e quando entram em contato com a água, soam um alarme para avisar ao mergulhador que a caixa está alagando.

Como a água é condutora de energia, ela faz a ponte de contato entre os dois terminais, realizando o acionamento do alarme.

Mas uma coisa sempre me incomodou… os preços abusivos cobrados por pequenos alarmes.

Decidi relembrar meus tempos de eletrônica, e desenvolvi um simples circuito capaz de produzir o alarme que todos tanto desejam.

O Circuito

Você pode montar seu alarme de alagamento, sem um conhecimento técnico em eletrônica. Basta ter atenção e saber soldar os componentes na placa de circuito impresso. Essa pequena placa possui algumas trilhas em cobre, sendo responsável pela condutividade entre as peças eletrônicas, produzindo o resultado esperado.

  • Ferramentas necessárias
  • Ferro de Soldar
  • Solda
  • Alicate de Corte (Cabos e Terminais)
  • Fita Isolante
  • Cola

Opções de Alarme

São duas possibilidades de alarme.

Circuito 1: O led acende juntamente com um alarme sonoro – Utiliza bateria de 9 volts.

Circuito 2: Somente o led acende – Usa bateria do tipo botão – CR2032 de 3v.

Optei em fazer o circuito 1, mas você deve antes de mais nada, levar em consideração o espaço que há em sua caixa estanque ou necessidade.

Infelizmente existem várias caixas estanques que não possuem espaço para a colocação de um sensor desses. Então antes de qualquer coisa, verifique se há algum espaço físico disponível entre a câmera e a caixa, de forma que a colocação do circuito do sensor, não vá atrapalhar o acionamento dos comandos.

Componentes Eletrônicos

Circuito 1

  • Placa de Circuito Impresso – Normalmente essas placas são feitas de acordo com o projeto, mas você pode comprar uma pronta e adaptar a esse projeto. Como são poucos componentes a serem soldados, você consegue produzir o sensor sem grandes dificuldades. Ao chegar na loja de componentes eletrônicos, pergunte ao lojista se ele tem placas de circuito impresso já pré-fabricadas do tipo padrão.
  • LED – Qualquer led de tamanho padrão serve. Dê preferência para que seja um led na cor vermelha, pois chama mais a atenção embaixo d´água. Eventualmente é possível encontrar um led que possua a missão de várias cores. Esse é melhor ainda, pois ele fica variando as cores e chama ainda mais a atenção embaixo d´água.
  • Buzzer (6 volts) – É uma peça normalmente preta arredondada, capaz de emitir um forte ruído. Ele é o alerta sonoro.
  • Transistor modelo BC 548
  • Chave HH pequena – É um tipo de liga e desliga. Você pode ou não usar essa chave no projeto. Se você preferir em não usar a chave, colocar a bateria e fechar a caixa estanque para ir mergulhar, sem problemas. A vantagem em se ter essa chave, é que ela dará a possibilidade de deixar o sensor desligado, não deixando o alarme consumir bateria enquanto a caixa estanque não estiver sendo usada, mas dependendo do espaço interno da sua caixa, usar uma chave dessas pode ser um problema. Desejando não usá-la, basta ignorá-la no projeto e não cortar o fio que seria ligado a ela.
  • Fios – De preferência um fio bem fino. Ele será usado para conectar o led ao circuito e ser o contato do sensor com a água.
  • Resistores – 1 resistor de 27K e 1 resistor de 470R
  • Conectores – Se você usar o alarme sonoro, você deve comprar o conector de bateria 9v.

Circuito 2

A diferença para o circuito 1, é a não utilização do buzzer, responsável pelo alerta sonoro, e a substituição do conector de bateria 9 volts pelo conector de bateria tipo botão – CR2032 de 3 volts.

Nesse caso, você soldará o conector na placa Não havendo espaço na caixa, você pode ligar o conector dessa bateria através de fios até a placa de circuito impresso.

Montando os componentes

Veja a imagem abaixo e faça a interligação dos componentes como demonstrado no esquema.

Repare que o transistor no esquema, está com sua face reta voltada para frente.

O led, buzzer e o conector de bateria, possuem polaridade positiva e negativa.

Na ponta dos fios desencapados, você pode adicionar algum conector metálico de junção, aqueles usados para conectar a antena na TV, usados antigamente.

Custo

O mais caro desse projeto é a bateria de 9V. De resto, você não gastará mais do que R$ 10 / 15 para montar sensor de alagamento.

Uma observação importante, é que no caso de grandes caixas estanques, como os modelos usados por câmeras de maior porte, você pode adicionar outros cabos ao cabo principal do sensor, ampliando as áreas da caixa a serem monitoradas por ele.

Em funcionamento

 

Esquema Eletrônico

Esquema-Sensor

 

Clecio Mayrink
Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS e realizou Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount). É juiz internacional de apneia pela AIDA e foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008. Produziu documentários sobre as Bahamas, Bonaire, Galápagos e Laje de Santos, visitando mais de 30 países. Foi o idealizador do site Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769/SP), atuou como consultor para a ONU, UNESCO, além de diversos órgãos públicos no Brasil.