Seria o naufrágio “TAMAR” o Brasilóide ?

Os pontos vermelhos mostram o quadrante com 1 grau ao redor da marca 12° 38' S / 37° 57' W

No dia 18/02/1943 às 3:30h, naufragava o Brasilóide, um navio do Loyd Brasileiro que havia saído de Maceió-AL com destino a cidade Salvador, na Bahia. Ele navegava com carga variada e muitos passageiros a bordo. O navio acabou sendo torpedeado pelo submarino alemão U-518 durante a Segunda Guerra Mundial, matando muitos passageiros naquele dia.

Jornais de época informaram que o naufrágio ocorreu a 5 milhas de Garcia D’Ávila, na Bahia. Buscando por informações sobre Garcia D’ Ávila, verifiquei que a localidade atualmente é a famosa cidade de Praia do Forte, um dos pontos turísticos mais famosos do Estado.

Pesquisando mais, encontrei em outros jornais antigos, a informação com a localização GPS onde teria ocorrido o naufrágio. Segundo as matérias, a marca seria 12° 38′ S / 37° 57′ W, e de fato, posicionando a marca no mapa, a posição está próxima a Praia do Forte, indicando que o Brasilóide está naquela região.

Até hoje não se sabe ao certo a localização precisa do naufrágio, pois os jornais de época forneciam muitas informações imprecisas e as marcas de GPS não eram completas, mas alguns aspectos indicam que um naufrágio encontrado anos atrás e apelidado de “TAMAR”, possa ser o próprio Brasilóide.

A descoberta do naufrágio TAMAR

Alguns anos atrás uma equipe do Projeto TAMAR da Bahia, realizava uma análise batimétrica com side scan de alta definição, e na marca 12º 36,542″ S / 37º 53,573″ W, o equipamento deu a indicação de um grande objeto no leito marinho.

Ao perceberem o alerta do equipamento, os técnicos analisaram as imagens e viram que se tratava de um grande naufrágio na batimetria dos 190m de profundidade, e como não sabiam a real identificação do navio, acabaram apelidando de “TAMAR“, em homenagem ao projeto deles.

Cruzando informações

Jogando o posicionamento do naufrágio TAMAR com o GPS parcial do Brasilóide informado nos jornais de época na carta náutica, temos uma ideia melhor quanto ao posicionamento deles no mapa.

A imagem no topo deste artigo mostra o naufrágio Brasilóide com o ícone de um navio na marca do GPS parcial, e com isso, temos uma ideia aproximada da localização no mapa, mas devemos levar em consideração que o real posicionamento do naufrágio pode variar em até quase 3Km para um dos lados em relação ao ícone central, por não sabermos a marca GPS com grau, minutos e segundos, e levando isso em consideração, isso aumenta as chances na diminuição sensivelmente da distância entre o posicionamento aproximado do Brasilóide (que é teórico) com o posicionamento do TAMAR (que é constatado).

Na época do afundamento do Brasilóide não existia o equipamento GPS e as tripulações utilizavam o instrumento denominado quadrante juntamente com a navegação astronômica para ter uma ideia a sua localização no mar, e longe de terem os dados precisos se compararmos com as informações dadas por qualquer aparelho GPS hoje encontrado no mercado atual.

Outro aspecto importante é que não se sabia a localização em tempo real como nos dias de hoje. As informações eram estimadas, logo, os 12° 38′ S / 37° 57′ W mencionados pelos náufragos após o resgate, poderia ser na verdade os 12° 36′ S / 37° 53′ W do naufrágio TAMAR, pois a diferença é muito pequena em termos de navegação, e daí, minha tese de que o naufrágio “TAMAR” possa ser na realidade o próprio Brasilóide.

Agora é aguardar que mergulhadores técnicos usando rebreathers consigam descer na marca do naufrágio “TAMAR” e tentar realizar a identificação como sendo ou não o navio Brasilóide.

Clecio Mayrink
Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983, no autônomo em 1986 pela CMAS e Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount pela IANTD. Foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008, idealizador do site Brasil Mergulho em 1998 (MTB 0081769/SP), atuando em diversas matérias e documentários no Brasil e no exterior. Também atuou como consultor para a ONU, UNESCO, além de diversos órgãos públicos no Brasil.