Sidemonster – Não seja um deles !

Exemplo de roteamento incorreto na configuração de sidemount - Foto: Rodrigo Thomé

A primeira vez que ouvi falar de sidemount e comecei a dar os primeiros passos com essa configuração, foi há mais de 20 anos, e na época, adotamos o harness Transpac da Dive Rite, que por sinal, muitos falavam mal e que posteriormente acabaram adotando para o sidemount em caverna.

Mas naquela época tudo era novidade, inclusive, a própria configuração dos equipamentos, mas hoje, já temos uma configuração consolidada e não podemos permitir que configurações totalmente fora dos padrões sejam aceitas pelos instrutores de mergulho, pois isso pode matar um mergulhador.

Nos últimos tempos houve um aumento de pessoas adotando a configuração sidemount para mergulhar. Alguns com intuito de aumentar o tempo de fundo, outros para o mergulho em caverna, e uma minoria, com intuito da diminuição de dores nas costas devido ao excesso de peso dos equipamentos.

O grande problema, é que ultimamente temos visto não poucos, mas, muita gente mergulhando com a configuração sidemount de forma errada, e quando digo isso, é errada mesmo, e não porque o mergulhador adotou um método X ou Y de configurar seus equipamentos.

Quem me conhece, sabe que respeito às configurações diferenciadas e fora do padrão, pois sempre acreditei que existem aspectos que poderão diferenciar entre um mergulhador e outro, mas o que tenho percebido é um grande número de pessoas se entulhando de equipamentos (muitas vezes desnecessariamente), e acreditando que está mergulhando de forma correta. Alguns raros, se sentindo os verdadeiros “astronautas” da NASA no mergulho.

Esses “sidemonsters” como chamo, utilizam carretilhas com mosquetão de plástico, deixam os cabos das spools totalmente soltos criando um grande emaranhado de cabo e nós por onde passam, colocando outros mergulhadores também sob risco.

Mangueiras expostas e prontas para enroscarem em qualquer coisa no caminho, levam tranqueiras desnecessárias, criando um enorme arrasto em todo o percurso do mergulho, deixam as cintas totalmente soltas, fazendo com que fique tudo se solte e deixando os cilindros de mergulho para trás como se fossem cachorros seguindo o seu dono.

Enfim, um show de horrores que comprovam que o mergulho é uma atividade segura, e que mesmo fazendo tanta coisa errada, seja por falta de atenção ou treinamento, ainda assim, um acidente raramente ocorre.

Se você ainda não entrou para a lista de pessoas que utilizam a configuração sidemount, procure um curso de mergulho com profissionais renomados, que possuam experiência e tempo de mergulho, que comprove que sabem do que estão falando, para que você não caia em uma roubada que pode lhe causar um acidente algum dia.

E se você acha que estou exagerando com esse texto, comece a observar os mergulhadores nas operações, pois acho que me dará razão.

Clecio Mayrink
Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983, no autônomo em 1986 pela CMAS e Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount. Foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008, idealizador do site Brasil Mergulho em 1998 (MTB 0081769/SP), atuando em diversas matérias e documentários no Brasil e no exterior. Também atuou como consultor para a ONU, UNESCO, além de diversos órgãos públicos no Brasil.