Submarinos alemães ou norte-americanos: Os bastidores do processo de envolvimento brasileiro na Segunda Guerra Mundial

Segundo Ricardo Seitenfus existe uma escassez de pesquisas históricas sobre a guerra contra a Marinha Mercante brasileira. De fato reiteramos a opinião do nosso especialista em Relações Internacionais e acrescentamos que os acontecimentos que marcaram a nação brasileira no fatídico mês de agosto de 1942 ainda é pouco estudado. Em outras palavras, a conjuntura onde se encontra inserido os trágicos acontecimentos de agosto de 1942 – que levaram o Brasil a declarar guerra aos países do Eixo – é um tema histórico que até hoje não encontra bem divulgado e esclarecido.

A história que envolve o torpedeamento de cinco navios nacionais ocorridos entre os dias 15 e 17 daquele mês – e que levou à morte centenas de não-combatentes, inclusive mulheres e crianças – além de ser importante: é também interessante. Em consequência daqueles fatos ocorridos no litoral do Nordeste, alguns autores vêm assinalar que até os tempos de hoje, o mês de agosto tem sido infausto na história da nação. E diga-se de passagem que houve tentativas, após o término do conflito, de considerar a Marinha de Guerra dos Estados Unidos responsável pelos afundamentos dos navios da Marinha Mercante brasileira. Tal versão se sustentava no fato de que os Estados Unidos pretendia obrigar o Brasil a declarar guerra ao Eixo. O que portanto também procuraremos mostrar através desse nosso trabalho o mote fantasioso dessa tese, descrevendo a sua insustentabilidade através de várias razões.

No dia 18 de agosto de 1942, a estação transmissora do Departamento de Imprensa e Propaganda irradiou para todo o país, e os jornais publicaram o seguinte comunicado:

“Pela primeira vez, embarcações brasileiras, servindo ao tráfego das nossas costas no transporte de passageiros e cargas de um Estado para outro, sofreram o ataque dos submarinos do Eixo. (…) O inominável atentado contra indefesas unidades da Marinha Mercante de um país pacífico, cuja vida se desenrola à margem e distante do teatro da guerra, foi praticado com desconhecimento dos mais elementares princípios de Direito e de humanidade. Nosso país dentro de sua tradição, não se atemoriza diante de tais brutalidades; e o Governo examina quais as medidas a tomar em face do ocorrido. Deve o povo manter-se calmo e confiante, na certeza de que não ficarão impunes os crimes praticados contra a vida e os bens dos brasileiros.” 1

Em verdade, no contexto que antecederam ao devastador ataque no mês de agosto de 1942, o Brasil já não era mais um país pacífico e nem estava muito longe do teatro da guerra. Quando a notícia chegou à Alemanha de que barcos brasileiros já portavam armas, a Marinha hitlerista levantou todas as restrições contra os navios da América do Sul que estivessem notadamente armados, excetuando somente os de nacionalidade argentina e chilena.

Sem o Brasil ainda estar oficialmente na guerra, no dia 28 de maio, o Ministro da Aeronáutica – Salgado Filho – anunciou de forma festiva, que aviões da FAB haviam atacados submarinos do Eixo. Em outras palavras, os ataques aéreos sobre unidades do Eixo foram publicamente anunciados pelo Ministro da Aeronáutica, atos que tiveram o apoio exultante de seu chefe, o presidente Getúlio Vargas. O primeiro contato entre aviões tripulados por brasileiros e os submarinos do Eixo, se deu no dia 22 de maio. E o povo brasileiro junto com o governo estado-novista se vangloriaram com a façanha imprudente da FAB. Fato que iria custar caro aos brasileiros

1- Agressão – Documentário dos fatos que levaram o Brasil à Guerra . Imprensa Nacional, 1943.

Pois as represálias da Força de Submarinos da Alemanha vieram atingir seu auge em meados de agosto com o horror praticado pelo U-507, acarretando à destruição de navios mercantes de cabotagem em poucos dias. Um único submarino havia afundado o Baependy, o Araraquara, o Aníbal Benévolo, o Itagiba e o Arará, resultando na morte de mais de 600 pessoas, uma vez que o comandante daquele submarino fez um tipo de ataque (lançando um torpedo atrás do outro), destinado a levar os barcos a naufragar em questão de minutos, sem dar tempo para que a maioria de seus ocupantes se salvassem. A 31 de agosto, a beligerância se transforma em estado de guerra entre o Brasil, a Alemanha e a Itália. O Brasil é lançado no carrossel infernal da guerra.

Como então podemos observar, em 1942 vivíamos num ambiente de pré-guerra e isto estava evidenciado nas ordens que receberam todos os comandantes da Marinha Mercante de navegar mais próximos da costa brasileira e que durante a noite, as luzes internas de seus navios deveriam ficar apagadas, porém os faróis de navegação acesos. E ainda, segundo as normas existentes, os navios de cabotagem (que como medida de segurança já traziam suas vigias pintadas de preto) deveriam tomar mais precauções quando passassem a navegar de Maceió para o norte, ordens aliás comuns em todos as viagens. Isso mostra o grau de periculosidade em que se achava o mar brasileiro.

“A viagem dos nossos navios mercantes torpedeados em agosto realizava-se obedecendo, rigorosamente, as instruções baixadas pelo Estado Maior da Marinha, nas quais se recomendava navegar bem próximo da costa e, à noite, com as luzes dos camarotes e salões apagados, conservando aceso, apenas, o que os marítimos chamam faróis de navegação…” 2

2 – Agressão – Documentário dos fatos que levaram o Brasil à Guerra . Imprensa Nacional, op. cit. P. 17.

Em certo momento, encontrava-se o Almirantado nazista alimentando desejos de praticar uma severa retaliação contra o Brasil, principalmente, como dito acima, pelo fato de aviões brasileiros em fins de maio de 1942, ou seja, dois meses antes daquele agosto cinzento, terem atacado, sem qualquer formal declaração, os submarinos do Eixo.

Para o direção da guerra marítima nazista (SKL – See Kriegs Leitung ), os atos dos aviões da FAB não deixavam nenhuma dúvida: o Brasil vinha participando ativamente, ao lado dos Aliados, nas operações de guerra.

Como historiadores, procuramos não ser guiados pelos “achismos” históricos. Procuramos sim, pesquisar, visando descobrir o que se encontra na maioria das vezes, escondido nas intenções dos homens que constroem os fatos históricos. Portanto, nosso trabalho de pesquisa, busca iluminar alguns aspectos desse intrincado processo de nossa História Contemporânea. E para esclarecimento da memória nacional, procuramos sempre seguir o caminho de adotar critérios imparciais e objetivos para sermos o mais justo que podemos em nossos julgamentos, sobre tomadas de decisões que ora, se encontram distantes. Foram decisões mistas, ou seja, político-militares, outras, puramente militares e por fim, aquelas influenciadas por personalidades e fatores de prestígio.

Algumas decisões tomadas, principalmente pelo titular do Ministério da Aeronáutica, canalizaram o curso de nossa História naquela conflagração sem precedentes. Fazer o julgamento de brasileiros que tiveram participação de relevo naquele nebuloso contexto histórico do país, é necessário; não pelo prazer de explorar controvérsias, mas para melhor entender os caminhos que eles e os de sua geração seguiram naquela época conturbada.

Querer reconstituir os fatos reais, requer um minucioso trabalho de pesquisa. É preciso conhecer os personagens, o cenário, o contexto e além disso ter a ciência de que a visão de uma época, só adquire clareza a partir de seu exame com fins interpretativos, relacionados ao ambiente sócio-cultural contemporâneos aos fatos.

O ato do Ministro Salgado Filho naquele contexto, sendo insuflado pelo desejo de reconhecimento e de glórias militares para o seu Ministério criado nos anos da guerra (1941, ano em que também com a colaboração dos Estados Unidos foi criada a Companhia Siderúrgica Nacional) – veiculando um aviso repleto de ações um tanto exageradas, trouxe sobre os brasileiros um ato de represália, que atingiu em condições alarmantes, a população civil que se servia do transporte de cabotagem.

Em nossa análise, não resta dúvida de que o ato daquele Ministro apoiado por Getúlio Vargas e muito mais pelo presidente dos Estados Unidos, colocou o Brasil às vésperas de uma investida retaliatória e conseqüentemente, de caráter muito sério contra a soberania de mar territorial brasileiro.

Mas alguém bem pode perguntar por que se deve sempre submeter à experiência de ler sobre os acontecimentos causados pelo U-507 em nossas águas territoriais no distante agosto de 1942. Uma das repostas, é que as vítimas manifestadamente inofensivas do U-507, sempre há de merecer um testemunho escrito, vítimas que mal tiveram tempo de dizer adeus a seus entes queridos ao lado delas, enquanto desciam para o fundo do mar junto com os navios que os transportavam para seus lares; vítimas cujos filhos lhes foram arrancados dos braços pelas ondas, vítimas que deixaram pouco registro para trás.

A metodologia utilizada para desenvolver este trabalho de pesquisa encontra-se concentrada em fontes bibliográficas. O trabalho se constituirá de dois capítulos. No primeiro é enfocado o período em que se engendrava as francas hostilidades entre o Brasil, a Alemanha e a Itália. É uma interpretação de como se preparava uma tempestade.

A partir do segundo capítulo, é enfocado o desencadeamento do mais violento ataque contra a Marinha Mercante brasileira. Foi uma escalada de destruição de navios mercantes e uma matança de tripulantes e passageiros, civis inocentes, perpetrados sem declaração de guerra.

Depois de se comunicar com Roosevelt, Vargas autorizou ao chanceler Oswaldo Aranha, no dia 21 de agosto, a enviar notas comunicando aos governos da Alemanha e da Itália que os atos de guerra praticados contra o Brasil tinham criado um estado de beligerância. Depois de uma reunião ministerial, no dia 22, foi divulgado que o Brasil estava em guerra com a Alemanha e Itália. Extraoficialmente se informou que o Japão não havia cometido qualquer ato de agressão ao Brasil, sendo suficiente a ruptura das relações diplomáticas e comerciais. Portanto, a entrada do Brasil no conflito mundial não decorre da solidariedade continental, mas da agressão ao próprio Brasil.

O Brasil é lançado definitivamente na guerra. E sua participação não seria restrita ao fornecimento de matérias-primas e de produtos estratégicos, pois participará da defesa do Atlântico e da rota Natal-Dacar. Em 1944, enviará a FEB com um efetivo de mais de 25.000 homens, sob o comando do general Mascarenhas de Morais, contribuindo para a libertação da Itália.

Capítulo I – O tempo das hostilidades: fevereiro a julho de 1942

Logo após o ataque japonês a base norte-americana de Pearl Harbor, os representantes diplomáticos dos países do Eixo estavam convencidos de que a terceira conferência extraordinária dos ministros das Relações Exteriores das Repúblicas Americanas, a ser realizada no Rio de Janeiro, na segunda quinzena de 1942, adotaria iniciativas radicais, ou seja, elas sob a influência dos EUA, romperiam relações diplomáticas e comerciais com os países do Eixo.

Portanto, argumentando que essa ruptura levaria a América Latina à guerra, o três embaixadores do Eixo decidem intervir em relação ao Brasil para que este se empenhe por manter a neutralidade ibero-americana. A manutenção da neutralidade encontra resistência no Palácio do Itamaraty, na figura do ministro das Relações Exteriores, Oswaldo Aranha, o qual seria o presidente daquela conferência; mas diga-se de passagem que Getúlio Vargas, concordava com o rompimento, pois no ataque a Pearl Harbor, o presidente Vargas não tardou a demonstrar que o Brasil estava solidário com os Estados Unidos autorizando que o seu Ministro da Marinha a prestar imediatamente colaboração naval com a Marinha da nação agredida, o que equivalia, na realidade, por um virtual engajamento do Brasil na guerra.

Em 16 e 17 de janeiro, uma correspondência é entregue ao Palácio do Itamaraty, individualmente, pelos três embaixadores do Eixo. O documento do embaixador alemão Prufer é objetivo e confirma que:

“A ruptura das relações diplomáticas entre o Brasil e a Alemanha significaria, indubitavelmente, o estado de guerra latente, acarretando ocorrências que equivaleriam à eclosão da guerra efetiva ( entre os dois países) os quais nenhuma divergência de interesse separa ( e portanto) carece em absoluto de sentido.” 3

3- SEITENFUS, Ricardo. O Brasil vai à Guerra . São Paulo: Editora Manole 2003, p. 267.

Em verdade, nas correspondências dos embaixadores dos países do Eixo existe esse ponto comum, ou seja, caso o Brasil, ou qualquer outro Estado latino-americano, venha romper relações diplomáticas, seguir-se-ia a eclosão da guerra efetiva. Tudo indica que durante os primeiros dias de janeiro de 1942, a diplomacia do Eixo tinha esperanças na manutenção da neutralidade brasileira, pois às vésperas da abertura da III Conferência de Consulta dos Chanceleres, o embaixador alemão, comentaria em nota enviada à Alemanha, que o Brasil deveria acatar os termos das comunicações dos três embaixadores do Eixo, uma vez que a imensa costa brasileira era muito difícil de proteger. Mas acontece que em favor da causa aliada, a Conferência do Rio de Janeiro, sob a direção do chanceler Oswaldo Aranha, o grande artífice da aproximação política e econômica entre o Brasil e os Estados Unidos, foi um sucesso. Oswaldo Aranha, depois de fazer alguns pronunciamentos pelas democracias condenando o totalitarismo nazi-fascista, convidou os países do continente a romper tal como o Brasil, com os países do Eixo. Apenas a Argentina e o Chile, recusam aderir à ruptura coletiva realizada pelos 22 Estados presentes. A atitude do Brasil decepciona os países do Eixo, o qual, como veremos, decidiria a impor represálias.

Tornava-se beligerante de fato, o sistema de defesa conjunta entre os EUA e o Brasil. No campo da diplomacia e da política, estes atos foram subtraindo a consistência já abalada da neutralidade brasileira, mas comprometida ainda no final de janeiro de 1942, quando o Brasil rompeu relações diplomáticas e comerciais com os países do Eixo e virtualmente encerrada com a assinatura do Brasil da Carta do Atlântico, em fevereiro.

O período que se segue à Conferência do Rio de Janeiro, são de grandes e importantes acordos entre o Brasil e os EUA, no âmbito estratégico, militar e econômico, a exemplo, de que pela presença de submarinos do Eixo ao largo da costa do Nordeste, os Estados Unidos obtêm, em 10 de abril, autorização para efetuar patrulhas em aéreas na região. Ato contínuo, no dia 23 de maio, firmou-se o Convênio Político-Militar e entre os dois países onde os portos de Natal, Recife e Salvador, estariam definitivamente à disposição da Quarta Esquadra do Almirante Ingram, como base de suas operações militares efetivas, configurando, para o Brasil, uma situação jurídica de “beligerância não declarada” por apoiar ostensivamente uma esquadra de nação em guerra contra o Eixo, em seu próprio território.

Logo, a Alemanha protestaria contra a utilização das bases aéreas brasileiras por pessoal norte-americano como ponte para a África, o que qualificou de violação da neutralidade do Brasil. Mas o protesto foi ignorado. Diga-se de passagem, que o Nordeste brasileiro era uma etapa cada vez mais importante na rota aérea que atravessava o Atlântico. O Recife se transformou em ponto de apoio para a Marinha dos Estados Unidos, e havia intensa atividade nas bases aéreas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador e, especialmente em Natal. Como podemos observar, após o ataque japonês de dezembro a Pearl Habor tornou ainda mais clara a situação do Brasil no conflito. O Brasil não estava oficialmente em guerra, o que só aconteceria em agosto de 1942: mas era como se estivesse, em virtude de sua franca e aberta ajuda aos Estados Unidos.

Em suma, após a assinatura dos acordos do início de março e da concessão de bases militares do Nordeste às Forças Armadas norte-americanas, o Brasil se encontra intimamente ao lado dos Aliados e, portanto, diante dessa estreita colaboração, o Eixo decide pôr em prática as ameaças que foram feitas ao chanceler Oswaldo Aranha, ou seja, a Alemanha e a Itália forçaria o Brasil a participar efetivamente da guerra ao começar a atacar os navios que faziam a navegação comercial com os Estados Unidos.

O Brasil procuraria manter seu comércio exterior com a grande e rica nação do norte, mesmo sabendo que um dos objetivos dos alemães era de fazer um bloqueio aos portos norte-americanos. Nas palavras do almirante Arthur Oscar Saldanha do Gama:

“Hitler, no começo de 1942, havia vedado as vias de comunicações do Atlântico para todas as bandeiras neutras, indevidamente, estabelecendo, contudo, exceções para as nações amigas.” 4

4 – SALDANHA DA GAMA, Arthur Oscar. A Marinha do Brasil na Segunda Guerra Mundial . Capemi Editora, 1982, p.121.

O primeiro navio brasileiro a ser torpedeado acima da linha do Equador, foi o Buarque, no dia 16 de fevereiro de 1942, pelo submarino alemão U- 432. No dia 18, foi a vez do Olinda, também pelo U-432. Ambos os navios, de acordo com a convenções internacionais, viajavam completamente iluminados, trazendo pintados nos dois lados e em grandes dimensões, a bandeira brasileira. No dia 25, o Cabedelo foi afundado pelo submarino italiano Leonardo da Vinci, onde toda a tripulação do mercante composta de 54 homens desapareceu. Acreditamos que nesse ataque perpetrado pelo submarino Leonardo da Vinci, os tripulantes teriam sido mortos pelos marinheiros do submarino italiano, quando eles já estavam em seus botes salva-vidas( o que seria dizer que se tratava de uma queima de arquivo). Essa afirmação, encontra-se baseada na premissa de que em todos os torpedeamentos envolvendo navios brasileiros, houve sempre sobreviventes; mesmo quando as condições do mar eram ruins. Diante desses ataques a Marinha Mercante brasileira levou Getúlio Vargas a protestar perante a Alemanha. O embaixador de Portugal em Berlim, transmite, em 27 de fevereiro, os protestos dos brasileiros, dizendo que se deveria cessar os atos da Marinha de Guerra alemã contra mercantes sem defesa e que pertencem a um país que não está em guerra. Mas a Alemanha não leva em consideração esses protestos.

Depois dessas agressões ocorridas no mês de fevereiro, o governo brasileiro adotou medidas para que os navios mercantes não viessem a ser alvos tão fáceis, ou seja, os mercantes teriam que ser pintados de cor cinza e que navegassem às escuras. O primeiro navio a ser atingido depois de ser implantado tais medidas de segurança, foi o Cairú, no dia 8 de março, pelo submarino U-94. O mercante transportava 75 tripulantes e 14 passageiros. O torpedeamento do Cairú gerou a morte de 52 pessoas, por causa do mau tempo que atingiu os sobreviventes em seus botes salva-vidas. Com o torpedeamento do Cairú houve reação violenta no Brasil. O povo carioca promoveu manifestações pelas ruas, atacando lojas de propriedade de alemães. Houve também protestos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina foi realizado um funeral da efígie de Hitler. No dia 12 de março, Vargas determinou o confisco de trinta por cento dos fundos pertencentes aos súditos do Eixo.

Em face, das significativas perdas em navios mercantes em tão curto espaço de tempo, o presidente Vargas envia, a 9 de março, mensagem ao ministro Souza Costa, que se encontrava em Washington chefiando a Missão Comercial Brasileira, comunicando-lhe aquelas ocorrências e enfatizando a falta de defesa a que estavam expostos os navios brasileiros que, na quase totalidade, se encontravam a serviço dos Aliados.Vargas dar-lhe, finalmente, instruções para entendimento com as autoridades norte-americanas. Em sua mensagem, o presidente brasileiro ressaltara que essa situação colocava a alternativa de suspender a navegação para os Estados Unidos ou ficar sem a Marinha Mercante.

E por sua vez, o embaixador norte-americano no Rio de Janeiro Jefferson Caffery em sua recepção semanal aos jornalistas brasileiros, interrogado sobre a possibilidade de o Brasil declarar guerra naquele momento, disse que não acreditava que isso viesse a acontecer. E acrescentou, que do ponto de vista material o Brasil sabia que com a atitude franca que tomou ao lado dos Estados Unidos iria sofrer represálias , e que não poderia dar proteção à Marinha Mercante brasileira com a intensidade exigida, porque os Estados Unidos estavam lutando em 28 frentes.

Mas seja como for, foi após o ataque ao Cairú, que o governo brasileiro, com o apoio dos norte-americanos passou a aparelhar os navios com armas defensivas de pequeno calibre. Assim, no dia primeiro de maio, ao largo de Trinidad, o Parnaíba passaria a ser o primeiro navio artilhado a ser posto ao fundo. Quando essa notícia chegou à Alemanha, a sua Marinha de Guerra levantou todas as restrições contra os navios da América do Sul que estivessem notadamente armados, excetuando somente os de nacionalidade argentina e chilena.

Até esta época os submarinos alemães tinham estendidos suas operações até a latitude de Trinidad e Guiana, e somente um submarino italiano, o Calvi, tinha afundado cinco navios dos Aliados ao norte do estuário do Rio Amazonas e Cabo de São Roque, na primeira metade do mês de abril.

Em maio, um grupo de mais quatro submarinos italianos, juntou-se ao Calvi – Arquimede, Capelini, Bagnolini e Barbarigo.

No dia 18 de maio, um acontecimento iria deteriorar ainda mais as relações do Brasil com os países do Eixo. O mercante artilhado Comandante Lira, do Lloyd Brasileiro navegando de Recife para Nova Orleans, mas longe da derrota que lhe fora ordenada pelas autoridades brasileiras, acabou sendo atacado pelo submarino Barbarigo( nos arquivos do Tribunal Marítimo encontra-se o inquérito relativo a derrota que o navio Comandante Lira tinha tomado, desobedecendo as ordens superiores). É bem verdade que o submarino italiano fazia um bloqueio aos navios aliados ao largo da costa brasileira, mas o seu ataque, passava a ser a primeira agressão a navios brasileiros efetuada próximo da nossa costa.

Depois do ataque ao Comandante Lira, precisamos conhecer a que ponto chegou a reação dos brasileiros, notadamente dos militares da FAB, o qual vem evidenciar o grau de beligerância não declarada que o Brasil já se encontrava com o Eixo. As palavras do veterano aviador Nero Moura bem exemplifica a dialética de ação e reação:

“…Já mencionei que, quando o Ministério da Aeronáutica firmou os contratos visando à instalação das bases americanas no Nordeste nos engajamos no esforço de guerra, estávamos convencidos de quer não iríamos entrar na luta. A briga era muito longe… A idéia de que seria inevitável da entrada do Brasil na guerra só começou a se esboçar, realmente quando se teve notícia dos primeiros torpedeamentos de navios brasileiros pelos alemães, em 1942. Só então compreendemos que teríamos que brigar mesmo. Já nessa época participávamos do patrulhamento no Nordeste, trabalhando com os americanos a pleno vapor na defesa da costa, com aviões cheios de bombas de profundidade, e, embora sem ordens expressas, andamos atacando submarinos que estavam nas nossas barbas, fora de águas territoriais, mas a menos de 200 milhas. Ainda não havíamos declarado guerra, mas as instruções das autoridades eram para que os pilotos, no patrulhamento das praias, ou sobre o oceano, bombardeassem os submarinos caso fossem atacados. Houve dois ou três ataques, não sei se tiveram sucesso, mas repercutiram na imprensa, através de inúmeras entrevistas do ministro Salgado Filho sobre o assunto.

Quer dizer, já havia um consentimento tácito de que podíamos atacar. Mas, como os americanos voavam conosco, às vezes a responsabilidade da ação ficava por conta deles, que estavam em guerra e podiam jogar as bombas. Um desses casos ocorreu com o Pamplona, quando voava num B-25 integrando uma tripulação de que faziam parte americanos e brasileiros. Em determinado momento, avistaram um submarino, e se colocou a questão: ‘Podemos, ou não atacar? Quem vai jogar as bombas?’ Estavam nessa indecisão inicial, quando o submarino, que não pedia licença para atirar nos aviões, os atacou. Diante disso, acabaram reagindo e atiraram as bombas. Não sei se acertaram o alvo, mas esse fato se deu antes do estado de beligerância, do rompimento de relações e da declaração de guerra, que se sucederam com muita rapidez.” 5

5 – MOURA, Nero. Um Vôo na História . Fundação Getúlio Vargas. Editora, 1996, pp. 111,112.

Mas o relatório do capitão aviador Afonso Celso Parreiras Horta diz o seguinte, sobre a sua missão de beligerância não declarada:

“Consistia em patrulhar a costa até a altura de João Pessoa, partindo de Fortaleza e voltando a Natal, reabastecer, a fim de efetuar nova patrulha no  escurecer. No dia 22 decolar de Natal antes do nascer do sol e efetuar uma patrulha durante o crepúsculo matutino, tendo como objetivo localizar e atacar submarino hostil que havia afundado o navio do Lloyd Brasileiro, Comandante Lira.” 6

6 – SIQUEIRA, Deoclécio Lima de. Fronteiras – A Patrulha Aérea e o Adeus do Arco e Flecha. Revista Aeronáutica. Editora, p.154.

É preciso que se diga que o Comandante Lira não foi a pique, embora o Barbarigo achasse que o navio iria ao fundo, depois de torpedeá-lo e canhoneá-lo por 19 vezes. O comandante do submarino italiano, convencido de que o navio em breve afundaria, afastou-se do local. Talvez na ocasião tenha se equivocado o capitão Pamplona por não saber que o Comandante Lira foi rebocado para Fortaleza por navios norte-americanos e que chegou naquele porto somente no dia 25 de maio, sendo salvo. Mas seja como for, são essas as palavras de Parreira Horta que nos legou:

“Após sobrevoar Noronha, calculei o rumo correto, a hora estimada para o Atol das Rocas, e estava preocupado em determinar o vento utilizando o derivômetro, quando fui chamado pelo capitão Pamplona que, apontando para o horizonte, perguntou-me: __ Não parece um submarino? O Tem Schwane perguntou-me: Que devo fazer, comandante? Lembrei-me das recomendações do Brigadeiro Eduardo, do Comandante Lira incendiando-se, não consegui ver nenhuma bandeira, e assim respondi: __ Vamos atacá-lo.” 7

7 – SIQUEIRA, Deoclécio Lima de. Fronteiras – A Patrulha Aérea e o Adeus ao Arco Flecha . op. cit. p.153.

Assim o avião brasileiro B-25 B que tinha como segundos pilotos e navegadores, os capitães Pamplona e Parreiras Horta partiu para o ataque e seria o primeiro perpetrado pela FAB. Em outras palavras, era então, o primeiro confronto militar entre o Brasil e o Eixo, ou seja, entre unidades de suas Forças Armadas, antes da declaração de guerra. E aqui precisamos fazer um parêntese para discordar do que disse o aviador Nero Moura: o submarino italiano Barbarigo na verdade não efetuou o primeiro tiro contra o avião brasileiro. Como podemos observar, claramente através do depoimento do aviador Pamplona, o primeiro a atacar foi o avião da FAB, que decolou de Natal, justamente para caçar o Barbarigo. O tenente que perguntou ao Pamplona o que ele deveria fazer, quando o submarino foi avistado, era o norte-americano Henry H. Schawane, que estava no avião como primeiro piloto. Cabe ainda dizer, que nas funções de bombardeador e artilheiro, encontravam-se outros dois norte-americanos.

Se no dia 24 de maio, o Gonçalves Dias seria afundado pelo submarino U-502, a FAB no dia 27 faria o seu segundo e terceiro ataques contra submarinos do Eixo, ao largo da costa nordeste brasileira. E assim, quando o U-502 comunicou haver afundado o mercante armado Gonçalves Dias, e quando, em 28 do mesmo mês, o Ministro da Aeronáutica, Salgado Filho, anunciou ataques de aeronaves brasileiras a submarinos do Eixo, a Marinha da Alemanha solicitou que fossem levantadas todas as restrições para ataques a navios brasileiros.

O comandante dos submarinos alemães Karl Doentiz, recebeu ordem de preparar um estudo para um ataque concentrado de submarinos aos portos brasileiros. Baseando-se neste estudo, o Comandante Chefe da Marinha, Almirante Raeder, propôs a Hitler o envio ao Brasil de um grupo de dois submarinos do tipo IX-C, grandes, e oito do tipo VII-C, de tonelagem média, acompanhados pelo submarino-tanque U-460, para atacar simultaneamente entre 3 e 8 de agosto todos os navios que estivessem no portos de Santos, Rio de Janeiro, Bahia e Recife e posteriormente, minar as suas entradas.

Segundo o pesquisador alemão Jurgen Rohwer:

“Hitler concordou, mas pediu para tornar claras as conseqüências políticas advindas ao Ministro das Relações Exteriores. Quando este Ministro levantou sérios escrúpulos porque este ataque traria não só o Brasil – que já era considerado pelo Eixo como participante da guerra, como eram os Estados Unidos antes do ataque a Pearl Harbor – mas também a Argentina e o Chile para o lado dos Aliados, Hitler cancelou seus consentimento e ordenou que os submarinos que iriam atacar os portos brasileiros e que estavam a caminho, fossem enviados para outras áreas de operação. Esta ordem foi enviada em 29 de junho e os nove submarinos alteraram seus rumos…” 8

8 – ROHWER, Jurgen. Operações Navais da Alemanha no Litoral do Brasil durante a Segunda Guerra Mundial. Navigator nº 18, p.14.

Agora, cabe dizer que quando as notícias dos três primeiros ataques aos submarinos italianos chegaram ao ministro da Aeronáutica, Salgado Filho, ele assumiu a responsabilidade dos atos de seus aviadores, embora o país ainda estivesse em estado formal de neutralidade. E para documentar seu gesto, expediu o aviso número 96, dirigido ao Diretor Geral do Pessoal nos seguintes termos:

“É com o máximo entusiasmo e justificado orgulho que, com as reservas naturais decorrentes da situação que atravessamos, mando registrar, na fé de ofício do Capitão-Aviador Affonso Celso Parreiras Hortas, a referência que ora faço ao glorioso feito por ele praticado no Nordeste da República, em serviço de comando. Coube a este oficial, que integra o meu Gabinete, dar a primazia da defesa do Brasil à Força Aérea Brasileira.

Em missão de patrulhamento das nossas costas, o Capitão Parreiras Horta teve a oportunidade de localizar e perseguir, no dia 22 de maio, às 13 horas e 57 minutos, um submarino corsário que, ultrajando a nossa soberania, vinha, em águas territoriais, atacando nossos mercantes e, depois torpedeá-los, metralhando suas tripulações(…). De tal sorte se conduziu que o senhor Franklin Roosevelt, Presidente da República dos Estados Unidos da América do Norte, manifestou-se, em telegrama, à Sua Excelência o Senhor Presidente Getúlio Vargas que, com satisfação, autorizou a sua transcrição(…). Recebi com a maior satisfação a notícia dos bens sucedidos contra-ataques a submarinos inimigos levados a efeito ao largo das costas do Brasil. O valor e a perícia dos elementos da Força Aérea Brasileira que tomaram parte nessas operações estão acima de qualquer elogio. Eles desferiram vigorosos golpes em apoio da campanha de proteção à navegação do Continente. Por intermédio de Vossa Excelência, transmito-lhes as minhas calorosas felicitações e os meus votos de felicidades – Franklin D. Roosevelt…” 9

9 – SIQUEIRA, Deoclécio Lima de. Fronteiras – A patrulha Aérea e o Adeus do Arco e flecha. op.cit. pp.167,168.

Baseado em documentos que pesquisou no exterior, o historiador brasileiro Ricardo Seintenfus, oferece-nos uma versão diferente que o pesquisador Jurgen Rower, veio apresentar no Brasil, quando proferiu uma palestra na Escola de Guerra Naval em 28 de março de 1982. Escreve Seitenfus que no final de maio de 1942, tem início uma intensa discussão entre a Direção de Guerra Marítima alemã (SKL – See Kriegs Letung ) e o ex-embaixador alemão no Rio de Janeiro, Karl Ritter, a respeito da atitude que a Alemanha deveria adotar em relação ao Brasil. O SKL é de opinião de que o Brasil não retornaria à neutralidade e com a evolução da guerra, teria como conseqüências inevitáveis a entrada do Brasil, cedo ou tarde, nas hostilidades.

Para o SKL, essa decisão era apenas uma formalidade, pois o Brasil já se encontrava, de fato, em guerra aos lado dos Estados Unidos. Prova disso seria o ataque de três submarinos pela aviação de guerra brasileira, nas semanas precedentes. Segundo o SKL, os atos da FAB não deixavam nenhuma dúvida: o Brasil participava ativamente, ao lados dos Aliados, nas operações militares. Portanto, o SKL defendia um ataque imediato contra as “forças navais e aéreas” brasileiras, pois seu sistema de defesa era incompleto e o fator surpresa desempenharia papel primordial. Conforme essa lógica, um ataque devastador deveria ocorrer contra o território brasileiro e seus principais portos e bases militares costeiras.

O ex-embaixador Karl Ritter tenta opor-se à essa escalada de hostilidades contra o Brasil, e julga que a Alemanha cometeria um grave erro se fossem empreendidas operações militares de grande envergadura. Para Ritter, tal ataque conduziria o Brasil definitivamente para o campo dos Aliados, considerando que o Brasil ainda era recuperável.

Escreve ainda Ricardo Seitenfus, que diante da impossibilidade de decidir rapidamente sobre a política em relação ao Brasil: “A Alemanha resolve continuar, em ritmo mais lento, os ataques contra os navios mercantes brasileiros.” 10

10 – SEITENFUS, Ricardo. O Brasil vai à Guerra. Editora Manole, 2003, p.294.

No dia primeiro de junho, o Alegrete, foi afundado pelo U-156.

Em 4 de julho, o ataque sem advertência a todos os navios brasileiros foi permitido, como represália pelo ataque de aeronaves brasileiras contra submarinos e instalação de armamento a bordo dos navios mercantes brasileiros, novamente informado pelo U-203, após o torpedeamento do Pedrinhas, em 26 de junho, ao norte das Antilhas.

Um mês depois, seria a vez do Tamandaré e do Barbacena, ambos armados a serem metidos a pique pelo U-66. No dia 28 de julho, o U-155, afundaria o navio tanque Piave, que encontrava-se desarmado. Este foi o último torpedeamento da série, antes dos ataques a navegação brasileira costeira no mês de agosto de 1942. De fevereiro a julho totalizaram-se treze ataques a navios mercantes nacionais com 135 mortos.

Capítulo II – O tempo do massacre: agosto de 1942

Durante a primeira quinzena de agosto, retorna uma certa calmaria. Mas na verdade, o comando alemão havia tomado uma decisão e que se constituiria num dos episódios mais dramáticos da História Contemporânea do Brasil. O U-507 tinha recebido por rádio no dia 7 de agosto, a mensagem para usar “manobras livres” ao longo da costa brasileira, causando um massacre entre os dias 15 e 17 de agosto. Segundo o pesquisador alemão Jurgen Rohwer, não há evidência da real intenção que havia por trás desta ordem, porque suas prováveis conseqüências estariam em direta contradição com as da contra-ordem anterior de Hitler: “Deve ter sido um erro tolo, causado por um desejo anterior de retaliação pela participação das forças brasileiras na guerra anti-submarino.” 11

11 – ROHWER, Jurgen. Operações Navais da Alemanha no Litoral do Brasil . op.cit.p.15.

Acrescenta o citado pesquisador que o U-507, comandado pelo capitão de fragata Schacht, afundou cinco navios brasileiros, além do pequeno veleiro Jacira, antes de parar a sua ação, a pedido do Ministro das Relações Exteriores da Alemanha.

Como vimos acima, a nova onda de ataques contra navios brasileiros começa em 15 de agosto. Cabe dizer que o número de vítimas fatais varia de autor para autor. Porém escolhemos por citar os dados fornecidos pela obra publicada em 1943 pela Imprensa Nacional : Agressão – Documentário dos fatos que levaram o Brasil à guerra , a qual diz que a agressão verificava-se com o mais nítido caráter de ato de guerra e afrontava a soberania do Brasil. O primeiro a ser atingido, foi o navio Baependy. Utilizado na navegação de cabotagem, o Baependy era um navio de passageiros, com 323 pessoas a bordo (73 tripulantes e 250 passageiros, entre os quais 141 militares destinados a um quartel em Recife). Às 19 horas, atingido por dois torpedos, ele afunda rapidamente, acarretando à morte de 290 pessoas. Salvaram-se 18 tripulantes e 18 passageiros. Somente uma baleeira com 28 sobreviventes atingiu a costa, no local conhecido por Moita Verde, ao sul do rio Real. No dia 17, oito náufragos, quase mortos, agarrados em destroços de madeira, conseguiram também atingir a terra. No mesmo dia do ataque ao Baependy, às 21 horas, o Araraquara que transportava 146 pessoas ( 73 tripulantes e 73 passageiros) é vitima dos torpedos do U-507. Salvaram-se 8 tripulantes e 3 passageiros, dando o total de 131 mortos. No dia 16, às 4:15 h da madrugada, o U-507 não teve que esperar muito pela sua próxima vítima, pois o Aníbal Benévolo é atingido, quando transportava 154 pessoas (71 tripulantes e 83 passageiros).

A dimensão da tragédia causada pelo U-507 pode ser bem exemplificada através das palavras do aviador Deoclécio Lima de Siqueira:

“Ao chegarmos às proximidades da costa de Sergipe, no local dos últimos acontecimentos, um quadro impressionante nos surpreendeu. Numa larga área do mar, mais ou menos em forma circular, uma grande quantidade de todos os tipos de destroços boiavam sobre o mar. Parecia que uma forte tempestade passara por aquelas paragens e produzira destruições em fantásticas habitações existentes até a pouco sobre as águas, pois muitos objetos de uso domiciliar podiam ser identificados. Cadeiras, colchões, redes, mesas, pedaços de madeira de todos os tamanhos e tipos. E aqui e acolá bóias salva-vidas por toda a parte num testemunho dramático da imensidão da catástrofe. Era cedo ainda, mas nas praias adjacentes uma grande quantidade de pessoas se aglomerava. Eram espectadores do final de uma noite de holocaustos e do início de um dia de lágrimas.

Chegavam a terra os restos de três navios. Chegavam os destroços, os corpos das vítimas que não eram poucas e, vez ou outra, alguém ainda com sinais de vida. Vista do ar, aquela cena mais parecia um pesadelo do que o grande final de uma tragédia representada no palco da existência. Nessa hora, em nossa alma, o que mais me dói é a injustiça do destino. Por que o desespero de certos sacrifícios de tantos que não contribuíram nem de longe, para tanta insanidade? Esta pergunta, que não é de hoje, tem sido feita pelos justos através dos tempos e a resposta nunca foi encontrada. Só quando ela vier, se vier, essa dor, que tanto dói nos justos, haverá de terminar…” 12

12 – SIQUEIRA, Deoclécio de Lima. Fronteiras – A Patrulha Aérea e o Adeus do Arco e Flecha. op. cit. pp. 174, 175.

No dia 17, às 10:50 h da manhã é a vez do navio Itagiba ser torpedeado quando transportava 179 pessoas a bordo (60 tripulantes e 119 passageiros). O Itagiba partira de Vitória com destino a Recife e levava o restante da guarnição do 7º Grupo de Artilharia de Dorso. Morreram 9 tripulantes e 30 passageiros. Às 13:10 h o U-507, afunda o mercante Arará, quando este acabava de recolher dezoito náufragos do Itagiba. Com o Arará desapareceram 20 pessoas. Sobre o recém criado 7º Grupo de Artilharia de Dorso destinado a defesa da costa nordeste e que praticamente foi dizimado com o afundamento do Baependy, citemos as palavras do Ministro da Guerra, General Dutra:

“A primeira consequência desastrosa da campanha submarina foi perdermos a liberdade de navegação, numa época em que ainda estávamos equipando e reforçando as guarnições do Nordeste, forçando-nos, assim, a apelar para a rota do Rio São Francisco…” 13

13 – LEITE, Mauro Renault e JÚNIOR, Novelli. Marechal Eurico Gaspar Dutra: O Dever da Verdade . Editora Nova Fronteira, 1983, p.510.

Diga-se de passagem, que os alemães sabiam que o governo brasileiro vinha ocupando militarmente a região Nordeste, principalmente sob a exigência dos Estados Unidos. De modo, que afirmamos em dizer que o U-507 com a ajuda da Quinta Coluna, procurou atingir os navios que na ocasião, transportava efetivos militares para o porto de Recife. Esses navios eram o Baependy e o Itagiba.

Os torpedeamentos foram desfechados com desumanidade, desprezando o Direito das Gentes. O Baependy, o Araraquara e o Aníbal Benévolo, receberam dois torpedos, um em cima do outro. Esses ataques noturnos foram feitos em um mar agitado e em inteira escuridão. Em suma, morreram, no afundamento dos cinco navios, 652 brasileiros, entre os quais se achavam mulheres e crianças. E que reação provocaram no Brasil esse verdadeiro massacre de civis inocentes, perpetrados sem declaração de guerra? A escalada da destruição dos cinco navios e da matança de passageiros e tripulantes exasperou o governo e a opinião pública, ou seja, a indignação foi geral. Tanto o governo quanto a opinião pública brasileira consideravam indispensável uma reação, já que, além das vítimas humanas e materiais, estava em jogo a honra nacional.

Mas é preciso que se diga que o Brasil vivia em um ambiente de extremo perigo para a sua Marinha Mercante, mesma a de cabotagem, ou seja, aquela que fazia serviços de transporte ao longo e perto da costa brasileira. Isso encontra-se evidenciado pelo fato de que a navegação desses cinco navios mercantes de cabotagem realizava-se, obedecendo, rigorosamente as instruções baixadas pelo Estado Maior da Armada, nas quais se recomendava navegar bem próximo da costa e, à noite, com as luzes dos camarotes e salões apagadas, conservando aceso, o que os marítimos chamam faróis de navegação. Prova disto é o tempo, relativamente curto em que os náufragos sobreviventes lograram alcançar a terra. Os do Baependy, tendo começado a lutar com as ondas às 8 h da noite, alcançaram a costa ao clarear do dia. O Aníbal Benévolo achava-se a sete milhas da costa, e do Itagiba e do Arará se podia distinguir a praia.

O ataque aos navios de cabotagem colocou as autoridades em alerta quanto a vulnerabilidade da capital federal, o Rio de Janeiro, a um ataque vindo do mar. Aliás o que já tinha sido proposto pelos alemães no mês de maio. O assunto foi estudado, concluindo o Conselho de Segurança Nacional sobre a conveniência da remoção provisória da sede do Governo Federal. Entretanto, o Ministro da Marinha, consultado, respondeu negativamente quanto à proposta da mudança da capital para Belo Horizonte. As atrocidades fizeram com que o vice-almirante norte-americano Jonas H. Hingram incrementasse a campanha anti-submarina contra os submarinos na costa brasileira.

E a destruição dos navios, faz com que o gabinete do governo de Getúlio Vargas se reúna e decide reconhecer a existência de um estado de beligerância com a Alemanha e Itália. Tal tomada de posição havia sido precedida, na véspera, de correspondência expedida pelo Itamaraty a Berlim e a Roma, em que o Brasil declara que, em virtude dos múltiplos ataques sofridos pelos navios mercantes e de passageiros brasileiros, existe: “Uma situação de beligerância, que somos forçados a reconhecer na defesa da nossa dignidade, da nossa soberania e da nossa segurança e a da América.” 14

14 – SEITENFUS, Ricardo. O Brasil vai à Guerra . op. cit. p.299.

A 31 de agosto, a beligerância se transforma em estado de guerra. Qual a reação dos Estados Unidos diante da reação brasileira? Satisfação em Washington e Roosevelt, em mensagem enviada a Vargas, promete que os Estados Unidos fornecerão ao Brasil auxílio moral e material.

Os afundamentos provocaram manifestações em todo o Brasil. Em Vitória, grande multidão desfilou com retratos de Vargas, e o povo depredou um bar alemão e a agência da Bayer. Em Florianópolis, os móveis de algumas residências de alemães foram destruídos, e os seus proprietários obrigados a dar vivas ao Brasil, ao mesmo tempo que o consulado norte-americano era aclamado. Em Pernambuco, as demonstrações começaram no dia de 18 de forma ordeira, mas aos poucos a manifestação foi mudando de caráter, e grupos de estudantes e de empregados passaram a assaltar os escritórios de firmas alemãs, arrancando cartazes e levando objetos metálicos para o depósito da Campanha do Metal para a Marinha do Brasil.

No Rio de Janeiro, uma multidão se reuniu, no dia 18 de agosto, em frente aos portões do Palácio Guanabara, aos gritos de guerra e de vingança. Getúlio Vargas, que desde o dia 1º de maio não aparecia em público, falou para os manifestantes. No seu tom habitual de severidade, o ditador-presidente elogiou os sentimentos do povo ali presente, mas disse que os navios dos países agressores que estivessem em portos brasileiros seriam confiscados, e que os fundos pertencentes aos súditos do Eixo responderiam também pelos prejuízos sofridos. Disse que os espiões que tinham informado sobre o movimento dos navios torpedeados, e todos os que tinham trabalhado contra os interesses do país, seriam condenados a abrir estradas no interior, com pá e picareta.

Também no Rio grandes passeatas e comícios aconteceram por todo o lugar. O povo compareceu em frente ao Palácio da Guerra, em aclamação ao Exército.

A declaração de guerra fez com que a ira do povo se transformasse na sóbria contemplação do que o futuro prometia. A posição de Vargas se solidificou e houve desfiles sindicais em sua honra.

Finalmente, o trecho abaixo reproduzido do livro de memórias do alemão Karl Doentiz, chefe da Força de Submarinos da Alemanha nazista, se nos mostra vários equívocos, também nos traz dados esclarecedores:

“Finalmente, havia a possibilidade de operações ao largo da costa do Brasil. Nossas relações políticas com aquele país vinham há já algum tempo cada vez mais se deteriorando e as ordens emitidas pelo Alto Comando Naval referentes à nossa atitude para com a navegação brasileira se agravaram em correspondência.

Em 27 de janeiro de 1942, como resultado do estado de guerra quase existia entre os Estados Unidos e nós, o Brasil rompeu conosco relações diplomáticas. Até esta data nenhum navio brasileiro havia sido afundado por submarino alemão.

Mesmo quando a zona de segurança norte-americana havia sido declarada como teatro de operações, em 9 de dezembro de 1941, os U-boats continuaram a evitar a zona Pan-Americana do Atlântico Sul da latitude 20º. Depois que o Brasil rompeu relações diplomáticas, seus navios continuaram a ser tratados da mesma maneira que os de todos os outros Estados neutros, desde que fossem reconhecidos e agissem como neutros, de acordo com a convenção internacional.

No entanto, entre fevereiro e abril de 1942, os U-boats torpedearam e afundaram sete navios brasileiros, com todo o direito de fazê-lo de acordo com o estabelecido na Convenção de Praças de Guerra (Prize Ordinance), desde que os capitães dos U-boats não puderam reconhecer suas identidades de neutros. Estavam navegando sem luzes em curso de zigue-zague, alguns deles armados e alguns pintados de cinza e nenhum deles ostentava uma bandeira ou signo de sua identidade de neutro.

Depois disso mais e mais navios brasileiros montaram canhões até que toda a sua marinha mercante estava armada. Em conseqüência, o Alto Comando Naval emitiu ordens, em 16 de maio, de que os navios de todos os estados sul-americanos que estivessem armados podiam se atacados sem aviso, exceto os da Argentina e Chile.

No fim de maio, o Ministro da Aeronáutica brasileiro anunciou que um avião brasileiro tinha atacado submarinos do Eixo e que continuaria a fazê-lo.

Sem nenhuma declaração formal, achamo-nos assim num estado de guerra com o Brasil, e a 4 de julho os U-boats receberam permissão dos nossos líderes políticos da atacarem todos os navios brasileiros.

Na primeira semana de julho, quando estávamos planejando as próximas operações dilatadas de U-boats, perguntei ao Ministro do Exterior se haveria alguma objeção às planejadas operações ao largo do estuário do Rio da Prata, área de reunião para os navios-frigoríficos que eram tão importantes no suprimento de carne da Inglaterra. Sem considerar a opinião da Argentina, o Ministro do Exterior negou permissão para qualquer operação ao largo das costas daquele país, mas não fez objeção à continuação de nossas atividades ao largo do Brasil, que haviam sido permitidas em maio e que estavam em progresso desde então. Decidi portanto mandar, em associação com as operações contra o tráfego de navios Norte-Sul ao largo de Freetown, mais um barco para a costa brasileira.

Do outro lado do estreito entre a África e a América do Sul, o U-507 (Tenente-Comandante Schacht) estava operando. Ali, fora das águas territoriais, ele afundou cinco navios brasileiros. Nisso ele agia de acordo com as instruções expedidas, com a cooperação do Ministro do Exterior, pelo Quartel-General das Forças Armadas. O Governo brasileiro tomou o afundamento destes navios como ocasião para declarar guerra à Alemanha.

Embora isto não tivesse em nada alterado nossas relações existentes com o Brasil, que já havia tomado parte em atos hostis contra nós, foi sem dúvida um erro levar o Brasil a uma declaração oficial; politicamente deveríamos ter sido melhor aconselhados para evitar tal fato.O U-boat Command, porém, e o capitão do U-boat envolvido, como membros das Forças Armadas, não tinham senão que obedecer as ordens que lhe haviam sido dadas; não competia a eles pesar e calcular as conseqüências políticas…” 15

15 – LEITE, Mauro Renault e JÚNIOR, Novelli Marechal Eurico Gaspar Dutra: O Dever da Verdade . op. cit. pp. 511, 512.

É necessário que se façam algumas correções ao que informa Karl Doentiz. Bem sabia o comandante Doentiz, que os três primeiros navios brasileiros torpedeados agiam como neutros, de acordo com a convenção internacional. Os navios só começaram a navegar às escuras, depois do sumiço do Cabedelo e só começaram a receber artilharia depois que o Cairú foi afundado, o qual veio gerar a morte de 52 pessoas. Outro equívoco de Doentiz, o U- 507

afundou os cinco navios brasileiros em águas territoriais, pois eles eram navios de cabotagem e não de longo curso, como se tratava dos treze que foram atacados antes do dia 15 de agosto de 1942.

Conclusão

Após o ataque japonês a Pearl Harbor no final do ano de 1941, o Brasil fez uma opção decididamente pró-americana e em 8 de dezembro, Getúlio Vargas envia a Roosevelt um telegrama onde declara que depois que ele convocou os membros de seu governo, decidiu-se pôr unanimidade de que Brasil se declarasse solidário com os Estados Unidos. Isso iria custar caro ao Brasil, pois se decidiu em não conservar uma neutralidade absoluta.

O afundamento de cinco navios nacionais causou um trauma profundo na alma dos brasileiros.

Mas o que questionamos no presente trabalho é o fato de que as vítimas do U-507 poderiam ter sido poupadas se o governo tomasse medidas efetivas de segurança para a sua navegação de cabotagem. Vivíamos em um ambiente de pré-guerra. Era mais do que esperado que o Eixo iria retaliar com severidade depois que aviões da FAB atacaram submarinos italianos ao largo da costa brasileira.

A declaração de guerra à Alemanha e à Itália foi inevitável. Era o resultado direto de uma escalada que ia de represália em represália, e quem pagou caro com isso foram as centenas de vítimas do U-507.

Em maio de 1942, o Ministro da Aeronáutica, Salgado Filho, tinha anunciado com exagerado entusiasmo e orgulho, que seus aviões tinham atacado submarinos do Eixo. A FAB fazia uma represália em resposta ao ataque efetuado ao mercante de longo curso Comandante Lira. O aviador da FAB, Deoclécio Lima de Siqueira em seu livro, defende o ato precipitado tomado pelo seu Ministro da Aeronáutica.

Aqui é preciso fazer algumas ressalvas: contrariamente ao que escreveu o aviador Deoclécio de Lima Siqueira, foi justamente a ação de represália da FAB ao atacar os submarinos do Eixo ao largo do nordeste, sem uma declaração formal de guerra, que veio causar um “alegre massacre” na costa brasileira em agosto de 1942, ou seja, só se começou a viver às vésperas de uma investida mais séria contra nossas costas, depois que os brasileiros exultaram com os feitos dos aviões da FAB. E repetindo quem pagou com o gesto precipitado do Ministro da Aeronáutica e de seus homens, foram os tripulantes e passageiros dos cinco navios torpedeados pelo U-507.

Portanto, o presente trabalho, pretende contribuir para que se entenda de forma mais realista, as verdadeiras circunstâncias que levaram o Brasil ao segundo conflito mundial. Também se objetiva, desmistificar o boato de que foi a Marinha dos Estados Unidos a responsável pelos afundamentos. Os defensores dessa versão que surgiu ao término da guerra apresentam como explicação o fato de que os Estados Unidos queriam levar o Brasil a declarar guerra aos países do Eixo, tornando este responsável, aos olhos da opinião pública, por crimes que não tinham cometido.

A precariedade dessa versão decorre pelo menos em seis razões principais: não pode ser apresentada qualquer prova dessa afirmação; os Estados Unidos estão muito ocupados militarmente durante o primeiro semestre de 1942, para ainda terem o objetivo de afundar navios das nações amigas; os navios que são destruídos transportam sobretudos produtos estratégicos e mercadorias destinados aos esforços de guerra norte-americano, que lutava em 23 frentes; uma declaração formal de guerra por parte do Brasil ao Eixo teria, durante o primeiro semestre de 1942, um alcance apenas formal, pois, depois dos acordos brasileiros e americanos do início de março e da concessão de bases militares do Nordeste às Forças Armadas norte-americanas, o Brasil se encontra efetivamente ao lado dos Estados Unidos; vários sobreviventes dos navios brasileiros reconheceram que os atacantes eram submarinos alemães; e por fim, são os próprios alemães, na figura do chefe da Força de Submarinos, o Almirante Karl Doentiz que admite ter sido o Eixo, o autor de todos os ataques.

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José Goes de Araújo

formação em engenharia civil e química. Professor aposentado dos Cursos de Aperfeiçoamento de Engenheiros da Petrobrás e da Escola Politécnica – UFBA. Foi chefe de Obras da SEGEN / Petrobrás e é membro do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia – IGHB, desde 1983, sendo vice-presidente na gestão 2001 a 2003.

É autor de vários livros como:

– Da Velha Cidade da Bahia – História e Estórias
– Catálogo de Naufrágios e Afundamentos
– Aventureiros e Piratas na Costa Brasileira (no prelo)
– Naufrágios e Afundamentos – (no prelo) Inclui catálogo em ordem alfabética, noções de arqueologia subaquática e colaboração de mergulhadores de renome em fotos e esquema de diversos naufrágios.