Tahiti – Um paraíso distante

“Eu sempre sonhei em conhecer o Tahiti. As imagens daquelas águas cristalinas, as praias paradisíacas e a certeza de bons mergulhos sempre me fascinaram. Esse sonho começou a se tornar realidade quando me casei e descobri que o sonho de minha esposa também era conhecer a Polinésia Francesa. Fizemos então o nosso planejamento, em agosto de 2003, com o objetivo de fazer a viagem em janeiro de 2005.

Em setembro de 2004 decidimos fechar o pacote com alguma operadora, pois como a região nos era totalmente desconhecida, bem como a língua (francês), achamos melhor ter o suporte de uma empresa que nos desse toda a tranquilidade, afinal de contas, estaríamos de férias e a última coisa que eu queria era ter qualquer tipo de contratempo.

Começamos a montar um pacote que atendesse a todas as nossas expectativas, que não eram poucas. De início optamos por conhecer Papeete e mais 3 ilhas da região, mas como o preço do pacote estava muito além das cotações que havíamos feito em 2003, acabamos fechando um pacote um pouco mais modesto, conhecendo apenas duas ilhas além de Papeete. Aí valeu o conhecimento do Amilton que nos indicou as ilhas de Moorea e Manihi, esta última um verdadeiro paraíso natural. A viagem é bastante longa, mas vale muito à pena. Perde-se praticamente um dia de viagem na ida e outro na volta, mas tivemos a oportunidade de conhecer a Ilha de Páscoa e também Santiago, no Chile, duas das escalas que tivemos que encarar.

Eu e a Cris decidimos escrever um diário com os melhores momentos da nossa viagem, com o objetivo de guardá-lo juntamente com as quase mil fotos que tiramos (a grande maioria digitais).

1º dia

Difícil disfarçar a ansiedade pela viagem, principalmente quando você não dorme a noite toda e chega ao balcão de check-in da companhia  aérea mesmo antes dos agentes de viagem… e lá estávamos nós às 06:55 do dia 19 de janeiro de 2005, na fila da Lan aguardando a abertura do nosso vôo. Mal sabíamos que a partir daquele momento teríamos de enfrentar longas horas de viagem até Papeete, no Tahiti, nosso destino final.

O primeiro trecho até Santiago, no Chile, foi tranquilo, praticamente 4 horas de vôo. Dureza foi aguardar outras 5 horas até pegarmos nosso vôo de conexão para Papeete. Aproveitamos para almoçar, ver as lojas do aeroporto e navegar na internet.

Partindo de Santiago, para  chegar à nossa primeira e única escala, na Ilha de Páscoa,  foram pouco mais de 5 horas de vôo, com direito a uma descida na ilha para esticar um  pouco as pernas e ver mais lojinhas. Tentamos comprar alguns postais com fotos dos “moais”, aquelas cabeçonas famosas que tem na ilha, mas como não tínhamos nenhum dinheiro trocado não tínhamos como pagar, já que ninguém tinha troco nem para 5 dólares. E os caras não quiseram aceitar as moedas de dólar que tínhamos… azar deles. Mas mesmo assim valeu a descida.

Voltamos pro avião pra encarar mais 5 horas até Papeete. E o mais engraçado é que devido ao fuso horário, a hora local na nossa chegada marcava exatamente 23:00… do mesmo dia 09/Jan !!!

Nossa recepção no aeroporto teve direito a colares de flores e um conjunto tocando música típica. Muito interessante.

O traslado até o hotel em que passaríamos a noite foi tranquilo, e ainda tivemos tempo  de sair para pagar o primeiro mico da viagem. Não conseguimos achar nenhum lugar pra comer. O único lugar aberto era uma van que vendia comida chinesa. Sem condições… tá certo que a gente estava a fim de conhecer novas culturas, mas que não fossem de bactérias !!!

De volta ao hotel, uma “visita” às máquinas de refrigerante e salgadinhos, um merecido banho e cama. Nossa primeira noite no Tahiti. Com cheirinho de mofo.

2º dia

Acordamos cedo para tomar café, arrumar nossas coisas e trocar alguns dólares pela moeda local, francos franceses do pacífico. No café da manhã tinha um tipo de melancia amarela. E todos os pratos já estavam montados, tipo fast food.

No banco tivemos uma surpresa pra lá de desagradável. Parte dos nossos dólares havia desaparecido. Até a noite anterior tínhamos a certeza de que estava tudo lá, certinho !!! Mas e agora, cadê ? Não conseguimos descobrir onde o dinheiro poderia ter ido parar, ou onde poderia ter sido roubado da gente. Bom, desencanamos porque tínhamos que voltar rápido ao hotel pois o nosso transfer viria nos buscar para fazer o trajeto Papeete / Moorea via ferry boat.

Chegando ao porto, pegamos as passagens e embarcamos. A balsa é enorme, rápida e confortável. Em 30 minutos estávamos em Moorea, onde já havia uma van nos aguardando. Paramos ainda no pequeno aeroporto de Moorea para apanhar mais algumas pessoas e seguimos para o hotel. Na van conhecemos um casal de americanos. Demos boas risadas com o homem, que fazia muitas perguntas pra todo mundo, e no final disse que “a vida para os americanos começa quando os filhos saem de casa e o cachorro morre”. E ele estava aproveitando mesmo, porque a lista de lugares de onde ele havia acabado de chegar era impressionante.

No caminho, uma parada no mirante, no alto da ilha, com vista para o resort Sofitel. Era a visão do paraíso. Sempre imaginamos as belezas do Tahiti, mas vê-las ao vivo ali na nossa frente foi simplesmente deslumbrante. As cores do mar e a visão dos bangalôs são imagens únicas que ficarão guardadas para sempre na nossa memória.

Ao chegarmos ao Moorea Pearl Resort, nosso hotel, fomos recepcionados com colares de flores, toalhas geladas e suco de abacaxi. Fizemos o check-in e fomos conduzidos ao nosso bangalô. No nosso quarto, muitas flores, uma mesa de centro sobre um piso envidraçado, banheira, e uma grande sacada com fundo para o mar verde claro / verde escuro / azul, dependendo da distância. Tudo decorado com muito bom gosto. Simplesmente perfeito.

Mal arrumamos nossas coisas e saímos para fazer o primeiro snorkeling no nosso “quintal”. Do fundo de vidro do quarto já dava pra ver muitos peixes coloridos e no nosso passeio de reconhecimento não foi diferente, muita vida mesmo, tudo com muita cor. Voltamos pela praia e demos um mergulho na piscina pra relaxar. O visual é magnífico. Depois resolvemos atravessar o “canal” que havia atrás dos recifes de corais ao lado dos bangalôs. Passamos tranquilamente e do outro lado encontramos uma água cristalina e uma profundidade de aproximadamente 2 metros, com muita vida também.

Voltamos ao nosso quarto e fomos almoçar no restaurante do hotel. Depois ficamos tomando sol na piscina e curtindo o visual. Aproveitamos também para marcar os mergulhos dos dias seguintes. Quando cansamos do sol, fomos para a varanda do bangalô “descansar” um pouco lendo um bom livro. Depois tomamos banho e fomos jantar no restaurante.

Graças ao meu “conhecimento” de francês, acabei pagando mais dois micos nesse dia. Pedi uma entrada horrorosa (uma sopa fria de brócolis com caviar de salmão) e um prato principal esquisito (trouxinhas de lagosta com um tempero também esquisito). Nouvelle Cousine, nunca mais !!! Depois disso, fomos dormir, já que o fuso horário estava batendo forte e nós queríamos aproveitar muito o dia seguinte.

3º dia

Acordamos cedo para o café, delicioso e muito variado. Às 07:45 pontualmente estávamos no Dive Center. Após checar os equipamentos partimos para o mergulho. Os mergulhos em Moorea são feitos do lado de fora dos recifes, ou seja, no “azul”. Em lancha rápida, não deu nem 20 minutos de navegação e já estávamos poitando. Aliás, em todos os pontos de mergulho em que estivemos no Tahiti não se costuma largar ferro, sempre tem uma poita para ancorar.

Ao parar o barco já deu para ver um tuba galha preta rondando e nos dando boas vindas. O primeiro ponto escolhido foi Eden Park. Nossa expectativa era grande, pois havia a possibilidade de encontrarmos tubarões-limão, grandes animais de 3 metros de comprimento e bem maiores que os galhas-preta, que tinham em média pouco mais de um metro e meio.

Descemos em meio a um cardume de peixes coloridos e, seguindo a orientação do instrutor, nadamos rente aos corais para não espantar os tubas. Logo surgiu o primeiro tubarão, enorme, com duas rêmoras o acompanhando. Em seguida outro, e mais outro. Passavam muito perto, olhando pra gente. Vimos também trombetas amarelos, garoupas pintadas e muitos outros peixes coloridos, com destaque para os peixes-palhaço nas suas “casas” de anêmonas “Malu”. Aliás, se fôssemos fazer uma prancheta com os peixes que tem por lá, como aquela do Mindú com os peixes da Laje, teríamos que fazer várias páginas… Vimos também uma grande tartaruga de pente. Após 55 min de mergulho voltamos ao cabo para fazer nossa parada de segurança. Nesse primeiro mergulho acabei esquecendo minha câmera no barco… imaginava se teria a chance de ver novamente aqueles bichões.

Voltamos para dentro da lagoa de recifes para fazer nosso intervalo de superfície e trocar os cilindros. Na lagoa o mar é totalmente parado, diferentemente da área externa, onde dá até pra surfar nas ondas formadas pelo forte vento que está sempre soprando, aliviando um pouco o calor do sol.

Nosso segundo mergulho foi em Oponuhu´s Roses, um local onde as formações de corais assemelham-se a grandes rosas abertas quando vistos de cima. Felizmente, nesse mergulho tivemos novos encontros com os tubas limão (devidamente fotografados desta vez). Vimos também uma grande raia chita e uma enorme tartaruga de pente que nos deu um “show” passando pertinho de todos. Na parada de segurança, assim como no outro mergulho, vários tubas galha preta nos rodeavam, curiosos. Cheguei a contar sete de uma vez, enquanto um cardume de rainbow jackfish também nos rodeava. Este peixe também é muito grande, mas inofensivo.

Voltamos ao hotel ansiosos para agendar mais mergulhos para o dia seguinte… Aproveitamos também para agendar passeios para o dia seguinte e também uma saída para alimentar as raias prego (sting rays, como são chamadas por lá), à tarde. Almoçamos e partimos para o hotel Hybiscus, de onde o barco saía, mas infelizmente caiu uma tempestade tropical, muito comum por lá, que acabou agitando muito o mar, prejudicando a visibilidade e a segurança da operação, que teve de ser abortada. Sendo assim, voltamos para o hotel e aproveitamos para descansar um pouco. Depois saímos com chuva mesmo para mais um snorkeling e ao atravessar o canal demos de cara com uma grande raia chita… compensou o nosso passeio frustrado e também o esforço para atravessar o canal com o mar um pouco agitado. Um grande cangulo e um linguado, além dos peixes picasso e muitos outros peixes coloridos completaram nosso mergulho. Na volta, aproveitamos para resgatar algumas toalhas e colchas que voaram dos bangalôs para a água.

Banho de piscina com direito a arco-íris, um banho relaxante na banheira e uma soneca antes do jantar, onde desta vez quem pagou mico foi a Cris, com uma “sopa” de ravioli que se chamava “Nice Shrimp Ravioli in White Wine”. Traduzindo: 5 raviolezinhos sem-vergonhas, boiando em vinho branco e um garfo pra pescá-los. E praticamente nada de camarão. Após o jantar aproveitamos para mandar mensagens via internet para nossos pais e amigos e também para a Dive-Net antes de nos recolhermos para um merecido descanso.

4º dia

Acordamos cedo para mais um dia de mergulho. Neste dia haveria apenas um mergulho, infelizmente. No Dive Center o instrutor fez o briefing informando que ele iria alimentar os tubarões-limão. Fomos para Lemon Shark Valley, um lugar maravilhoso cujo nome já diz tudo. Ao parar o barco fomos novamente rodeados por tubarões galha preta.

Caímos na água e descemos. O instrutor levava consigo um saco com uma grande cabeça de atum dentro, e centenas de peixes o rodeavam, incluindo aí dezenas de tubarões galha preta e pelo menos uns dez tubarões limão. Um verdadeiro frenesi. Ele ficou durante algum tempo desviando os tubas do saco, mas quando ele abriu o mesmo e deixou a cabeça de atum entre os corais, todos os peixes atacaram ao mesmo tempo. Foi quando um enorme tubarão limão, de mais de 3 metros, avançou entre os outros peixes, abocanhou o pedaço todo e se mandou !   Deu pra ouvir o som das dentadas que ele dava. Eta bicho guloso !

Continuamos o mergulho pelos cânions procurando por peixes leão e moréias, mas não os encontramos. Aliás, que coisa curiosa, mergulhar em Moorea e não encontrar a própria… O instrutor ficou brincando com os peixes palhaço, que misteriosamente atacam bolhas de ar. Ele ficou soltando pequenas bolhas com o octopus, e o peixinho corria atrás das bolhas para pegá-las. Também vimos um enorme casal de trigger fish (um tipo de cangulo). Enquanto a fêmea protegia os ovos, no fundo, o macho atacava quem se aproximasse, inclusive um grande tuba limão que foi literalmente expulso por ele. Na volta ao cabo, na parada de segurança, 13 tubas galha preta nos fizeram companhia.

Nesse mergulho tivemos a companhia de um cinegrafista, que filmou todo o mergulho e depois nos apresentou o resultado no Dive Center mesmo. Acabamos comprando o DVD, pelo valor de 6 mil francos (75 doletas), praticamente o valor do mergulho, mas foi impossível não comprar…

Voltamos para o hotel cedo e ficamos tomando sol na piscina. Almoçamos e colocamos nossos tênis para fazer um tour pela ilha. Na verdade o nome do passeio era “safári”, mas não vimos bicho nenhum…

A primeira parada foi numa fábrica de bebidas típicas, onde fizemos uma degustação, provando um pouquinho de cada bebida, na sequência, dá pra sair trançando as pernas, nem todo mundo chega ao final dessa maratona. Mais uma vez estava caindo uma bela tempestade tropical e ficamos lá um tempão vendo as mercadorias e bebendo. A próxima parada foi numa imensa plantação de abacaxis. Aliás, o abacaxi do Tahiti é bem menor e mais doce do que o nosso. Depois, uma parada no centro do “vulcão” que forma a ilha de Moorea, uma das poucas ilhas daqui que tem morros (a grande maioria são apenas atóis, sem nenhuma elevação), de onde dava pra ver todos os picos. Mais adiante, uma parada no Belvedere um mirante muito bonito. Próxima parada, uma fábrica de geléias típicas da região. Outra parada em um campo de batalha dos antigos guerreiros de Moorea, que disputavam no arco e flecha quem atingia a maior distância. Depois, tentamos novamente parar no hotel de onde saía o passeio para alimentação das raias, mas novamente não deu certo, pois a última turma do dia já havia saído. Última parada para visitar uma cachoeira que não tinha água, pois estávamos na época de seca, e voltamos para o hotel.

Como chegamos cedo, aproveitamos para sair à pé até as lojinhas próximas do hotel. No trajeto, pela rua, milhares de tocas de caranguejos, que se escondiam à medida que nos aproximávamos. Eram enormes !  Fizemos algumas comprinhas e voltamos para o hotel para tomar um banho rápido e sair para o jantar.

Nesse dia, havia um buffet típico e um show polinésio, com música e dança típicas, super legal. No meio do show, os dançarinos vieram até as mesas tirar os turistas pra dançar lá no meio. E adivinha quem “dançou” ?  Eu, claro. E a Cris ficou tirando foto de mais esse mico que eu paguei.

Acabamos nossa garrafa de vinho e começamos nossa despedida de Moorea. Fizemos o check-out e fomos dormir pois no dia seguinte cedinho começava uma nova etapa da nossa viagem. Manihi, aqui vamos nós.

5º dia

Acordamos às 5 da matina e o dia já estava clareando. Terminamos de fechar as malas e pontualmente às 5:30hs estávamos a caminho do aeroporto. Logo estávamos voando num bimotor, a apenas 300m de altura, sobrevoando o mar em um vôo de apenas 8 minutos até Papeete novamente. Lá, tivemos que trocar de aeroporto (tem dois, um ao lado do outro) para pegar nosso vôo para Manihi. Aproveitamos para tomar café enquanto aguardávamos a chamada para o embarque.

Aí pagamos mais um mico da viagem, inventamos de comer um tal de Mc Muffin (horroroso) e depois descobrimos que haviam várias outras opções melhores… mas tudo bem. Compramos várias lembrancinhas para o pessoal do Brasil e a Cris ganhou um pingente de ouro típico do Tahiti, já que as pérolas negras são só pra observação mesmo dado o custo elevado que têm (um dos que nós achamos bonito, que tinha 3 pérolas em uma corrente e que não era dos mais caros custava “apenas” dois mil dólares!!!).

Embarcamos para Manihi e durante o vôo aproveitamos para ler mais um pouco do nosso livro, mas sempre espertos com a paisagem da janela, pois a todo o momento estávamos sobrevoando as ilhas da região, que são lindíssimas vistas de cima. A maioria das ilhas do arquipélago Tuamotu, onde estávamos, não tem morros ou picos, são simplesmente atóis em forma de anéis com uma pequena porção de terra plana e uma imensa “lagoa” dentro, protegida pelas barreiras de corais. O sonho da ilha tropical perfeita. Uma das maiores pelas quais passamos foi Rangiroa, o que já nos indicou que o vôo estava chegando ao fim.

Após uma breve escala na ilha de Ahe, chegamos a Manihi. Ficamos surpresos com o tamanho do aeroporto… uma pista de pouso e uma pequena cabana de sapé, sem nenhuma parede, somente o teto para fazer sombra, dois ou três bancos de madeira… e só. A recepção é rapidíssima. Após conferir nossos nomes, o pessoal do hotel solicitou as tickets de bagagem e fomos levados em um carrinho elétrico (aqueles dos campos de golfe) para o hotel, num trajeto que não durou nem 5 minutos. O hotel é ao lado do aeroporto.

Chegando à recepção, a descoberta. O lugar é simplesmente maravilhoso. Apesar do nosso hotel ser da mesma rede do que ficamos em Moorea, este era muito mais bonito, tanto do ponto de vista do hotel quanto do visual. Mais uma vez fomos recepcionados com toalhas geladas, suco de abacaxi e colares de flores.

Fomos para o nosso bangalô e desta vez nossa vista era para a lagoa, e a água era absolutamente transparente. Desta vez havia fundo de vidro na mesa de centro, criados-mudos e pia do banheiro Da sacada do quarto já víamos cardumes de tainhas, peixes borboleta, papagaios, trombetas.

Largamos tudo no quarto e caímos na água pra fazer o nosso primeiro snorkeling. Bem embaixo do bangalô já demos de cara com um enorme trigger fish. Era impressionante, todos os peixes que vimos nos mergulhos em Moorea podiam ser vistos ali mesmo, no quintal de casa, incluindo aí dois tubarões galha preta que passaram por nós, um pouco pra frente do bangalô, onde a profundidade era um pouco maior.

A qualquer hora que olhássemos para a água, da nossa sacada ou do píer próximo ao quarto, podíamos ver um peixe papagaio, verde azulado. Acabamos apelidando-o de Toby, como se fosse nosso bichinho de estimação. Acabou sendo o nosso “labrador”, ao lado do nosso “pit bull” trigger fish.

De volta ao quarto, fomos para a piscina relaxar um pouco, e logo voltamos pra água para outra sessão de snorkeling, não dava vontade de ficar no seco. Fomos caminhar na praia, andamos até o final do hotel, uma paisagem paradisíaca, tiramos um monte de fotos e a Cris acabou perdendo o filtro da lente… felizmente retornamos ao local após o almoço e conseguimos encontrá-lo. Também, neste hotel não havia quase ninguém, o que tornava o cenário ainda mais bonito e exclusivo. Almoçamos, jogamos mini-golfe e fomos andar de bicicleta, numa estradinha que tem à beira da praia, passando pelo “aeroporto”.

Na volta do passeio, aproveitamos para agendar os nossos mergulhos em Manihi, e foi a primeira vez que alguém nos perguntou “o que vocês querem ver?” em uma operação de mergulho… claro que pedimos para ver arraias manta, e o instrutor disse que com certeza iríamos vê-las. Saímos do dive center mais que animados !

Havíamos visto tanta vida sob o bangalô que achamos que um snorkeling noturno seria uma sensação. Mas para nossa decepção infelizmente não havia quase nenhum movimento durante a noite, nenhum caranguejo, lagosta, lula, ou outra criatura da noite que comumente vemos em terra brasilis. A exceção foi um grande baiacu arara, caçando junto às pedras. Nosso mergulho acabou de uma forma bem chata, acabei batendo no coral e ganhei um grande corte na mão que sangrava muito. Saímos correndo da água e fizemos um curativo com ponto falso, com micropore. Felizmente funcionou, pois a última coisa que eu podia querer naquele momento era ter que ir para o hospital (se é que havia algum na ilha).

Fomos jantar e, assim como a paisagem, a comida neste hotel também era bem melhor que a de Moorea. Uma omelete deliciosa de entrada, e desta vez quem pagou mico foi a Cris, pedindo um macarrão chinês que ela imaginava ser um tipo de Yakissoba mas que na verdade era um macarrão fino bem sequinho… mas que pelo menos estava gostoso. Voltamos para o quarto e fomos dormir.

6º dia

Acordamos cedo e fomos tomar café ansiosos pelo nosso primeiro mergulho em Manihi. Aliás, mergulho exclusivo, só nós dois e o instrutor no barco. Fomos para um ponto chamado The Circus, onde, segundo o instrutor, a paisagem e a visibilidade não eram das melhores mas na véspera haviam sido avistadas 3 raias.

Caímos na água e realmente o local tinha visibilidade reduzida (“apenas” uns 15 metros) e de cara já deu pra ver 2 raias mantas juntas. Seguimos uma delas, à distância. Mais um pouco e surge outra raia, esta logo se afastou. Vimos uma terceira na sequência e ficamos nadando com ela por alguns minutos. Vimos também duas moréias verdes, uma pequena e uma muito grande.

Em um determinado ponto, um amontoado de peixes brigando por algo e, chegando perto, haviam pelo menos 12 grandes garoupas pintadas disputando as ovas abandonadas de um trigger fish. Vimos também uma espécie de alga que forma uma bola de ar parecida um uma perola. Também deu pra ver um tubarão galha branca rondando a gente. E pra fechar o mergulho com chave de ouro, outra enorme raia manta, com a qual ficamos nadando um tempão. Este local é um conhecido ponto onde as raias vêm para as “estações de limpeza”, locais onde pequenos peixes aguardam que peixes maiores encostem para que sejam limpos de parasitas. Deu inclusive para ver os peixinhos “trabalhando”.

Na parada de segurança, o instrutor escreveu na prancheta: “Jacuzzi Time”. Na hora não entendi o que ele queria dizer, mas ele então pegou o octopus e colocou na perna da Cris, sob a roupa de neoprene, e soltou um monte de ar, muito engraçado!!! Saímos da água em êxtase e voltamos para o píer do hotel.

Enquanto aguardávamos o segundo mergulho, aproveitamos para ficar na piscina fazendo o nosso intervalo de superfície. Vantagens de se ter pontos de mergulhos a 15 minutos do píer… Saímos novamente com o barco e fomos para o segundo mergulho, em um local totalmente diferente do primeiro, chamado “The Break”, muito bonito, com fundo de corais, uma fenda grande neles (daí o nome) e um grande “abismo” despencando para o azul. Aliás, azul não, roxo !!! O instrutor levou uma caixa com grade, com cabeças de atum dentro para atrair os tubarões cinza. Soltou a caixa na água e nos equipamos para descer.

Quando chegamos ao fundo já haviam pelo menos 30 tubarões rodeando a caixa. Fomos para fora da corrente para não sermos confundidos com a comida e ficamos observando os tubas. De repente, aconteceu um imprevisto: os tubarões conseguiram arrebentar a caixa e aí começou um frenesi alimentar impressionante. A coisa ficou feia !!!   Felizmente estávamos a uma distância segura.

Continuamos o mergulho e encontramos 3 peixes-leão, que são muito venenosos, mas felizmente não ficam se movimentando durante o dia e ficam entocados nas pedras, propiciando ótimas fotos. Também vimos um coral negro e uma grande barracuda. Este ponto era realmente muito bonito, nem dava vontade de ir embora, mas como não dá pra ficar lá embaixo sem ar subimos após quase 1 hora de mergulho.

No hotel, almoçamos um peixe delicioso e conhecemos outro casal de americanos muito bacana. Às 13hs saímos para fazer snorkel na “passagem” entre o atol e o azul, muito próximo ao local onde fizemos o segundo mergulho da manhã, mesmo assim valeu muito apena, e eu ainda consegui clicar um tuba galha branca, vimos 2 deles e ainda 4 galhas preta. Nada mal para um snorkeling.

Voltamos ao hotel e ficamos na piscina lendo e conversando e depois fomos para o quarto dar comida para os peixinhos e tirar uma boa soneca antes do jantar, acompanhados dos americanos. Depois uma esticadinha no bar e fomos dormir ansiosos pelo passeio do dia seguinte, um piquenique em uma ilha deserta.

7º dia

Como não tínhamos mergulho programado para a manhã, acordamos um pouco mais tarde, tomamos café e caprichamos no protetor solar, já que iríamos ficar o dia todo ao ar livre.

Saímos de barco para fazer um piquenique em Motu, que na língua local significa “ilha deserta”. No meio do caminho, paramos para pescar o nosso almoço. Isso mesmo, sem peixes não tem comida. A pesca é feita usando apenas linhada com um anzol e uma pedra, na mão mesmo. De cara, peguei 3 garoupas e garanti o nosso almoço. Uma garota no barco fisgou um tubarão galha preta pequeno, foi um susto quando ele surgiu na superfície, felizmente ele arrebentou a linha e se mandou. Eu também tomei uma puxada de algum peixe muito grande, provavelmente um tubarão também, mas a linha arrebentou antes de sabermos do que se tratava.

Depois da pescaria, rumamos para a ilha. Se a gente já tinha achado que o hotel era o paraíso, o que dizer daquela praia? Foi só encostarmos o barco e fomos cercados por rêmoras e tubarões galha preta, muitos deles, e muitos filhotes também. Desembarcamos e saímos para explorar a ilha, por terra e pela água. A areia, branquinha, tem muitos cacos de conchas e corais, mas é limpíssima, assim como a água, cristalina. A profundidade era muito pequena junto à ilha, próximo aos corais, em alguns pontos tínhamos que andar à pé mesmo. Muitos tubas durante o snorkeling, e também muitos peixes coloridos.

Enquanto passeávamos, o capitão do barco acendeu o fogo e assou os peixes. Também foi preparado um peixe polinésio, um prato típico da região, parecido com um sashimi temperado, saladas, frango, etc, tudo regado a vinho geladinho. De sobremesa, coco aberto na hora e frutas fresquinhas.

Depois do almoço, hora de alimentar os tubas e os peixes. Toda a comida que “sobra” vai para eles. Muitos tubas, pequenos e grandes, se aproximam para disputar os pedaços de peixe. É impressionante a quantidade desses animais na praia, com a água rasinha a praia fica coalhada de pequenas nadadeiras dorsais pretas passeando superfície. Dava pra filmar uma bela cena do filme Jaws por ali.

Foi quando o capitão trouxe uma corda, com uma garoupa inteira amarrada na ponta. Jogando a garoupa na água, bem no rasinho, ele pegou um tubarão galha preta, trazendo-o até a areia. Não existe anzol, o bicho vem porque quer tanto o peixe que não larga até que já está muito raso para voltar. Todo mundo tirou foto com ele, inclusive eu, que no princípio não queria porque achei sacanagem com o bichinho… mas depois me animei e “pesquei” o meu, bem maior que o primeiro. Foi bem difícil conseguir dominá-lo para a foto. Mas no final deu tudo certo e o bichão voltou pra água, se mandando rapidinho.

Voltamos para o hotel e nós apenas trocamos de barco, passando para o barco de mergulho e saindo para mais um ponto, chamado Drop Out, bem na saída da passagem entre a lagoa e o azul. Caímos na água e demos de cara com uma grande moréia verde. Os tubarões cinza também deram o ar da graça, e vimos ainda vários peixes leão (a Cris achou 3 de uma vez em uma toca) e também um peixe escorpião. No final do mergulho, outra grande moréia pra fechar com chave de ouro os nossos mergulhos em águas tahitianas.

De volta ao hotel, nos despedimos dos instrutores e fomos tomar um banho e dar um cochilo antes do jantar. Depois, um merecido descanso depois de um dia de tantas atividades. Nossa última noite em Manihi.

8º dia

Acordei de madrugada com o barulho da chuva. Chuva, não, uma verdadeira tempestade tropical que durou… uns dez minutos. O clima aqui é engraçado, as nuvens se agrupam, chove até elas se dissiparem e o sol volta a brilhar. Às vezes você vê isso acontecendo um pouco à frente, no horizonte. Só fui acordar de novo com o sol batendo na nossa cama. Olhei no relógio: 06:18. Impressionante.

Ficamos enrolando na cama até quase 8 horas, e então levantamos para tomar o nosso café. Último dia neste paraíso. Na saída do café fomos perguntar para a garçonete sobre as músicas que tocavam no hotel e recebemos dela um saquinho de pães para dar para os peixes. Deitamos na rede perto da piscina pra curtir um pouco da paisagem.

Voltamos para o quarto e caímos na água com os pães. Foi uma festa. Até o nosso “pit bull” de estimação veio tirar a sua casquinha. A gente praticamente sumia atrás da barreira de peixes. Voltamos para o quarto e ficamos na sacada apreciando um pouco mais aquele mar maravilhoso. Mais tarde fomos nos despedir da piscina do hotel e tomamos nosso último Mai Tai, um drinque típico, que tem suco de laranja, abacaxi, limão, licor de cacau, rum, etc. Retornamos ao quarto para arrumar nossas malas. Como o aeroporto é praticamente dentro do hotel, basta deixar as malas do lado de fora e você só as verá novamente no desembarque em Papeete. Fizemos nosso check-out e ficamos jogando sinuca até a chamada para o embarque.

Na decolagem, uma última olhada para o paraíso visto do céu. Adeus, Manihi !!!

O vôo até Papeete foi tranquilo, mas quando chegamos, surpresa: ninguém para nos receber. Pra ajudar, era domingo e tudo estava fechado, inclusive a loja da agência no aeroporto. Mas a nossa preocupação não tinha fundamento… O vôo chegara dez minutos antes do previsto. No horário combinado, nosso transfer chegou.

Desta vez pudemos ver Papeete à luz do dia. Passava das 6 da tarde quando chegamos ao hotel, o mesmo em que ficamos na ida. Ficaríamos em Papeete apenas até as 23:00, duas antes do nosso embarque para Santiago, e resolvemos sair para dar uma volta e ver a cidade. Temerosos por causa do nosso incidente da ida (o sumiço dos dólares), colocamos todos os objetos de valor dentro das malas para deixá-los trancados na nossa ausência. Fui pegar uma calça lá no fundo da mala e junto com ela veio…. um maço de notas !!! Pouco mais de 600 dólares que eu mesmo havia esquecido escondido no fundo da mala… não dá pra descrever nossa alegria, e também o remorso por termos pensado mal das pessoas do hotel.

Saímos para a rua e apesar de ser domingo havia alguns estabelecimentos funcionando. Paramos em um cyber café e aproveitamos para mandar novamente mensagens para nossas famílias e amigos e também tomamos mais uma Hinano, a cerveja local, que custava a bagatela de 6 dólares a latinha… e não é que ela começava a se tornar um pouco mais saborosa ? Andamos um pouco mais e encontramos um bar muito similar ao nosso falecido Dado Bier, em São Paulo. Uma cervejaria, com fabricação própria. Provamos 2 tipos delas (aceitáveis), e comemos uma espécie de pizza local, bem gostosa. O que chamou nossa atenção no bar foi uma turma reunida, rindo bastante e brindando os canecos, nos fazendo lembrar dos nossos amigos do Brasil. É, estávamos com saudades de todos. Voltamos para o hotel um tanto quanto “alegrinhos”, passando ainda pela feirinha e a praça de alimentação das vans. Caímos na cama do hotel e dormimos.

Fomos acordados pela recepcionista avisando que nosso transfer para o aeroporto estava nos aguardando na recepção. Enfiamos tudo na mala correndo e descemos.

Au revoir, Tahiti.

9º dia

O calor e a fila do aeroporto estavam insuportáveis, mas passamos por eles e logo estávamos no saguão de embarque internacional, depois da minha mochila ter passado por 2 revistas. Reencontramos um casal de brasileiros que havíamos conhecido na ida, e que ficaram seis noites em Bora Bora, e aproveitamos para trocar impressões sobre a viagem. Embarcamos, tomamos o lanche que foi servido e literalmente desmaiamos de sono.

Próxima parada, Ilha de Páscoa novamente. Paradinha rápida de 30 minutos para esticar as canelas depois de pouco mais de 5 horas de vôo, voltamos ao avião para o trecho final de 6 horas até Santiago. Ficamos lendo nosso livro e nos distraindo com os joguinhos e vídeos disponíveis no avião.

Chegando em Santiago, nosso transfer nos aguardava e no trajeto até o hotel o guia foi nos contando curiosidades sobre a cidade e o que fazer na noite que passaríamos lá, dando inclusive dicas de restaurantes, etc. Ele falou sobre um restaurante giratório de onde se pode ver toda a cidade à noite, iluminada.

No hotel, deixamos as coisas no quarto e saímos para passear no centro de Santiago enquanto ainda estava claro. Nesta época, temos luz natural até mais de 21:00. Tiramos muitas fotos dos monumentos e prédios antigos.

Voltamos ao quarto para tomar banho e sair para jantar. Fomos de metrô até a Rua Suécia, um lugar cheio de barzinhos e restaurantes bacanas. Vimos o restaurante giratório, mas decidimos ficar em um dos barzinhos, chamado Bedrock, aquele dos Flinstones, com decoração e cardápio temáticos, muito gostoso, de onde saímos lá pelas 2 da manhã depois de um ótimo jantar.

Apesar do tempo curtinho, aproveitamos muito nossa estada em Santiago. Hora de voltar ao hotel para dar um cochilo, pois às 5 da manhã teríamos o transfer para o aeroporto. Chegando lá, complementamos o rápido café que tomamos no hotel com um delicioso waffle com creme de castanha e sorvete.

Embarcamos plenamente satisfeitos e felizes pelas maravilhosas férias que passamos.

Brasil, aqui vamos nós !!!

Paulo Amorim
Paulo Amorim mergulha desde 1999, é Cave Diver pela NACD, Normoxic Trimix Diver pela IANTD, Tec Deep Diver e Master Scuba Diver pela PADI. Já mergulhou em diversos lugares do Brasil e do mundo, tais como Recife, Guarapari, Fernando de Noronha, Tahiti e Cozumel, além das cavernas de Akumal, Flórida, Curaçao, Bonaire, Bahamas e Bonito. Atualmente é instrutor pela PADI e moderador da lista de discussão Dive-Net.