Tratamento de lesões provocadas por Animais Marinhos

Foto: Clecio Mayrink

Há um conceito geral de que o mar é povoado por centenas de organismos altamente nocivos e danosos ao homem, podendo provocar lesões graves ao mergulhador. Esta teoria é aceita em grande parte, por não haver um esclarecimento maior sobre o que realmente existe no fundo do mar em termos de vida marinha, e das suas relações com os seres humanos.

Veja abaixo alguns tratamentos para lesões em mergulhadores:

Acidente com Arraias

  • Remova a vítima da água imediatamente;
     
  • Lavar o ferimento com soro fisiológico ou água doce;
     
  • Remova os fragmentos provenientes da espícula ou da bainha membranosa;
     
  • Mantenha o ferimento em água quente o quanto suportável por meia hora;
     
  • Injetar novocaína local se necessário;
     
  • Logo que a dor melhorar, cubra o ferimento e eleve o membro afetado;
     
  • Em caso de sutura, não deixe de drenar o ferimento;
     
  • Use soro antitetânico e antibióticos para prevenir uma possível infecção (nesta fase o acidentado deverá estar sob cuidados médicos);
     
  • Esteja atento para sintomas de choque, intervindo prontamente.

 

Moreias / Peixes Venenosos / Serpentes

  • Sensação de mal estar e ansiedade. Em algumas situações, euforia;
     
  • Sensação de língua grossa e cansaço muscular com dor ao movimentar-se;
     
  • Astenia, evoluindo para dificuldade na movimentação. Instalação de paralisia flácida, começando pelos membros inferiores e com propagação ascendente;
     
  • Dificuldades em falar e deglutir, com sensação de ardência na garganta;
     
  • Espasmos musculares e convulsões;
     
  • Dispnéia;
     
  • Perda de consciência;
     
  • Choque.

Tratamento

  • Manter a parte comprometida em repouso, evitando exercício;
     
  • Se a picada for em um membro, aplique um torniquete acima da picada, afrouxando-o de tempos em tempos;
     
  • Transporte a vítima com o mínimo de exercícios para um hospital mais próximo;
     
  • Procure capturar o ser marinho que provocou a lesão;
     
  • É recomendável que se faça uma preparação do paciente com corticorteróides para prevenir uma reação anafilática pela aplicação do soro;
     
  • O soro aplicado deve ser antiofídico polivalente por via endovenosa (20cc ou mais se necessário);
     
  • É importante que o paciente fique em observação para o caso de instalação de um quadro de choque;
     
  • Deve-se estar alerta para: Controle do balanço hidroeletrolítico e distúrbios respiratórios;
     
  • Recomenda-se nestes casos, a sedação do paciente com exceção de morfina.

 

Corais

  • Lave a região atingida com solução de bicarbonato de sódio ou solução fraca de amônia;
     
  • Passe pomadas de corticosteróides ou anti-histamínicos no local;
     
  • Logo que a dor começar a ceder, lave cuidadosamente a lesão com água e sabão para remover todo o material estranho;
     
  • Aplique um curativo antisséptico e cubra com gaze esterilizada.

 

Ouriços do Mar

  • Remova o número máximo de espinhos com uma pinça e lave a região;
     
  • Cubra com gaze esterilizada;
     
  • Trate a infecção secundária se for o caso.

 

Caramujos

Podem produzir isquemia localizada, cianose e sensação de dormência. Normalmente os sintomas evoluem rapidamente, acometendo todo o corpo, sendo mais visíveis nos lábios e boca. Em casos severos, podem apresentar paralisia, dificuldade respiratória, coma e morte causada por falência cardíaca.

O tratamento é semelhante ao de mordida de cobra.

 

Águas Vivas

  • Remova a substância tóxica acima da área lesionada;
     
  • Aplique amônia ou bicarbonato de sódio;
     
  • Reduza a reação local com a utilização de pomadas de corticoesteróides, anti-histamínicos, anestésicos locais;
     
  • Acompanhe com cuidado a reação sistêmica e um possível choque, tomando todas as medidas para enfrentar o problema precocemente;
     
  • Use se necessário, morfina ou outro anestésico para a dor;
     
  • Encaminhe o acidentado a um hospital mais próximo rapidamente.
Clecio Mayrink
Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983, no autônomo em 1986 pela CMAS e Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount. Foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008, idealizador do site Brasil Mergulho em 1998 (MTB 0081769/SP), atuando em diversas matérias e documentários no Brasil e no exterior. Também atuou como consultor para a ONU, UNESCO, além de diversos órgãos públicos no Brasil.