Tubarões Baleia em Holbox

Foto: Wikimedia Commons

“E avisa seu amigo que já começou a temporada dos tubarões-baleia em Holbox.”

Foi com essa frase martelando na cabeça, que embarcamos no final de maio passado, uma semana de mergulhos em Cozumel. Mas, Tubarões-baleia em Cozumel ? Holbox ?

Holbox06Uma aluna, Patrícia Laurel, escreveu para o cunhado que mora em Cancun, pedindo algumas informações para nós, e ele veio com essa história toda. Eu já estivera em Cozumel, e também havia lido várias reportagens sobre os mergulhos por lá. Conhecia bem os detalhes daquele paraíso: drift diving, águas claras e quentes, muita vida marinha, ruínas Maias, Cenotes… mas nunca ninguém citou tubarão-baleia !

Os primeiros dias de mergulho em Cozumel foram um prenúncio, o mar estava extremamente calmo, praticamente sem vento, consequentemente a visibilidade superava os 40 ou 50 metros.

Quando não estavam mergulhando ou tomando Conga e comendo Hamburguesa no restaurante do hotel; o Raul e o Renato tentavam fazer contatos em Holbox, por e-mail e telefone, mas as informações eram desencontradas. Alguns diziam que os tubarões-baleia só apareciam em julho ou agosto, tanto que a operadora estava fechada no mês de maio; outros haviam visto os tubarões no dia anterior – “Pode vir, se não encontrarmos devolvemos o dinheiro…” disse o dono de uma operadora. Uma coisa era certa: Holbox é real, e lá existe tubarões-baleia !

Tratamos de adiantar os mergulhos programados, para tentar liberar pelos menos dois dias antes de voltarmos para o Brasil. Demos sorte, no último dia começou a ventar e a visibilidade caiu para apenas 30 metros, hehehe…

Holbox na língua maia, significa “buraco negro”. É uma pequena ilha localizada no Cabo Catoche, extremo norte da península de Yucatán, onde as águas do golfo do México se encontram com o mar do Caribe. Nesse encontro ocorre o fenômeno da ressurgência (como acontece em Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro), o que promove a troca de águas das profundezas com a superfície, levando nutrientes tanto para os pequenos peixes, como para os gigantes como raias mantas e tubarões-baleia.

O acesso se faz de ferry boat, vinte minutos de travessia, partindo da cidade de Chiquilá. De Cancun a Chiquilá são três horas de carro pela estrada federal. A estrada é bem sinalizada, e passa por vários e pequenos povoados, permitindo um contato interessante com a cultura mexicana.

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Embarcaram na aventura, Raul, Renato Enk, Marcelo Porto, Juan e eu (eles têm mais histórias para contar sobre a estrada, que não é tão sinalizada assim).

A ilha é muito plana, com apenas 42km por 2km de largura, o número de habitantes é bem reduzido, cerca de 1.400 apenas, e dá a impressão que são todos parentes. As ruas são de terra, e o principal meio de transporte são os carrinhos de golf. Tanto os nativos como os turistas circulam com esses simpáticos veículos. Lindas praias de uma areia extremamente branca, muitos pelicanos e muitos pernilongos !   Eles atacam ao amanhecer e ao pôr do sol. Os bichinhos fazem parte do folclore local, com direito a uma vasta oferta de camisetas, algumas agradecendo os “doadores de sangue”. Não esqueça o repelente.

Apesar de pequena, a ilha tem boa infraestrutura para atender os turistas, principalmente europeus. Há uma oferta bastante interessante de confortáveis pousadas e bons restaurantes. Tudo muito colorido, pequeno e aconchegante.

Holbox15As fotos e figuras dos tubarões-baleia estão por toda parte. Descobrimos que a exploração organizada do turismo junto aos tubarões é bem recente. Vimos até cartazes com uma agenda de treinamento de guias, para acompanhar os turistas nos mergulhos, isso promovido por uma associação ligada à CONAMP – Comisión Nacional de Áreas Naturales Protegidas.

Embarcamos em uma lancha bem ágil às 6 hs da manhã, e dá-lhe pernilongos !!!

Navegamos pouco mais de uma hora com o mar bem tranquilo, e mesmo assim os dois guias disseram que entre julho e agosto o mar fica mais liso ainda. Todos com as câmeras preparadas e os olhos bem abertos, procurando qualquer movimento na superfície.

O primeiro a aparecer, foi uma tartaruga branca, logo depois, alguns golfinhos e mais golfinhos, até que uma raia chita saltou ao lado do barco. Já estávamos ficando impressionados com tanta vida.

Quando apareceu uma nadadeira dorsal o guia diminuiu a velocidade da lancha, era uma raia manta nadando lentamente com a boca aberta !!!  Daí apareceu outra manta, ainda maior, que passou embaixo do barco, uma outra bem menor… que show !!!   Todas  bem próximas do barco, nadando na superfície com o bocão aberto. Dá a impressão que o bicho é oco, parece um envelope vazio !!!    Muito legal, várias fotos… mas viemos aqui para ver “los tiburones ballenas”.

Não deu mais de um minuto e toda a expectativa de quase uma semana foi recompensada, lá estava o maior peixe do mundo nadando junto ao nosso barco. E não dava para acreditar, ele não estava sozinho, a contabilidade naquele instante era 2 tubarões-baleia e 2 mantas juntos, impressionante.

Os tubarões se alimentam em uma área protegida, e existem regras que os guias seguem a risca. Apenas duas pessoas na água e acompanhados pelo guia, todos de colete salva-vidas, não pode usar flash, e não se pode fazer mergulho autônomo… de qualquer forma não daria para acompanhar os tubarões com um cilindro nas costas. Eles estão ali para se alimentar, e para isso, filtram enormes quantidades de plâncton da água que entram pela boca, ou seja, estão sempre em movimento. Esse dois primeiros que encontramos deviam estar com fome, pois tivemos que nadar um bocado para acompanhá-los.

Enquanto nos revezávamos na água, o guia que ficou à bordo se comunicava por rádio com outras lanchas próximas, informando-se de outros avistamentos. E havia mais quatro lanchas com seu próprios tubarões. Ou seja, em uma pequena área haviam pelo menos seis tubarões-baleia se exibindo.

Holbox11Depois que todos estavam exaustos de acompanhar os peixões, saímos a procura de outros indivíduos. Logo encontramos um maior, concordamos que esse deveria ter pelos menos 10 metros de comprimento, e para nossa alegria, era mais lento que os anteriores. E vamos nós para água, de dois em dois e acompanhado pelo guia. É impressionante estar tão próximo de um animal tão grande, imponente. Dava a impressão que ele ignorava nossa presença, só fechando o bocão quando estava bem próximo. Perguntamos para os guias o que aconteceria se ficássemos na sua frente ” – Ele vai te empurrar lentamente até você sair.” Mas a regra era não encostar nos bichos. Eles nadam movendo o corpo todo de um lado para o outro, e foi inevitável alguns esbarrões da enorme cauda. Tudo impressiona, até o deslocamento de água provocado pela cauda.

Depois de 2 horas acompanhando os tubarões, as forças se esgotaram, e começou a soprar um vento mais forte, e a superfície do mar ganhou algumas marolas. Hora de voltar e avisar a todos que forem mergulhar em Cozumel, que programem alguns dias para conhecer Holbox, seu pernilongos e seus tubarões-baleia.

O elenco completo: Luiz Heitor, Majô, Marcelo, Renato, Juan, Raul, Gilberto, Renata e Marcinho.

Serviços

Informações sobre os tubarões-baleia em Holbox no site oficial da CONAMP. A melhor época é julho e agosto e a temperatura da água fica em 24ºC.

A operadora Captain Dive está operando pacotes, avulsos e grupos, para Cozumel com Holbox.

Mais informações diretamente com a operadora através do telefone (19) 3287-8811 ou pelo site www.captaindive.com.br

Rafael Esteves

Rafael Esteves é natural de Campinas-SP, 35 anos. Formado em Análise de Sistemas pela PUC, mergulha desde de 1989. Master Instructor PDIC e mergulhador técnico pela GUE e AINTD.

É sócio proprietário operadora Captain Dive, que está completando 10 anos no mercado nacional, tendo iniciado os trabalhos na Ilha Grande como operadora, e hoje como Scuba Facility PDIC, recebeu o título de Centro de Treinamento Gold PDIC, por ter formado mais de 1000 alunos.