Turks & Caicos – Meu primeiro Live Aboard

Foto: Yan Grossman

avia acabado de descer aos 30m no segundo mergulho do dia e disparei em direção ao paredão de corais. Queria chegar lá antes do resto do grupo para ter a chance de tirar uma boa foto de tubarão antes que os outros mergulhadores chegassem tumultuando. Meu irmão não entendeu porque eu ia tão rápido, mas me seguiu. Meu instinto estava certo. Ao chegar na beira do paredão vi o que parecia ser um tubarão vindo em minha direção. Enquanto pensava em preparar uma foto, parei por uns segundos para conferir de novo. Não era apenas mais um tubarão bico-fino como tínhamos visto até então… Era um lindo tubarão martelo com cerca de 2,5m de comprimento. Não esperava encontrar um martelo nessa viagem por ser incomum na região. A foto saiu longe e aquém do ideal. Infelizmente, ao me ver, o sujeito deu meia volta e sumiu na imensidão azul. Essa foi a memória mais marcante de uma viagem repleta de momentos inesquecíveis.

Em abril, tive a oportunidade de realizar um sonho antigo de participar de um Live Aboard de mergulho. O termo Live Aboard é usado para viagens em que os mergulhadores ficam hospedados no barco, para realizar os mergulho à partir da embarcação. Foram sete noites embarcados, 6 dias em alto mar, realizando até cinco mergulhos por dia. A grande vantagem de mergulhar embarcado, é poder alcançar os pontos de mergulho menos explorados e com mais vida marinha, do que as típicas operações diárias. Para quem deseja realizar vários mergulhos por dia, muitas vezes, fica mais em conta do que ficar em hotel e ainda pagar para fazer as saídas diárias de mergulho e as refeições.

Eu e meu irmão Bruno, pretendíamos fazer realizar primeiro Live Aboard em Belize, mas através da agência Liquid Diving Adventures, especializada nesse tipo de viagem, mas ficamos sabendo de uma promoção no Live Aboard de Turks & Caicos, utilizando o barco Explorer II.

Turks & Caicos Islands, ou TIC, é formada por dois grupos de ilhas tropicais no Caribe e fazem parte do Território Internacional Britânico. O turismo é a maior indústria das ilhas, seguido do mercado financeiro, por ser um paraíso fiscal. A língua oficial é inglês e a moeda é o dólar americano.

Nossa viagem começou em Providenciales, também conhecida como Provo, a maior cidade e principal ponto de acesso às ilhas. Passamos o primeiro dia no hotel, aproveitando para ir à linda praia com areias brancas com água calma e cristalina. Aproveitamos para dar uma volta para conhecer o centrinho, além de comprar as últimas necessidades para o barco, como filtro solar e baterias. No dia seguinte, já muito ansiosos, realizamos o check-in no barco, onde na primeira noite, fomos apresentados à equipe da embarcação. O capitão, cozinheiro, mecânicos e os dive masters. A equipe passou a informações sobre a embarcação, itinerário e ajudou a quebrar o gelo entre os passageiros.

Eu, Bruno e meu amigo Rick éramos os mais novos entre os hóspedes e os únicos marinheiros de primeira viagem. A maioria dos passageiros vieram dos Estados Unidos, alguns do Canadá, outros de Cingapura, e todos já haviam participado de outros Live Aboards.

O Explorer II é um Yacht de 125 pés (40m) de comprimento,  com capacidade para até 20 hóspedes. Ficamos no menor quarto, dormindo em beliche, porém há quartos maiores, sendo todos eles com banheiro privativo. Apesar de pequeno, era aconchegante e com espaço bem razoável para guardar roupas e acessórios. As malas vazias, e os equipamentos de mergulho ficam em outras áreas do barco.

Na madrugada zarpamos para a primeira parada da viagem. Acordamos no canto noroeste de Provo. Em geral, a programação diária consistia em café da manhã por volta das 7h, primeiro mergulho às 8h, segundo mergulho às 10:30h e almoço 12:30h. Já à tarde, o barco seguia para outro ponto de mergulho onde faríamos outros dois mergulhos às 14h e 16:30h. Jantar às 18:30 e mergulho noturno às 20h. A comida era farta e deliciosa, e além das principais refeições, sempre haviam lanches entre os mergulhos, contendo frutas, bolos e cookies. O barco também oferecia café, água, refrigerante, cerveja e outras bebidas alcoólicas. A única regra era que após beber álcool não se podia mais mergulhar pelo dia.

A equipe de guias era incrível, e antes de cada mergulho, realizavam um “briefing” detalhado sobre cada ponto de mergulho, incluindo a topografia do fundo, a vida marinha presente no local e outras informações interessantes. Os guias demonstraram muita disposição e bom humor durante toda viagem, seja ajudando com equipamento, tirando dúvidas em geral e até usando fantasia para descontrair os briefings. Após os mergulhos noturnos, nos recebiam com chocolate quente e bebidas para misturar, como Baileys e Frangelico, além de água e toalhas quentes. Muita mordomia !

Sabíamos que a cada dia da viagem os mergulhos ficariam melhores conforme o barco nos levasse às áreas mais remotas. No entanto, o primeiro dia já foi espetacular. A água era calma e cristalina, com uma ótima temperatura em torno de 26ºC e visibilidade espetacular em torno dos 30m. Não demorou muito para encontrarmos os primeiros tubarões bico-fino nadando tranquilamente sem ligar muito para nossa presença. Vimos também polvo, caranguejos-aranha, moréia-pintada e muitos peixes multicoloridos de diversos tipos e tamanhos,  como o cirurgião-patela, peixe-borboleta, barracuda e garoupa.

No segundo dia seguimos para West Caicos, uma ilha menor, a oeste de Provo, onde ficamos mais dois dias. Nessa região começamos a ver ainda mais cores nos corais, mais peixes, arraias e tubarões-lixa. Encontramos até um cavalo-marinho.

A próxima parada, onde passamos os últimos dois dias, já era esperada para fechar com chave-de-ouro… French Cay é uma ilhota há 29km ao sul de Provo. Por ser isolada e protegida pelo governo como santuário natural, em French Cay estão alguns dos melhores mergulhos do arquipélago, e talvez, até de todo o Caribe. Foi lá, no ponto de mergulho conhecido ironicamente como G-spot, onde tive o memorável encontro com o tubarão-martelo. Lá também, no mergulho noturno, pude observar de perto um tubarão-lixa ficar praticamente de cabeça pra baixo para quebrar um coral e tentar de todas as formas, comer um caranguejo, afinal de contas, era hora do jantar.

No último dia, já de volta ao cais, era hora de trocar contatos, fotos e vídeos entre os passageiros. À noite fomos todos a um restaurante em Provo em frente a praia, onde relembramos histórias engraçadas da viagem em meio aos drinks tropicais e um lindo pôr do sol. Depois dessa magnífica viagem, com tantos mergulhos incríveis, muita diversão e cercados de pessoas que compartilham a mesma paixão, não fiquei surpreso com um dos assuntos mais discutidos nesse último dia – Onde e quando será o próximo Live Aboard ?

Apoio para a viagem

Liquid Diving Adventures – Agência especializada em turismo para mergulho, atendendo a clientes de todos os cantos do mundo, oferecendo pacotes para os melhores destinos de mergulho, seja com hospedagem em resort ou Live Aboard.

Imagens

 

Vídeo

Yan Grossman
Mergulha desde 1991 e trabalha com Marketing Digital. Além de adorar o mar, gosta muito das montanhas geladas e é criador do site de snowboarding e viagens para a neve Snowbrasil.com