Um mergulho no Oriente Médio – Líbano / Jordânia / Israel / Aqaba / Dahab / Cairo

Al Salam Aleikum ! Saudacao-Arababe1

Aleikum Essalam ! Saudacao-Arababe2

Esta saudação tem o poder de abrir qualquer porta nos países árabes que professam a religião muçulmana, é para eles, o mesmo que a palavra “shalom” significa para os judeus, “que a paz esteja contigo”, numa tradução livre. Pronuncia-se “salamaleique”, e a resposta invariavelmente é “aleiquesalam”, porém com sutis variações de país para país, usei e abusei de ambas as expressões.

Após vinte horas de viagem, desembarco em Damasco, onde começa minha aventura. Sem reserva de hotel, sem serviço de transfer, indo quase que literalmente a favor do vento, ou melhor, da corrente. Após um rápido trâmite pela imigração e alfândega síria, lá estou alojado no Al Majed, um pequeno e aconchegante hotel, com tarifa de U$ 50, bem no centro velho da cidade, que começo a explorar assim que me instalo no quarto.

Chamou-me a atenção, a limpeza de Damasco, com largas avenidas no centro novo, becos e vielas na cidade velha, cujas construções têm mais de mil anos e a cidade conta com mais de quatro mil anos de idade, sendo a mais antiga do planeta em se tratando do quesito habitada de forma contínua, e, acreditem, em toda sua existência nunca caiu em guerras e jamais foi ocupada militarmente. Os romanos dominaram Palmira, a capital do reino do oriente, na época do império. A hospitalidade síria também não deixa a desejar, um povo honesto e cordial, fui muito bem tratado por lá, e melhor ainda, quando se davam conta que sou brasileiro, esta foi uma constante em todos os países que visitei nessa viagem. O dono de um restaurante me disse que considerasse a Síria como meu país, ouvi isto na Síria por mais uma ocasião, e é claro, gostei muito.

Por enquanto ainda não há operações de mergulho por lá, aproveitei para conhecer um pouco os arredores de Damasco, onde o antigo e o moderno se encontram. Para se ter uma idéia, deparei com escavações arqueológicas localizadas no centro da cidade, contei oito sítios com dimensões aproximadas de 10m x 15m x 7m, sendo que no fundo, pude ver vestígios de construções em pedras, com grossas paredes, aparentando milhares de anos.

Contratei um táxi que me levou até Maalula, um povoado cristão, encravado nas rochas do deserto, o curioso é que seus habitantes falam o aramaico, a mesma língua a qual Jesus Cristo se expressava. Depois tocamos viagem sessenta quilômetros através do deserto, rumo ao norte, sentido fronteira com o Iraque, para visitar um monastério de nome Deir Mar Musa Al-Habashi, que data da época de Cristo, localizado em uma cadeia de montanhas. A aridez da região, a cor da areia e das rochas, foram para mim, algo inusitado, sem contar que ao orar no interior do templo, escavado numa montanha, senti uma energia muito forte, e pensei que não foi de forma casual a escolha do local para construção. Nesta época do ano, inicio de inverno anoitece cedo por aquelas paragens, de modo que ao retornar a Damasco, já era noite. Foi um dia cheio, senti um forte ardor nos olhos, por causa da fina areia, que o vento sopra no deserto.

Mais uma noite, e aproveito para caminhar pela cidade velha, me sinto como que estivesse visitando o passado, busco por antiguidades e também por quitutes da culinária local, principalmente os doces, nada como se servir na fonte, e os preços… Tudo recém saído do forno !

Ainda eufórico por estar em um país tão exótico, devo regressar ao hotel, era quase meia noite e necessitava dormir um pouco.

Cinco da manhã…. Desperto com o som do alto falante de uma mesquita próxima, cujo o xeique conclamava os fiéis a orar… Às sete horas o taxista já me aguardava, queria conhecer a estrada para Damasco, tão citada nas sagradas escrituras, este foi o primeiro caminho que São Paulo percorreu em sua tarefa de pregar o cristianismo. No local da chegada do apóstolo foi erguido um templo católico. Seria tendencioso de minha parte não destacar a liberdade religiosa nos países muçulmanos que visitei, já havia lido sobre este tema. A história diz que durante a ocupação da Península Ibérica pelos mouros, oito séculos, foi uma constante, é há uma grande diferença entre a didática e o testemunho.

Líbano

Bem, quase meio dia, hora de voltar ao hotel e tomar novo táxi que havia contratado para me levar ao norte do Líbano, uma viagem de cinco horas. Percorremos a distância sem sobressaltos, inclusive em ambas as imigrações e alfândegas. Chego à cidade de Batroun, meu primeiro destino e base no país. Havia reservado um quarto no hotel San Stephano Resort, um complexo turístico localizado a duas horas da capital, Beirute. O quarto que fiquei era muito espaçoso, mas muito simples e por U$ 40, não poderia exigir muito. As instalações passavam por reformas e haviam pouquíssimos hóspedes dado ao iminente início de inverno e baixas temperaturas. Fiz a escolha porque em anexo estão às instalações da operadora Pure Tech, cujas saídas havia contratado daqui, via internet com seu proprietário, o Simon Nadim, um libanês muito gente fina, que agendou meus mergulhos no Líbano.

Na manhã seguinte, já estava na operadora para a primeira saída. De mergulhadores somente o Simon e eu. Fomos ate um naufrágio de nome Captain Michel Boat, um barco grego que transportava toneladas de cimento e afundou numa noite do mês de Junho de 1939. Reza a história que o capitão era muito chegado a mulheres e bebidas, e na fatídica noite, completamente embriagado e com excesso de carga no navio, se esqueceu de fechar as escotilhas, o cargueiro foi alagado e afundou… O capitão e mais dois marinheiros escaparam com vida, nadando até a costa por mais de sete horas, praticamente toda a tripulação do cargueiro veio a falecer. Contam que o capitão Michel foi a ruína após esta tragédia, e simplesmente sumiu, e ninguém nunca mais ouviu falar sobre ele.

Como a maioria dos naufrágios no Líbano, o Captain Michel Boat está a poucos minutos de navegação a partir da costa. Este é simplesmente imperdível, o navio é muito grande, descemos por cabo e a visibilidade não estava muito boa, algo em torno dos 10m. A água não estava tão azul. Percorremos todo o convés que se funde com o porão por se encontrar em processo de desmantelamento, mesmo assim, pude ver centenas de sacos de cimento que teimam em resistir à água e ao tempo, como silenciosas testemunhas do que ocorreu naquela noite que pôs fim a carreira do cargueiro. Foi um ótimo mergulho, pena que desci com EAN 28, e dada à profundidade do naufrágio (40m), o mergulho durou cerca de 33 minutos.

O Simon usou cilindro duplo com Trimix, e, ainda na operadora chegou a me oferecer o gás e o equipamento, que declinei com educação, lhe explicando que há alguns anos não faço uso de dupla, e necessitaria de um pouco de treino.

Como instrutor de mergulho técnico, ele também se propôs a treina-me, mas dado ao tempo exíguo que passaria no Líbano, não seria viável.

Arrependo-me de não ter pedido para ter recarregado o cilindro de S80 com Trimix, ao menos teria mais lembranças do navio.

Toda a costa libanesa é circundada por uma longa linha de profundos paredões, alguns com mais de 300m de profundidade, e muitas cavernas, por motivos óbvios, escolhi um mergulho mais raso, uma caverna de nome “Amchit Virgin Mary Wall, com aproximadamente 50m de comprimento e profundidade variando entre 30m e 50 m, habitada por várias arraias violas. O curioso, é que foi colocada uma estátua da virgem Maria no fim do percurso. Foi outro grande mergulho em águas mais translúcidas que no primeiro, alcançamos 43m de profundidade e um tempo de fundo de 32 minutos.

Somente na região de Batroun há mais sete cavernas, sendo a maioria delas só alcançadas em mergulho técnico com uso de Trimix. Foi um grande dia, e mais uma vez reclamo por não ter descido com Trimix.

Voltei ao hotel embaixo de chuva, que insistiu em cair durante todo o tempo que estive no Líbano. No resto do dia descansei porque na manhã seguinte havia marcado no sul do país um mergulho num submarino. O trafego em todo o Líbano é muito intenso, não existe transporte coletivo, só autos particulares e táxi, tomei um em direção ao sul para percorrer alguns quilômetros. Lavando mais de duas horas. Cheguei atrasado, o que não é de meu feitio, o motorista não conhecia o local e tivemos que perguntar. Após a passagem por algumas barreiras militares, com ninhos de metralhadoras .30, .50, e carros de assalto, nome técnico para tanque de guerra. Vislumbrei edifícios com marcas de tiros, vestígios da recente guerra do Hesbolah, então tive certeza que estava no sul do Líbano.

Ao passar por Beirute, não demorei para alcançar a operadora, cujo diretor, um sorridente libanês de nome Ali Sameir El Mokdad, já me aguardava para o meu primeiro mergulho em um submarino. O nome dessa embarcação francesa é Le Suffleur, que foi torpedeada por outro submarino de bandeira inglesa durante a segunda guerra mundial.

Posso adiantar que este naufrágio foi encontrado pelo próprio Ali há alguns anos atrás, que em breve, estarei publicando mais informações em outra matéria para o Brasil Mergulho.

O Simon também me apresentou o dono de outra operadora, o simpático Kamal, dono da Dive The Med, localizada na cidade de Junieh, pouco antes da capital Só havia eu de mergulhador no barco, com exceção do ajudante do barco e o Kamal, que desceu comigo nos mergulhos.

Nosso primeiro mergulho foi no Alice B, um cargueiro que foi colocado à pique durante a guerra civil libanesa, em circunstância não esclarecida.

O mar batia muito e o tempo estava chuvoso. A descida foi muito complicada, a corrente estava bem forte, havia uma bóia com um grosso cabo ligando a superfície ao Alice B. O mar puxava mais que no primeiro dia de mergulho, e ao largar o cabo por uma fração de segundo, tive que fazer um enorme esforço para retornar a ele, dada a forca da corrente. A água não estava muito boa, fria e com a visibilidade ao redor de 10m, com leve coloração esverdeada, mas atingirmos os 15m onde pude vislumbrar a silhueta do grande cargueiro, onde se destaca com o mastro também muito alto. A Alice B repousa a uma profundidade de 38m e o mergulho foi realizado com EAN. Lembro que percorremos todo o convés em ambos costados. Não sei precisar as dimensões do naufrágio, mas ele é dos grandes. A subida pelo cabo se tornou muito difícil, por estar recoberto de uma espécie de craca, que ao ser tocado desprende uma substância que arde a pele da face, e o mar corria mais ainda.

Um dos fatos que gravei em meus mergulhos neste país foi a quase ausência de peixes. Muito poucos mesmo, tanto é que quando algum era avistado, por menor que fosse, era motivo de festa por parte do instrutor que me acompanhava. Fez com que me lembrasse de Recife, onde é literalmente necessário pedir licença aos cardumes para se poder passar, neste sentido confesso que não testemunhei nada parecido mundo afora.

Voltando ao Líbano, no paredão há um ponto de mergulho chamado Shark Wall, e me garantiram que tubarões Mangona costumam aparecer por lá.

A chuva começou a cair e rumamos para o local do segundo mergulho, bem próximo a praia, na cidade de Byblos, mais ou menos uns 20 minutos de navegação até o navio cisterna que transportava óleo diesel e foi canhoneado durante a guerra civil, quando navegava ao largo da costa e ao alcance da artilharia cristã alojada nas montanhas que margeiam o território libanês de norte a sul. Para se ter uma noção, a costa libanesa é espremida por esta cadeia de montanhas que perfaz uma faixa de poucos quilômetros entre elas e o mar, e ai estão as principais cidades do Líbano, como Tiro, Beirute, Junieh, Byblos, Batroun, Trípoli, entre outras.

Uma âncora foi lançada no fundo arenoso e através do cabo descemos pela parte mais rasa do navio, que está aos 12m, e a partir daí atingimos a parte mais funda aos 30m. A visibilidade estava ruim por causa da localização do navio, praticamente na areia da praia, mas não deixa de ser um belo mergulho, principalmente pra mim, por ser meu primeiro num navio tanque, talvez o maior de todos os naufrágios que visitei até então. Não há muito para se ver exceto o tamanho descomunal do casco que cujas medidas aproximadas são de 117m x 27m, chegando a ser cansativo navegar em todo seu contorno. Segundo a história, o capitão do barco ao sentir que o mesmo ia naufragar, conseguiu levá-lo até a praia e foi abandonado para afundar. Dessa forma, seus tripulantes nadaram poucos metros até a terra firme, e mesmo assim, alguns marinheiros vieram a falecer em consequência do canhoneio. Quando subimos ainda chovia muito, voltamos para a operadora onde tomei uma ducha quente e me foi oferecido algo para comer. Já escurecia, tomei um táxi de volta ao hotel, muito feliz por haver realizado meu sonho de mergulhar no Líbano.

Havia programado de visitar as ruínas de Byblos, que data da época dos fenícios, e também e há também vestígios das cruzadas, a minha intenção seria e de ver as ruínas greco-romanas de Baalbeck, mas infelizmente não foi possível. As fortes chuvas que caíram neste meu último dia de visita ao país dificultaram bastante as coisas. Estes dois pontos turísticos que relatam parte da história das civilizações ficarão para minha próxima ida ao Líbano, que é um berço da civilização. Muitos povos que passaram por ali, como os babilônicos fenícios, egípcios e romanos dentre outros.

Porém não tinha razão em reclamar, muito pelo contrário, pois fiz mergulhos inesquecíveis fora de temporada, quando as operadoras estão fechadas, e só me atenderam porque cheguei de muito longe para visitar os misteriosos naufrágios na costa libanesa.

Os principais pontos são:

  • Batroun Caves Wall – 28 a 75m
  • Amchit Trimix Wall – 60 a 120m
  • Russian Freighter – 55m
  • Batroun Trimix Wall – 75 a 300m
  • Martine Wall in Jbeil
  • National Star Cargo Ship – 55m
  • Salaata Wall – 25 a 300m
  • Captain Michel Boat – 45m
  • French Torpedo Carrier – 60m
  • Amchit 3 km Reef – 25 a 55m
  • Le Souffleur submarine -36m
  • The Lesbian Cargo Ship – 70m
  • Amchit Virgin Mary Wall – 30 a 50m
  • Alice B cargo – 36m
  • HMS Victoria – 75 a 145m

Jordânia

Às doze horas do dia seguinte partiria meu vôo rumo a outra cidade milenar, Amam, capital da Jordânia, viajei pela companhia aérea libanesa MEA – Middle East Airlines, uma viagem curta, com uma hora de duração ao custo de U$ 320, em classe executiva para não ter que pagar pelo excesso de bagagem.

Havia reservado um bom hotel pelo site booking.com, fiquei no Century Hotel, um quatro a U$ 100 a diária, sendo um lugar que recomendo para viajantes.

A minha chegada também foi tranquila, como na Síria é necessário o visto de entrada. Não me fizeram perguntas tanto na imigração como na alfândega.

Jordânia, linda Jordânia, esperava menos desta civilizada nação, deparei com um povo bem educado e cortez e acima de tudo honesto e pacifico, de uma simplicidade ímpar. As estradas são modernas, a frota de carros nova como em todos os países que havia estado nesta jornada. O regime Político vigente é monárquico, e me dei conta que o povo ama o rei Abdulah, por causa de seus altos investimentos em prol da melhoria da qualidade de vida de seus súditos.

Como nas vezes anteriores largo minha bagagem no quarto e tomo um táxi rumo ao centro da cidade, pois desde o hotel é um pouco distante para se caminhar. Para minha surpresa o motorista não entendia nada de inglês, os taxistas de um modo geral só se expressam em árabe, tive que parar e encontrar quem falasse inglês.

Aman também é uma moderna cidade, de cara percebi que o povo jordaniano conta com um bom estilo de vida, o padrão monetário da Jordânia é o Dinar jordaniano, uma moeda forte, há muitos anos permanece estável, e têm a mesma taxa de conversão do euro. Ouvi que o governo no momento investe em moradias fixas para os beduínos, que perfazem vinte por cento da população.

Rio Jordão

Após o desjejum, tomo um carro com motorista e rumo a realização de mais um sonho: Banhar-me nas águas do rio Jordão. A imagem que fazemos dele é a mesma do conceito dos grandes pintores renascentistas, um largo e manso rio com águas de coloração azul. Na realidade, é estreito e barrento, dada a alta concentração de areia do deserto dissolvida em suas águas.

Sem perda de tempo parto em direção ao Mar Morto, bem próximo dali. Queria ter a sensação de flutuar naturalmente em sua superfície. É verdade mesmo, a gente não afunda, flutua sem qualquer esforço. A taxa de salinidade das águas do mar morto atinge concentrações dez vezes mais elevadas se comparadas as águas de outros mares e oceanos..

Visitei também o monte Nebo, o ponto culminante da Jordânia, do cume se tem uma vista impressionante de grande parte da palestina, em pleno deserto, onde se pode vislumbrar a cidade de Jericó no horizonte.

Algo que faz com que os pensamentos regressem aos tempos bíblicos, aliás, grande parte dos locais que visitei nessa jornada se respira história, sendo quase que impossível não se emocionar.

Israel

No outro dia, tomo o mesmo carro com destino a ponte Rei Hussein que faz fronteira com Israel. Deixando minha bagagem no hotel e levo apenas um saquinho plástico, com uma muda de roupa, para não ter que passar por severa inspeção no lado israelense. A travessia é feita por ônibus que imagino de uma empresa binacional. Na imigração jordaniana se têm o passaporte retido e só é entregue pelo motorista do coletivo em Israel.

A travessia pela terra de ninguém até que é rápida, porém o desembarque para os trâmites do lado israelense, como imaginava é bem lento. Forma-se uma grande fila de ônibus, e os passageiros são autorizados a desembarcar um bom espaço de tempo após o precedente haver sido liberado. A fronteira é muito bem guarnecida e segura, creio que deve ser a segunda mais vigiada do mundo.

Passo facilmente pelos controles de segurança e alfândega, de acordo com o previsto, ao chegar ao guichê de imigração, a oficial perguntou-me onde me hospedaria, como não fornecem formulários, pequei ao responder que não sabia, pois não tinha reserva de hotel, já que ficaria dois dias e uma noite. Senti que pisei no tomate !

A oficial então me solicitou que lhe mostrasse minhas passagens.

Após isso, iniciava a realização de outro sonho, havia ingressado Israel. Tomei outro ônibus ali mesmo, e uma hora e meia depois estava no setor árabe da velha Jerusalém. Desço do micro e começo a caminhar sem destino, indo para onde meus instintos me levaram, a cidade nova. Passei por ruínas milenares até que atravessei a Jaffa Gate, saí onde queria, antes, havia tentado tomar informações, porém não encontrei ninguém que pudesse se comunicar comigo. Sem a preocupação de check-in em hotel, almocei em um pequeno restaurante, que prepara uma boa refeição israelense, passeei bastante, comprei lembranças de viagem, visitei uma grande loja de departamentos, como fazia muito frio tive que adquirir roupas quentes.

O curioso é que o israelense nato ou “sabra” como eles dizem, fala bem o inglês, e é muito educado. Em várias ocasiões se mostraram muito prestativos para comigo, eles também odoram brasileiros e tudo o que é daqui. Depois de certa dificuldade, consegui encontrar um local para pernoite bem no coração da cidade, na Jaffa Street com Ben Yehuda, na área das lojas restaurantes e barzinhos. Ali tudo é caro, algo em torno dos U$ 90 no Jerusalém Inn, um pequeno hotel onde no quarto, havia uma cama muito básica, um banheiro também muito simples e uma antiga TV.

Por volta das 11h parto para mais um sonho, o de orar no muro das lamentações, confesso que não consegui disfarçar a emoção e tive de sentar enquanto me refazia. Foi então que vi de longe um ortodoxo sorrindo e acenando para mim, como que dizendo:

– E aí irmão !   Que legal, não ?   Agora você está mais feliz !

O cumprimentei com outro aceno e sorriso.

A vontade era a de ficar mais tempo por lá, acontece que estava no local há quase duas horas e queria ainda conhecer as ruínas da época romana antes de regressar a Amam.

Era quase noite quando chego ao terminal rodoviário da cidade. Peguei o ônibus. Conforme havia solicitado ao bem educado motorista, ele me avisou para eu descer, parando o coletivo no meio do deserto, e na escuridão, apontou umas luzes há uns trezentos metros da rodovia e disse:

– Ali está a fronteira com a Jordânia !

Ponho-me a caminhar no escuro por uma estreita estrada que leva até as luzes, a cerca de trinta metros percebi que não era a fronteira, e sim um posto de controle do exército israelense que a precede. Vi que os soldados se levantaram e nervosos gritaram em hebraico algo como:

Pare !

E gritei:

– Sou cidadão brasileiro e quero atravessar a fronteira !

Uma voz do grupo me respondeu:

– Mesmo cidadãos brasileiros devem passar aqui por táxi !
– Onde consigo um táxi agora ?
– Volte uns trezentos metros e aguarde por um.

Não tive escolha, voltei e encontrei um carro parado no sentido oposto a barreira. Em seguida pára um táxi, e o passageiro desce, e antes de embarcar no veículo que o esperava me perguntou educadamente:

– Que você está fazendo ai cara?
– Esperando um táxi para atravessar a fronteira.

O taxista que o levava se propôs a aceitar a corrida e disse que voltaria em cinco minutos, e partiu. A pessoa que havia descido me chamou e disse que esperaria comigo, pois é muito perigoso para um estrangeiro estar ali à noite, justamente numa fronteira problemática. Atravessei a estradinha e me uni a eles. Estávamos conversando sobre o Brasil, quando minutos após, parou outro táxi em sentido contrário,

o motorista aceitou me levar. Subi no carro e ao parar na barreira militar,

cumprimentei os soldados. Não tive nada revistado, só me disseram que precisaria do visto de entrada no outro lado, disse que tinha. Na alfândega também não tive meus pertences tocados, e ao cruzar a imigração, o oficial pegou meu passaporte e contou que havia

estado aqui no Brasil por três meses, e fez a maior festa. Inclusive ensaiando umas palavras em português.

Que diferença cruzar uma fronteira dessas a noite, não havia um passageiro sequer, sem filas, o oposto da minha entrada, inclusive no ônibus só havia eu de passageiro. Poucos quilômetros a mais pela terra de ninguém e estou novamente na Jordânia. Tomo outro táxi e em pouco mais de uma hora alcanço Aman.

Aqaba

Combinei com o motorista uma corrida até Aqaba com uma passagem por Petra, uma das sete maravilhas do mundo moderno, cidade esta, com templos entalhados na rocha viva, daí seu nome, que em latim significa pedra.

Esta antiga cidade serviu de entreposto para as mercadorias que iam da China à Roma imperial e vice-versa, e era habitada e administrada por mercadores de povo não romano.

Por volta do meio dia deixo o hotel, rumo ao sul, atravessando o deserto

da Jordânia numa viagem de 360Km. Chegamos a Petra, e pude admirar as belezas da arquitetura romana, descemos a pé por um caminho recoberto por cascalho, encravado em gigantescas rochas, que nos levou ao coração do local, uma hora para descer e outra para subir, o que fizemos praticamente correndo, pois não há iluminação. De volta ao táxi, com mais duas horas de viagem chegamos a Aqaba, um lindo balneário jordaniano, as margens do Mar Vermelho, bem no final do golfo que empresta o nome a cidade.

Interessante observar que a distância entre ela e a cidade Israelense de Eilat, é de pouquíssimos quilômetros. Do barco da operação se pode observar ambas, inclusive as consegui focá-las juntas, na objetiva da câmera para uma foto.

Esta região é circundada por altas montanhas, deserto e areia, comentei a geografia de nossa posição com um mergulhador israelense que estava no barco, disse a ele que estávamos em uma quádrupla fronteira, A frente o Egito, cujo território pode se avistar desde Aqaba, a esquerda a Arábia Saudita, e a direita Israel, então ele apontou uma alta montanha situada em território de Israel e disse:

“Do alto daquela elevação se avista terras de todos estes países”

Já havia lido que os mergulhos do lado de Jordaniano são melhores que no israelense, o que ele confirmou, tanto é que as operadoras israelenses organizam regularmente saídas para Aqaba.

Chegando à cidade, me hospedaram no hotel Aquamarina III, por estar localizado na região central da cidade. O recepcionista do hotel em Aman havia efetuado minha reserva ao custo de U$ 50 a diária. Preço até que muito bom, havia muitos turistas alemães hospedados. No hotel me indicaram a operadora Seastar, que conta com uma excelente embarcação, muito confortável e com amplo deck superior para descanso e banho de sol.

Mergulhando em Aqaba

No dia seguinte o divemaster da operadora veio me buscar no hotel. Com cerca de quarenta minutos de navegação chegamos ao naufrágio Cedar Pride, como o nome sugere, uma embarcação libanesa que se incendiou no porto, em 2 de agosto de 1982, com danos irreparáveis na casa de máquinas e cabines. Foi dada perda total ao cargueiro, que ficou sem utilidade até 1985, quando foi propositalmente afundado para a prática de mergulhos, repousando aos 25m entre duas pequenas elevações. Suas medidas são 76m x 11m , e o naufrágio está coberto de corais moles e grande quantidade de peixes. Nesse mergulho avistei uma grande moréia entre outros de pequeno porte. A visibilidade alcança mais de 25m. A penetração é muito fácil, por ter sido preparado para a prática de scuba.

Na ponte de comando há uma área que não foi alagada, porque não houve pressão suficiente da água para tanto. Chegamos a este ponto e praticamente ficamos com meio corpo fora da água. O regulador não é retirado da boca porque o ar está velho e contaminado, mas é uma experiência ímpar.

A descida é feita através de um cabo preso a uma bóia, e não há correntes, não sendo necessário descer por ele, pois está a 10m da costa e pode também ser alcançado por ela.

Por estar em um local bem tranquilo, o mergulho e a subida também são muito fáceis, não exigindo grandes esforços do mergulhador.

Voltamos ao barco e foi servido um variado almoço aos mergulhadores, preparado ali mesmo, por uma jovem e bonita jordaniana, dona de um inglês perfeito.

Chegando ao outro ponto de mergulho, um lindo recife, cheio de cores e vida de nome First Bay North a 33m em sua parte mais profunda. A visibilidade típica do Mar Vermelho alcançava os 30m, e descemos por um cabo e deparei com indescritível beleza dos corais duros e moles, cujas formas e cores jamais tinha visto. Um fundo de mar sem um vestígio sequer de sujeira ou agressão por parte do homem

O proprietário da operadora de Aqaba me apresentou ao seu vizinho que opera mergulhos a partir da praia, de modo que agendei mais um para o dia seguinte, e deixei meu equipamento na Seastar, para pegá-lo depois.

Aproveitei para um rápido passeio pelo centro da cidade de Aqaba que é porto livre, me lembro que estava fechado por ser sexta-feira, dia sagrado para os muçulmanos. Chego ao porto uma hora antes da partida, busco por informações e ninguém sabia de nada, ou melhor, não me entendiam, um movimento de gente que ultrapassava em longe os limites do razoável, tive que carregar uma grande quantidade de malas na mão, até que encontrei um carrinho de carga.

Indo para o Egito

Tomo um ônibus interno com destino ao píer. De repente o coletivo é tomado um pessoal cuja educação é semelhante a de torcida organizada de time de futebol, e até pior. Percebi que os funcionários do porto usavam varas para bater nos passageiros, igual assistimos pela TV a polícia do Paquistão fazer na rua com manifestantes. No ato me dei conta que havia me metido em uma fria. Presenciei brigas a bordo, desrespeito para com os tripulantes, empurra-empurra com brutalidade quando a duty free abriu as portas da birosca e todos queriam comprar pacotes de cigarros simultaneamente. O barco era bonito e veloz, igual ao da foto quando comprei a idéia, fazendo o percurso em uma hora.

Na chegada ao Egito, esperamos outro tanto para desembarcar, não sei o porquê da demora. A passagem custou U$ 70, só não me avisaram que viajaria com os seres da areia, da saga Guerra nas Estrelas, de George Lucas. O desembarque também foi muito tumultuado.

A distância entre o píer e os escritórios da alfândega e imigração são longos para ser percorrido à pé. Não haviam placas ninguém falava outro idioma a não ser o árabe, e senti saudades de nossa civilização. Anoiteceu e ainda me encontrava no porto, quando consegui sair, as ruas pareciam um mercado persa, no sentido literal, gente se acotovelando, que aos berros tentavam arrumar uma condução para levar as mercadorias trazidas da Jordânia.

Consegui um táxi pirata que me levou até um hoteleco de um lugarejo que não deve nem constar no mapa e muito afastado do que seria o centro da cidade. Ao perceber o fim de mundo em que me encontrava, no mesmo instante discuti o preço e contratei o taxista para me levar a Dahab. Fui explorado, mas consegui deixar aquelas cenas que estão mais para Bangladesh do que para qualquer outro lugar.

Dahab é uma pequena cidade que vive do mergulho, com uma rua principal onde se localiza o comércio local, avistei uma placa com o nome de um hotel e operadora, o Octopus. Para minha sorte, tinha vaga, por U$ 25 a diária, e peguei um quarto decente e confortável. Desço para o jantar e aproveito para conversar com o gerente sobre os mergulhos. Dei sorte, o cara é honesto e bom negociante, me propondo a fazer dois mergulhos a partir da costa.

Acabei comprando além dos mergulhos, a corrida de táxi para o aeroporto em Sharm El Sheik, passagem aérea para o Cairo, serviço de transfer in-out, carro com motorista particular que ficaria à minha disposição na capital por 24hs, e uma diária num modesto e simpático hotel de nome Sara Inn, localizado bem no centro da capital egípcia, para que pudesse deixar minha bagagem, tomar uma ducha e dormir umas horas antes de tomar o avião com destino a Amsterdam, e tudo por U$ 370. Nem discuti e fechei o negócio. Pedi um recibo com os serviços discriminados.

Dormi umas poucas horas e na manhã seguinte lá estava eu arrumando o equipamento para mergulhar novamente, agora no Egito. Tomamos um jipe e seguimos para o The Canyon e Blue Hole, mais um sonho que se realizaria, o point está localizado nas areias do deserto, como todos no Mar Vermelho, também circundado por altas montanhas, despojado de qualquer tipo de vegetação.

A saída é feita a partir da praia e nos points geralmente há bares situados um ao lado do outro em plena areia, que é forrada com um velho tapete, para que se possa colocar os cilindros e equipamentos, como também para se servir bebidas e petiscos.

Para se atingir o The Canyon é necessário atravessar uma forte zona de arrebentação e com água pelos joelhos, logo depois chega-se a pequena parede o tranquilo silêncio do fundo do mar, com águas cristalinas. Esse ponto como o próprio nome sugere é uma formação composta de várias fendas na rocha, sendo uma, a principal, alcançando a profundidade média de 36m. Um mergulho nota 10 !

Pode-se navegar pelos sulcos nas rochas e apreciar a paisagem submarina realmente muito bonita e incomum. O azul da água era de cair o queixo de qualquer mergulhador acostumado aos melhores pontos de mergulho do mundo.

Apesar do local ser maravilhoso, não me lembro de ter avistado muita vida por lá, somente rochas. Assim mesmo, este local, mergulho eu recomendo.

Quando cheguei à praia, lá estavam ambos a me procurar, com olhares fixos na arrebentação, como decidi ficar um pouco mais, percebi que sentiram um alívio ao me verem retornando. De volta ao tapete, procuramos nos hidratar e nos refrescar pelo forte calor do deserto.

O serviço de bar é com direito a entrega no barraco. Aproveitei para dar uma volta pela praia, entre as barracas dos mergulhadores de todo o mundo, que para lá convergem, foi aí que percebi a grande quantidade de gente. Grande quantidade mesmo, pois nunca vi tantos mergulhadores juntos em minha vida. Após um suficiente intervalo, montamos os equipamentos e com eles nas costas fizemos uma longa caminhada até o local de entrada do Blue Hole.

Uma rocha dá acesso ao costão de entrada, e vi uma série de placas de bronze (devem haver mais de doze) com dizeres em vários idiomas com nomes e datas, inscrições em inglês, árabe e russo. De cara me toquei do que se tratava. São placas “in memoriam” a aqueles que perderam a vida mergulhando no Blue Hole. Não voltei minhas atenções ao fato, porque é algo de muito triste.

Seguindo o briefing, descemos pelo paredão até os 40m, iniciamos a navegação. Que coisa mais linda o azul profundo. O silencio… os corais moles de várias cores… Procurei economizar ar, e nivelei aos 35m. O instrutor havia sumido novamente. Pensei… O paredão faz uma reentrância exatamente onde se inicia o

Blue Hole, iremos cruzá-lo e depois retomarmos o paredão, no outro lado do buraco. Desci aos 20m e continuei meu mergulho, marcando o ponto em que sairíamos. Passado um bom tempo nesta profundidade subo até os 10m e lá permaneço por um longo período de tempo junto aos corais apreciando a vida no Mar Vermelho. Vi enormes cardumes multicoloridos de pequenos peixes, e procurei fotografá-los. Praticamente esqueci da vida, até que o instrutor equipado com máscara, nadadeiras e snorkel, me chamou, então eu subi. Meu computador marcava um mergulho de 70 minutos. Valeu!

De volta ao hotel, só penso em conhecer um pouco mais a agradável pequena cidade de Dahab, e suas lojas que vendem produtos típicos. Aproveito e retorno ao restaurante que havia jantado na noite anterior, indicação do staff. Um local muito agradável, praticamente situado embaixo de enormes tendas árabes ao ar livre, e como não poderia deixar de ser, forrada de tapetes e almofadas, sendo um belo e aconchegante local, com um variado e muito bem preparado cardápio, com preços justos. Não me recordo o nome, mas garanto que é o único na cidade com esse estilo.

Lá conheci duas amigas, uma egípcia de ascendência italiana, a Paola Cimarosti, que nos tornamos amigos, e me correspondo com ela e a Claudia, de nacionalidade libanesa, escritora, cuja última publicação, no idioma italiano tive a oportunidade de ter em mãos.

Aconteceu que ambas me convidaram para sua mesa, ou melhor, almofadas, quando um cãozinho que apareceu do nada quis pegar o meu pedaço de carne, e não deixamos que ele fosse maltratado por parte dos atendentes do restaurante. Diz o dito popular, “cada louco com sua mania”, eu tenho várias, uma delas é a de fazer minhas refeições invariavelmente só. Não pude declinar ao convite, e, mudei meus pratos para jantar com elas e foi muito interessante.

Simplesmente, ficaram encantadas ao saberem que sou brasileiro, falamos sobre o Brasil, mostraram muito entusiasmo quando relatei de forma mui breve a minha jornada, e a tônica de nossa conversa foi geopolítica girou entre os conflitos no Oriente Médio e África, suas causas e efeitos na região. Concluí o meu jantar, paguei minha conta e saí para dar uma volta pelas ruas de Dahab, como despedida do Mar Vermelho.

Após um rápido cochilo no hotel, desperto, e pego um táxi rumo ao aeroporto de Sharm El Sheik, pois meu vôo partiria às 6hs da manhã.

Conforme o combinado, tomo o carro no horário estipulado, ainda escuro, e quando amanhece já estou no aeroporto. Uma hora depois desembarco no Cairo, o prestativo motorista de nome Mohamed Ali, me aguardava no saguão, segurando uma placa com meu nome.

Seguimos para o hotel Sara Inn, bem no centro do Cairo, onde me instalei no quarto. Sem perder um minuto sequer, nos dirigimos à Gizah Valley no setor da cidade onde estão localizadas as pirâmides. Antes, passei por um estábulo para alugar um camelo, já ali bem perto.

Passamos a manhã visitando a área. Junto com o camelo me foi oferecido um guia, muito menino ainda, que procurou ser prestativo, pois dependia de minha gorjeta, já teoricamente seus serviços estão inclusos no aluguel do camelo.

A visita as pirâmides é como uma volta ao passado, sem querer parafrasear Napoleão, que durante a conquista ao Egito, disse aos seus soldados:

– Quarenta séculos vos contemplam !

Por citar o primeiro imperador da França, fiquei sabendo que foi o responsável pela retirada do nariz da Esfinge de Gizé, que foi levada à Europa – como troféu.

Saio do vale direto ao mercado Khan El Khalili, um gigantesco bazar onde se vende de tudo, e um ponto muito badalado pelos turistas que visitam o Egito. Tudo que poderia descrever na visita a estes dois locais, é do conhecimento de todos através de leitura, TV ou filmes, de modos que meu relato é tão-somente para que saibam que não deixei de visitar estes locais.

Havia lido que o trânsito do Cairo é caótico, e posso confirmar isso.

Retorno ao hotel à noite e saio para explorar a região central da cidade, que possui um comercio florescente. Caí do cavalo, ou melhor, do camelo, ao tentar comprar nas lojas. Os vendedores só falam o árabe, bem diferente dos ambulantes, que se expressam até por mímica para vender seus peixes. Ademais os produtos expostos nas vitrines estão com nome e preços em árabe, pode parecer uma incoerência, pois nossos algarismos também são arábicos, apesar da grafia ser até um pouco parecida, não se entende nada.

Hora de voltar ao hotel para umas poucas horas mais de sono, pois havia combinado de sair 1h da manhã, pois meu vôo sairia às 4hs.

Tive um grande problema ao cruzar a segurança, pois queriam confiscar uma réplica em miniatura de metralhadora .30 que havia comprado em Israel, um inofensivo brinquedo, o tiraram de uma das malas que seria despachada. Percebi que o cara estava literalmente apaixonado por meu mimo, como estava decidido a tomá-lo chamei o chefe que também o queria para si, outro chefe mais, e, inacreditavelmente a mesma ameaça. Fiz um verdadeiro escândalo e apareceu o chefão de verdade, uma pessoa de traços finos que com certeza tinha estudo, e ao ouvir meus argumentos, finalmente liberou a réplica “perigosa”.

Chego de manhã em Amsterdam, e no quinto dia passeando pela Holanda, tomo um avião para o Brasil, com conexão em Paris, que ainda cansado, mas muito feliz pelo que havia vivenciado, e, principalmente por haver superado os acontecimentos que pautaram minha existência nos últimos anos, e estar fazendo uma das coisas que aprecio na vida… viajar ao redor do mundo, por minha própria conta, sem compromissos pré-agendados, ou seja na base da aventura.

Agradeço ao universo por haver tido esta oportunidade de realizar tantos sonhos em tão pouco tempo.

Dicas

Hotéis

  • Aman – Jordânia – Century Park Hotel
  • Amesterdam – Holanda – A Train Hotel
  • Aqaba – Jordânia – Aquamarine III
  • Batroun – Libano – San Stephano Resort
  • Cairo – Egito – Sara Inn
  • Dahab – Egito – Octopus Garden Resort
  • Damasco – Síria – Al majed Hotel
  • Jerusalém – Israel – Jerusalem Inn

Operadoras

  • Líbano – Pure Tech Diving Facility
  • Aqaba – Jordânia – Seastar
  • Dahab – Egito – Octopus

Mário Sérgio Garcia
Mário Sérgio Menezes Garcia é empresário, Dive Master pela PADI e mergulhador técnico. Praticante de hipismo western e criador de cavalos da raça quarto de milha, de linhagem de corrida e tambor. Já visitou mais de 60 países e mergulhou mais de 20. Brasil, Estados Unidos, México, Ilhas Cayman, Cuba, Aruba, Colombia, África do Sul, Moçambique, Quenia, Fiji, Tonga, Japão, Tailândia, Vietnam, Camboja, Líbano, Jordânia e Egito, foram alguns deles.