Usando o Nautilus Lifeline com Rádio VHF Portátil

Sendo uma das grandes invenções que o mercado de mergulho nos trouxe nos últimos anos, o rádio GPS portátil, Nautilus Lifeline, é sem dúvida, um equipamento excelente e altamente recomendável aos mergulhadores, independente do tipo de certificação e experiência, pois ele amplia muito mais a margem de segurança de quem está no mar, e principalmente, para aqueles que mergulham sob a possibilidade de mudanças repentinas nas condições de mar, alteração de correntes e/ou que estão sob grandes chances de situações emergenciais.

Nautilus-Lifeline
Nautilus Lifeline

Apesar dos benefícios indiscutíveis, com o passar dos tempos, alguns mergulhadores vêm relatado um problema até então não imagino… não sobre o Nautilus Lifeline propriamente dito, mas sim, com algumas operadoras de mergulho, que infelizmente ao chegarem ao ponto de mergulho, desligam seus rádios de comunicação para economizar a bateria da embarcação, não permitindo assim, a comunicação entre o mergulhador e o barco de mergulho.

Bom, em tese, o mais fácil seria pedir ao marinheiro a manter seu rádio ligado enquanto durar a operação de mergulho, mas infelizmente nem sempre isso ocorre, pois alguns poucos insistem em desligar o rádio da embarcação pelo desconhecimento ou pela ignorância mesmo.
Durante um trabalho de pesquisas, eu mesmo precisei falar via Nautilus Lifeline em duas situações e me deparei com o marinheiro com o rádio desligado ou com o volume excessivamente baixo. A sorte, é que não eram emergências.

Levando em consideração o tipo de mergulho, de fato, talvez o melhor seja adquirir um rádio VHF marítimo portátil e deixá-lo sob o painel da embarcação, e avisar ao marinheiro e demais presentes, que o rádio estará lá para ser usado numa situação de comunicação com os mergulhadores e/ou numa emergência, de forma que, ele fique totalmente independente da embarcação, eliminando a possibilidade de ninguém ouvir o chamado.

Rádios VHF Marítimos

Os rádios VHF portáteis marítimos, são pequenos rádios de mão, com “Walkie Talkies”, porém, para ser usado exclusivamente no mar ou lagos.

Esses rádios sob ondas VHF ou Very High Frequency (Frequência Muito Alta), sendo um tipo de frequência menos sujeita aos ruídos e interferências. No meio marítimo, o VHF Marítimo foi adotado como base das comunicações, tendo uma faixa determinada e padronizada, onde alguns canais, atuam sob uma frequência adotada mundialmente, como é o caso do canal 16, para falar em situações emergenciais, e o canal 68, para chamar uma determinada embarcação e/ou pessoa, e logo após receber o retorno de quem foi chamado, convidar este para mudar para outro canal, liberando o “espaço” do canal 68 para que outras pessoas possam usá-lo sem tumulto.

O Nautilus Lifeline tem como base, os canais 16 e 68, mas também, permite a comunicação em outros canais (frequências), e qualquer rádio VHF marítimo (não VHF qualquer) conseguirá ter uma conversação.

VHF Uniden e Cobra - Uma boa opção de compra.
VHF Uniden e Cobra – Uma boa opção de compra.

Que rádio comprar ?

No mercado encontramos diversos modelos e tipos de rádio VHF Marítimo. No meu caso, adquiri um modelo da marca Cobra, que é um dos fabricantes mais antigos no quesito rádios de comunicação.

Marcas como Uniden, Icom, Lowrance e Simrad, também são marcas de primeira linha, e podem ser usados perfeitamente.

O único detalhe, é que adquirindo o rádio no exterior, dê preferência para rádios produzidos para serem usados nos Estados Unidos, pois alguns modelos de rádios possuem canais com frequências diferenciadas, podendo haver a possibilidade de não se comunicar com o Nautilus Lifeline, quando for usar canais diferentes do 16 ou 68.

Normalmente, encontramos rádios portáteis com 3 a 5 watts de potência, e quanto maior for a potência, maior será o alcance da transmissão feita por ele.

Se dinheiro não for problema, um rádio com DSC (Digital Selective Calling) é interessante, pois ele terá a possibilidade de receber a localização GPS do mergulhador, caso este possua um Nautilus Lifeline com MMSI registrado,e tenha acionado o modo “distress”, que é um alerta emergencial com risco de morte.

Rádios com DSC normalmente são mais caros, com o preço em torno dos U$ 200 nos Estados Unidos. Já os rádios mais simples, paga-se muito pouco, algo em torno dos U$ 50 a 90.

Conclusão

Ser precavido e ter segurança maior, nunca é demais. Na minha opinião, um rádio VHF portátil pode lhe auxiliar em inúmeras situações, e levando-se em consideração o baixo custo e as condições de mergulho que encontramos no Brasil, é um custo muito baixo comparado aos benefícios que ele traz.

Clecio Mayrink

Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS e realizou Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount).

Foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008, idealizador do site Brasil Mergulho em 1998 (MTB 0081769/SP) e atuou como consultor para a ONU, UNESCO, Segurança Pública, além de diversos órgãos públicos no Brasil.