Vídeo Submarino para iniciantes – Parte II

Em qualquer produção a escolha do equipamento é um item importantíssimo. Por isso, discutiremos alguns pontos sobre câmeras e caixas estanques dando orientação e dicas na hora da compra e uso desses produtos.

As DV-Cam (Digital 8, DV e mini-DV), são ideais para filmagens submarinas por causa do tamanho, qualidade de imagem e praticidade de operação. Para a maioria dessas câmaras, existem caixas estanques das mais variadas marcas. Enumeramos a seguir alguns detalhes que podem ajudá-lo na escolha: Compatibilidade do sistema, o mais comum é o antigo NTSC.

O tamanho da unidade faz diferença nas viagens. Dentro da água o importante é ser equilibrada, com sua flutuabilidade variando de neutra para levemente negativa.

Na qualidade de captação da imagem, vários elementos como lentes e características dos CCDs compõe esse fator. As DV-Cam apresentam resolução de imagem em torno das 500 linhas horizontais. Podemos dizer que as câmeras com três CCDs, de um modo geral, captam imagens com melhor qualidade, porém custam bem mais caro que as de um CCD.

Caso a sua filmadora seja antiga (analógica) você tem a opção de procurar no mercado de usados ou encomendar uma caixa sob medida. Por outro lado, se você investe numa caixa para um modelo antigo, em caso de necessidade onde encontrar o mesmo modelo de câmera ?   No outro extremo o cuidado que se deve tomar é verificar se existe caixa estanque para aquele modelo de câmera que acabou de ser lançado.

As caixas estanques podem ser construídas de diversos materiais, desde o alumínio até o acrílico totalmente transparente e são classificadas em duas categorias: de comandos eletrônicos e de comandos mecânicos. Esses dispositivos dão ao mergulhador, o controle operacional da câmera.

As de comandos eletrônicos são muito interessantes e como acontece em outras áreas deverão dominar o mercado. Elas têm um circuito próprio que, plugado a câmera, permite o comando através de painéis que ficam do lado de fora da caixa. As de comando mecânico têm uma longa tradição de confiabilidade aliada a um custo inferior e baixa manutenção. Possuem botões tipo chave que trespassam o corpo da caixa em locais estratégicos e acionam diretamente os controles da câmera.

Há caixas com a possibilidade da troca de Domos (as lentes frontais), oferecendo sistemas desde macro até grande angular. Quanto ao Viewfinder as caixas podem incorporar um sistema ampliador do visor da câmera, monitor independente ou sistema de visualização do painel de LCD (da câmera) aberto.

Dicas

Tenha um equipamento que garanta assistência técnica no Brasil. Leia (mas leia mesmo) o manual do fabricante tanto da câmera como da caixa estanque. A maioria das dúvidas que surgem poderiam ser resolvidas se essa sugestão fosse seguida. Se você está iniciando vale a pena pensar numa câmera Digital 8 que apresenta as mesmas quinhentas linhas de resolução e custam bem menos que as mini DV. Informe-se também, sobre as caixas produzidas no Rio de Janeiro pela Croma (depois virou SealPro) Elas possuem ótimo custo benefício.

Dê preferência para caixas que permitam acesso aos filtros debaixo da água. São usados dois tipos básicos: um para águas verdes e outro para águas azuis. Nos dois casos a função do filtro é esquentar as cores que são perdidas com a profundidade, funcionando entre seis e 20 metros. Os mesmos não devem ser utilizados fora dessa faixa ou quando se utilizar iluminação artificial, daí a necessidade de operá-los durante o mergulho. Isto será tópico para outro bate-papo.

Prefira caixas que permitam que você faça o enquadramento por um monitor (o LCD da própria câmera serve). Você terá uma idéia da fotografia que está compondo além de não precisar assumir aquela posição incômoda de colar sua mascara ao visor da caixa para enxergar o viewfinder da câmera que está lá dentro.

Para evitar condensação coloque um saquinho com sílica gel dentro da caixa.

Verifique sistematicamente durante o mergulho se bolhas não ficaram “presas” entre o domo e o pára-sol, já vi muita gente grande cometer esse erro. Limpe cuidadosamente o domo antes de cada mergulho evitando assim marcas de dedos e outras manchas. Outro erro comum que derruba muita gente grande. Esqueça o zoom por enquanto. Concentre-se nos travelings (movimento com a câmera).

Verifique se a caixa escolhida tem espaço para usar a câmera com uma bateria de maior duração, você irá necessitar.

Mesmo dentro da caixa estanque lembre-se de tratar muito bem do seu equipamento. Não bata. Proteja do sol. Lave em água doce assim que sair do mergulho. Não permita que a água salgada seque sobre o equipamento. Opere os comandos com delicadeza. Pense em como irá acomodar seu equipamento durante a viagem de carro e principalmente no barco. Lubrifique os anéis de vedação com pouquíssima graxa de silicone. No barco, evite abrir a caixa para trocar bateria ou fita durante um mergulho e outro. Se tiver de fazê-lo procure um lugar protegido e esteja completamente seco

Alagamentos de câmeras acontecem basicamente por dois fatores:

1 – Caixas estanques home made ou experimentais

2 – O usuário não seguiu as recomendações do fabricante. Porém, não importando as causas, se acontecer com seu equipamento nunca suba rápido para a superfície, pois além de não salvar a câmera, você estará se arriscando a acidentes graves de mergulho. Portanto calma !   Assuma mentalmente que perdeu a câmera e proteja a sua saúde.

Boas imagens e até a próxima.

Edson Prando

Mergulhador profissional desde 1974, é instrutor de mergulho desde 1977, videomaker e diretor da Prando Produções.

Morou em Noronha de 1985 a 1989, onde comandou a primeira operadora naquele arquipélago. Produziu e atuou em diversos canais de tv do Brasil e algumas outras do exterior.

Foi o responsável pela infraestrutura e participou diretamente em filmes premiados com o The Bay of Dolphin.

Descobriu o fênomeno do tubarão Cabeça Chata (bico fino em Noronha) que dormem em alguns locais daquele arquipélago.Atuou em várias obras como: Marco Zero, Brazil Sub, Atol das Rocas, além de outras, e foi um dos resposáveis pela criação do Parque Marinho de Fernando de Noronha.