Visitando a Ilha do Sal

Foto: Alexandre Romão

Partindo em um dos vôos pela Transportes Aéreos Cabo Verde, ou TACV, saí Fortaleza-CE para Praia, capital de Cabo Verde, pegando uma conexão para Ilha do Sal, fazendo um percurso um pouco cansativo, mais nada que não seja superado pela hospitalidade local e exuberante da Ilha do Sal.

Localizada no Oceano Atlântico, a ilha do Sal é uma das dez ilhas que integram o arquipélago de Cabo Verde, na África.

Com uma superfície de 216 km², abriga uma população 20.000 habitantes aproximadamente, estando a maioria localizada no centro comercial e administrativo da ilha, denominado Espargos, próxima do aeroporto internacional de Almicar Cabral.

O idioma mais falado é o crioulo e o português, mas pela influência de outros países europeus, o alemão, espanhol e o italiano também são “arranhados”, além do inglês.

A vila de Santa Maria tornou-se o “motor” turístico da costa sul, onde os resorts junto ao mar, proporcionam aos clientes, todo o conforto e uma grande variedade de atividades e lazer.

Santa Maria foi fundada em 1830 quando havia grande exportação de sal, sendo ainda possível, encontrar as salinas originais que estão ao norte da ilha, hoje, uma lembrança deixada aos turistas.

Na ilha há boas opções de hospedagem e aluguéis de apartamentos girando em torno dos 160 euros mensais + mais taxas.

A extensa praia de Santa Maria, com seus 8 km de comprimento é, sem dúvida, um dos principais atrativos da ilha. É uma praia realmente excepcional, com areia dourada, água morna e cristalina, considerada como um dos cinco melhores destinos do mundo para a prática do windsurf, devido ao seu posicionamento em relação ao planeta, recebendo excelentes ventos para a prática deste esporte durante o ano todo.

A temperatura média anual é bastante estável e praticamente sem chuvas, fazendo com que a ilha seja um excelente destino turístico. Em média, a temperatura varia entre 20°C no inverno e 40°C no verão.

Aos amantes da pesca em alto mar, encontrarão na Ilha do Sal o seu paraíso particular. Existem alguns clubes em Santa Maria, que disponibilizam todo material necessário para prática de pesca, organizando saídas com certa frequência.

A ilha dispõe de algumas operadoras, sendo a melhor estruturada, a é Scuba Caribe, gerencia por um brasileiro com sua esposa, ambos profissionais e com uma grande experiência internacional, tendo atuado em locais como Dressel Divers, Cipréia, Stuart Coves, dentre outros. Leonardo Saldunbides e Ana Filipa, ela portuguesa, organizam as três saídas diárias e cursos até ao nível de assistente.

A operadora em si, dispõe de uma base na ilha com três embarcações, equipamentos completos de primeira para locação, e uma estação de recarga local de ar comprimido. Em média, uma saída sai por 40 euros.

Os mergulhos

Para chegar aos pontos de mergulho, o acesso é rápido e com lanchas velozes, fazendo com que o turista aproveite mais o dia. Muita vida é encontrada nos locais de mergulho. Peixes coloridos, moréias, arraias, tubarões e grandes peixes de passagem, fazem com que cada mergulho seja incrível.

Alguns quilômetros ao norte de Palmeira, Buracona é imperdível para ser visitado. É uma lagoa de águas profundas muito azul e com um feixe de luz que entra por um único buraco na pedra, dando um efeito espetacular e famoso, tornando-se hoje, um local protegido.

Deve-se ter cuidado ao caminhar próximo da água durante os meses de inverno, pois as ondas e correntes podem ser muito fortes.

As águas são cristalinas e com temperaturas girando em torno dos 24°C no inverno, podendo chegar aos 28°C no verão com visibilidade de até 40m.

Abaixo, destaco os melhores pontos de mergulhos na região:

Três Grutas

Saídas constantes e profundidade média de 18m. São três pequenas grutas, onde a maior possui um visual incrível de dentro para fora. A quantidade de peixes trombetas no surpreende nesse local.

Agodoeiro

Muitas mariquitas nos recebem. São três platôs formando uma escada, onde encontramos com frequência, tartarugas e arraias.

Farol / Oasys

O farol é dividido em duas partes, alto e baixo, sendo um excelente ponto para drift, indo pelo recife e terminando em outro recife próximo, o Oasys.

White

Geralmente mergulhamos no drift. O bacana deste ponto, é pular do barco e deixar a corrente levá-lo para um passeio pelo recife cheio de vida.

Morrinho das Pedras

Para mim, um dos melhores… Um mergulho no azul em meio à formação de pedras que formam grandes pilares. O local está distante e requer maior habilidade do mergulhador devido às correntes no local.

Ponta Preta

Mergulho mais comum na ilha. Tempo de navegação da base até o ponto de mergulho em apenas 5min. Profundidade média de 12m, sendo um ponto muito tranquilo e ótimo para iniciantes.

Cavala

Paredão imperdível, com mergulho profundo chegando aos 45m, podendo chegar aos 50 mais para fora. É um paredão que ao final na areia, encontra-se uma “varanda” com muitos cardumes. Normalmente é possível realizar um conjugado de multinível da cavala para o naufrágio Boris, em um mesmo mergulho.

Boris

Navio de pesca russo naufragado e inteiro, com possibilidade de penetrações para os certificados e devidamente equipados. Está aos 28m de profundidade.

Santo Antão

Grande naufrágio completamente desmantelado, estando aos 15m de profundidade.

Tchuklassa

Mergulho fantástico e sendo um dos melhores da ilha. Uma grande “varanda” que contorna o recife cheios de coral sol. Presença garantida de arraias e lagostas.

Ilhéus das Rocas

Ponto mais afastado do sal, chegando em média com 30min de navegação. Possui muitas passagens, sendo indispensável o uso de lanternas. Presença frequente de tubarões lixa (Lambarús) nas grutas. Muita vida nos cânions formados.

Thcunny Reef

Recife encontrado a pouco tempo e fazendo referência ao nome de um dive master local, o Wilson Tchnny. O recife está intacto, raso, onde eventualmente uma corrente leva os mergulhadores para um local repleto de muralhas construídas pelo homem, parecendo um sítio arqueológico.

Bóia 32

Mergulho em meio à uma forte correnteza com águas azuis. Pode ser feito para os dois lados do recife, onde atingimos a profundidade média de 30m.

Os mergulhos na ilha do Sal são planejados de acordo com as marés, então, é muito importante estar alinhado com os profissionais locais, para não ser pego de surpresa pelas correntes que podem levá-lo até 1 milha do ponto de mergulho.

Dicas gerais

A ilha dispõe de uma alimentação com grande variedade de pratos típicos, como a Cachupa, uma espécie de sopa rica em legumes e pedaços de carnes bovina, e pratos comuns, como o hambúrguer. Lembrando que se trata de uma ilha que é abastecida pelo continente, onde o pescado é o prato mais comum, como o atum, serra e mariscos de todas as espécies.

Restaurantes italianos, espanhóis e portugueses requintam a ilha com sua culinária internacional. Um bom vinho da Ilha do Fogo, também caboverdiana, é recomendado, além da aguardente local  denominada Grog.

Mini mercados são encontrados na ilha com preços justos. Não se pode desperdiçar por lá, pois sai caro.

É importante o uso de um seguro para o viajante, tendo em vista que a ilha só dispõe de duas clínica muito caras, e é melhor se prevenir, já que o custo de um seguro não é alto.

Para se locomover pela ilha, normalmente usamos táxis locais, muito baratos e que recebem euros ou escudos caboverdianos. Porém, acerte o preço antes para que não tenha surpresas de um taxista espertalhão, já que os taxis não dispõem de taxímetros.

O caráter amável da sua população, um clima tropical suave e suas espetaculares praias com areia fina, banhadas por um mar azul-turquesa, fazem de Cabo Verde um destino acolhedor, seguro e repleto de contrastes.

Alexandre Romão

Também conhecido com o “Bob Esponja”, é engenheiro em sistemas e consultor em grandes empresas.

Mergulha há mais de 20 anos, é Dive Master PADI, fotógrafo sub amador e membro da Equipe Xtreme Diving Adventure.