Visitando o Liberty Ship S. S. Jeremiah O’Brien

Os navios da classe Liberty Ship, foram de extrema importância durante a Segunda Guerra Mundial, pois através desse tipo de navio, foi possível combater os submarinos nazistas.

Para quem não sabe, durante a guerra, os u-boats, submarinos alemães, estavam acabando com a frota mercante e de marinha, por causa dos inúmeros ataques de efeito “surpresa”, e era difícil e complicado saber onde estes submarinos se encontravam, e muito menos, quando iam aparecer para um ataque.

Com tantos afundamentos em todo o mundo, era preciso alguma alternativa para frear os afundamentos dos navios atacados por estes submarinos, pois esses afundamentos interferiam inclusive, na entrega de mantimentos e armamentos aos países aliados. Com isso, os americanos criaram os Liberty Ship’s, navios construídos com chapas pré-moldadas, equipados com armamento na proa e popa, onde cada unidade era construída em até três meses apenas.

No caso do S. S. Jeremiah O’Brien, foram apenas 56 dias para a sua construção, realizada em South Portland, no Maine, indo para a água no dia 19 de junho de 1943. No total, foram construídos 2.710 navios desta classe.

Devido a velocidade em que eram construídos, os americanos conseguiam construir muitos navios rapidamente, criando os chamados “comboios”, que era uma imensa frota de navios andando um atrás do outro e em paralelo, dificultando a abordagem dos submarinos nazistas, pois havendo um ataque do u-boat, os demais navios iriam contra-atacar o submarino, atingindo e afundando o agressor rapidamente.

A partir dessa idéia, os países aliados conseguirem mudar a trajetória da guerra, levando a decadência de Hitler.

Uma informação interessante é quanto ao Elihu B. Washburne, que pra quem não sabe, é o Liberty Ship afundado mais próximo da costa brasileira por um submarino nazista, precisamente na costa de São Paulo. Além dele, consta nos registros da Marinha do Brasil, os Liberty Ships Marcus Whitman, naufragado na costa do Rio Grande do Norte e o Thomas Sinnickson, naufragado na costa do Ceará.

Visitando um Liberty Ship

Viajando de férias pela Califórnia, precisamente na cidade de San Francisco em meio ao frio de 5ºC, estava caminhando por uma antiga região denominada Fisherman’s Wharf, um antigo porto de pescadores onde atualmente encontramos vários restaurantes com frutos do mar e lojas com itens da cidade.

Curiosamente atrás dessa área, encontrei o Liberty Ship S. S. Jeremiah O’Brien, que hoje, é um museu flutuante e encontra-se aberto à visitação. Paga-se uma taxa de U$ 10 para entrar, quantia cobrada para a manutenção do navio museu.

Paguei a taxa e lá estava eu, entrando em uma parte da história mundial, onde certamente, me sentia um privilegiado de poder estar ali conhecendo de perto, parte dessa história com meus próprios olhos.

O navio como um todo é grande, está em ótimas condições de visitação e muito bem cuidado pela equipe de voluntários e veteranos que trabalham no navio. Até onde escutei, seria o único Liberty Ship no mundo, capaz de navegar. Para que isso fosse possível, todos os voluntários e veteranos se reuniram e arrecadaram uma grande verba para a recuperação total do navio e deixá-lo em condições de navegação, obtendo uma autorização especial do governo americano.

Era possível ver diversas pessoas limpando ou pintando o navio. Durante a visitação, fui abordado por um dos voluntários, que gentilmente relatou diversas informações históricas sobre o navio, me levando até a cabine de comando para tirar umas fotos na mesma e explicar em detalhes como o navio atuava.

Uma coisa me chamou a atenção: a simplicidade da cabine de comando.

A cabine não é tão grande quanto imaginei, e os equipamentos usados na época, dão uma visão do que era navegar durante a guerra sem os instrumentos usados atualmente.

Na parte inferior da proa, foram colocados diversos quadros ilustrando as batalhas com os liberty ships, onde encontramos também, uma maquete que demonstra como eram feitos os comboios. No mesmo salão, encontramos um taque e um jipe de guerra, para que os visitantes possam ter uma idéia da grandiosidade interna do navio e como transportavam a carga em seu interior.

Para quem curte história, é sem dúvida, uma excelente indicação de visita.

Como visitar

O navio encontra-se atracado no Muelle 45 – Fisherman’s Wharf, em San Francisco, Estado Unidos.

Mais informações podem ser obtidas através do site www.ssjeremiahobrien.org

Clecio Mayrink

Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS e realizou Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount).

Foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008, idealizador do site Brasil Mergulho em 1998 (MTB 0081769/SP) e atuou como consultor para a ONU, UNESCO, Segurança Pública, além de diversos órgãos públicos no Brasil.