Wakama – Um lado que poucos conhecem

O Wakama era um navio alemão que passou pela Argentina e depois pelo Brasil, tendo com destino a Europa. Conta a história que sua carga principal (carvão e algodão) seriam fachada para seu verdadeiro propósito nas Américas: conseguir subsídios para o 3º Reich.

Rubilitas, uma sacola de diamantes, cristais de quartzo de alta pureza são algumas das riquezas relacionadas.

Durante a segunda grande guerra, os militares no Brasil sabiam que haviam alemães infiltrados e escondidos no Brasil, principalmente na região sul do país. Essas pessoas estariam ajudando a financiar a guerra proposta por Hitler, enviando joias, dinheiro e bens em geral.

Na época os militares teriam confirmado o que já se imaginava. Os alemães residentes no Brasil, estavam enviando divisas através de navios cargueiros. Investigações foram realizadas com a ajuda dos ingleses e foram encontrados indícios de que o Navio Wakama (que estava navegando nas águas brasileiras) provavelmente carregava parte desses bens, assim como, uma lista secreta e codificada com os nomes dos alemães aqui residentes e seus respectivos endereços.

Cientes desta informação, os militares iniciaram uma busca pelo Wakama nas águas do litoral brasileiro, sendo localizado nas proximidades da cidade de Búzios, Rio de Janeiro. Ele foi afundado pelo cruzador inglês HMS Hawkins, levando toda a sua carga, passageiros, e provavelmente, a lista dos alemães colaboradores.

Histórico

16/03/1940: O Presidente do Brasil transmite um protesto ao rei da Inglaterra pela violação por parte da Inglaterra na Zona Pan Americana de Neutralidade, por causa do ataque ao cargueiro Wakama.

20/03/1940: Embaixador brasileiro recebe notícia do secretário de estado britânico que a reclamação do Brasil referente ao incidente do Wakama não agradou os ingleses. Os britânicos mantém a versão de que estavam protegendo o comércio brasileiro. O ministro de assuntos exteriores, Oswaldo Aranha, retruca a declaração dos ingleses dizendo que não vê a situação desta maneira e reclama da presença de navio de guerra britânicos no litoral brasileiro.

Foto: Clécio Mayrink

Um lado da história conhecido por poucos

Logo após o afundamento, os militares ingleses informaram aos militares brasileiros sobre o ataque ao Wakama, em seguida, militares brasileiros teriam invadido o antigo Banco Alemão Transatlântico, também conhecido como Deutsche Uberseeishe Bank (até alguns anos atrás, Secretaria de Estado de Fazenda do Rio de Janeiro) para apreender as divisas dos alemães, e possivelmente, a listagem com os nomes dos residentes no Brasil.

Segundo a história, várias pessoas que estavam no interior do banco morreram em função dos tiros disparados e algumas poucas se salvaram por terem usado duas saídas secretas que dão acesso aos fundos do prédio com saída para a Av. Presidente Vargas, uma das principais avenidas do centro da cidade do Rio de Janeiro. Dentro do banco foram encontradas valiosas pinturas e obras, além de joias e dinheiro no cofre, porém, nenhuma listagem foi encontrada. Relatos da época mencionam que todos os bens encontrados simplesmente desapareceram após a invasão.

O edifício foi construído pela Companhia Construtora Nacional, empresa dirigida por engenheiros e arquitetos alemães. O Banco Alemão Transatlântico (Deutsche Uberseeishe Bank) operava no Brasil, desde 1911 e em 1923 adquiriu os prédios de número 42 e 44, de propriedade de Asílio Asilo Benfeitor Antônio Gonçalves de Araújo, além do imóvel nº 48, da Irmandade do Santíssimo Sacramento – escritura de 28/11/1923.

A referência à “construção monumental” não era nenhum exagero. Ao longo de toda a Rua da Alfândega, depois da Igreja Nossa Senhora Mãe dos Homens à Rua Uruguaiana, alinhavam-se de ambos os lados, em sua maioria geminados, velhos sobrados com no máximo dois andares, onde muitos ainda existem até hoje e resistindo ao tempo.

A construção do edifício sede do Banco Alemão Transatlântico foi concluída em 1926. Era mais um banco estrangeiro que vinha se juntar aos já existentes nas Ruas da Alfândega e Quitanda. A concentração de estabelecimentos bancários estrangeiros naquela época justificava-se por três razões: a proximidade com as instalações portuárias do Rio, por onde fluía a exportação de café; a vizinhança com o Banco do Brasil, na época situado na Travessa Candelária; e os vultosos empréstimos do exterior.

Cofre Panzer no banco
Foto: Clécio Mayrink

Um detalhe interessante desse antigo edifício sede do banco alemão, é o cofre Panzer, onde eram guardados os bens de valor na época. O cofre foi construído pela Panzer em Berlim, na Alemanha. A Panzer era fabricante dos tanques de guerra da Alemanha e foi trazido de navio ao Brasil. O cofre é uma sala com paredes de aço de grande espessura (quase 1m), com cerca de 20x20m quadrados. Só existem outras 3 unidades iguais à esta em todo o mundo.

No passado, ao se instalar na nova sede, o antigo Banco Alemão Transatlântico alugou os andares 4º a 7º andar para a Companhia Internacional de Seguros (CIS) – também dirigida por alemães. Além disso, o banco fornecia suporte financeiro à companhia.

Com a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, o Banco foi liquidado por força do Decreto-Lei nº 4.612, de 24/08/1942, sendo nomeados interventores Virgílio A. de Mello Franco, Francisco Vieira de Alencar e Heitor Motta.

A matriz do Banco Transatlântico na Alemanha, foi inteiramente arrasada pelos bombardeios da Segunda Guerra Mundial. A Companhia Construtora Nacional também não existe mais.

Em1944, concluídas as obras de adaptação, instalava-se no prédio a Secretaria de Finanças da Prefeitura do Distrito Federal. O imóvel foi vendido, por CR$ 40.000.000,00 , pelo Governo Federal a prefeitura em 23/11/1943.

Com a fusão dos Estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, o prédio passou a sediar a Secretaria de Estado de Fazenda no novo Estado da federação. O pedido de tombamento foi solicitado em 1997 ao Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Posteriormente a Secretaria de Fazenda foi transferida para outro edifício na Av. Presidente Vargas, e durante a remoção de todos os objetos para serem levados ao outro edifício, acabaram arrombando uma gaveta do cofre que estava fechada há décadas, onde acabaram encontrando ouro e joias preciosas. Provavelmente de algum cliente do antigo banco alemão e ali ficaram esquecidas no tempo.

Segundo amigos que trabalhavam no prédio, duas funcionárias que encontraram as joias disseram que iriam chamar o patrimônio histórico, mas simplesmente elas desapareceram com as joias.

Apesar do edifício ser tombado, o prédio começou a ser demolido pelo próprio Governo do Estado do Rio de Janeiro em 2017.

Colaboração

  • Vinício A. Gomes – Bacharel em História
  • Kupeu – Instrutor da Casamar em Búzios-RJ
  • Marcelo Amorim e Marcos Eliziário – Secretaria de Estado de Fazenda
Clecio Mayrink
Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983, no autônomo em 1986 pela CMAS e Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount. Foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008, idealizador do site Brasil Mergulho em 1998 (MTB 0081769/SP), atuando em diversas matérias e documentários no Brasil e no exterior. Também atuou como consultor para a ONU, UNESCO, além de diversos órgãos públicos no Brasil.