Xcalak: Caribe Virgem

O nome vem do maia e significa “Duas Entradas”, provavelmente devido à conformação dos corais em frente à costa.

Xcalak é um pequeno povoado, daqueles que ainda não foram invadidos pela febre hoteleira que assola a Riviera Maia. Das cidades costeiras do Golfo do México é a última ao sul e está a 20 minutos da fronteira com Belize e está entre os melhores pontos do Caribe mexicano.

O povoado fica em frente a um parque nacional marinho e nos quatro dias que passamos mergulhando, tivemos oportunidade de ser abordados uma vez pelos guarda-parques, e em outra, nos sobrevoou um helicóptero da Marinha, que se foi depois de constatar que éramos a lancha errada. Fronteira… Os guarda-parques nos trataram de forma muito amável e não houve nenhum problema, já que estávamos seguindo as instruções do Dive Master, que era não tocar nos corais, não usar luvas (para conter a tentação de tocar), respeitar os animais.

Mergulhamos em vários lugares diferentes, todos lindos, sendo os mais incríveis, La Poza e La Poceta.

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O primeiro é um cânion submarino que começa aos 13 m e termina bem mais fundo (20 m encostamos em uma parede e mantivemos a profundidade). Saímos de 1,5 m de profundidade e ao entrar no cânion fomos recebidos por um cardume de mais de cinqüenta sábalos (Tarpão), muitos deles maiores que eu. Nesse lugar é comum avistar manatis, mas infelizmente nessa viagem não tivemos tanta sorte.

Nesse mesmo dia também fomos a La Chimenea, uma parede com uma cova guardada por um mero e habitada por uma barracuda de 1,5 m – aliás, vimos barracudas em praticamente todos os mergulhos.

Já em La Poceta é um mergulho que se inicia em uma piscina com uma saída em um cânion curto e alto, a 11 m de profundidade. Atravessando o cânion chega-se a uma parede levemente inclinada, linda com seus montes de corais fazendo vários níveis, o que nos fez lembrar daquelas encostas bonitas da Califórnia, cheias de casas de ricaços.

O Dive Master não parava de sinalizar: ou era uma garoupa, ou uma lagosta, arraias, tartarugas, barracudas…

No meio do mergulho entramos em um cânion que dava a outra piscina, também muito bonita. Na volta estávamos no cânion vendo um caranguejo-aranha e uns seis sábalos nos olhando com a mesma curiosidade.

Os corais são fantásticos, muito preservados e cheios de vida. Aqui vi a maior lagosta de minha vida, que deveria ter mais de meio metro, fora as antenas !

Muitas arraias, caranguejos-aranha, gorgônias, esponjas, etc. O único grande inimigo local dos corais são os furacões, como o Dean, que arrasou o lendário Banco Chinchorro.

Xcalak está 60 km ao sul de Mahahual, cidade que já figura entre os portos de parada dos cruzeiros internacionais e que vem se reerguendo depois de ter sida devastada pelo furacão Dean. Entretanto, não obstante o fato dela possuir mais conforto com seu estilo de balneário cheio de restaurantes, vida noturna e uma praia agradável, os grandes pontos de mergulho estão na primeira.

O litoral de Xcalak é coalhado de manguezais, cuja remoção é proibida, e os 400 habitantes locais trabalham em comunidade para manter preservada toda a região.

As áreas de snorkel estão bem próximas, cruzando o mangue, e são corais isolados onde se encontram gorgônias, anêmonas e muitos peixes. Já o mangue, é um capítulo à parte: fazendo snorkel com meu filho, vimos barracudas de 25 cm e toda espécie de filhotes. As águas são cristalinas até a beira da areia.

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Dicas

Para chegar lá, pode-se tomar um avião diretamente da Cidade do México a Chetumal e ir em um pequeno avião, barco ou ônibus.

O lugar onde fiquei – e que indico com muito prazer – se chama Costa de Cocos. Têm uma operação de mergulho simples mas barata e muito atenta. Não contam com Nitrox nem oxigênio a bordo e o barco é pequeno, mas os capitães são muito experientes, assim como os Dive Masters.

É possível fazer um pacote com hospedagem nos bangalôs, mergulhos, alimentação, etc.

A internet sem fio é um luxo num lugar onde não há telefone (nem fixo nem celular) é grátis.

O café da manhã é farto e está incluso no preço. São sempre muito solícitos e flexíveis, cuidando do seu regulador e colete, fazendo descontos se você quiser alugar algum equipamento, permitindo um late check out sem fazer muita frescura e emprestando papel e computador para imprimir os dive logs. Também existe a opção da operadora XTC (não conta com hospedagem), mas seus preços são mais caros, embora me tenha parecido que o serviço é mais completo.

Um programa que não pudemos fazer desta vez (não sabíamos, por isso não nos preparamos, e as férias incluíam escalas em Tulum, Cozumel e Chichen Itzá), mas faremos na próxima com certeza, é sair com eles de Xcalak a San Pedro, em Belize, e daí para o Blue Hole. É mais simples, seguro e barato que ir diretamente a Belize e eles assessoram o contato com a alfândega e a operadora local. O contato para o hotel Costa de Cocos pode ser feito com Rodolfo através do link www.costadecocos.com.

Para o almoço e jantar pode-se ficar no restaurante do hotel ou ir ao povoado, a 1,5 km, e comer no Restaurante Toby. Recomendo o ceviche de peixe ou camarão, e as quesadillas de camarão. A pimenta vem separado.

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Pontos visitados:

  • Alejandro’s Reef: batizado assim depois que um Dive Master local sofreu um desmaio e morreu ali. Uma série de cânions paralelos com profundidade máxima de cerca de 24 m.
  • La Chimenea: parede com uma cova (sem teto) a cerca de 27 m.
  • La Poza: cânion com muita vida, incluindo sábalos, arraias e manatis.
  • Dive Center Reef: uma série de cânions paralelos com profundidade máxima de cerca de 20 m.
  • Dedos de Dios: este ponto tivemos o privilégio de batizar nós mesmos e o nome se deve a uma formação de várias esponjas que apontam retas para cima, lembrando os dedos de uma mão. Também são cânions paralelos, com profundidade média de 18 m. Nesse local afundou um galeão espanhol e ainda é possível encontrar moedas de prata, embora retirá-las seja um crime federal conforme as leis mexicanas.
  • Santa Rosa: uma série de cânions paralelos com profundidade máxima de cerca de 30 m e muitas esponjas de vários tipos. Aqui também há muito coral negro e coral de fogo.
  • La Poceta: algumas piscinas que se interligam através de cânions a uma parede suavemente inclinada.

Em todos os sítios a visibilidade ficava média entre 15 e 25m, sendo menor que em Cozumel, mas o estado de preservação, a quantidade de vida e o fato de não estar nos roteiros comerciais de mergulhos fazem de Xcalak um lugar único para o mergulho recreativo. Minha esposa e eu mergulhamos algumas vezes sozinhos e outras com um casal, ou seja, éramos no máximo quatro mergulhadores e mais o guia.

Para os que estão planejando uma ida à Riviera Maia, Xcalak é um destino obrigatório.

Lembre-se apenas de trazer repelente, afinal, se não houvesse mosquitos ficaria difícil para Deus convencer-nos de que o paraíso não é aqui.

Mais informações podem ser obtidas através do site www.xcalak.info

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Fábio Teixeira de Melo
Engenheiro Mecânico especializado em gerenciamento de projetos de construção, atualmente residindo no México. Mergulha desde 2000 e é mergulhador avançado pela CMAS e Nitrox pela PDIC.