Yonaguni – Um sítio arqueológico

Foto: Ricardo Santos

Com o passar dos anos, dezenas de sítios arqueológicos estão sendo encontrados, revelando assim, o passado histórico do planeta e mostrando que a ciência ainda tem muito que conhecer sobre a existência de tudo o que nos cerca.

Décadas atrás, cogitava-se na cidade de Atlântida como sendo um continente perdido no meio Oceano Atlântico, assim como, outro continente no próprio Atlântico e as terras de Rama no Oceano Índico.

Existem algumas lendas dos povos asiáticos, onde algumas delas podem estar relacionadas com algumas descobertas.

Uma lenda muito conhecida no Japão, Taiwan, China e Filipinas, descreve a antiga busca pela civilização de Mu, que estaria perdida em algum ponto dessas regiões. Essa lenda menciona um reino submerso nas águas do Pacífico, com uma linha costeira que unia várias terras, onde os fragmentados arquipélagos da Malásia, Indonésia, Filipinas e do Japão, teriam na verdade, um grande continente.

Alguns pesquisadores o chamam de Lemúria, porém no Japão ele é chamado de Hori.

Em 1985, mergulhadores japoneses fizeram uma grande descoberta durante alguns estudos sobre a região no arquipélago de Ryukyu, a 480 km de Okinawa, no Japão.

O mergulhador Kihachiro Aratake juntamente com sua equipe, estavam procurando por novos pontos de mergulho a 250m da costa, quando encontraram acidentalmente um conjunto de misteriosas ruínas. Eram nada mais nada menos, que uma imensa plataforma com escadarias, assemelhando-se com um altar em pedras cortadas e com grande precisão.

Segundo alguns pesquisadores, seriam restos de uma cidade antiga e submersa nas proximidades, ocupando uma área com 28,88 km², onde residia uma população com até 2.000 membros, calcula-se.

Diversos historiadores, arqueólogos e outros cientistas foram ao local para a realização de estudos geológicos e calcular a idade desses monumentos, que hoje estima-se que tenham perto de 11.000 anos de idade, colocando essas edificações como sendo as mais antigas do planeta.

Oito grandes estruturas produzidas pelo homem foram encontradas no decorrer dos últimos dez anos de explorações e pesquisas, destacando-se um grande platô com mais de 200m de comprimento e uma pirâmide igual às pirâmides Astecas e Maias com cinco andares, e alinhada com os pontos cardeais.

Algum tempo atrás, a Esfinge de Gizé passou por uma análise, sendo datada com 12 mil anos de idade, e sendo assim, as construções de Yonaguni teriam sido construídas na mesma era em que sugiram as pirâmides do Egito.

Posteriormente outras ruínas vieram ao conhecimento, como a caverna rodeada de grandes pilares e uma estátua de “cabeça humana”, já bastante degradada pelo contato com a água do mar, tendo em vista que ela encontra-se aos 18m de profundidade.

Segundo os arqueólogos, ela seria parecida com os moais da Ilha de Páscoa no Chile, também localizado no Pacífico.

Escadarias, entalhes na rocha, rampas, terraços, pilares e desenhos de animais nas pedras, além de ferramentas de entalhe e inscrições gravadas em estranhos caracteres (denominados Okinawan Rosseta Stone), confirmam que o achado seria obra de seres humanos e de uma civilização bastante evoluída, tornando Yonaguni, o mais antigo sítio histórico arquitetônico.

As pesquisas prosseguem através de Masaaki Kimura e sua equipe da Universidade de Ryukyu.

Yonaguni ainda é um local pouco divulgado pela mídia, seja pela distância ou pela falta de informação sobre essa obra arquitetônica. De fato, é um local muito diferente dos locais normalmente visitados pelos mergulhadores em todo o mudo, e que sem dúvida, deveria fazer parte de um plano de viagem dos mergulhadores.

Mergulho

Nos mergulhos nas ruínas e especificamente nos meses de dezembro e fevereiro, os mergulhadores encontram diversos tubarões martelos e eventualmente, tubarões baleia. Existem diversas cavernas marinhas com belíssimas entradas de luz, dando um maravilhoso espetáculo subaquático.

Além dos tubarões e cavernas, existe vida em abundância e aos amantes da fotografia submarina, o local é um espetáculo em formas e seres.

Com quem mergulhar

  • Diving Service Marlin
  • Open Coast Travel
  • Yonaguni Diving Service
  • Reef Encounters International

Hospedagem

  • Komine Ryokan
  • Minshuku Omoro
  • Minshuku Sakihara
  • Yoshimaru-sō

Agradecimentos

A equipe do Brasil Mergulho contatou alguns colaboradores residentes no Japão, e infelizmente, nenhum deles ainda foi até o local, pois Yonaguni fica bem distante do ponto central do Japão.

Após algumas tentativas e grandes dificuldades, conseguimos contatar o engenheiro André Machado Costa, que nos ajudou a escrever esse artigo sobre o local.

Ricardo Santos

Engenheiro Civil, com certificação em mergulho técnico e rebreather pela IANTD, caverna pela NSS-CDS, e CMAS 3 estrelas.