Alguns conceitos sobre equipamentos

Foto: Clécio Mayrink

A cada dia vemos mais e mais pessoas utilizando máquinas digitais e ao mesmo tempo, deixando de utilizar muitos recursos que uma câmera fotográfica pode nos trazer. Vamos falar um pouco sobre conceitos básicos de fotografia, pois a cada dia fica mais difícil de encontrar informações à respeito desses conceitos.

Câmera Fotográfica

Uma câmera é formada por corpo e objetiva, onde os dois podem se destacar ou não. O corpo pode ser fabricado em metal (câmeras mais antigas) ou em material plástico (câmeras mais novas), sendo este mais leve e mais frágil.

As objetivas quando destacáveis, normalmente possuem sua caixa em metal com lentes de grande qualidade em pureza, que é denominada Claridade. Isto é, quanto mais luz a lente deixa passar, maior qualidade ela tem e seu custo será superior. A claridade de uma objetiva é chamada de número F, e quanto menor for este número, a objetiva conseguirá obter uma passagem maior de luz. Uma boa lente possui um número F inferior à 4.6.

Obturador X Velocidade de Abertura

Toda câmera possui o que chamamos de obturador, que nada mais é do que mecanismo que se abre e se fecha muito rapidamente, deixando a luz passar para o interior do corpo da câmera e chegando até o filme fotográfico.

Para que uma foto tenha uma boa exposição, isto é, saia perfeita, a velocidade com que o obturador se abre e se feche, mais o tamanho do diâmetro da abertura, que está diretamente ligado ao número F, deverão estar bem configurados pelo usuário ou pelo sensor da câmera, quando esta, estiver no modo automático.

Objetivas X Distância

Devido aos diversos tipos e modelos de objetivas atualmente disponíveis no mercado para câmeras com comandos manuais, o mergulhador fotógrafo, precisa se adaptar e conhecer bem seu equipamento, pois alguns fatores importantes poderão comprometer o resultado final, após uma sequência de fotos.

O problema é que dependendo do tipo de objetiva, temos configurações diferentes no que diz respeito às distâncias. Citamos por exemplo, uma lente 35mm, onde sua distância focal gira em torno dos 80cm, pois caso o fotógrafo tente obter uma foto de um objeto a uma distância inferior a isso 80cm, provavelmente a foto sairá desfocada. Mais devemos tomar cuidado também, com a distância excessiva, pois acabamos perdendo cores e contraste por exemplo.

Um detalhe importante, é quanto ao visor interno das câmeras da linha Nikonos, pois eles só cobrem 85% da área a ser fotografada, não mostrando o enquadramento real a ser fotografado.

As objetivas 28mm, a distância mínima em sua escala é de 60cm, sendo indicada para fotos com animais, como tubarões, tartarugas, dentre outros.

Filmes

Os filmes mais utilizados na fotografia subaquática estão entre ASA 64 e ASA 100, onde o número informa o grau de sensibilidade à luz do filme. Um filme de ASA 400, por exemplo, é quatro (4) vezes mais sensível a luz que um filme de ASA 100 por exemplo. Ou seja, para se fazer uma foto com um filme ASA 100, você precisa de quatro vezes mais luz que um filme de ASA 400, para fotografar um mesmo objeto.

Na fotografia submarina, a sensibilidade é um item muito importante a ser observado. Quanto menor o número da ASA de um filme, mais cores a foto terá, porém, você necessitará de mais luz. Uma vantagem, é que em uma ampliação, a imagem irá granular menos. Em filmes com número de ASA maior, você precisará de menos luz, terá um ganho inferior em número de cores, e para ampliações, as imagens irão granular.

Filmes com menor número de ASA, você irá ter menos profundidade de campo. Isto é, quando queremos ganhar mais abrangência de fundo, escolha um filme com ASA maior. Uma boa escolha ainda é o filme ASA 100 quando se fotografa em águas claras, e ASA 200, quando as condições requerem um filme com sensibilidade um pouco maior. Se você pensa em fotografar em ambientes mais escuros como naufrágios e cavernas, uma boa opção será o filme com ASA 400. Acima disso, é totalmente inviável.

Clecio Mayrink
Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS e realizou Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount). É juiz internacional de apneia pela AIDA e foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008. Produziu documentários sobre as Bahamas, Bonaire, Galápagos e Laje de Santos, visitando mais de 30 países. Foi o idealizador do site Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769/SP), atuou como consultor para a ONU, UNESCO, além de diversos órgãos públicos no Brasil.