Ar respirável Grau E – Características Técnicas

As especificações completas estão detalhadas na norma CGA Compressed Gas Association, G-7.1-1989, que incluem: teor de oxigênio, teor de hidrocarboneto (condensado), limite de exposição ao monóxido de carbono (CO), dióxido de carbono e odor conforme a tabela da imagem abaixo.

Ar-Respiravel-Grau-E

Commonly Used Air Specifications for Diving

Notas

1) Não é necessário para o ar processado quando o oxigênio produzido pela liquefação do ar e atende à especificação USP (USP – U.S. Pharmacopeial).

2) Não é necessário para o ar processado quando o nitrogênio, previamente analisado, atenda a especificação do Formulário Nacional da USP (USP – U.S. Pharmacopeial).

3) O teor de água pode variar dependendo do uso pretendido. Para uso com equipamento autônomo em temperaturas frias extremas, ponto de orvalho não deve exceder -65ºF (24 ppm) ou 10 graus Fahrenheit inferior à temperatura mais baixa esperada.

4) Não é necessário para o ar processado cujos componentes de oxigênio e de azoto são produzidas por liquefação do ar.

5) O termo “ATM” (atmosférica) indica o teor de oxigénio normalmente presente no ar atmosférico; os valores numéricos representam os limites de oxigênio para o ar processado.

6) medição do odor é impraticável. O ar pode ter um ligeiro odor, mas um odor muito pronunciado torna o ar insatisfatório.

7) O usuário deve garantir que a estação de recarga de ar tem um certificado de análise do fornecedor que atende ar Grau D para ar respirável. Teor de umidade não exceda um ponto de orvalho de -50ºF (63 ppm) à pressão de 1 atmosfera. A entidade deve assegurar que os compressores usados para fornecer ar para respiração possuam filtragem para minimizar teor de umidade de modo que o ponto de orvalho a 1 atmosfera seja de 10 graus Celsius abaixo da temperatura ambiente.

8) OSHA não indica uma frequência de teste. A OSHA acredita que é essencial para o usuário garantir que excessiva quantidade de monóxido de carbono não esteja presente no ar comprimido respirável. Aceita a utilização de alarmes de monóxido de carbono, filtros de monóxido de carbono, localização de entrada de ar adequada monitoramento freqüente da qualidade do ar, uso de alarmes de alta temperatura com dispositivos de desligamento automáticos desligad. “Pg 1256, Federal Register”.

Ainda existem muitas discordâncias entre os vários “standards”. Além da bibliografia citada no final temos, também, normas americanas emitidas pelo Corpo de Bombeiros que diferem em alguns itens, mas, de forma geral, a tabela da CGA é a mais aceita.

Mas porque isso tudo ?

Porque não há nenhum tipo de controle sobre as estações de recarga existentes no Brasil, alguns desses gases são muito perigosos. Tomo como exemplo, o monóxido de carbono que é inodoro, inflamável e incolor sendo muito perigoso devido à sua grande toxicidade.

O monóxido de carbono é rapidamente absorvido através dos pulmões ligando-se à hemoglobina com uma afinidade cerca de 210 vezes maior do que a do oxigénio, provocando deste modo, uma anoxia celular, devido a uma grande limitação do transporte de oxigénio pela hemoglobina e consequente diminuição da libertação deste nos tecidos.

A ligação do monóxido de carbono à hemoglobina denomina-se de carboxihemoglobina. A exposição em níveis muito elevados de monóxido de carbono poderá ter consequências irreversíveis e até fatais.

Sinais e sintomas

A inalação deste gás, geralmente começa por causar sintomas muito comuns a outras situações, como por exemplo, cefaleias, tonturas, náuseas e vómitos numa grande maioria das vezes estes sintomas são confundidos com uma gripe ou com uma intoxicação alimentar. Numa fase posterior ocorre um agravamento destes sintomas, e passamos a ter:

  • Dispneia
  • Taquipneia
  • Confusão
  • Fadiga
  • Labilidade emocional
  • Alucinações
  • Alterações electrocardiográficas
  • Isquemia
  • Infarto

Concentrações abaixo de 400 ppm no ar causam dores de cabeça e acima deste valor são potencialmente mortais, tanto para plantas e animais quanto para alguns microorganismos.

O monóxido de carbono está associado ao desenvolvimento de doença isquémica coronária, pensando-se que esse fato resulte da interferência com a oxigenação do miocárdio e do aumento da adesividade das plaquetas e dos níveis de fibrinogénio o que ocorre particularmente com os fumantes.

Veja que 400 partes por milhão é quase nada e, também, que os organismos reagem de forma diferente; há pessoas com mais ou menos predisposição e este ou aquele problema. O monóxido de carbono é mais leve que o ar e, se comprimido dentro de nossos cilindros tenderá a ficar separado podendo ser inalado em concentrações indesejáveis. Fica o alerta para todos nós.

Fontes

  • CGA – Compressed Gas Association – Handbook of Compressed Gases (CGA Arlington, Virginia-USA)
  • CSA- Canadian Standards Association – Standard Z275.2-2011 Occupational Safety Code for Diving Operations (L)
  • OSHA-Occupational Safety & Health Administration.
  • USP – U.S. Pharmacopeial
  • Wikipedia
Enio Couteiro
Mergulha há mais de 30 anos e é inspetor especialista em cilindros de mergulho com certificação da PSI dos Estados Unidos, sendo um dos profissionais mais reconhecidos do mercado, em razão do seu vasto conhecimento técnico e tempo de atuação no mercado nacional do mergulho.