Carmo do Rio Claro-MG / Rio Sapucaí – Furnas

O Rio Sapucaí, passa próximo ao município de Carmo do Rio Claro, em Minas Gerais, perdendo o nome quando encontra com o Rio Grande.

Após o alagamento quando foi fechada a barragem, passou a fazer parte da Bacia Hidrográfica da Represa de Furnas, com 384 km navegáveis e uma quantidade de água represada equivalente a mais ou menos 7 Baías de Guanabara (RJ).

O mergulho foi realizado na Ponte Torta (GPS: 20° 54.667 S / 46° 04.714 W), estrada que vai em direção a Ilicínea e Boa Esperança, na MG-265. Partindo inicialmente de Passos, pela MG-050, passando para MG-996 e posteriormente para a MG-265, em direção a Alpinópolis (conhecida como “ventania” pela população local), continuando após esta cidade, aproximadamente por mais 30 km, até encontrar com a placa indicando Ilicínea, também MG-265, mais 10 km, chegamos na Ponte Torta.

A distância aproximada de São Paulo até Passos, indo pela Rodovia dos Bandeirantes, Dom Pedro e estrada até Mococa (SP-340), Arceburgo, Monte Santo de Minas, São Sebastião do Paraíso até Passos, é de aproximadamente 400 km, seguindo até próximo a Carmo do Rio Claro, tem mais 60 km de estrada.

Das conversações

Há muito tempo vinha querendo mergulhar por aquelas bandas de Minas Gerais e, aproveitando uma destas viagens, em uma visita ao meu sogro que reside em Passos, iniciei uma conversação com Gilberto Kallás, renomado instrutor desta região, bem com sua esposa Denise Rezende, que é Dive Master. Quem fez o contato foi meu concunhado e falecido Tenente Clóvis, da Policia Militar do Estado de Minas Gerais, sediado em Passos.

Algumas conversas por “e-mail” e “MSN”, que demoraram semanas até surgir o dia certo e a oportunidade para realizarmos o encontro e o mergulho, o que acabou por ocorrer no final de semana do feriado paulista de 09/07, e lá vamos nós.

Nos encontrarmos na noite anterior, durante uma peixada no Clube Náutico, a beira da Represa de Furnas, perto da barragem da cidade de mesmo nome. Tudo visando os acertos finais do mergulho, o que, inclusive, inicialmente, ocorreria em frente ao próprio Clube. Porém, pelas mais diversas razões e hipóteses, a visibilidade que, nesta época do ano normalmente é boa, estava simplesmente péssima, não passando de um metro próximo a superfície e de poucos palmos após os 7, 8m de profundidade.

Informações colhidas junto ao instrutor Gilberto, que comentou que foram colocados muitos tanques de criações de peixes (Tilápias) na represa, o que teria modificado o PH da água. Por este motivo, os mergulhos estão sendo realizados em outros pontos e, um deles e principal e “melhor” no momento, é na Ponte Torta.

O mergulho

Como já havia de antemão, combinado com o Gilberto e a Denise, eu mergulharia na configuração Sidemount (S80 – AR), carregando um stage (S-40 – EAN50), bem como de roupa seca e, o Gilberto, de dupla (S80 – sem manifold) e de roupa úmida. Aproveitando também, no meu caso, para treinar mais esta modalidade e com stage, já que eu vinha mergulhando apenas com duplas de aço de 15 litros.

Após chegarmos ao local, com uma visita a pé nas proximidades, para conhecer o percurso até a beira do rio, tendo em vista que nunca mergulhei neste local (tivemos que descer alguns degraus, o que seria complicado e desajeitado, com uma dupla de aço, mesmo que nas costas, dado o ângulo de descida e a precariedade do local). Uma vez conhecido o percurso, entramos na água.

Antes disto, logicamente, planificamos o mergulho que teria um tempo máximo de 1 hora, com uns 15 minutos de tempo de fundo, que seria nos 49 metros, conforme informado pelo próprio Gilberto, porém, não encontramos mais do que 34 metros na parte mais funda, que seria entre a 2ª.

A 3ª Pilastra da Ponte e daí para frente, o que eliminou a necessidade de uma deco mais longa (com base no computador). A temperatura oscilou entre 21ºC, próximo à superfície, e 20ºC próximo do fundo.
Assim, terminamos nosso mergulho em 62 minutos de tempo total.

Embora todo o mergulho sempre vale a pena, me decepcionou a rara vida avistada, mal conseguimos ver um único mandi (peixe comum na região). Com uma descida em 45 graus, avistamos algumas rochas e, no fundo, apenas areia, muita areia, necessitando do mergulhador uma boa flutuabilidade e batidas de meio ciclo (Frog), além de manter certa distância do fundo, o que ajuda evitar o contato com esta areia para não prejudicar ainda mais a visibilidade.

Quanto a esta visibilidade, posso mencionar que, não ficou longe da comentada pelo Gilberto, sendo de poucos metros acima e de poucos palmos após os 25m, inclusive, parte do mergulho foi feito em toque-contato (e algumas vezes em contato integral !).
Este foi apenas um mergulho, e em apenas uma parte da represa de furnas. A bacia hidrográfica é grande e abrange dezenas de municípios, com locais e profundidades variadas, chegando até mais de 100 metros próximo ao Clube Náutico.
Aguardemos outras oportunidades para realizar outros mergulhos nesta região.

A melhor época para mergulho na região, entre julho e dezembro.

Esse artigo foi escrito com a colaboração do meu dupla de mergulho e Instrutor Gilberto Kallás e Denise Resende.

Marcus Vinicius Silvestrini
Natural de São Paulo, é graduado em economia e contabilidade pela Universidade Mackenzie, atuando como assessor em perícia contábil, junto a Justiça do Trabalho. Mergulha desde 2008 e é Master Scuba Diver pela PADI, Advanced Nitrox, Intro to Cave e Sidemount pela IANTD, procedimentos descompressivos pela TDI, possuindo diversos mergulhos realizados no Brasil e no exterior.