Combatendo a Doença Descompressiva

Foto: Clécio Mayrink

Embora rara no mergulho esportivo, a Doença Descompressiva (DD como será referida nesta) assusta todos os níveis de mergulhadores que usam gás comprimido, e até apneistas. O intuito desta é auxiliar sua prevenção, com 10 dicas básicas que podem auxiliar a diminuir este risco. Dividiremos estas dicas em hábitos de vida, hábitos de mergulho e hábitos pós-mergulho.

Hábitos de vida

1. Atividade esportiva: esteja bem condicionado.

Um bom condicionamento físico, especialmente aeróbico, ajuda bastante na prevenção da DD. Para ajudar na eliminação de nitrogênio, precisamos estar com o sistema circulatório no seu ideal. Ainda, mergulhadores mal condicionados acabam absorvendo mais nitrogênio e eliminando menos gás carbônico do que o necessário durante o mergulho. Por outro lado, evite exercícios exaustivos antes e logo após seus mergulhos. Os mesmos podem causar micronúcleos de gás nas suas células, prováveis pontos de nascimento de bolhas.

2. Alimentação: alimente-se de forma correta.

A partir da noite anterior ao mergulho, evite alimentos gordurosos. A alimentação acaba indiretamente influenciando a circulação. Uma pessoa que ingere alimentos gordurosos horas antes do mergulho terá por algum tempo um sangue mais “viscoso”, com pior capacidade de eliminação de nitrogênio. Qualquer pessoa deve estar de olho também no seu nível de gorduras no sangue, para evitar outros problemas de saúde.

3. Bebidas alcoólicas: evite bebidas alcoólicas.

O álcool leva à desidratação, portanto evite bebidas alcoólicas na véspera e antes de mergulhar. Caso decida beber moderadamente, tome bastante água. Lembre-se que o álcool pode permanecer na circulação por mais de 24 horas.

4. Hidratação: mrgulho sempre bem hidratado

Tome bastante água e outros líquidos não alcoólicos antes e depois do mergulho.

Hábitos de mergulho

5. Perfil de mergulho: suba lentamente em qualquer mergulho

Especialmente nos metros finais, próximo à superfície, a variação de pressão é maior. Além de subir lentamente, faça sempre uma parada de segurança a 5 metros de profundidade, por um mínimo de 3 minutos. A parada ajuda você:

  1. Diminuindo a velocidade de subida nos metros finais.
  2. Permitindo que você dê uma última olhada na sua tabela ou computador, evitando o risco de uma descompressão omitida.
  3. Comece de forma mais gradual a eliminação de nitrogênio.

6. Uso de tabelas e computadores: seja conservador nos seuslimites de nitrogênio.

Fuja dos limites das tabelas ou computadores. Faça mergulhos sucessivos em profundidades progressivamente menores. Faça em seus mergulhos profundos, um perfil de multinível. Quando estiver fazendo mergulhos múltiplos em dias consecutivos, comece com poucos mergulhos até se recondicionar, e no fim dos dias diminua seus mergulhos e suas profundidades. Deixe um dia sem mergulhos, antes de pegar avião. Sempre que usar computador, tenha um plano de mergulho gerado pela tabela, para caso de falha do computador.

7, Uso de misturas de nitrox: NITROX é uma ferramenta, não uma varinha de condão.

Ao usar misturas de ar enriquecido com oxigênio, fuja dos limites de exposição. Lembre-se que limites de nitrox ou ar geram praticamente o mesmo risco.

8. Evite frio e exaustão. Minimie sua absorção de nitrogênio.

O aumento da frequência respiratória, causado por estas duas condições, aumenta a absorção de nitrogênio. Caso inevitável, aborde o mergulho em questão com mais conservacionismo. Mesmo imediatamente após o mergulho, caso você tenha saído longe do barco por uma corrente forte, acene e seja rebocado, não é vergonha !!!

Hábitos pós mergulho

9. Evite esforços exagerados. Relaxe. Não faça força logo após o mergulho, dê um tempo. Não fique “fritando no sol”, a menos que bem hidratado. Beba bastante líquido não alcoólico.

10. Cuidado com a altitude. Recalcule. Caso venha a mergulhar de novo, calcule seu próximo mergulho com boa margem de segurança. Espere um mínimo de 12 horas para voar. Cuidado com variações exageradas de altitude, mesmo para dirigir após o mergulho.

Para finalizar, é muito fácil prevenir a DD, mas frequentemente vejo mergulhador negligenciando algumas destas normas básicas.

Bons mergulhos, sem visitas não programadas ao hospital

Gabriel Ganme
Dr. Gabriel Ganme é médico do esporte, e responsável pelo ambulatório de Medicina dos Esportes de Aventura da Escola Paulista de Medicina, no CETE - UNIFESP. Mergulha desde 1980 e foi Course Director pela PADI de 1990 até 2016. Foi Cave Intructor Sponsor (NSS/CDS), Technical Instructor pela TDI e IANTD, e membro da Undersea & Hyperbaric Medical Society. Atualmente é proprietário de uma clínica especializada em medicina esportiva.