Conhecendo a Carta Náutica e o GPS

Para aqueles que frequentemente estão no mar, é interessante e muito importante ter um conhecimento básico sobre carta náutica e GPS.

Podemos dizer que uma Carta Náutica nada mais é do que um mapa desenvolvido pela Marinha, onde é possível obter diversos dados como a profundidade, tipo de fundo, localização de faróis, posição de naufrágios, dentre outros. Resumindo, um mapa com informações cruciais para quem pretende navegar por uma região.

No que diz respeito aos mergulhadores, ela contribui no reconhecimento de ilhas, pontos de mergulhos e uma ideia quanto à posição dos naufrágios.

Infelizmente só há poucos anos, nossa marinha iniciou o registro dos naufrágios com a marcação mais exata (Longitude e Latitude), tendo em vista o crescimento quanto ao número de usuários e empresas que utilizam o GPS como auxílio à navegação. Marcas de naufrágios registradas até meados de 2005, na maioria das vezes, não eram precisas e as variações na margem de erro chegam a ultrapassar 1 milha em alguns casos.

As cartas náuticas são atualizadas de tempos em tempos, e para nós mergulhadores, ela contribui muito para programar os mergulhos em uma região pouco conhecida. Para quem gosta de naufrágios, é uma boa ferramenta de consulta e pesquisa.

Informações básicas

A carta náutica possui símbolos que identificam o que há embaixo e acima d’água. Um exemplo, são os faróis e bóias de sinalização.

Exclusivamente aqui no Brasil Mergulho, você pode fazer o download de um documento oficial e de uso internacional lançado muito National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), denominado Símbolos de Cartas Náuticas – Termos e Abreviações, onde constam todos os símbolos utilizados nas cartas náuticas. São 27 documentos em PDF com 85Mb no total. Clique aqui para fazer o download.

Uma boa referência eletrônica, são as cartas náuticas para o software MapSource, produzido pelo fabricante Garmin. O custo é um pouco salgado, mas frequentemente são atualizadas pelo fabricante.

GPS – Global Position System ou Sistema de Posicionamento Global

Atualmente o GPS já é utilizado por muitos usuários, assim como em aviões, barcos, carros e até em celulares. Para os mergulhadores, o GPS pode nos ajudar nos seguintes pontos:

  • Registrar um novo ponto de mergulho;
  • Encontrar um naufrágio que esteja em um determinado ponto, onde não seja possível ter referências em terra;
  • Em caso de mau tempo, nos ajuda a tomar a direção correta durante a navegação no mar;
  • Contribui nas buscas e recuperações de objetos.

Existem outros pontos em que o GPS pode ajudar o mergulhador, mas é uma relação grande e para cada fim específico.

Em um GPS, encontramos as seguintes informações básicas:

  • Longitude;
  • Latitude;
  • Hora / Data;
  • Posicionamento onde o usuário se encontra.

Funcionalidades básicas de um GPS

Além da posição em que o usuário se encontra, ele indica com precisão a direção de um local no qual se deseja ir. Tendo o Waypoint (Longitude e Latitude) do local desejado já registrado no GPS, o usuário solicita ao GPS  a direção para se chegar ao ponto desejado, e estando conectado ao sistema de satélites, imediatamente o GPS informará a direção em que este usuário deverá seguir. Além disso, são informados a distância, velocidade em que o usuário se encontra e quanto tempo este levará para chegar até o destino na presente velocidade.

Trabalhando com o GPS

Para que possamos registrar um determinado ponto no GPS, é necessário que o GPS receba os dados dos satélites. Para obter a longitude e latitude do local em que se encontra, são necessários pelo menos 3 (três) satélites formando um eixo X, Y e Z, ou seja, em três dimensões. Quanto mais satélites o GPS conseguir os dados, melhor será a precisão das informações prestadas quanto ao posicionamento do usuário. Mudanças de tempo podem interferir de alguns centímetros até alguns metros na precisão do ponto marcado. Clima mais frio significa mais tempo que o GPS se ache.

Atualmente encontramos modelos de GPS que poderiam se conectar com até 24 satélites ao mesmo tempo, mas além de desnecessário para o mergulho, dificilmente um GPS conseguirá obter dados acima de 9 satélites ao mesmo tempo, devido ao posicionamento destes em relação ao usuário na Terra. Existem satélites geoestacionários, que são satélites parados em frente à um determinado plano na Terra, que é o caso de satélites para a transmissão de dados, som e imagem. Já os satélites em trânsito geoespacial, que são os satélites com rota, estes ficam rodeando a Terra. Normalmente são os satélites para a obtenção de fotos, imagens, dados e até para dados de espionagem.

Quando você desejar marcar um determinado ponto em seu GPS, você deve solicitar ao mesmo para que salve o ponto em que se encontra, para retornar ao mesmo ponto no futuro. Quando desejar retornar ao mesmo, bastará selecionar em seu GPS o waypoint desejado para que ele indique a direção do ponto em questão. É claro que o GPS já deverá estar conectado aos satélites.

Se você deseja marcar a posição de um naufrágio recém encontrado, você deve colocar a embarcação com o cabo de sua âncora exatamente em linha reta, para que a sua embarcação esteja exatamente acima do naufrágio. Desta forma, você conseguirá a marcação com maior exatidão do naufrágio.

Erros no GPS

Dificilmente encontramos problemas com o GPS, mas em dias de trovoadas, as camadas mais altas da Terra sofrem alterações que consequentemente influenciam nos dados obtidos pelo GPS. Neste caso, deixe o equipamento se conectar ao maior número de satélites possível antes de realizar a marca de um local.

Quando realizar uma marcação, não esteja em movimento. Em média, o GPS leva de 2 à 5 segundos para exibir a informação atualizada, e estando em movimento, a marcação obtida não será tão precisa. Em águas claras pode-se até ignorar isso, mas em águas escuras como em alguns locais do Brasil, isso poderá será um problema ao tentar retornar à este local.

Vejamos um exemplo…

Se você marcou a posição de naufrágio onde a água escura é predominante no local e profundidade gira em torno dos 45m, havendo uma imprecisão na marca registrada no GPS, fatalmente você terá problemas ao retornar em um outro dia de mergulho, pois buscar um naufrágio aos 45m de profundidade com uma imprecisão de 10m para cada lado da marca registrada, é perder um bom tempo realizando buscas para encontrá-lo. Um bom exemplo de naufrágio com essas características é o naufrágio Rio Anil em Cabo Frio, no Estado do Rio de Janeiro.

Normalmente o GPS pode haver imprecisão na informação quanto ao posicionamento na ordem de 3 à 15m de distância do ponto anteriormente registrado. Nunca presenciei imprecisões maiores que 6m, mas não sei se tal imprecisão varia de aparelho para aparelho.

Resumo

Se você gosta do assunto e deseja não ser somente um mergulhador básico, é muito interessante obter os conhecimentos básicos quanto à leitura das cartas náuticas e saber usar o GPS. Eles podem ser muito úteis em mergulhos onde não há operadoras envolvidas ou se você possui embarcação própria para a realização de seus mergulhos.

Clecio Mayrink

Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS e realizou Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount).

Foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008, idealizador do site Brasil Mergulho em 1998 (MTB 0081769/SP) e atuou como consultor para a ONU, UNESCO, Segurança Pública, além de diversos órgãos públicos no Brasil.