Desenvolvimento da flexibilidade da articulação dos ombros

Muitos mergulhadores recreacionais ao iniciarem o curso de mergulho técnico, apresentam dificuldades na realização de um exercício específico denominado verificação de torneiras ou valve check.

Estas dificuldades consistem no alcance dessas torneiras que ficam localizadas nos cilindros duplos, bem como no isolador. A perda ou falta de flexibilidade de membros superiores, principalmente nas articulações dos ombros, é a causa principal para o fracasso na realização do exercício, o que pode acarretar a inaptidão do candidato para este nível de treinamento.

A flexibilidade pode ser definida como a amplitude articular máxima em uma ou mais articulações ou pela relação existente entre o comprimento e a tensão de um músculo alongado. O treinamento da flexibilidade propicia o aumento do comprimento da unidade músculo-tendão. Tradicionalmente, são utilizados com maior frequência alguns métodos para o desenvolvimento da flexibilidade, tais como: facilitação neuromuscular proprioceptiva (FNP) e alongamento estático, sendo este último, amplamente usado devido à facilidade de aprendizado e aplicação.

Esse método compõe uma das estratégias para aumentar o comprimento dos tecidos muscular e conjuntivos, induzindo mudanças nas propriedades mecânicas e acarretando aumento na amplitude máxima do movimento por diferentes períodos de tempo. Parte-se da premissa de que todos os métodos de treinamento aumentam a flexibilidade, mas variações em seus componentes metodológicos podem compor estratégias diferenciadas para o treinamento, alterando, dessa maneira, os resultados finais.

A flexibilidade aumenta na infância até o princípio da adolescência e diminui ao longo da vida. É alterada com o crescimento e desenvolvimento, assim como, através das atividades físicas realizadas no cotidiano. Os exercícios de alongamento podem evitar lesões provenientes de movimentos não intencionais como também dores ocasionadas por compressão de músculos encurtados, particularmente nas fibras vermelhas profundas que comprimem raízes nervosas (Achour Júnior, 2006).

É fundamental que o exercício seja executado no tempo de 15 a 30 segundos para cada segmento músculo-articular a ser alongado, ou seja, nos exercícios que exigirem alongamentos bilaterais (porção direita e esquerda), respeitar o tempo estipulado para cada lado.

As ilustrações ao lado mostram alguns exemplos de alongamentos muito simples de serem executados pelos mergulhadores, que, sendo realizados com regularidade e disciplina, propiciarão um aumento efetivo da flexibilidade de membros superiores e consequentemente uma eficácia no alcance das torneiras. Desta forma, o mergulhador se tornará apto a lidar com situações de emergência causadas por possíveis vazamentos, adquirindo capacidade de auto-gerenciamento e aumentando a segurança no mergulho.

As imagens são autoexplicativas. No caso de dúvidas, consulte um profissional de Educação Física.

Fonte

Achour Júnior, A. Exercícios de alongamento: anatomia e fisiologia. Ed. Manole, São Paulo, 2006.

Rodrigo Correa
Administrador de empresas graduado pela PUC-SP e profissional de Educação Física. Professor Mestre pela faculdade de Educação Física da Universidade de São Paulo-USP, Divemaster e mergulhador técnico pela IANTD.