Em busca do Highland Scot

Existem diversas fontes que são acessíveis ao público, como bibliotecas, arquivos de jornais e Internet. Ao pesquisador fica a responsabilidade de conseguir reunir o maior número de informações, para tentar achar três fontes que confirmem os dados encontrados. Outra fonte muito boa, são os livros sobre naufrágios importados.

Em 1999 um conhecido comprou o livro “Shipwrecks” do autor David Ritchie, que é praticamente um dicionário com informações de naufrágios, tendo uma extensa relação de navios naufragados em diversas partes do mundo, e foi neste livro que encontramos pela pela primeira vez o nome “Highland Scot”, que era um navio de passageiros e carga da Inglaterra, e que naufragou próximo das Ilhas Maricás, em Niterói-RJ, devido ao mau tempo. O tipo de navio e a localização do acidente deixou todos curiosos, pois demonstrara ser um navio grande.

Procuramos por informações e até uma coordenada GPS do naufrágio foi passada, mas nenhuma nos levou a lugar nenhum e a marca GPS nos levaria ao meio de uma estrada. Tempos depois, um pesquisador inglês compartilhou algumas informações, enviando um relatório feito pela empresa de seguros marítimos Lloyds, onde constava passo a passo da agonia do “Highland Scot” nas praias de Niterói. O relatório trazia dados muito importantes para nós, como a posição em que o navio teria ficado em relação à praia onde encalhou.

Novas Pesquisas

No começo de 2002, com mais informações do navio em mãos, começamos a cogitar na possibilidade de ir para o mar e tentar localizar os destroços, e mais precisamente em 2002, utilizando a embarcação do amigo Paulo Tessarollo, realizamos um mergulho no Vapor Moreno, e depois, decidirmos ir até uma área local onde seria o provável local onde estaria o Highland Scot.

Chegando ao local, uma praia na costa de Niterói, procuramos por vários pontos, mergulhamos e não achamos nada. Navegamos mais um pouco, havia uma pequena aglomeração de pessoas próxima a um bar, e nesse local obtive a informação de que haveria uma “ferragem” por ali, porém, ela estava bem mais à frente do ponto onde estávamos. Seguimos então navegando em direção à Ponta Negra.

Cruzamos com um pequeno barco de pescadores e perguntamos mais uma vez sobre a tal “ferragem”, e para nossa surpresa, quase que em coro, os pescadores concordaram que havia uma ferragem na praia mais a frente. Após algumas milhas navegadas, chegamos ao ponto onde achamos que seria o local onde seria o naufrágio. Utilizamos o sonar, que apontou indicativos bem curiosos.

Infelizmente é uma região de mar aberto e com as condições de mar começando a mudar, infelizmente tivemos que as buscas e voltar em outra oportunidade.

Clecio Mayrink
Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS e realizou Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount). É juiz internacional de apneia pela AIDA e foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008. Foi o idealizador do site Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769/SP), atuou como consultor para a ONU, UNESCO, além de diversos órgãos públicos no Brasil.