Mergulhador: Configurações e Atitudes

No mergulho recreativo, existe uma configuração básica que normalmente é seguida.

Imagino que um mergulhador só poderia ter sua configuração contestada caso inventasse, por exemplo, de colocar os reguladores do seu lado esquerdo ao invés do lado direito. Ou ainda, se mergulhasse sem o octopus ou com o mesmo preso ao colete com um mosquetão, ou ainda escondido dentro do bolso.

Outra configuração errada é usar o snorkel do lado direito da máscara, já que nessa posição ele prejudica o uso do regulador.

Já no mergulho técnico, a configuração é muito importante. Existem os defensores da configuração hogarthiana, DIR, etc. Imagino que a discriminação é maior, já que, quem não usa a configuração da forma “correta”, é considerado um mergulhador “stroke”. Caso esse mergulhador esteja com equipamentos “pendurados” (lanterna, faca, etc), também pode estar correndo riscos, especialmente se for mergulhar em cavernas ou fazer penetração em naufrágios.

Configuração do material

Sabemos que, da mesma forma em que ocorre com vários itens de consumo, existem marcas mais ou menos tradicionais, mais ou menos caras, com maior ou menor status. Novamente, neste ponto existe um grande diferencial entre o mergulho recreativo e técnico. Enquanto no primeiro a marca tem pouca ou nenhuma influência, no segundo ela é determinante já que para o mergulho técnico são exigidos equipamentos de primeiríssima linha.

Quantidade de mergulhos

Conheci excelentes mergulhadores com poucos mergulhos logados, e verdadeiras antas subaquáticas com dezenas de mergulhos nas costas, inclusive em viagens internacionais.

O conceito de bom mergulhador é: uma pessoa ecologicamente consciente, com boa flutuabilidade, permitindo que se mantenha afastado do fundo e dos corais, não molestando os animais e que não colete souvenirs. Além disso, que seja responsável pelo seu dupla ou grupo, tecnicamente atualizado… tudo isso faz com que todos os mergulhos sejam uma agradável experiência.

Certificadora

Não influencia em nada. Creio que já foi muito discutido nos fóruns o papel do instrutor (assim mesmo, em maiúsculas). Da mesma forma que bons ou maus mergulhadores, temos bons ou maus instrutores.

Normalmente, o instrutor segue a filosofia da certificadora à qual ele é vinculado. Isso pode significar uma abordagem mais técnica, mais comercial, porém sempre deve ser uma abordagem profissional. Seja quais forem as técnicas utilizadas pelo instrutor, ele nunca deve esquecer que o seu nome vai ficar na carteirinha do aluno, e ele será a primeira referência que o aluno vai ter no mundo subaquático. A responsabilidade é enorme…

Flutuabilidade

Este é um item que pra mim caracteriza, sim, um mau mergulhador. E olha que muitos mergulhadores experientes muitas vezes mandam a flutuabilidade às favas apenas por uma boa fotografia… apóiam-se nos corais, metem a nadadeira no fundo… que se lixem os demais, afinal de contas eu já fotografei… Outro problema atual são os mergulhadores mal formados, que chegam para mergulhar sem a mínima noção do que é flutuabilidade neutra.

Falar muito ou pouco antes e depois do mergulho

Se a questão de falar muito ou pouco, é para saber mais sobre o ponto, ou para contar sobre as descobertas daquele mergulho, não existe influência. Agora, se o “falar muito” é para se gabar por ter ido mais fundo ou por ter se arriscado mais, a atitude é totalmente reprovável.

Quantidade de ar respirado durante o mergulho… Quem respira menos é melhor ?

Quem respira menos geralmente é mais experiente (ou mulher…). Um mergulhador normalmente acaba gastando mais ar por vários motivos: lastro excessivo, ansiedade, agitação dos braços para buscar equilíbrio, batida de perna ineficiente, trim inadequado… tudo isso vai melhorando com o tempo, e quanto melhor a performance, mais ar ele irá economizar.

Todo mergulhador iniciante respira mais que os demais mergulhadores. Nada mais justo que os mais experientes tenham paciência com seus duplas novatos e os auxiliem a melhorar sua performance.

Deixar o mergulhador iniciante tranquilo já é um excelente primeiro passo.

Quem vai ou foi mais fundo ?

O tempo do “macho diver” já acabou. Infelizmente com algumas lamentáveis perdas. Falar sobre isso hoje em dia é sinal de imaturidade. Por que não curtir aos poucos o mergulho, e com o tempo e a experiência fazer mergulhos mais desafiadores ? E sempre em companhia adequada ? (e, em alguns casos, gÁS adequado ???)

Tamanho da faca

Algumas pessoas questionam sobre que tamanho de faca usar. Essa questão é engraçada, pois dependendo do lugar, nem faca você poderá usar… Aliás, a faca também entra na questão da configuração do equipamento, ficando na perna direita ou esquerda, do lado de fora ou de dentro… cada um com sua opinião, o importante é que esteja acessível quando (e se) você precisar….

Em resumo… um bom mergulhador é aquele que conhece e mergulha dentro das regras, de maneira responsável, respeitosa e que tenha atitude positiva, seja para com o meio ambiente, ao seu dupla, e a si mesmo.

Paulo Amorim

Paulo Amorim mergulha desde 1999, é Cave Diver pela NACD, Normoxic Trimix Diver pela IANTD, Tec Deep Diver e Master Scuba Diver pela PADI.

Já mergulhou em diversos lugares do Brasil e do mundo, tais como Recife, Guarapari, Fernando de Noronha, Tahiti e Cozumel, além das cavernas de Akumal, Flórida, Curaçao, Bonaire, Bahamas e Bonito.

Atualmente é instrutor pela PADI e moderador da lista de discussão Dive-Net.