Montando sua dupla

Foto: Clécio Mayrink

A montagem de uma dupla de cilindros, não é nada complicado, porém, requer atenção e alguns procedimentos básicos para que o equipamento seja montado de forma correta e segura.

Vale ressaltar, que somente mergulhadores com conhecimentos técnicos em equipamentos, deve realizar tais procedimentos. Além disso, não é recomendável que mergulhadores recreacionais utilizem o sistema de cilindros duplos, devido as diferenciações na configuração utilizada na configuração recreacional.

Itens necessários

Para iniciar a montagem, tenha os seguintes itens em mãos:

  • 2 cilindros com idênticas características
  • Manifold com rosca compatível
  • 2 parafusos para cintas de inox
  • 2 cintas de inox
  • 2 porcas borboletas de inox
  • 4 arruelas de inox
  • 6 porcas de inox com teflon
  • Graxa lubrificante específica para oxigênio
  • Toalha
  • Pano
  • Martelo de borracha
  • Chave de boca

Iniciando a montagem

  • Coloque a toalha esticada no chão e depois os cilindros, para que os mesmos não sofram arranhões;
  • Coloque as torneiras do manifold nos cilindros, estando atento para a correta posição dos mesmos, conforme a foto 1. Caso possua a ferramenta de encaixe de torneiras DIN (Foto2), utilize-a com cuidado para não “espanar” as roscas. Finalize o encaixe com algumas batidas utilizando o martelo de borracha na torneira, não esquecendo antes, de colocar o pano sob a manopla, para que a mesma não fique marcada ou se quebre;
  • Antes de colocar o manifold, lubrifique com a graxa especial para oxigênio, os o-rings em suas extremidades. Isto facilitará o rosqueamento nas torneiras já conectadas nos cilindros e contribui na proteção dos mesmos;
  • Após a lubrificação dos o-rings, junte os cilindros e faça o alinhamento deles (Foto 3). Encaixe o divisor com cuidado (Foto 4), e faça o giro para o lado correto. Neste momento, lembre-se que uma das extremidades possui rosca invertida, e deve-se tomar cuidado para que não se tente rosquear para o lado incorreto e danificar as roscas do manifold (Foto 5);
  • Ao chegar no final do rosqueamento, coloque o divisor em uma posição que facilite um acesso fácil e rápido;
  • Levante os cilindros e coloque a cinta de inox na parte superior dos cilindros, tomando cuidado para que os movimentos realizados, não danifiquem o manifold já conectado (Foto 6);
  • Ao posicionar cinta na altura desejada e coloque os parafusos de inox na furação da cinta (Foto 7);
  • Coloque uma arruela e uma porca de cada lado do parafuso, aperte-as com uma chave de boca compatível, deixando uma parte maior do parafuso exposta para o lado onde será colocado o back-plate, para que você possa encaixá-lo posteriormente (Foto 7);
  • Como forma de segurança, coloque outra porca no lado inverso ao do back-plate e onde já se encontra a primeira porca, para que esta, ajude a segurar ainda mais a porca anteriormente colocada. Para o lado do back-plate isso não se faz necessário, pois como será utilizada a porca borboleta para travar o back-plate, ela já fará o papel de segurança na porca principal que prende a cinta ao cilindro;
  • Ao finalizar a colocação da primeira cinta, encaixe o back-plate e ajuste o posicionamento da outra cinta à ser fixada, para que o encaixe esteja em perfeito alinhamento. Faça isso com os cilindros deitados e evite movimentos bruscos (Foto 9);
  • Repita o processo realizado na colocação da primeira cinta, quanto à colocação das porcas no parafuso;
  • Finalizada a colocação, faça uma checagem se o alinhamento do back-plate está correto e se está adequado ao mergulhador que fará uso deste equipamento.

Primeira recarga

Na primeira recarga, o responsável pela mesma deverá ter atenção em dobro durante o enchimento dos cilindros para evitar possíveis vazamentos pela sede da torneira, principalmente se o cilindro for fabricado no Brasil e for de aço. Chamo a atenção para isso, pois infelizmente alguns técnicos do mercado de mergulho detectaram pequenas diferenças na sede de alguns cilindros nacionais.

Uso de boots

Para quem não sabe, os boots são borrachas encaixadas na parte inferior do cilindro, com a finalidade de deixá-los em pé. Não é recomendável a utilização dos mesmos, pois além de causar arrasto e ser um facilitador de enrosco (pelo menos na minha opinião), a penetração de água, seja ela doce ou salgada (principalmente), contribuirá para a degradação do cilindro, acelerando o processo de corrosão em uma área onde não se tem fácil visualização.

Quando não se utiliza os boots nos cilindros, a lavagem é realizada mais facilmente, e para quem está acostumado a mergulhar em ambientes bem restritos, como no interior de naufrágios por exemplo, sabe o quanto um boot desses pode atrapalhar. o mergulho

Colaboração nas fotos: Vagner Marretti

Clecio Mayrink
Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS e realizou Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount). É juiz internacional de apneia pela AIDA e foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008. Foi o idealizador do site Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769/SP), atuou como consultor para a ONU, UNESCO, além de diversos órgãos públicos no Brasil.