Nautilus Rescue GPS – Vale à pena ?

Foto: Divulgação

O fabricante de equipamentos de mergulho Nautilus, famoso pela fabricação do dispositivo Nautilus Lifeline, um pequeno rádio VHF marítimo com GPS integrado e pronto pra mergulho, lançou recentemente um novo produto denominado Nautilus Rescue GPS, com a funcionalidade de auxílio do resgate de mergulhares, mas com algumas desvantagens.

O primeiro modelo da Nautilus permitia ao mergulhador se comunicar por voz com as embarcações de mergulho usando o rádio VHF multifrequência. Isso permite ao mergulhador falar com a tripulação da embarcação e informar sua necessidade e localização para que se proceda com o atendimento ou resgate do mesmo, tornando a coisa mais clara, simples e confiável. Além disso, por você falar com outra pessoa, você tem a certeza de que alguém recebeu o pedido de socorro e que essa pessoa sabe onde você está.

Quanto ao novo modelo de rádio, o Nautilus Rescue GPS, a coisa muda drasticamente, pois você não fala com ninguém e apenas, envia um pedido de socorro por sinal de rádio.

O aparelho trabalha com um sistema denominado AIS (Automatic Identification System) e com DSC (Digital Selective Calling). No caso do AIS, é um sistema de monitoramento de curto alcance utilizado em navios e Serviços de Tráfego de Embarcações (VTS). O sistema foi desenvolvido por militares, mas a tecnologia foi transferida para o setor civil sem grandes modificações. O sistema serve para identificar e localizar embarcações por intermédio da troca eletrônica de dados entre navios e estações VTS.

De forma clara e objetiva, o novo modelo Nautilus não permitirá você falar com alguém, pois ele não é um rádio de comunicação por voz. Ele se baseia no AIS e DSC para simplesmente obter sua posição GPS e mandar um pedido de socorro aos rádios das embarcações e estações de rádio em terra que possuam a tecnologia AIS / DSC.

Quem estiver em uma embarcação, por exemplo, irá escutar um aviso sonoro de pedido de socorro com informação de longitude e latitude indicada no monitor do rádio. Agora, quantas embarcações possuem rádios com a tecnologia AIS / DSC ?

E estações base em terra ?

Pergunta difícil de responder, mas certamente, são poucos. No caso do Brasil menos ainda…

O AIS e DSC são tecnologias relativamente novas, sendo ainda uma “novidade” para muitos.

No caso do novo Nautilus Rescue GPS, você estaria enviando um pedido de socorro e torcendo para que alguém que esteja relativamente próximo, tenha um rádio com tecnologia AIS / DSC, receba o sinal e ainda por cima, escute o pedido de socorro. É praticamente um tiro no escuro, pois você fica sem saber se alguém viu o alerta.

Por utilizar VHF, as comunicações AIS ficam restritas a uma área local, normalmente com alcance do visual do transmissor. Segundo o site do fabricante, o Nautilus Rescue GPS possui 1 watt de potência para a transmissão do AIS e 0.5 watt do DSC, o que é muito pouco, e apesar do fabricante mencionar que o sinal desse rádio pode alcançar 34 milhas (62Km) de distância, é improvável que isso aconteça.

Então fica a pergunta… Vale à pena comprá-lo ?

Comprar esse produto é não ter a certeza de que alguém recebeu seu pedido de socorro e que literalmente você precisa ter a “sorte” de ter alguma embarcação nas proximidades com o rádio ligado e com tecnologia AIS / DSC.

Além disso, levando em consideração quanto ao número de mergulhadores reclamando de problemas com Nautilus Lifeline e do atendimento e suporte do fabricante, na minha opinião, são muitas variáveis contra a aquisição do Nautilus Rescue GPS.

Quem ainda assim tiver interesse, pode obter mais informações através do site: www.nautiluslifeline.com

Clecio Mayrink
Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS e realizou Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount). É juiz internacional de apneia pela AIDA e foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008. Produziu documentários sobre as Bahamas, Bonaire, Galápagos e Laje de Santos, visitando mais de 30 países. Foi o idealizador do site Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769/SP), atuou como consultor para a ONU, UNESCO, além de diversos órgãos públicos no Brasil.