Okinawa e Yonaguni – O misterioso monumento submerso

Foto: Shawn Miller

Após uma longa temporada vivendo na Austrália,chegou a hora de voltar para o Brasil, e foi nesse momento que decidi realizar a maior aventura da minha vida. Uma viagem ao redor do planeta.

Como um bom turismólogo deve fazer, tratei de organizar tudo com bastante antecedência para aproveitar os descontos nas passagens aéreas e não ter muitas surpresas com o roteiro.

Pois bem, o primeiro local que visitaria seria a ilha de Okinawa no Japão. Então comecei a ver opções de mergulho, escrevi alguns e-mails para diferentes operadoras, mas a Reef Encounters foi aquela que me tirou o sono oferecendo o mergulho em Yonaguni, local que já fazia parte de minhas pesquisas, mas que figurava tão longe e difícil que havia colocado em uma pasta de planos futuros. Nesse e-mail ficava bem claro, que a viagem dependeria de vários fatores como número de pessoas, condições climáticas, confirmação prévia (pagamento antecipado) e etc.

Após alguns dias de conflito interno, decidi confirmar o meu interesse em participar desse tour, porém por dificuldades na comunicação, fiquei aguardando 2 semanas até receber os dados bancários para depósito. Realizado o depósito e após enviar a confirmação do mesmo, mais duas semanas até receber a confirmação definitiva, porém ainda faltavam os detalhes sobre hospedagem, vôo, alimentação, equipamentos, enfim tudo, mas que por fim, nunca receberia. Resumindo a história, fiz uma transferência internacional de U$ 650 para um centro de mergulho em Okinawa que não me confirmou a viagem, a aventura estava começando…

Cheguei em Okinawa no dia 2 de abril desse ano, e no dia seguinte daria início ao meu pacote, que também incluía 3 mergulhos em Okinawa. Conforme combinado e sem surpresas indesejadas, me buscaram no hotel e seguimos para o cais para pegar o barco de mergulho que nos aguardava.

Os mergulhos em Okinawa tiveram um fator emocional muito mais forte do que o próprio mergulho lhe proporciona, pois vivi por 3 anos na Ilha Grande com a família da D. Tsuruko, Hiroko e Kazuo que são descendentes de Okinawa e sempre me contavam histórias sobre esse lugar especial. Em relação aos mergulhos, fomos para um conjunto de ilhas cerca de 1 hora e meia da ilha de Okinawa, água fria (18ºC) porém cristalina (30m de visibilidade), com cardumes de peixes e bastante vida pequena como nudibrânquios, jardim de enguias, serpente do mar, lion fish, peixe palhaço, entre outros.

Alguns dias depois, partimos para Yonaguni, localizada no Mar da China, cerca de 100 km de Taiwan, sendo o ponto extremo oeste do Japão, com menos de 30km de área, a ilha se tornou famosa quando o professor Masaaki Kimura encontrou em 1987 o monumento que está submerso entre 7 e 18m, em uma das extremidades da ilha.

Obviamente que fomos até Yonaguni para mergulhar no monumento, porém devido as condições do mar realizamos mergulhos na costeira oposta nos 2 primeiros dias.

São mergulhos de dificuldade mediana devido as correntes, porém a visibilidade é incrível. Creio que em alguns pontos tínhamos 40m mesmo com o tempo nublado. A paisagem submarina chama muita a atenção, a areia é branquíssima, as rochas da costeira são escuras, com corais (que não são muitos porém muito bonitos) e cardumes coloridos e muitas passagens. Essa talvez a maior diversão dos primeiros mergulho.

Aos 25m encontramos uma passagem, onde a visibilidade proporciona a segurança para entrar por uma fenda e sair aos 15m no meio de corais e comunidades de peixe palhaço. Tartarugas e moréias também são vistas com bastante regularidade.

No dia 6 de junho finalmente, descemos no Monumento de Yonaguni. É uma experiência quase indescritível quando seus olhos começam a entender a magnitude do monumento.

A primeira passagem é pela única estrutura em forma de porta que existe lá, depois cruzamos os pátios em forma de degraus gigantes, até chegarmos à um grande buraco que parece ter sido um reservatório de água, com pequenos canais feitos para a água correr, então no próximo pátio, encontramos uma formação chamada de tartaruga, onde por acaso, uma tartaruga pastava tranquila, sendo vigiada por um grande xaréu e um pequeno white tip reef shark. Em seguida, nos afastamos para ter uma visão panorâmica de todo aquele colosso submerso.

Acreditar que todos aqueles ângulos de 90º foram feitos pela natureza é algo quase impossível. As explicações diferem entre os especialistas, cientistas, estudiosos e também entre os mergulhadores. Minha humilde opinião é que a mão humana trabalhou naquela estrutura como fez com as pirâmides, templos e cidades de pedra tão veneradas em todo o mundo e que continuam inspirando a imaginação de todos.

Depois de toda a aventura, ainda estava reservada a noite de despedida de Yonaguni, onde o instituto do Sr. Kimura para incentivar a divulgação e preservação do monumento, nos brindou com um coquetel típico japonês e um certificado pela visita. Esse foi só o começo de uma viagem que uniu aventura, história, lazer e mergulhos pelo mundo.

Dicas

Para ir até Yonaguni, saí de Tóquio até Okinawa, num vôo que dura três horas.

O pacote da operadora Reef Encounters já incluía o vôo por uma pequena companhia aérea, que utiliza uma aeronave para uns 50 passageiros.

A ilha é bem pequena, a estrutura é bem simples, e na ocasião, alugamos um scooter para dar uma volta ao redor da ilha, levando cerca de 3hs com todas as paradas para tirar fotos e apreciar as paisagens.

Recomendaria um mínimo de três dias de permanência na ilha para a realização dos mergulhos. Em determinada época do ano, é possível encontrar com grandes grupos de tubarão martelo.

Agradecimentos

Agradeço especialmente ao Shawn Miller pelas fotos gentilmente cedidas.